segunda-feira, 21 de abril de 2014

DIA NACIONAL DE COMBATE AO ABUSO E À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES - 18 DE MAIO


Criado para motivar a mobilização dos diferentes setores da sociedade, dos governos e da mídia para formação de uma forte opinião pública contra a violência sexual de criança e adolescente. Espera-se também estimular e encorajar as pessoas a denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas capazes de fazer o enfrentamento do problema.
A data foi escolhida porque em 18 de maio de 1973 em Vitória-ES um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Aracelli”. Esse era o nome de uma menina de apenas 08 anos de idade que foi raptada, drogada, violentada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta daquela cidade.
Esse crime, apesar de sua natureza hedionda prescreveu impune. O crime ainda causa indignação e revolta.
Para lembrarmos sempre o Caso Aracelli, o dia 18 de maio foi estabelecido como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, pela Lei no. 9.970, de 17 de maio de 2000, por iniciativa da então deputada Rita Camata (PMDB/ES), presidente da Frente Parlamentar pela Criança e Adolescente do Congresso Nacional.
https://www.facebook.com/brasilsempedofilia




quarta-feira, 16 de abril de 2014

ASSASSINATO DE MENINO PROVOCA INDIGNAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL

Polícia prendeu três suspeitos de assassinarem menino de 11 anos que estava desaparecido desde o início do mês: o pai dele, a madrasta e uma amiga do casal.



 Diante da morte de Bernardo Uglioni Boldrini eu, que convivo diariamente com tantas e variadas formas de violência, negligência e crueldade contra crianças e adolescentes, parei e chorei.

E estou chorando agora de dor, tristeza, desalento e revolta por tanto descaso com a vida de uma criança.

Não dá para entender tanto descaso e negligência:

Dos vizinhos, que viam Bernardo na calçada sem poder entrar em casa e NÃO DENUNCIARAM.

Da avó, que ficou 4 anos sem ver o neto sob a justificava de que não a deixavam ver.

Das famílias que Bernardo sugeriu que o acolhessem e que NÃO QUISERAM SE MANIFESTAR para não criar problemas com o pai assassino.

Do poder público (Conselho Tutelar, Promotora e Juiz) que sabiam da condição de vida miserável que Bernardo levava (procurados pela própria criança), mas a inda assim permitiram, baseado na prerrogativa técnica do ECA, que a criança permanecesse nessa casa de horrores.

As histórias de violência familiar costumam ter um desenvolvimento muito parecido. A morte é o último capítulo. O desenrolar da história começa com uma “agressãozinha verbal aqui”, um “safanãozinho acolá e vai crescendo e se desenvolvendo.

Todo mundo sabe como é. Então, pra que esperar??? É preciso urgência para mudar esse estado de coisas. Não dá pra ficar esperando crianças morrerem e depois chorar e lamentar sobre seus caixões.

Precisamos lutar por uma legislação que PROTEJA efetivamente a criança e que PUNA SEVERAMENTE aqueles que violam seus direitos.


Cláudia Sobral 16/04/2014

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O assassinato de um menino de 11 anos que estava desaparecido desde o início do mês revoltou os moradores de Três Passos, no Rio Grande do Sul. A polícia prendeu três suspeitos: o pai dele, a madrasta e uma amiga do casal.

No velório, quase mil pessoas pedidos de justiça. Bernardo Boldrini, de 11 anos, estava desaparecido desde o dia 4 de abril.

O pai, que é cirurgião, e a madrasta, chegaram a registrar o desaparecimento na delegacia. Eles disseram que o menino saiu para dormir na casa de um amigo e que quando foram buscá-lo descobriram que ele não esteve lá.

No último domingo, Leandro Boldrini ligou para uma rádio. "A gente está com a Polícia Civil, e Brigada Militar e assim, a gente está procurando esse menino, é o Bernardo Uglioni Boldrini”, disse à rádio.

Na segunda-feira (14), o corpo de Bernardo foi encontrado neste matagal no município de Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos, cidade onde ele morava.

Ele estava enterrado em um buraco, à beira de um rio. Foi uma amiga do pai e da madrasta do garoto que levou os policiais até o corpo de Bernardo. Segundo a polícia, ela também contou que o menino teria sido morto com uma injeção letal.

