quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ENFRENTAMENTO AO ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES É TEMA DE ENCONTRO EM SÃO GONÇALO



Com o tema “Abuso sexual de crianças e adolescentes: essa questão é de todos nós!”, será realizado no Centro Cultural de São Gonçalo do Rio Abaixo, o Encontro Municipal de Enfrentamento ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes. A atividade será realizada no dia 23 de setembro.


Para abrir as atividades, haverá uma apresentação do projeto Crianças e Adolescentes Vítimas de Abuso Sexual da Universidade Federal de Minas Gerais (Cavas / UFMG).

Às 9 horas terá início uma mesa redonda com o tema: “O atendimento a crianças e adolescentes em situação de abuso sexual” com a participação dos psicólogos clínicos, mestrandos em estudos Psicanalíticos da UFMG; técnicos e pesquisadores do Projeto Cavas/UFMG, Diego Henrique Rodrigues e Izabela Roman e do psicólogo clínico; técnico e pesquisador do Projeto Cavas/UFMG, Renan Lacerda Lima. 

Esta atividade é voltada para profissionais que atuam diretamente no enfrentamento ao abuso sexual de crianças e adolescentes como assistentes sociais, psicólogos, médicos, policiais, professores, membros do Conselho Tutelar, entre outros.

A tarde, às 13 horas, o encontro será retomado com uma mesa redonda que terá com o tema “Abuso sexual de crianças e adolescentes: o que eu penso disso?”. Podem participar todas as pessoas da comunidade de São Gonçalo que se interessam pelo tema.


Acom PMSGRA

http://maismidia.net/noticia/1931/Abuso-sexual/Enfrentamento-ao-abuso-sexual-de-criancas-e-adolescentes-e-tema-de-encontro-em-Sao-Goncalo.html

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

VÍTIMAS DE BULLYNG NAS ESCOLAS SOFREM AGRESSÃO DE PAIS EM CASA


Segundo pesquisa realizada, mais da metade dos entrevistados já apanhou de cinto dos pais ou levou tapa no rosto.

Pesquisa realizada com 239 alunos de Ensino Fundamental pela pesquisadora Lúcia Cavalcanti Williams, da Universidade Federal de São Carlos, identificou que cerca de 70% das crianças e adolescentes envolvidos com bullying (violência física ou psicológica ocorrida repetidas vezes) nas escolas sofrem algum tipo de castigo corporal em casa. 

Do total de entrevistados, 44% haviam apanhado de cinto da mãe e 20,9% do pai. A pesquisa mostra ainda outros tipos de violência: 24,3% haviam levado tapas no rosto, da mãe, e 13,4%, do pai. 

Para a psicóloga Alci Cabral, a criança que sofre agressividade em casa desenvolve submissão e dificuldade de iniciativa e defesa, pois está subordinada aos pais ou à autoridade hierárquica e passa a projetar fora o que vive dentro de casa. Neste caso, pais e professores devem valorizar a criança ou adolescente, aumentando a auto-estima da mesma. “Os adultos devem elogiá-la, mostrar a capacidade e o lado positivo que ela tem para que se fortaleça e enfrente situações em que é desafiada ou agredida.”

“Por outro lado, se a criança é a própria praticante do bullyng, ela também deve ser valorizada e enxergar que tem o lado bom, sem precisar competir com agressividade”, comenta a psicóloga.   

Atualmente, 30 países em todo o mundo têm leis que proíbem castigos na educação de crianças e adolescentes, entre eles a Suécia e a Alemanha. Como forma de diminuir os índices de violência contra menores em casa, pesquisadores sugerem a reforma legal, com a criação de leis que proíbam esse tipo de violência, a divulgação de campanhas nacionais, como as que já vêm sendo feitas, e a participação infantil, com crianças sendo encorajadas a falar sobre assuntos que as afetem.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ABUSO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS CONTINUA ASSUSTANDO


Uma das agressões mais graves contra crianças e adolescentes, segundo especialistas, é a sexual. As marcas deixadas por tal crime costumam ir além do físico, indo se instalar no desenvolvimento psicológico da vítima. E apesar das inúmeras campanhas para coibir tais crimes, eles continuam a acontecer cada vez com mais frequência, e o pior é que maioria nem chegam as autoridades competentes.  Os casos mais recentes, na Serra Gaúcha, aconteceram em Caxias do Sul, Garibaldi e Carlos Barbosa.

