sábado, 24 de novembro de 2012

EM DEZ ANOS, TRIPLICA NÚMERO DE ATENDIMENTOS EM HOSPITAL DE SP A CRIANÇAS QUE SOFRERAM ABUSO SEXUAL


Hospital Estadual Pérola Byington também registrou crescimento da procura pelo serviço entre adolescentes de 12 a 18 anos


Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, o número de crianças atendidas no Núcleo de Violência Sexual do Hospital Estadual Pérola Byington triplicou nos últimos dez anos. Os dados, que se referem ao período entre 2001 e 2011, também mostram que houve crescimento dos adolescentes entre 12 e 18 anos que procuraram o serviço.
Todas as pessoas recebidas pelo núcleo são vítimas de algum tipo de crime sexual. Esse serviço do hospital, que é referência em atendimento à mulher e a vítimas desse tipo de violência, oferece acompanhamento psicológico por tempo indeterminado aos pacientes, além de diagnóstico e, se preciso, tratamento para doenças sexualmente transmissíveis e para as complicações de danos físicos.
De acordo com o levantamento, 1.088 crianças de até 12 anos foram tratadas pelo serviço do hospital em 2011. Dez anos antes, em 2001, esse número foi de 352 atendimentos. Embora menos, a quantidade de adolescentes acolhidos pelo núcleo também cresceu: em 2001, foram registrados 498 casos e, em 2011, 759, representando um aumento de 52%.
No entanto, de acordo com Jefferson Drezett, coordenador do Núcleo de Violência Sexual do Pérola Byington, o aumento do atendimento de crianças vítimas de abuso sexual não significa que a incidência desse tipo de crime tenha crescido, mas sim que a procura pelo tratamento e acompanhamento adequado tem se tornado mais frequente. "Hoje em dia é dada muito mais importância aos casos de abuso sexual na infância do que há anos atrás. Familiares, profissionais de saúde e de educação estão, ao que parece, mais conscientes sobre os sinais apresentados por um jovem que passou por isso. As pessoas estão aprendendo, cada vez mais, a identificar e notificar esses casos", afirma Drezett.
Meninos — A pesquisa também mostrou que o atendimento feito a crianças do sexo masculino vítimas de abuso sexual aumentou mais do que o feito às jovens do sexo feminino. Entre os meninos, esse crescimento foi de 37%, enquanto, entre as meninas, foi de 26,4%. De acordo com Drezett, esse dado mostra que a procura por ajuda, e não a incidência de abuso sexual, entre meninos está aumentando. "Por motivos de preconceito e pressão familiar, os meninos acabam falando menos sobre terem sofrido abuso sexual do que as meninas", explica.
Segundo o coordenador, atualmente, o sexo masculino representa entre 20% e 25% de todos os atendimentos feitos a crianças vítimas de abuso sexual no hospital. Estima-se que, de todos os casos de crime sexual infantis, entre 25% e 35% são contra rapazes. "Esse maior crescimento no atendimento dos meninos não nos surpreende, já que mostra que a porcentagem de procura pelo serviço está se aproximando do total de casos que de fato acontecem", afirma o coordenador.
O levantamento ainda indicou que o número de adultos maiores de 18 anos que procuraram pelo serviço, por outro lado, diminuiu em 40% nesse período. "Como houve maior desenvolvimento dos serviços de saúde especializados em mulheres adultas, com profissionais aptos a ajudarem aquelas que sofreram abuso sexual, pode ser que as vítimas estejam procurando outros centros de referência que não o Pérola Byington. No entanto, não há estabelecimentos pediátricos especializados em abuso sexual em São Paulo, então as vítimas infantis acabam se concentrando aqui", diz Drezett.
Recomendações — Apenas entre 10% e 20% de todos os casos de abuso sexual que acontecem chegam ao conhecimento de profissionais de saúde ou de policiais. De acordo com Drezett, como crianças têm menos autonomia para procurar por ajuda, os adultos que estão a sua volta devem ficar atentos a alguns fatores, como mudanças abruptas de comportamento e queda do rendimento escolar. Se essas alterações comportamentais ocorrerem, o ideal é estabelecer um diálogo sutil e discreto com a criança e, sob suspeita de ter ocorrido abuso sexual, denunciar o caso para o Conselho Tutelar mais próximo e procurar ajuda especializada.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/em-dez-anos-hospital-triplica-numero-de-atendimentos-a-criancas-que-sofreram-abuso-sexual


domingo, 18 de novembro de 2012

ABUSO SEXUAL


O lar é o lugar onde a criança deveria se sentir segura e protegida. Mas, nem sempre, é assim. Isso porque o abuso sexual, geralmente, é praticado dentro de casa, e, pior, por parentes próximos e queridos.