A confissão de Edelvania Wirganovicz levou à prisão da madrasta do menino, a enfermeira Graciele Boldrini e também do pai.

Graciele e Edelvania teriam levado Bernardo a Frederico Westphalen de carro e foram multadas por excesso de velocidade.

"Ela estava acordada, sentada no banco de trás, atrás do condutor, com o cinto de segurança. Consciente", disse o policial rodoviário federal, Carlos Vanderlei da Veiga.

A polícia ainda está investigando a motivação do crime, mas não tem dúvida do envolvimento do pai e da madrasta. “Eu não tenho dúvida desse fato. Desde o início eu trabalhei. É a linha mais forte que nos surgiu. Mas agora nós precisamos o quê? E devido a isso que é o sigilo, é buscar com certeza o que cada um fez”, explicou a delegada Caroline Bamberg Machado.

Segundo a delegada, Bernardo procurou a Justiça no início do ano para reclamar da falta de atenção em casa. Uma mulher que trabalhou como babá na casa da família por dois anos, confirma. “Ela sempre afastava ele dela, e agredia com palavras ele”, contou Helaine Wentz, ex-babá do garoto.

A mãe do menino morreu há quatro anos. Ela teria se matado no consultório do ex-marido, pai do garoto. Bernardo será enterrado na quarta-feira (16) ao lado da mãe, em Santa Maria.

 FONTE DA MATÉRIA: G1

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/04/me-senti-enganado-diz-juiz-que-manteve-menino-com-o-pai-no-rs.html

domingo, 13 de abril de 2014

APLICATIVO PARA SMARTPHONES E TABLETS FACILITA DENÚNCIA DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

APLICATIVO PROTEJA BRASIL PARA ANDROID E IOS


O Proteja Brasil é um aplicativo para smartphones e tablets criado para facilitar denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

A partir do local onde você está, o “Proteja Brasil” indica telefones para denúncias e endereços de delegacias, conselhos tutelares e organizações que ajudam a combater a violência contra a infância e adolescência nas principais cidades brasileiras.

Você também tem acesso a informações sobre os tipos de violência.

Para os brasileiros que estão no exterior, o aplicativo apresenta os números de telefones e endereços das Embaixadas.

COMO FUNCIONA

Você só precisa seguir três passos simples para fazer sua denúncia. Você pode fazer uma denúncia anônima. Sua identidade será mantida sempre em sigilo.

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terça-feira, 8 de abril de 2014

COMO SARAR AS FERIDAS DE UM ABUSO SEXUAL E VENCER A DEPRESSÃO - Paula Juliana Berssoty - Garcia Edizioni


Um livro com uma abordagem profunda e delicada, escrito por alguém que já passou por diversas formas de abusos, para pessoas que precisaram superar os abusos aos quais foram submetidas.



Garcia Edizioni: - Como surgiu a ideia de escrever "Como sarar as feridas de um abuso sexual e vencer a depressão?"

Paula Juliana Berssoty.: - A ideia surgiu primeiramente para deixar de herança para minha filha alguns ensinamentos para que no futuro ela possa também ensiná-los aos meus netos, orientando-os como se defenderem dos pedófilos, segundo decidi transformar minha dor em um bem- estar social com o objetivo de ajudar as vítimas de abuso.

Garcia Edizioni.: - O que foi mais difícil: começar ou terminar o livro?

Paula Juliana Berssoty.: - O começo foi difícil, pois reviver o passado dolorido é massacrante.

Garcia Edizioni.: - Houve algum momento em que você sentiu dificuldades para continuar escrevendo? Se a resposta é sim, o que a fez se reanimar e seguir em frente?

Paula Juliana Berssoty.: - Não houve nenhum em que eu quis desistir.

Garcia Edizioni.: - O abuso sexual na infância é um trauma que causa danos incalculáveis. É possível escrever sobre isso de forma totalmente objetiva, sem que as emoções venham à tona?

Paula Juliana Berssoty.: - Tive muitas dificuldades para escrever o livro devido à emoções negativas que vieram à tona, mas confiei que tudo daria certo e aì está a obra concluída

Garcia Edizioni.: - De onde você colheu material para se embasar e escrever?

Paula Juliana Berssoty.: O livro é uma autobiografia de 92 páginas com conteúdos muito fortes. Tirei lições importantes da dor que sofri. O material é parte da minha experiência pessoal e de casos que acompanhei sobre abuso sexual.