Em Caxias do Sul uma menina de apenas seis anos foi atacada por um 'amigo' da família, na noite da última segunda-feira, 5. Segundo a mãe, o homem de 60 anos, chegou em sua casa logo depois das 21h, e como era de confiança e amigo do marido (que ainda estava trabalhando) deixou as duas meninas - de dois e seis anos - brincando na sala com ele, enquanto foi fazer o jantar. Passados alguns minutos, a mãe notou que eles não estavam mais na sala. Preocupada se dirigiu até um dos quartos e lá se deparou com a filha de seis anos deitada sobre a cama e o homem em cima. A outra garotinha olhava sem nada entender.

Já em Garibaldi, a Polícia Civil está investigando o caso de uma menina de cinco anos que teria sido molestada por uma adolescente de 16 anos durante o banho. Nesses dois casos os agressores são pessoas de confiança da família. De acordo com os conselheiros tutelares, grande parte dos crimes são cometidos por pessoas muito próximas, o que dificulta ainda mais, já que muitas crianças - por medo e confusão - não conseguem contar o que está acontecendo.

Uma das armas mais eficientes contra esses criminosos ainda é a denúncia. Basta que a pessoa ligue para o Conselho Tutelar de sua cidade e explique o caso, sem necessidade de se identificar.

Em Carlos Barbosa, essa é uma das atitudes que vem sendo incentivada. No município, quatro casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes estão sendo investigados pela Delegacia de Polícia Civil.  A idade das vítimas variam entre 7 e 14 anos. O caso mais grave é de uma adolescente, de 13 anos, que teria engravidado. O bebê nasceu, e já está com quatro meses. E a agressão mais recente aconteceu em agosto, quando um homem de 34 anos teria molestado uma menina de 7 anos. 

Em Bento Gonçalves, em maio, um caso de abuso sexual também chocou a população. Os responsáveis pelo ato foram presos em flagrante e conduzidos ao presídio Estadual de Bento, onde ficaram a disposição da Justiça. A pena pela prática de crime sexual contra menores de 14 anos varia de 8 a 15 anos de reclusão.

De acordo com o presidente do Conselho Tutelar, Moacir Camerini, um bebê de apenas um ano e sete meses estava sendo explorado sexualmente pela própria mãe. A mulher viciada em crack estava levando a menina para fazer programas com um idoso de 77 anos, a fim de conseguir dinheiro para comprar a droga. O crime foi flagrado por familiares do homem. Eles relatam que ouviram um choro de criança vindo do quarto da casa. Através da fechadura da porta flagraram o idoso com o órgão genital na boca do bebê, cuja cabeça era segurada pela mãe. O bebê passou por exames no DML que confirmaram que não houve conjunção carnal e foi entregue para a avó materna.

Como denunciar
Casos de abuso podem ser denunciados diretamente aos Conselhos Tutelares, Promotorias, Polícia Civil ou Brigada Militar. Também é possível denunciar pelo Disque 100.

Saiba mais
Algumas medidas de prevenção aos pais
- Dizer às crianças que "se alguém tentar tocar-lhes o corpo e fazer coisas que a façam sentir desconfortável, afaste-se da pessoa e conte em seguida".
- Ensinar às crianças que o respeito aos maiores não quer dizer que têm que obedecer cegamente aos adultos e as figuras de autoridade.
- Orientar sempre às crianças sobre opções do que fazer caso percebam más intenções de pessoas pouco conhecidas ou mesmo íntimas.

Esteja atento aos sintomas
- Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares
- Temor irracional diante do exame físico
- Mudanças súbitas de conduta
- Rebeldia e delinquência
- Agressividade excessiva
- Comportamento suicida
- Achar que tem o corpo sujo ou contaminado

O que caracteriza abuso sexual
Abuso sexual: é todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo agressor está em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou o adolescente. Tem por intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual. Estas práticas eróticas e sexuais são impostas à criança ou ao adolescente pela violência física, por ameaças ou pela indução de sua vontade. Podem variar desde atos em que não exista contato sexual (voyerismo, exibicionismo) aos diferentes tipos de atos com contato sexual sem ou com penetração. Engloba ainda a situação de exploração sexual visando a lucros como prostituição e pornografia. E mesmo com todas as campanhas, nos últimos meses, casos de abusos sexual contra crianças continuam acontecendo.