Lar, doce lar. Um lugar onde a gente deveria se sentir relaxado, seguro e protegido. Mas, para muitas crianças e adolescentes, é palco de um grande pesadelo: o abuso sexual. Pesquisas e estudos sobre o assunto mostram que não importa a classe social, a raça ou o nível de escolaridade. É dentro de casa que acontece grande parte da violência sexual, geralmente provocada por pessoas do sexo masculino, como pai, padrasto, tio, parentes ou amigos da família, tendo como alvo preferencial as meninas. Desde leves carícias pelo corpo até o ato sexual em si, há quem se aproveite da ingenuidade dos pequenos para realizar fantasias sexuais, sem se importar com as conseqüências que isso pode trazer a eles.  E o pior: como o abuso ocorre em segredo, nem sempre se descobre o que está havendo. Como pouca gente tem coragem de denunciar, alguns abusadores continuam agindo, certos de sua impunidade.

Quando se pensa em um abusador, logo vem à mente uma pessoa diferente, de mau aspecto e com jeito de maníaco sexual, não é? Só que não é nada disso. A realidade mostra que o abusador geralmente é uma pessoa comum, agradável, simpática e discreta, com pinta de bom pai de família. E por falar em família, é ali que acontecem a maioria dos abusos, cometidos por pessoas queridas pela vítima. E, por ser uma situação extremamente delicada que, na maioria das vezes, envolve pessoas que possuem grandes laços afetivos, ainda é muito difícil ter coragem de denunciar um abuso sexual. De acordo com a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência -Abrapia, somente cerca de 10% a 20% dos casos de abuso contra crianças e adolescentes são registrados.

O modo de ação do abusador, muitas vezes, passa despercebido pelos parentes da vítima. Isso acontece porque nem sempre a criança é violentada, apresentando marcas de relações sexuais, ou espancada. Agressão física acontece, mas a maioria dos abusadores prefere agir na surdina, muito sutilmente. Eles podem apenas alisar ou beijar a criança, passar as mãos por seu corpo e pelos órgãos sexuais, como se fosse apenas carinho, ou simplesmente nem tocar nelas. Alguns preferem mostrar filmes de vídeo e revistas pornográficas para a criança, para “ensinar” como se faz sexo, enquanto outros preferem observá-la enquanto toma banho ou troca de roupa. E ainda existe uma outra artimanha: para convencê-la a ser tocada ou a participar de uma relação sexual, muitos apelam para a sedução por meio de elogios, dinheiro ou presentinhos.

Características

Estudos mostram que nem sempre os abusadores são pedófilos de plantão. “Existe o abusador situacional, que é aquele que comete o ato impulsivamente, motivado por algum problema psicológico, como fragilidade, auto-estima baixa e sentimento de menos-valia. Esses abusam esporadicamente, apenas diante de uma situação como essa. Já o abusador fixado, ou pedófilo, tem as crianças como objeto de desejo sexual. Usa-as para obter satisfação, não só sexual, mas de poder, de controle. É uma pessoa que tem imaturidade no desenvolvimento sexual. A pedofilia é uma doença, a pessoa não tem controle sobre seu desejo e não consegue evitar o abuso”, explica a psicóloga e terapeuta de família Vânia Izzo de Abreu, da Abrapia.

Para a psicóloga Mônica Freitas, da Aliança de Psicologia Hospitalar, do Rio de Janeiro, quem abusa sexualmente de alguém tem como característica principal o desejo de transgressão. “São indivíduos que não possuem limites e nenhum significado de moral e respeito. Abusadores são doentes que necessitam de tratamento”, define ela.

Motivos

As causas do abuso variam muito. Segundo pesquisas, o molestador costuma considerar o abuso uma coisa normal, pois pensa que, com ele, está dando à criança a oportunidade de experimentar o sexo. Para conseguirem o que querem, precisam também convencer a criança de alguma maneira. Uma delas é dizendo que a “brincadeirinha” ou a relação sexual são um “segredo” entre eles, que não deve ser revelado a ninguém. E partir, em seguida, para a chantagem, com ameaças. Grande parte das vezes, a criança ouve coisas como “Se a mamãe souber do nosso segredo, ela vai ficar muito brava e abandonar você” ou  “se você contar para alguém o que nós fazemos, vai apanhar bastante”. Confusa e sem saber direito o que está acontecendo, a criança aceita. Tanto por medo das conseqüências quanto por achar que não será mais amada pelo abusador – que, como foi dito, geralmente é um parente muito querido.