Garcia Edizioni.: - Você pensa que encarar o trauma é necessário para que a pessoa se recupere dos sentimentos de culpa, vergonha e abandono que costumam surgir?

Paula Juliana Berssoty.: Sim, tem que enfrentar situação por mais dolorida que ela seja. A cura está em desabafar, abrir o coração e não se calar naa hora de procurar ajuda. Em meu livro ensino como podemos dar o primeiro passo através da '' Terapia do espelho''.

Garcia Edizioni.: - O que você sentiu ao concluir o livro?

Paula Juliana Berssoty.: Sensação de liberdade. Estava presa a um passado dolorido que hoje é uma página virada em minha vida. Muitas vezes a idade não cura o trauma, podemos estar com 80 anos que a dor continua a nos atormentar. A melhor maneira é abrir o coração.

(Fonte: Garcia Edizioni: http://www.garciaedizioni.com.br/)

http://amolivrosdeverdade.blogspot.com.br/2014/04/divulgacao-como-sarar-as-feridas-de-um.html


sábado, 29 de março de 2014

ESTUPRO - 70% DAS VÍTIMAS SÃO MENORES

Levantamento do Ipea aponta que idade inferior a 13 anos é a que mais sofre violência sexual


A cada ano, pelo menos 527 mil pessoas são estupradas no Brasil, e apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. A constatação é de um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre casos de violência sexual no país. Do total das vítimas, 70% são crianças e adolescentes – 50% têm menos de 13 anos. As mulheres também são a maioria, 88,5%. Quando se trata apenas de crianças, os meninos são 18,8% das vítimas. Em casos com crianças, 32,2% dos agressores são amigos ou conhecidos e 24% são pais ou padrastos.

O estudo “Estupros no Brasil – Uma Radiografia Segundo os Dados da Saúde” tem como base dados de 2011 do Ministério da Saúde sobre os casos de estupro no país. A pesquisa traça o perfil das vítimas, dos agressores e as características dos casos. “A ideologia do patriarcalismo e sua expressão machista reforçam determinados padrões de conduta que muitas vezes levam à violência de gênero e, em particular, aos estupros”, conclui o documento.
Para o psiquiatra e professor da UFMG Maurício Viotti, as crianças e os adolescentes estão mais suscetíveis sofrer abusos porque são mais manipuláveis. “O agressor tem o domínio maior sobre uma criança ou um adolescente, e eles também estão mais sujeitos à chantagem emocional para que não revelem que foram agredidos”, afirma. Segundo ele, o principal caminho para mudar isso é a educação. “As denúncias também precisam chegar às autoridades para que haja intervenção e punições”, disse.
Consequências

Os autores destacam ainda que os dados são alarmantes diante das consequências do estupro, como diversos transtornos, incluindo depressão, fobias, ansiedade, abuso de drogas ilícitas, tentativas de suicídio e síndrome de estresse pós-traumático.

Trecho do estudo

“É dramático perceber que do total de casos, 15% foram cometidos por duas ou mais pessoas e que 11,3% dos estupros envolvendo crianças foram cometidos pelos próprios pais, que deveriam protegê-las. É um quadro que revela uma grave doença coletiva, de uma sociedade em estágio pré-civilizatório”.



segunda-feira, 10 de março de 2014

PEDOFILIA: PESADELO QUE COMEÇA NA INFÂNCIA E EM CASA

20% das mulheres de até 18 anos sofrem algum tipo de violência sexual no mundo


Quando uma família de militares a tirou da vida de menina de rua no Rio de Janeiro, Maura de Oliveira Lobo achava que teria uma infância melhor. Mas além de ter que trabalhar como empregada doméstica sem remuneração, aos 6 anos de idade ela conheceu um tipo de violência que mesmo hoje, casada e com dois filhos, não esquece. Foi abusada sexualmente por dez anos por dois de seus “patrões”, dentro das casas onde morou, em vilas militares. Atualmente, à frente de uma organização não governamental que atende pessoas vítimas de pedofilia e jovens carentes, Maura diz que só conseguiu superar medos e formar uma família porque sempre se sentiu muito sozinha. Mas conta que a dor de ser vítima da violência sexual na infância vai permanecer pelo resto de sua vida.