CRIANÇA DE 9 ANOS É RAPTADA E ESTUPRADA EM GOIÂNIA

“Eu só não chorei porque precisava mostrar firmeza, mas os relatos da garota sobre tudo o que aconteceu deixariam qualquer pessoa chocada.” 
Essas são as palavras da delegada Ana Elisa Gomes, chefe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), e que comanda as investigações do rapto de criança de 9 anos, que culminou em um estupro no Residencial Itaipú, na Capital. O fato aconteceu no início da manhã de sexta-feira, mas só ontem a polícia divulgou as primeiras informações.

O caso surpreende até mesmo os investigadores experientes devido às circunstâncias que ocorreu. A menina estava dormindo dentro de casa, quando foi acordada pelo autor que a ameaçou com uma faca. Ele conseguiu entrar na casa sem chamar a atenção, porque momentos antes dele entrar, uma tia da garota saiu de casa, trancou a porta e colocou a chave dentro da casa através de uma janela. 
O autor viu todo o processo, e assim que a familiar se afastou entrou na residência.
O homem tirou a garota da casa e caminhou com ela por várias ruas até chegar a um lugar afastado e com muito mato. Durante todo o percurso, o autor ameaçava a criança com a faca. Ele conseguiu fazer o trajeto sem levantar suspeitas, porque o fato aconteceu às 6 horas. A menina relatou que poucos carros e pessoas passam, mas ninguém desconfiou. 
Após consumar o estupro, o autor abandou a criança, que conseguiu retornar para casa. Quando chegou, seus pais já estavam acordados e assustados com o desaparecimento da filha. Eles notaram que tinha algo de errado com a menina, porque ela estava com sangramento. Rapidamente ela foi encaminhada para o Hospital Materno Infantil de Goiânia.

Investigação
Ainda na sexta-feira, a Polícia Civil conseguiu prender um suspeito de ser o autor do rapto e estupro da menina de 9 anos. Foram tiradas fotos para que a vítima pudesse fazer o reconhecimento, mas ela não identificou o suspeito preso como sendo o estuprador, por isso ele foi liberado. A delegada disse que as investigações vão continuar e que a DPCA está dando toda a atenção a este caso, que não é muito comum quando se trata de violência sexual. “Na sexta-feira, trabalhamos com as investigações até as 22 horas. Vamos precisar contar com a ajuda da menina para acelerar esse processo”, contou Ana Elisa Gomes.
A vítima já passou algumas características do autor. Ele era magro, moreno, teria cerca de 30 anos e cabelos cacheados. O próximo passo será fazer um retrato falado do estuprador para que possa ser divulgado. “Esse retrato falado será muito importante. Através dele a sociedade poderá reconhecê-lo e denunciar ao 181”, disse a delegada chefe da DPCA, que por enquanto prefere resguardar algumas informações. Se condenado, o autor deste crime bárbaro pode pegar de oito a 15 anos de prisão. Vários fatores serão levados em conta no momento de um possível julgamento. “Se a menina ficar com sequelas, isso vai pesar na hora de determinar a sentença. Não sabemos como será a vida dessa criança daqui para frente”, concluiu a delegada.

Cirurgia
Assim que chegou ao Hospital Materno Infantil de Goiânia, a menina precisou passar urgentemente por uma cirurgia para reconstituir seu órgão genital. Segundo Ana Elisa Gomes, o autor foi muito violento, principalmente na área genital. Informações extraoficiais dizem que o estado de saúde da garota é estável, e que ela ainda não tem previsão de alta. O Hospital Materno Infantil não quis fornecer qualquer informação sobre a recuperação da criança. Tentamos contato com os pais da vítima, mas também não foi possível falar com eles.
Fonte: Diário da Manhã, Mário Víctor
Da Editoria de Cidades
http://www.matogrossogoiano.com.br/site/politica/ultimas-noticias/policial/8783-crianca-de-9-anos-e-raptada-e-estuprada

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PEDOFILIA É DOENÇA GRAVE, SEM CURA E CONSIDERADA CRIME



A pedofilia é uma doença sem cura. É classificada como um transtorno de preferência sexual, também denominado como parafilia. Os pedófilos, na sua maioria, são homens, tanto hetero como homossexuais, que têm fantasias ou impulsos sexuais com crianças de até 13 anos.