Crianças confusas

Segundo a psicóloga Vânia Abreu, apesar do trauma de ter sido abusada, cada criança reage ao fato de maneira diversa. “Cada caso é um caso. Ela pode ter um comportamento sexualizado precoce, masturbação compulsiva, não se sentir querida ou amada, achar que não pertence ao grupo infantil e isolar-se dos amiguinhos, sentir-se suja ou não apropriada. Pode, inclusive, sentir prazer e até vontade de continuar o abuso, para sentir mais proximidade, carinho ou atenção do abusador. São vários os lados da questão: há crianças que gostam, outras que sofrem. Mas nenhuma delas entende realmente o que está acontecendo”, ressalta ela. Algumas crianças, inclusive, continuam gostando do abusador, pois têm uma relação de parentesco com ele. Mas outras desenvolvem uma fobia muito grande de se aproximar dele e começam a apresentar reações físicas, como dor no corpo ou dor de barriga. Podem até pensar em suicídio, pois o trauma é muito forte.
Até mesmo a maneira como a família reage diante da descoberta do abuso influi em seu comportamento. As marcas psicológicas perduram  pelo resto da vida. “As conseqüências emocionais para a criança ou adolescente são bastante graves, tornando-as deprimidas, inseguras, com problemas sexuais ou de relacionamentos íntimos”, afirma a psicóloga Mônica Freitas.

Descoberta

Como a maior parte dos casos não apresenta marcas nos órgãos sexuais, geralmente os exames de corpo de delito não detectam o abuso. Então, a melhor forma de descobrir como ele aconteceu é entrevistar todas as pessoas envolvidas: a criança, a família e o próprio abusador. A própria Abrapia tem um programa, o Sentinela, que avalia a criança/adolescente e a família, com o auxílio de profissionais capacitados. Segundo Vânia, não é nada fácil convencer a criança a falar. “É um trabalho que precisa ser feito com cuidado. É preciso ganhar a confiança da vítima para conseguir que ela conte o que ocorreu. Muitas preferem contar o abuso através de desenhos ou da representação do ato com bonecos que possuem a genitália e os orifícios aparentes”, diz. Entretanto, há casos de abuso que nunca vêm à tona. Algumas vítimas guardam segredo por muitos anos, outras pelo resto da vida. Com isso, levam para a vida adulta problemas como frigidez, dificuldades de relacionamento afetivo ou necessidade de se aproximar sexualmente das pessoas para obter algum tipo de atenção.

Dentro de casa

Em família, o caso fica bem mais complicado. Há mães que sabem o que está acontecendo, mas não o que fazer diante disso. Segundo Vânia, tem as que acreditam na criança e procuram ajuda, inclusive se separando do abusador. E tem as que não conseguem acreditar de jeito nenhum no filho. “Elas acham que aquilo não é verdadeiro, pois a situação bate de frente com as suas questões de sexualidade”, comenta a psicóloga. Já as que nunca desconfiaram de nada, ao descobrir o abuso, se sentem culpadas por não terem protegido a criança.

Uma situação de abuso mexe com toda a dinâmica familiar, provocando reações bem diferentes em cada pessoa envolvida. Além disso, a família pode ficar dividida e em dúvida quanto à veracidade da ocorrência do abuso. Muitos parentes chegam até a culpar a criança pelo ocorrido, dizendo que foram elas que provocaram a situação. “Se a criança relata isso para alguém, a pessoa tem de acreditar nela e encaminhá-la ao Conselho Tutelar. Cada criança tem uma forma própria de revelar o abuso, mas é necessário acreditar nela. E, se for uma situação que lesionou órgãos sexuais, o melhor é levá-la a um hospital”, recomenda Vânia Abreu.

Como agir

Mas o que fazer quando se descobre um caso de abuso sexual dentro da família? O primeiro passo é procurar pessoas especializadas no assunto – como psicólogos, psiquiatras e instituições de apoio à criança e ao adolescente. São pessoas capacitadas para lidar com o problema e que podem orientar a família a gerenciar melhor a situação. Outro passo importante é notificar o Conselho Tutelar da localidade, um hospital ou um posto de saúde, para buscar assistência à criança. “É preciso denunciar, pois o abuso sexual é crime. A criança ou o adolescente não é responsável pela violência que sofreu. Existe toda uma parte jurídica envolvida, devido à violação da criança e à responsabilidade penal do abusador. A família deve protegê-la e tirá-la das mãos de quem a abusou. Quanto mais cedo isso for feito, melhor”, opina Vânia Izzo. A psicóloga Mônica Freitas concorda. “É importante que se afaste a criança do local para sua própria proteção e buscar, o mais rápido possível, a ajuda de um profissional especializado, para que este faça o encaminhamento da situação da melhor forma possível”, recomenda.