- Eu lembro da cor do fio do bigode do primeiro pedófilo, eu sou capaz de desenhar cada cena que vivi. É como se o meu coração tivesse gavetinhas. A gavetinha das coisas negativas está lá. Mas a gente abre gavetas de coisas positivas na vida. É possível ser feliz - diz Maura, de 45 anos de idade.

A cada dia, pelo menos 20 crianças de zero a nove anos de idade são atendidas nos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país, após terem sido vítimas de violência sexual, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do ministério, em 2012, houve 7.592 notificações de casos desse tipo de violência nessa faixa etária, sendo 72,5% entre meninas e 27,5% em meninos. Isso corresponde a 27% de todos os casos de violência registrados pelos hospitais entre crianças e adolescentes. Entre pessoas de 10 a 19 anos de idade, foram 9.919 casos de abuso sexual, ou 27 por dia, no mesmo ano.

Mas a quantidade de vítimas de violência sexual na infância e na adolescência no país deve ser ainda maior. É que nem todos os municípios brasileiros enviam os dados para o SINAN - dados preliminares de 2012 do ministério indicam que 2917 encaminharam, das mais de 5 mil cidades do país. São Paulo, por exemplo, contabiliza as ocorrências em um sistema próprio de dados. Só no hospital estadual Pérola Byington, na capital, a quantidade de casos novos de pessoas de até 17 anos de idade atendidas em 2013 foi de 2.048 - 54% a mais que em 2003. Além disso, as ocorrências de pessoas que são atendidas pela rede privada e as que nem chegam aos hospitais não estão computados nos dados do ministério da Saúde.

Algozes conhecidos

Nos números do SINAN estão incluídos todos os tipos de violência sexual, incluindo estupros cometidos por desconhecidos e também casos em que o agressor é conhecido da família. Dos 7.592 casos ocorridos entre crianças de zero a nove anos em 2012, em 3% acredita-se que houve exploração sexual e em 2,9%, pornografia infantil. Na maior parte dos casos (70% para crianças de até nove anos e 58% para os de 10 a 19 anos), a violência sexual aconteceu dentro de casa e o agressor era do sexo masculino. Segundo o ministério, o provável autor do abuso foi um amigo ou conhecido da vítima em 26,5% dos casos entre crianças de até nove anos de idade e em 29,2% dos até 19 anos.

O pedófilo que abusou de G. , de 5 anos, o via diariamente, duas vezes por dia. Era o motorista do transporte escolar, que durante todo o ano de 2013 o levava e buscava na escola.
- Meu filho sempre foi um menino ativo e brincalhão, e de repente passou a ficar quieto e acuado. A gente perguntava se havia algo errado e ele ficava “congelado”, não respondia - lembra o pai de G, contando como a família começou a desconfiar do abuso.

Em novembro do ano passado, G. chegou em casa com a boca machucada. Disse que o ferimento foi provocado por “brincadeiras” que o condutor do transporte escolar fazia com ele. Uma semana depois, falou para os pais que esteve na casa do motorista. E disse que não queria mais ser levado para o colégio por aquele senhor de 51 anos de idade. Depois de várias sessões com uma psicóloga, G. contou à especialista sobre os abusos sexuais sofridos no banco de trás do carro em que o “Tio Carlos” o levava para a escola. O motorista, Carlos Inácio Coentro Portela, foi preso essa semana pela polícia do Rio.

Denúncias anônimas

Para a ministra Maria do Rosário, da secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cada vez mais a população está procurando denunciar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes a órgãos diretos de investigação, como a polícia. Por isso é que, segundo ela, o número de denúncias que chegam anonimamente ao Disque Cem, serviço telefônico da secretaria, diminuiu de 2012 para 2013. Em 2012, foram 37.803 e no ano passado, 31.895, ou seja, cerca de 6 mil a menos. Os estados de São Paulo, Rio e Bahia, aparecem como os três com mais denúncias, segundo a ministra, porque concentram grande parte da população.