Muitas vezes são tímidos, têm baixa auto-estima, dificuldade em atraírem parceiras da mesma faixa etária e consomem maior quantidade de pornografia. Podem apresentar problemas como consumo de álcool em excesso, dificuldade de socialização e imaturidade sexual.
A caracterização da pedofilia se dá em indivíduos com, mais de 16 anos, que têm excitação sexual por crianças pelo menos 5 anos mais novas que ele, e que tenham este comportamento por um período de, pelo menos, seis meses.

Na maior parte das vezes, este impulso resulta em grande sofrimento, interferindo negativamente na vida social e profissional. Porém, no caso de envolvimento afetivo e sexual contínuo de um jovem no final da adolescência por outro de 12 a 13 anos de idade, não é considerado transtorno de preferência sexual.

Na prática de pedofilia, não costuma ocorrer penetração, mas manipulação genital, carícias, e sexo oral nas crianças. A ocorrência de penetração é maior nos casos de incesto. Isso é considerado crime, e o pedófilo costuma agir de maneira incontrolada. Apesar da doença não ter cura, através da utilização de medicamentos, e de tratamento psicoterápico, é possível controlar o problema.

OS PEDÓFILOS MUITAS VEZES SÃO TÍMIDOS, TÊM BAIXA AUTO-ESTIMA E DIFICULDADE EM ATRAIR PARCEIRAS DA MESMA FAIXA ETÁRIA.

Dra. Marina Simas, Psicóloga com especialização em sexualidade. 

Postado no Grupo Filhas do Silêncio por Simone Calil Henriques


CRAVINHENSES SÃO CAPACITADAS PARA PREVENIR O ABUSO SEXUAL INFANTO-JUVENIL

PREVENIR – O abuso sexual infantil é um dos grandes flagelos para a condição das famílias contemporâneas... é um dos grandes problemas que reside dentro ou próximo ao lar.



A Secretaria Municipal de Assistência Social de Cravinhos informa que no sábado (27/08) a diretora municipal de Assistência Social, Silvana Lopes da Silva e a coordenadora/assistente social do CREAS-Girassol, Michele Laliane Marques Teodoro, participaram da capacitação do Livro: “O Segredo da Tartanina: uma estratégia na proteção e prevenção do abuso sexual infanto-juvenil”, com carga horária de oito horas, no município de Pompéia (SP). 
O curso foi ministrado pelas autoras dos livros, Alessandra Rocha Santos Silva, Sheila Maria Prado Soma e Cristina Fukumori Watarai.
Objetivando com tais conhecimentos dar continuidade na qualificação técnica dos profissionais do CREAS-Girassol e a rede socioassistencial do município no tocante a ter contato com novas abordagens técnicas em situações de suspeita ou confirmação de abuso sexual infanto-juvenil.
Sendo abordados os seguintes temas pelas profissionais e autoras do livro o Segredo da Tartanina: violência e contemporaneidade: as faces da violência praticada contra crianças e adolescentes; a violência em suas múltiplas faces: conceituando, compreendendo e atuando.” (Formas de violência, fatores psicossociais, indicadores de violência, abordagem da criança vitimizada); rede de serviços na atenção à infância e juventude: caminhos da integração; 

Atendendo crianças, adolescentes e suas famílias: proposta de intervenção; o segredo da Tartanina: uma estratégia na proteção e prevenção do abuso sexual infanto-juvenil e o segredo da Tartanina: uma estratégia na proteção e prevenção do abuso sexual infanto-juvenil. 

O Problema do Abuso

O abuso sexual infantil é um dos grandes flagelos para a condição das famílias contemporâneas... é um dos grandes problemas que reside dentro ou próximo ao lar. Se há um problema relevante hoje é a “doença autoimune” da nossa sociedade, que nasce dentro do próprio seio familiar disfuncional.

O que é o abuso? ... “O abuso sexual pode se manifestar dentro ou fora da família e acontece pela utilização do corpo de uma criança ou adolescente para a satisfação sexual de um adulto, com ou sem o uso da violência física. Desnudar, tocar, acariciar as partes íntimas, levar a criança a assistir ou participar de práticas sexuais de qualquer natureza também constituem características desse tipo de crime.”

Onde reside e qual a dimensão do problema? Segundo o relatório da UNICEF sobre violência contra a criança – publicado em 2006, um estudo realizado em 21 países –, a ocorrência da violência sexual chega a afligir 36% das mulheres e até 29% dos homens vitimizados durante a infância, sendo a taxa de agressão até três vezes maior em meninas. A maior parte dos abusos ocorreu dentro do círculo familiar. Quanto à idade mais crítica, o relatório indica que até 21% das mulheres sofrem o abuso antes dos 15 anos, em grande parte por familiares do sexo masculino.