http://www.bolsademulher.com/familia/abuso-sexual/




“AS ESCOLAS NÃO ESTÃO PREPARADAS PARA LIDAR COM ASSUNTOS DE VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL”, AFIRMA PROFESSORA




A garota de 11 anos morava com os pais e três irmãos em uma comunidade litorânea em Natal, Rio Grande do Norte, e viviam com cerca de um salário mínimo, proveniente de programas de transferência de renda. Apesar do pai alcoolista praticar violência física e psicológica contra a família, a menina era boa aluna, tinha o histórico de pontualidade, assiduidade e cumprimento das normas escolares. Mas seu comportamento mudou de repente. Com sucessivos sumiços de casa, faltas na escola e frequentes brigas pelo bairro e na sala de aula, a mãe suspeita que a filha estivesse induzida ao uso de drogas e sofrendo exploração sexual por pessoas da comunidade, traficantes e estrangeiros.

“Eu sei que uma criança sofreu algum tipo de violência porque é notável o rendimento escolar dela cair automaticamente, sem exceção”, afirma convicta a professora Juliana Delmonte, que dá aula de quinta série a terceiro ano do ensino médio numa escola estadual no Butantã, em São Paulo. “Essas meninas faltam muito. Ou a escola perde o sentido e elas a abandonam, ou a escola acaba fazendo muito sentido porque é o único ambiente onde elas não são violentadas”.

A professora é conhecida por coordenar o Grupo de Estudos Feministas Gilka Machado, nascido em 2011 numa escola em Interlagos e vencedor do prêmio nacional Construindo a Igualdade de Gênero, do mesmo ano. Divididas em dois grupos de 20 meninas cada, as garotas, vivendo num lugar onde a violência doméstica ou sexual é comum, discutem preconceito contra a mulher no cotidiano, a mulher na mídia e na política, machismo, violência e outros temas similares.

Segundo ela, o quadro é recorrente em classes mais pobres e não há nenhum material que aborde o assunto. “De forma alguma a escola está preparada. Os professores, geralmente quando não se omitem, corresponsabilizam e culpabilizam a vítima. A única ação que podemos fazer quando descobrimos algum caso de violência sexual é denunciar e encaminhar para o Conselho Tutelar, não depende só da instituição de ensino”, explica Delmonte.

Números crescentes

O aumento do número de denúncias é significativo. De janeiro a abril de 2012, o Disque 100 recebeu 34.142 denúncias referentes à violação de direitos humanos contra crianças e adolescentes, representando 71% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Desde março de 2011, o atendimento do Disque 100 foi ampliado, passando a funcionar todos os dias, 24 horas.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), de janeiro a setembro de 2012 foram registrados no país 6.637 casos de exploração sexual no Disque 100. Bahia lidera o número de denúncias recebidas, com 643 ligações (11,4% do total). Em seguida, aparecem Rio de Janeiro com 540 denúncias (9,6%), e São Paulo, com 538 (9,5%). Roraima é o Estado com menos denúncias, apenas nove durante o ano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que, em 2009 no Brasil, 100 mil meninos e meninas são vítimas de exploração sexual.

O caso da adolescente de Natal foi encaminhado e cuidado pelo Centro de Defesa da Criança e Adolescente - CEDECA Casa Renascer, uma organização sem fins lucrativos que atua desde 1991 em Natal, em defesa dos direitos de crianças e de adolescentes em situação de risco pessoal e social, principalmente aquelas violentadas sexualmente. Hoje, a jovem com 16 anos tem um filho, estuda, ajuda a mãe na produção de artesanatos e vive com a família na mesma comunidade de origem.

Porém, de acordo com o relatório do CEDECA, não há comprovação quanto à ressignificação da violência vivenciada por ela, considerando que o consumo de drogas e a exploração sexual só foram encerrados em razão da morte do agressor que aliciava a menina, e não em um processo de garantia do direito dessa adolescente. “Entende-se, portanto, que a violência a que esta adolescente foi exposta reflete a realidade de outras crianças e adolescentes na comunidade necessitando, assim, de ações efetivas por parte do sistema de garantia de direitos considerando a vulnerabilidade instalada”, conclui o documento.

Iniciativas de combate

O governo federal enfrenta essa questão por meio do Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que integra o Programa Avança Brasil. São realizados mais de 30 mil atendimentos anuais por meio das ações desenvolvidas no Programa Sentinela, com a criação de 25 Centros de Referência em 24 municípios no país.

