segunda-feira, 6 de abril de 2015

DESDE OS ANOS 80, MÚSICA “CAMILA, CAMILA” ALERTA SOBRE A VIOLÊNCIA SEXUAL


Quando ainda pouco ou nada se falava sobre abuso sexual de crianças e adolescentes no Brasil, a banda Nenhum de Nós ousou abordar o tema na década de 80 com a música “Camila, Camila“, hoje um clássico do rock nacional. O vocalista e autor da letra, Thedy Corrêa, conta como sentiu a necessidade de falar sobre o delicado assunto. Ele também lamenta que muitas músicas brasileiras ainda estimulem o sexismo e deturpem a imagem da mulher, quando deveriam conscientizar contra a violência sexual. Acompanhe a entrevista com o compositor:
O Dia Nacional de Combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes (18 de maio), foi criado há 12 anos, devido a um crime bárbaro com uma menina de oito anos, estuprada e morta carbonizada. Quinze anos antes, com a música Camila,Camila, sua banda já abordava o problema da violência sexual contra jovens. Existem muitas outras Camilas no país que guardam “lembranças do silêncio”‘ e “vergonha do espelho”. Você já pensava nisso na época?
Até hoje, a música é muito ouvida. Quando você compôs a letra, já passava pela sua cabeça que poderia ser um alerta para as adolescentes?

Quando escrevemos Camila, jamais esperávamos que fosse fazer tamanho sucesso – até mesmo pela temática complicada. Quando ela estourou, a questão se tornou uma constante em nossas entrevistas, e isso foi fantástico para que se abordasse o tema entre o público jovem.
Por que você acha que a música fez tanto sucesso?

Acredito se deva justamente à abordagem de um assunto que, infelizmente, ainda aflige a sociedade e as mulheres em geral. Não se trata de um tema ligado a um modismo ou uma linguagem datada. O assunto continua atual.
Você pensava na época em abordar temas delicados como o abuso sexual ou a exploração sexual de crianças e adolescentes e o que acha que mudou dos anos 80 para cá em relação ao assunto?

Sempre pensamos em fazer canções que tivessem um conteúdo contestatório. Colocar questões que fizessem parte das “feridas” da sociedade. A violência sexual era pior nos anos 80, porque não era tão debatida quanto hoje. Existe maior consciência por parte da sociedade e mecanismos de proteção que são fruto desta discussão.
Em sua opinião, as meninas hoje estão mais conscientes do problema?

Estão um pouco mais, mas é triste constatar que a música brasileira de hoje não ajuda. Uma pesquisa feita pela MTV há uns anos mostra que apenas Camila tratava desse tema. De resto, assistimos estarrecidos ao avanço de estilos e temáticas que pouco têm ajudado na conscientização do problema. Basta ver gente achando graça quando algum funk se refere às garotas como cachorras, ou algum sertanejo fala em um amor que beira à violência. Isso é um retrocesso. Triste, mas é verdade…
Essa canção foi inspirada em fatos reais, envolvendo uma jovem que nós conhecíamos na época, em 1985. Era uma colega de escola bastante bonita com um namorado violento. Ficávamos intrigados com os motivos que levavam uma garota assim a se submeter e ser maltratada por um rapaz tão estúpido. Ouvimos algumas histórias de situações constrangedoras que ela sofreu e essa foi nossa “faísca criadora” para uma canção que falasse da violência contra a mulher. Por isso os “olhos insanos”, a “vergonha do espelho naquelas marcas”, além da tristeza e indignação na melodia. Hoje, ela vive super bem, tem uma linda família e está bem longe desse antigo namorado… Ainda bem!
FONTE: SEMAS CASTANHAL



UM DIA NA MAIOR PRISÃO PARA CRIMINOSOS SEXUAIS DA EUROPA

A maior prisão da Europa para acusados de crimes sexuais fica em Nottinghamshire, na Grã-Bretanha, e o repórter da BBC Magazine Rex Bloomstein conseguiu acesso inédito ao centro e aos detentos.