Os registros de atendimentos no SOS Criança da ABRAPIA – Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência – (hoje extinta) relataram, entre 1998 e 1999, a seguinte realidade brasileira: 49% das vítimas tinham de 2 a 5 anos, 33% de 6 a 10 anos; 80% eram do sexo feminino; e 90% dos agressores eram do sexo masculino.

Qual é o perfil do agressor? Em geral, como visto acima, os agressores são homens heterossexuais ligados ao convívio da vítima. De acordo com estudos conduzidos pelo Laboratório de Estudos da Criança da USP, “de 85% a 90% dos agressores são conhecidos da criança: familiares ou pessoas muito próximas que se utilizam da relação afetiva para o ato libidinoso ou sexual”, conforme boletim da REBEDIA – Rede Brasileira de Informação e Documentação sobre Infância e Adolescência. 

Dados publicados pela Psique Web indicam que, nos casos intrafamiliares, os agressores mais freqüentes são: pais (52%), padrastos (32%) e tios (8%).
O pediatra Lauro Monteiro, editor do Observatório da Infância e fundador da extinta ABRAPIA, comenta: “O abuso ocorre, com freqüência, dentro ou perto da casa da criança ou do abusador. As vítimas e os abusadores são, muitas vezes, do mesmo grupo étnico e nível socioeconômico.” Ao contrário dos mitos populares, os abusadores são em geral pessoas aparentemente normais e próximas das crianças e dos adolescentes vitimados.

Por que o abuso não é discutido ou denunciado?
Freqüentemente, o adulto que comete violência sexual obriga a criança ou o adolescente a guardar segredo sobre o que ocorreu. Para isso, usa de formas diversas de pressão, como a ameaça física ou psicológica, e até a conquista do afeto da criança (não se esqueça de que o abuso ocorre, em geral, entre familiares ou amigos).

“Quando há envolvimento de familiares, existem poucas probabilidades de que a vítima faça a denúncia, seja por motivos afetivos ou por medo do abusador; medo de perder os pais; de ser expulso (a); de que outros membros da família não acreditem em sua história; ou de ser o (a) causador (a) da discórdia familiar”, afirma Dr. Lauro.

Quais os efeitos do abuso? A Dra. Maria Cecília de Souza Minayo, uma das maiores especialistas em violência contra a criança, afirma: “Estudos têm mostrado que, frequentemente, crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual costumam sofrer também outros tipos de violência, como a física e a psicológica; tendem a sentir muita culpa e a ter baixa autoestima; podem apresentar problemas de crescimento e de desenvolvimento físico e emocional; e tendem a ser mais vulneráveis a idéias e tentativas de suicídio. 

Muitas saem de casa quando os abusadores são os pais ou padrastos, passando a viver nas ruas, expostas a agressões e à cultura da delinqüência. Grande parte delas costuma sofrer de enfermidades psicossomáticas e sexualmente transmissíveis.”

Há, na literatura médica, evidências de que os efeitos do abuso vão além da infância. Na vida adulta, sem tratamento adequado, resultam em dificuldade de desenvolver relacionamentos sociais, alcançar objetivos profissionais, impotência sexual e frigidez, depressão e suicídios – relata Dr. Lauro.

O que fazer? Ao deste livro é apresentaremos formas de auxiliar a vítima e sua família após o diagnóstico, ou simplesmente, mais informações para quem deseje apoiar este nobre trabalho, sejam em campanhas, no ambiente de trabalho, na sua igreja ou escola.
Porém, um dos maiores problemas em casos de abuso sexual é o silêncio. Em geral, as crianças abusadas não avisam que foram violentadas, pois são convencidas ou forçadas a não falar sobre o assunto. Em decorrência disso, poucos casos são denunciados e a impunidade impera sobre a sociedade civil e moral.

É realmente difícil tomar consciência e encontrar soluções para este tipo de crime, pois em apenas 30% dos casos de abuso infantil há evidências físicas. Em casos consumados, no entanto, pode-se vigiar a vítima durante o período de “muro de silêncio”. Nessas circunstâncias em que carrega o segredo, ela demonstrará sinais de afastamento e mudança de humor. Pais e responsáveis devem estar muito atentos às mudanças de conduta e ao humor de seus filhos.