Outra iniciativa federal é o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, lançado em 2000 e articulado junto à sociedade civil organizada. O trabalho é responsável por estruturar políticas e serviços que garantam os direitos da criança e do adolescente, e possui eixos estratégicos que estabelecem metas, parcerias e prazos a serem cumpridos para reduzir os casos de abuso e exploração sexual e garantir o atendimento de qualidade para as vítimas e a suas famílias.

Criado pelo Conselho Nacional do SESI (Serviço Social da Indústria), com a contribuição de diversas instituições e profissionais que atuam nesse campo, o Projeto ViraVida atua desde 2008 oferecendo formação profissional e emprego a adolescentes e jovens, vítimas de exploração sexual, abrindo caminhos para uma mudar o enredo de suas vidas. O Programa foi iniciado em quatro capitais e hoje atende 1.238 alunos em 19 cidades. Desde a implantação em 2008 até outubro de 2012, 2.552 adolescentes e jovens haviam sido matriculados no ViraVida. A longo prazo, a perspectiva do SESI é levar o programa a todos os municípios atingidos por redes de exploração sexual.

Em âmbito estadual e presente em 30 municípios de São Paulo, o Projeto Ação Proteção busca articular, sensibilizar e capacitar os participantes do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) para enfrentar a violência sexual. O Projeto é uma iniciativa da Fundação Telefônica em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo e da ONG Childhood Brasil.

http://www.promenino.org.br/Default.aspx?TabId=77&ConteudoId=5b90d58b-b614-4d16-af03-56daf21f022f

domingo, 11 de novembro de 2012

PEDÓFILOS NÃO TÊM PERFIL PADRÃO, MAS SENTEM CULPA E CONTROLAM DESEJO SEXUAL, DIZ PSIQUIATRA


O menino de quatro anos que teve que parar na Santa Casa com diarréias e vômitos para que alguém pudesse perceber a quantidade de ferimentos que ele apresentava pelo corpo – como costelas quebradas, desvio de traquéia, hematomas e fígado machucado – chocou Campo Grande. O Presidente da Associação Sul-mato-grossense de Psiquiatria, Kleber Francisco Meneghel Vargas, explicou que não há como saber quem é um pedófilo ou não, apenas em uma conversa. Por isso, a atenção dos pais com quem deixa as crianças deve ser redobrada.

Em Mato Grosso do Sul, foram 41 casos de pedofilia registrados em 2011. Até novembro do ano passado, 37 crianças foram vítimas do crime. Somente em Campo Grande, dois casos foram registrados. Em 2012, até novembro são oito casos na capital e 19 em todo o Estado, de acordo com as estatísticas registradas pelo sistema da polícia.

Segundo o advogado Damásio de Jesus, não temos, no Brasil, uma legislação específica que defina a conduta típica de pedofilia. Para punir quem pratica este tipo de perversão sexual, entretanto, geralmente são aplicadas punições previstas para os crimes de estupro de vulnerável, ameaça, lesão corporal.

Para o psiquiatra Kleber Vargas, não há como padronizar o comportamento de um pedófilo. “Não há um perfil muito bem definido, mas a maioria dos pedófilos é masculina. Não existindo este padrão, é difícil dizer quem devemos cuidar”, alerta.

Estudos revelam que são três os principais “tipos” de pedófilos. Os que sentem culpa pelo que fizeram, os que sentem apenas um pouco de culpa e os que não se sentem culpados. “Estes últimos são os psicopatas, que podem, por vezes, ser pedófilos também. Vale ressaltar que todos eles sabem que estão cometendo um crime e têm consciência de que o que fizeram e fazem é errado”,  disse o psiquiatra.

“Os pedófilos sabem que a criança sofre, sente dor. Mas ele pensa apenas em satisfazer o desejo sexual dele. Para a pessoa que tem este transtorno sexual, é possível ter também desejo por pessoas da mesma idade, sexo oposto ou do mesmo sexo. Mas alguns sentem desejo apenas por crianças”, revela.

Ele conta que estudos também já mostraram que é mito que um abusador tenha sido necessariamente ou majoritariamente abusado sexualmente ou estuprado na infância. “Isso não é verdade exclusivamente. Nem todo mundo que foi estuprado na infância desenvolve a pedofilia e nem todo pedófilo foi abusado”.

Em relação ao controle, é possível fazê-lo. “Existe tratamento com medicação e terapia para que o pedófilo controle o desejo sexual dele. Ele sabe que sente atração por criança e deve procurar ajuda médica. Na rede de saúde pública existe como ele fazer tratamento com um psiquiatra e tomar a medicação. Em casos extremos, nos Estados Unidos, quando a pessoa revela que não consegue mesmo se controlar e comete crimes, há a castração química, que é quando o indivíduo recebe altas doses hormonais e não sente mais desejo sexual”.