Porém, na opinião de Maria do Rosário, a quantidade de denúncias que chegam ao Disque Cem diariamente ainda é muito alta. Em 2013, foram recebidas 87 denúncias de violência sexual por dia, principalmente de casos em que o agressor era conhecido da vítima ou da família dela.
- A Organização Mundial da Saúde estima que 20% das meninas e mulheres de até 18 anos sofram algum tipo de violência sexual no mundo. As autoridades chegam a uma parcela pequena. A violência é mantida sob um manto de segredo quando se trata do abuso sexual intrafamiliar. É difícil romper esse segredo. É preciso haver a atenção de todos para as crianças - diz Maria do Rosário.

Na opinião do coordenador de projetos da organização não governamental Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, os números de violência sexual contra crianças e jovens precisam provocar indignação.

- Temos que ficar indignados e pressionar os governos para qualificar e ampliar o atendimento. Sabemos que muitos conselhos tutelares, por exemplo, nem têm carros para fazer visitas às famílias. Falta engajar todos e ter mais políticas públicas que atuem na ponta do problema - diz Gonçalves.

 FONTE: JORNAL O GLOBO

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DENÚNCIAS DE PEDOFILIA NA IGREJA COMEÇARAM A SURGIR NOS ANOS 80

Somente nos EUA, Vaticano já pagou US$ 3 bilhões em indenizações a vítimas


Somente a partir dos anos 80, as primeiras denúncias de casos de pedofilia envolvido padres e outras figuras da Igreja Católica começaram a vir à tona, em especial nos Estados Unidos e no Canadá. Nos anos 1990, surgiram revelações de abusos na Irlanda, no México e no Reino Unido. Somente com o pagamento de indenizações a vítimas nos EUA estima-se que, entre 1950 e 2007, o Vaticano tenha desembolsado cerca de US$ 3 bilhões.

As denúncias de abusos generalizados abalaram a igreja e levaram a perda de milhares e fiéis, muitos indignados com a capacidade da instituição de reagir e punir os pedófilos. A Santa Sé é signatária da convenção da ONU sobre os Direitos da Criança desde 1990, mas somente em 2013 modificou o Código Penal da Cidade do Vaticano, passando a reconhecer como crimes os abusos contra jovens. Os delitos de violência sexual, prostituição e pornografia infantil envolvendo menores podem ser punidos com até 12 anos de prisão.

A dificuldade em pôr fim aos abusos — há diversas denúncias de religiosos que continuaram atacando menores mesmo após afastados de suas arquidioceses, sem que a Igreja tomasse medidas rigorosas para puni-los — teria sido uma das razões da renúncia do Papa Bento XVI. Ao assumir o posto, em março de 2013, o Papa Francisco afirmou que lidar com a questão era fundamental para a credibilidade da Igreja Católica. Em dezembro do mesmo ano, ele criou uma comissão para punir os padres pedófilos e oferecer ajuda às vítimas.

Não faltam casos para o Vaticano investigar. Em julho de 2010, o padre John Sidney Denham, então com 67 anos, se declarou culpado das acusações relativas ao assédio a meninos entre 5 e 16 anos de escolas de Nova Gales do Sul, na Austrália, entre os anos de 1968 e 1986. Ao ser condenado a quase 20 anos de prisão, pediu desculpas às vítimas e às suas famílias, afirmando que não passava de um "pedófilo asqueroso".

Em março de 2010, o “The New York Times” publicou uma ampla reportagem sobre os abusos na escola para deficientes auditivos Saint John, em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin. Os casos teriam acontecido entre os anos 60 e 70, envolvendo dezenas de meninos. Três arcebispos foram alertados para os avanços do padre Murphy nos alunos, mas nada fizeram para protegê-los. O algoz nunca foi punido, mesmo após ter confessado a uma assistente social que molestara 30 crianças.

Na mesma época, na Alemanha, outra denúncia dava conta de que o então cardeal Joseph Ratzinger — futuramente consagrado como o Papa Bento XVI — teria acobertado os abusos cometidos pelo padre Peter Hullermann.

Acusado em 1979 de molestar crianças na cidade de Essen, Hullerman foi submetido à avaliação psiquiátrica, que teria comprovado uma tendência à pedofilia. Ratzinger determinou que o padre fosse transferido e tratado em Munique. No ano seguinte, porém, o cardeal foi informado de que Hullerman continuava no serviço pastoral. Seis anos depois, ele foi novamente acusado de abusar de crianças.

FONTE: ACERVO JORNAL O GLOBO

http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/denuncias-de-pedofilia-na-igreja-comecaram-surgir-nos-anos-80-11509839