Este livro em si é uma ferramenta de ajuda que oferecemos para facilitar aproximação de vitimados, e lançar a oportunidade de discutir o assunto com franqueza e delicadeza, diagnosticando casos de abuso de forma não invasiva. Esperamos que, por meio deste recurso simples e acessível, muitas crianças e adolescentes possam ter a oportunidade de receber ajuda adequada e esperança para continuar a vida.

Se você não possui uma vítima em seus relacionamentos próximos, meu desafio é que apóie o trabalho de prevenção neste tema, que é o mais eficaz mecanismo de proteção a qualquer criança! Encorajo-o a ser parte deste movimento a serviço da nova geração de famílias brasileiras. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SEIS SÃO PRESOS POR ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL


De acordo com o DAGV cerca de cinco crianças que pediam esmolas em sinaleiras foram abusadas sexualmente em troca de dinheiro e até comida


A tranquilidade de seis homens suspeitos de abuso e exploração sexual contra cerca de cinco crianças, todas menores de 11 anos de idade, chama a atenção da polícia. Os homens foram apresentados durante coletiva na manhã desta segunda-feira, 5, no Departamento de Atendimento aos Grupos Vulneráveis (DAGV).
De acordo com a coordenadora da Delegacia Especial de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vulnerável, Mariana Diniz, o departamento estava investigando o fato das crianças estarem nos sinais pedindo esmolas, expostas a uma situação de extrema pobreza. Durante as diligências, a polícia constatou que as crianças também eram abusadas.
A delegada ressalta que os homens não agiam como organização criminosa e que, apesar de todos residirem na Coroa do Meio, local onde as crianças pediam esmolas, eles não agiam como quadrilha. Cautelosa, Mariana Diniz ressalta que as crianças foram ouvidas e contam em detalhes como os abusos eram cometidos. A delegada frisa que quase todos os envolvidos moram sozinhos e levavam as crianças para dentro da residência, onde o crime era cometido.
Os suspeitos foram identificados como Antônio Carlos Rosendo da Silva, conhecido como ‘Gordo’, um aposentado, de 53 anos, já foi preso por tentativa de homicídio contra o coronel Prudente; Wellington dos Santos, de 50 anos; José Dos Santos, de 56 anos; o carpinteiro Albino de Santana Silva, de 45 anos; José Fernando Costa Marcos, de 61 anos, e o pescador Pedro Francisco dos Santos, de 42 anos, proprietário de uma peixaria e de um lava jato.
A investigação da polícia também aponta José Fernando Costa Marcos como sendo responsável por atentado violento ao pudor, crime que ocorreu em 2006 contra uma criança de oito anos, que é parente do acusado.
Vítimas
Meninas e meninos de sete, oito, dez e até 11 anos em situação de vulnerabilidade. Esse era o perfil das vítimas que eram abusadas e exploradas sexualmente. A delegada ressalta que todo o procedimento foi encaminhado a 16ª Vara do Poder Judiciário, que decidirá sobre o destino das crianças e a responsabilidade dos pais. Mariana Diniz adianta que outro envolvido no crime deverá ser preso nas próximas horas.
Pornografia
Na residência de Gordo, a polícia apreendeu material pornográfico. Filmes, camisinhas, remédios contra disfunção erétil, pênis de borracha, vibrador, câmera fotográfica e vários aparelhos celulares. Questionado sobre as acusações, ‘Gordo’ disse desconhecê-las.
Defesa
O taxista José dos Santos inicialmente disse desconhecer o motivo da prisão, mas após ser questionado sobre as crianças, disse que há quatro anos conheceu a mãe de uma das meninas durante uma corrida de táxi. “Se alguém aqui disser que não conhece essas meninas está mentindo. Todo mundo aqui se conhece da Coroa do Meio. Eu sempre passava lá no sinal e dava um dinheiro para elas, mas nunca tive nada”, fala.
Aos 50 anos, Wellington dos Santos, que se apresenta como sendo conferencista ou palestrante da igreja Adventista da Coroa do Meio, também nega o crime. Wellington conta que conhece as crianças das ruas da Coroa do Meio e que realiza um trabalho de palestras sobre álcool, drogas e sexualidade a serviço da igreja e da Associação de Moradores do bairro.
Por Kátia Susanna