 Vale lembrar que para os psicopatas, a situação é diferente, já que ele não sente culpa e, por isso, não procuram tratamento.

No caso da última semana, quando a mãe relatou não saber que o seu companheiro abusava e machucava seu filho, o psiquiatra diz que a situação é possível. “Ele é como outra pessoa, no caso, que sabe que está cometendo um crime e quer esconder isso. Para tanto, usa os melhores argumentos e eles geralmente tem grande poder de manipulação para conseguirem o que querem”, explica.

Novos companheiros

Em uma sociedade de dinâmica familiar diferenciada em relação aos séculos anteriores, cujas associações amorosas podem ser tanto duradouras quanto supérfluas e mais rápidas do que se tem costume, o psiquiatra alerta as famílias principalmente sobre quem colocar dentro e casa, em contato com seus filhos.

“É preciso conhecer muito bem alguém antes de colocar dentro de casa para conviver com seu filho, que é menor e incapaz de perceber se uma pessoa é ofensiva ou não. É preciso também duvidar, ficar de olho, zelar e dar incertas na pessoa em casa”, orienta.

Kleber Vargas lembra as mães que os casos de abuso ocorrem geralmente dentro de casa, com padrastos, pais, vizinhos, parentes e pessoas da nossa confiança. “Lembrar disso sempre é muito importante”.

Em relação a quem cuida, é preciso ficar atento. “Sair de casa e voltar, com a desculpa de quem vai buscar uma chave, ou aparecer no meio do dia, em horário inesperado, algumas vezes, é válido”.

Mas o principal é ouvir a criança. “Muitos adultos não têm ideia do quanto um diálogo franco com a criança é importante. A criança fantasia é claro, mas não passa a vida fantasiando. Se há um relato do filho, é preciso monitorar a situação. Se houve um relato estranho de machucado, outro, o filho está com comportamento diferente, é preciso ficar atento. Pode haver algo errado”, alerta.

http://www.midiamax.com/noticias/824494-pedofilos+nao+tem+perfil+padrao+mas+sentem+culpa+podem+controlar+desejo+sexual.html



domingo, 4 de novembro de 2012

QUEM SOMOS?


PROJETO BRASIL SEM PEDOFILIA

Somos pessoas inconformadas com as atrocidades que são cometidas contra nossas crianças. 

Buscamos ser voz daqueles que não podem falar! 

A certeza da impunidade faz com os crimes aumentem e consequentemente as vítimas tenham menos coragem de denunciar. 

Temos o dever de nos mobilizar para que nossas crianças tenham a oportunidade de serem CRIANÇAS. 

A pedofilia vem se tornando uma epidemia. 

O tratamento: INFORMAÇÃO, DENÚNCIA E, PRINCIPALMENTE PUNIÇÃO EXEMPLAR PARA AQUELES QUE COMETEM CRIMES CONTRA CRIANÇAS. 

Lutamos pela erradicação da pedofilia e todas as formas de negligência, abuso e maus tratos contra nossas crianças.

http://brasil-sempedofilia.blogspot.com.br/

ABUSO SEXUAL TAMBÉM PODE CAUSAR TRANSTORNOS ALIMENTARES


As consequências de um abuso sexual na vida da vítima são inúmeras. No caso de Sophia*, 20 anos, a bulimia foi a forma mais aparente em que o trauma se manifestou.
Dos doze aos quatorze anos, Sophia sofreu com o abuso sexual vindo por parte do próprio pai. “Não sabia que o que acontecia dentro da minha casa era um caso clássico de abuso sexual. Acreditava que os toques eram carinhos normais, por mais que eu sentisse repulsa”, diz Sophia.

Com a mesma idade em que os abusos começaram, a menina desenvolveu bulimia nervosa. Essa doença é um transtorno alimentar em que o indivíduo quer emagrecer, mas tem momentos em que come exageradamente e depois se utiliza de métodos purgativos equivocados para tentar se livrar das calorias adquiridas. O mais conhecido desses métodos é o vômito provocado. O surgimento de um distúrbio como esse não tem uma causa definida, podem ser fatores sociológicos, psicólogicos, hereditários e também, como qualquer outro transtorno psicológico, pode não existir uma causa aparente e coerente.

Na época, Sophia achava que o único motivo que a levava a vomitar e se preocupar excessivamente com o peso era o simples fato de querer emagrecer. Após iniciar um tratamento terapêutico, aos dezenove anos, a garota descobriu que os motivos que a levavam a tal ato excediam a vaidade, e o abuso sexual teve uma contribuição importante para o seu transtorno alimentar. Sophia não queria ter curvas de mulher e odiava cada milímetro do seu corpo, pois sentia que era sua a culpa de o abusador se atrair por ela. Por esse motivo, ela buscava a magreza. “As curvas são atrativas aos abusadores, e a bulimia me auxiliava a fugir disso”, conta.