"Aqui temos todo tipo pessoa que você possa imaginar", disse Lynn Saunders, diretora da prisão HMP Whatton.
"Temos pastores, professores, pilotos de avião, policiais, agentes penitenciários, médicos... pessoas com problemas de aprendizado, que têm QI baixo e problemas de saúde mental complexos", acrescentou.
A prisão foi construída na década de 1960 em Nottinghamshire, na região central da Inglaterra, com capacidade para receber 841 detentos de todas as idades. Cerca de 70% deles cometeram crimes contra menores de idade, o resto, contra adultos.
Aproximadamente metade dos presos cumprem sentenças de tempo determinado e conhecem a data na qual serão libertados. Os outros não sabem quando serão libertados.
Whatton é um centro especializado em tratamento e reabilitação, oferecendo programas de tratamento variados para os acusados de crimes sexuais, mais do que qualquer outro centro na Grã-Bretanha.
Os vizinhos de Whatton chamam o local de "o palácio dos pedófilos".

Crimes reconhecidos

A maioria dos detentos de Whatton reconhecem os crimes que cometeram e estão trabalhando para enfrentar os problemas que os levaram a cometer estes delitos.
E os crimes pelos quais eles foram presos variam muito. Entre eles estão crimes de contato físico, como manuseio, penetração, incesto, violência relacionada ao sexo e até assassinato.
Há também os crimes sem contato, como baixar ilegalmente imagens sexuais de crianças ou menores de idade.
A partir das revelações a respeito de nomes famosos da Grã-Bretanha que cometeram crimes do tipo, como do apresentador da BBC Jimmy Savile, morto em 2011 e acusado de abusos sexuais cometidos durante décadas, há mais criminosos sexuais no sistema penitenciário do país. Mais do que nunca.
De uma população penitenciária total de 85 mil pessoas na Inglaterra e País de Gales, 11,7 mil são criminosos sexuais. Um aumento de 8% em 2014.

Sem 'hierarquia'

Dave Potter, um dos coordenadores de programas terapêuticos de Whatton, afirmou que os condenados por crimes contra crianças e menores de idade estão juntos com os condenados por crimes contra adultos, para evitar que se crie algum tipo de cumplicidade entre eles.
"Não tratamos os estupradores melhor do que pessoas que cometeram crimes contra crianças ou criminosos da internet, pois cada crime sexual criou vítimas e destruiu vidas, não importa contra quem é o crime, é realmente importante não ter uma hierarquia", disse.
Mike passou quase toda sua vida adulta em prisões. Há 28 anos foi condenado por estuprar uma mulher de 38 anos, na casa da vítima.
Antes de chegar a Whatton, reconhece que desprezava os que cometiam crimes contra crianças. Estes criminosos frequentemente são colocados em áreas especiais em outras prisões.
"Nunca gostei deles. Achava que era o pior crime que se pode cometer. Mas, então, pensei no crime que cometi, contra uma pessoa adulta. Não há diferença, o processo mental é o mesmo", afirmou.
Mike chegou a Whatton há sete anos e, segundo ele, a cultura dentro desta prisão é muito diferente.
"Ninguém te julga. Nem mesmo os funcionários, não te olham como se você fosse lixo e isso faz muita diferença."
Prisioneiros como Mike participam de sessões de terapia individuais ou em grupos de até nove detentos.
"O que fazemos em Whatton é tentar fazer com que eles entendam o dano que causaram a outras pessoas, o dano que causaram neles mesmos e também formas de identificar aquele sinal de alerta quando eles saem (da prisão), (o sinal) de que eles estão pegando um caminho para um novo crime", afirmou Potter.

'Inferno'

Ao contrário de Mike, Steve acabou de chegar a Whatton depois de abusar da enteada. Ele chora durante a entrevista.
"Para mim, pessoalmente, cada dia é um inferno. Falamos do remorso e da culpa e a vergonha do que fiz, não apenas contra minha vítima, mas também contra minha família e a comunidade em geral, e tudo o que eu fiz antes se foi."
"Não me restou nada. Não tenho nem onde cair morto. A perda é esmagadora e constante, todo o tempo", acrescentou.
Steve é um caso típico de Whatton, no sentido de que a maioria dos crimes sexuais não é cometida por um estranho, mas por membros da família, dentro de casa, ou por pessoas conhecidas da vítima.
Ouvir Steve falar de sua dor e desespero é comovente, mas, depois de alguma reflexão, foi incômodo pensar que senti algum tipo de empatia por um homem que abusou da enteada. Mas este é o objetivo de Whatton, lidar de forma humana com pessoas que a maioria acha impossível sentir empatia.
"Estamos lidando com pessoas que não são monstros. É o pai de alguém, um filho, um irmão, um vizinho, um tio. Quando falamos com as pessoas a respeito e perguntamos 'como vocês gostariam que tratássemos estas pessoas? o que gostariam que acontecesse com elas?', as pessoas dão respostas surpreendentemente solidárias. Estamos lidando com pessoas com problemas graves", afirmou Lynn Saunders, a diretora de Whatton.