Sophia só descobriu a relação entre o transtorno e o abuso após receber alta do tratamento para a bulimia. A garota diz ter ficado surpresa quando descobriu mais esse fator de contribuição para o distúrbio alimentar. O psiquiatra Celso Garcia, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Assistência e Estudos em Transtornos Alimentares (Geta) da Unicamp, explica que algo tão íntimo nunca é revelado logo nas primeiras consultas. Ou seja, até que o paciente resolva falar sobre o assunto, outras hipóteses já foram cogitadas para as causas do transtorno alimentar. Sendo assim, quando a relação do abuso é estabelecida, isso causa surpresa no paciente.

Garcia explica que o abuso é uma ferida muito intensa na vivência da sexualidade de um indivíduo. Então, todas as teorias que relacionam o transtorno alimentar com a constituição da feminilidade, com a saúde mental do sujeito do ponto de vista da sexualidade, vão considerar esse evento como algo realmente importante. Outro fator a ser levado em consideração é quando o abuso vem da parte de um familiar. “A figura do pai, do padrasto, do tio sofre um trauma no momento em que aquela paciente vivencia uma violência sexual, e nos transtornos alimentares é muito comum relações familiares desorganizadas, confusas, com instabilidade emocional”, explica o psiquiatra.

Após sete anos convivendo com a bulimia, Sophia conseguiu superar a doença. No entanto, o abuso é algo com que vem tentando lidar aos poucos. “Sair de casa foi a única solução e me desfazer de todo o laço que havia com a pessoa [o pai]. Não convivo, não faço nem recebo visitas, assim como telefonemas. Apesar de ser um membro importante da minha família, rompi completamente com os laços”, diz Sophia.

Além da bulimia, a garota carrega consigo uma série de consequências por causa do abuso. “Não consegui me firmar em compromissos onde havia figuras masculinas que exerciam autoridade tais como estudo e trabalho. Tive problemas sérios quanto à sexualidade. Ter uma relação sexual era uma crise, pois eu sempre me lembrava do abusador: toque, cheiro, palavras”, confessa.

Para superar o transtorno alimentar, Garcia explica que a paciente tem que entender que existe um outro caminho. A pessoa não precisa se tornar doente ou bulímica para lidar com determinados traumas. O psiquiatra também salienta a importância de procurar ajuda profissional para que o indivíduo possa entender e lidar com suas feridas emocionais. [Equipe ASN, Pâmela Meireles]




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

EM 4 ANOS, ABUSO CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES CRESCE 750% NO ES


Em 2008, foram 55 casos registrados. Já 2011, foram quase 500.
"Número pode ser maior. Muitas pessoas não denunciam", diz delegado.



"As pessoas que estão mais próximas de nós são as que mais maltratam nossos corações". Esse é o desabafo de uma avó que teve o neto de 8 anos abusado sexualmente. O garoto foi violentado durante quatro anos por familiares. "Foi um choque pra todos nós. Parecia que um buraco tinha sido aberto e todos caimos dentro", comenta a aposentada, que, por medo, prefere não se identificar. Nos últimos quatro anos, o número de ocorrências na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) cresceu quase 10 vezes no Espírito Santo.

Em 2008, foram registrados 55 casos. Já, em 2011, as ocorrências chegaram a 470. "É um crime bárbaro. Diariamente recebemos denúncias de crianças vítimas de abuso sexual. Essas crianças têm a infância marcada pela violência", diz o delegado Marcelo Nolasco, responsável pela investigação de casos de abuso no estado.

Abusar  sexualmente de crianças e adolescentes é crime. No Brasil, a pena por estupro de vulnerável, quando a vítima possui menos de 14 anos, pode chegar a 15 anos de prisão. Mas, de acordo com a polícia, nem sempre, o agressor é preso. "As pessoas ainda têm medo de denunciar. Isso porque as crianças abusadas ficam receosas de contar que está acontecendo. Em alguns casos, as vítimas sofrem ameças dos agressores, se não fosse isso, o número de ocorrências poderia ser muito maior", afirma Nolasco.

O Estatuto da Criança e do Adolescente aponta que é dever da família, da sociedade e do estado garantir à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito: à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

No Espírito Santo, a maioria das vítimas de abuso sexual é do sexo feminino e tem entre 12 e 17 anos, segundo dados da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Mas a violência também é cometida contra meninos e menores de 11 anos. De acordo a delegacia, 95% dos agressores são do sexo masculino e, em quase metade dos casos, é o pai ou familiar da criança.

Quem passa por uma experiência como esta nunca guarda boas lembranças. 

"Meu neto era uma criança feliz, alegre, gostava de brincar, de passear. De repente, mudou de comportamento. Ficou quieto, se afastou da família, não queria mais ir pra escola", conta a avó que teve o neto abusado. A psicóloga Mônica Gomes explica que a mudança de comportamento é o primeiro sinal de que algo errado está acontecendo com essa criança. "Os pais precisam estar atentos porque esse pode ser um sinal de abuso sexual", diz.

O mais difícil para as famílias das crianças vítimas de abuso sexual é descobrir que o agressor está mais próximo do que se imagina. "Ninguém desconfiava que o problema estava próximo da gente. Meu neto era abusado pela outra avó e pelo sobrinho dela, um jovem de 28 anos. Parecia que estávamos de olhos fechados", revela a avó da criança abusada.

O garoto, atualmente com 8 anos, sofria abuso desde os 4 anos. A família só tomou conhecimento da violência quando se mudou para outro estado. Foi aí que o menino abriu o jogo para os pais. "A mãe dele foi perguntando o que estava acontecendo e ele revelou tudo. Procuramos a polícia na hora", contou a avó.

CAMPANHA

Tornar conhecido o que muitos não querem enxergar. Esse é um dos objetivos de uma campanha contra a pedofilia lançada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). O vídeo, lançado na internet em julho, já foi visto por mais de 5 mil pessoas. "Acreditamos que a pedofilia é um problema sério que afeta gravemente o desenvolvimento e o futuro do nosso país, e que, por isso, é dever de todos os cidadãos divulgar informações sobre o tema e atentar para os mínimos sinais apresentados ao seu redor. Isso sem esquecer de denunciar. É nossa obrigação evitar que nossas crianças percam sua infância e tornem-se adultos traumatizados", diz João Carlos Basilio, presidente da ABIHPEC.

TRATAMENTO

Em Vitória, as vítimas de abuso sexual encontram tratamento nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). São três espalhados pela capital.
O G1 visitou uma dessas unidades onde conheceu meninos e meninas com idades entre 10 e 15 anos. Crianças que encontraram em casa, em vez de amor e carinho, violência. No local, elas recebem atendimento psicológico e social. Os menores participam de oficinas de pintura, artesanato e esporte. "Recebemos aqui crianças de vários bairros da capital. Menores que foram abusados pelo pai ou por algum familiar. E elas chegam muito fragilizadas, precisam de apoio e atenção", revela a assistente social Leila Cândido, uma das funcionárias do CREAS.

O atendimento, muitas vezes, não é feito somente com as crianças, mas com toda a família. "Além da criança, a família fica muito desestruturada ao saber o que estava acontecendo dentro de casa. Por isso, o trabalho e o tratamento é demorado. Não dá pra dizer que esses meninos e meninas saem daqui curados, mas, com esse trabalho, é possível conviver com o trauma sofrido", comenta a assistente social.
A psicóloga Mônica Gomes, que trabalha com vítimas de abuso sexual, diz que é importante o diálogo aberto dentro de casa e também no espaço onde a criança convive. "A criança precisa ter um espaço para ser ouvida. Precisa ter uma confiança muito grande nos pais para contar o que está acontecendo com ela. Isso só é possível em famílias onde há um bom relacionamento, um espaço pra conversa". finaliza.

ONDE PROCURAR AJUDA

Vítimas de abuso sexual consegue atendimento psicológico nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). Em Vitória, existem três locais especializados para atender crianças e adolescentes abusados:
- Centro de Vitória: Rua Aristides Freire, 36. Telefonte: 3132-8065
- Bento Ferreira: Rua José Carvalho, 374, Ilha De Santa Maria. Telefone: 3132-1719
- Maruípe: Rodovia Serafim Derenzi, 10410, Joana D´arc. Telefone: 3233-3420.

COMO DENUNCIAR

Se houver suspeita ou conhecimento de alguma criança ou adolescente que esteja sofrendo violência, a pessoa deve denunciar. Isso pode ajudar meninas e meninos que estejam em situação de risco. As denúncias podem ser feitas a qualquer uma dessas instituições:

• Conselho Tutelar da cidade;
• Disque 100 (por telefone ou pelo e-mail disquedenuncia@sedh.gov.br) – canal gratuito e anônimo;
• Escola, com os professores, orientadores ou diretores;
• Delegacias especializadas ou comuns;
• Polícia Militar, Polícia Federal ou Polícia Rodoviária Federal;
• Número 190;

http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/09/em-4-anos-abuso-contra-criancas-e-adolescentes-cresce-750-no-es.html