Paradoxo

Segundo os funcionários de Whatton, os sentimentos negativos como a humilhação e a culpa manifestadas por detentos como Steve são um imenso obstáculo no processo terapêutico.
As terapias se concentram nas qualidades e pontos fortes dos prisioneiro como uma forma de evitar que eles voltem a cometer crimes no futuro.
Mas, há um paradoxo. Por um lado, a sociedade quer que criminosos sexuais sintam um arrependimento profundo por seus crimes, mas o processo de reabilitação em Whatton exige que eles transcendam isto.
"Para as pessoas é muito difícil reconciliar esta ideia. Muito do trabalho que fazemos em grupos está voltado para desenvolver a autoestima das pessoas que cometeram o crime, porque muitos crimes sexuais são resultado direto da baixa autoestima. Nos grupos tentamos desenvolver a forma como eles se valorizam", afirmou Potter.
Em algum momento, a maioria dos criminosos sexuais de Whatton vai voltar à comunidade.
Segundo Saunders, a taxa de reincidência é surpreendentemente baixa: 6%, comparada com 50% da população geral de detentos.
Mas, no final, a proteção do público é primordial e eles devem garantir a segurança das pessoas.
O questão do risco de reincidência é a principal preocupação para a maioria do público.
Potter reconhece que não há garantias de que um detento libertado não volte cometer um crime, mas ele acredita no trabalho desenvolvido na prisão.
"Com o trabalho que fazemos, acredito profundamente que estamos dando a eles as ferramentas para gerenciar seus riscos. Tenho certeza de que se não fizermos nada com eles, se não oferecermos nenhum tipo de ajuda, o que vai evitar que eles voltem a cometer um crime?"
"Se saem daqui com o estigma de 'criminoso sexual, não sirvo para nada, não presto, então, por que não cometer outro crime?'. Não teriam nada a perder", questionou.
FONTE: BBC
Postado originalmente do Grupo Brasil Sem Pedofilia (https://www.facebook.com/groups/257108824457012/) por Elza Augusta Carvalho.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150331_prisao_crimes_sexuais_fn?ocid=socialflow_facebook%3FSThisFB


quarta-feira, 1 de abril de 2015

FUNKEIRA DE APENAS 8 ANOS EXPÕE A EROTIZAÇÃO INFANTIL

MC MELODY, DE 8 ANOS, CAUSA POLÊMICA E PAI DEFENDE: ‘É SÓ PORQUE ELA CANTA FUNK’


Além de ir à escola, passear no shopping com a família e brincar de boneca, a rotina de Melody Abreu, de 8 anos, inclui atividades prá lá de incomuns a uma criança: fazer shows de funk, gravar vídeos e abastecer sua página no Facebook. A pequena MC de São Paulo está causando polêmica na internet e já teve uma página no Facebook com 150 mil fãs (conquistados em um período de 20 dias) tirada do ar por conta de denúncias de usuários da rede social. Segundo o pai e empresário da menina, Thiago Abreu, de 26 anos, também conhecido como MC Belinho, isso não os incomoda e não os fará desistir da carreira musical.
— Ela canta desde pequena, desde que tinha 2 anos.

 Recebemos críticas do Brasil inteiro, principalmente de estados onde o funk não é popular, gente do Rio e de São Paulo não critica. Já estamos acostumados com isso. As pessoas denunciam porque não aguentam ver uma criança de 8 anos fazer as caras e bocas que ela faz. Tem muita criança que queria fazer o que ela faz e não consegue. Ela faz tudo sozinha, eu não mando ela fazer nada. Falam que vão denunciar pro Conselho Tutelar, mas não vamos parar, podem denunciar até pro papa. Falam que vão tirar a guarda dela. Tem é que denunciar criança que vende bala e chiclete na rua, criança que mora em abrigo. Ela estuda, é educada, a gente dá tudo do bom e do melhor.

Thiago espera recuperar a primeira página que criou para a filha no Facebook, mas, enquanto isso, criou uma nova há uma semana, que já reúne mais de 28 mil fãs e é abastecida pela própria Melody, sob a supervisão do pai. O EXTRA entrou em contato com o Facebook para saber quais foram os termos de usuário violados pela página que foi tirada do ar e ainda não recebeu resposta.

— Por mais que tenha atitude de uma menina de 12 ou 13 anos, ela ainda é criança, então eu supervisiono. Tem coisa que ela quer colocar e eu sei que as pessoas vão criticar demais, então falo pra não postar. Ela quer colocar coisas de família e eu digo: "Não posta. Isso é página de artista, não pode expor a família".

A carreira da menina está causando polêmica nas redes sociais e as opiniões dos usuários são bem divididas. Enquanto uns elogiam o talento dela e desejam sorte na carreira, outros acusam seus pais de hipersexualização e exposição. Alguns homens inclusive dizem que ela é "uma delicinha" e "um monumento de mulher". Melody já chamou a atenção de grupos feministas e também da página de humor “Irmã Zuleide”, que publicou: “Antes da internet, como você fazia pra passar vergonha? Tá repreendido em nome de Jesus”, ironizou. Segundo Thiago, as críticas só existem porque Melody canta funk.

Falam mal só pelo funk. Quando saiu o clipe de “Single ladies”, da Beyoncé, havia vários vídeos de crianças de 2 anos dançando de biquíni e maiô e ninguém reclamava. Ninguém falava de Sandy & Junior no início da carreira, dançando “Vai ter que rebolar” de shortinho. Só falam mal porque ela é MC. A Melody imita as caras e bocas que a Anitta faz e as pessoas acham isso demais (pra idade dela). Ela não está falando palavrão, não está ‘fazendo sensualidade’.
Apesar da justificativa do pai, na música “Fale de mim”, que, de acordo com ele, começou a ser feita em uma visita à casa do Mr. Catra, no Rio, Melody fala: “Pra todas as recalcadas aí vai minha resposta: se é bonito ou se é feio, mas é f*** ser gostosa”.

— Ah, se ‘f***’ for palavrão… Todo mundo fala ‘f***’ - desconversa Thiago, que disse ter um advogado a postos caso receba alguma intimação do Conselho Tutelar.

Toda a família de Melody trabalha com funk. Além do pai, MC Belinho, a irmã mais velha, Bella, de 10 anos, também é MC, canta na noite há três anos e participava dos shows do pai desde os 4 anos de idade.

— A página dela tinha 500 mil fãs, mas também derrubaram. Ela colocou aparelho (ortodôntico) agora e parou de cantar um pouco - conta Thiago. Além disso, a tia das meninas é cantora de funk e a mãe delas era dançarina, mas agora trabalha como assessora da família.

— A gente sabe o que está fazendo. Dizem “esses pais são loucos”, mas várias crianças aparecem em programas de TV, só que, ao invés de cantar funk, elas cantam sertanejo. Mas vão se expor do mesmo jeito.

Segundo o pai, Melody tem três participações na TV agendadas para o mês de abril. Sem contar os shows que faz em matinês aos domingos, Melody já canta em festas de aniversário - mas as apresentações só podem acontecer até meia-noite.

— Ela só faz domingueira (matinês aos domingos), quando ela faz show sábado, é em festa de aniversário. Baile funk nunca fez. Na última domingueira que ela era atração, fez show com o MC Gui. As pessoas falam: "Ah, vai um monte de pedófilo pra esses lugares", mas também tem menor de idade. Não é culpa nossa se entra menor ou maior de idade. Ela não vai deixar de ser cantora por isso não.

A menina estuda no turno da tarde e já precisou mudar de colégio por causa da carreira. Segundo o pai, ela é muito dedicada aos estudos e tira boas notas.

— Mudei ela de colégio uma vez e agora vou ter que mudar de novo por causa do assédio. Ela estuda em escola particular. Nos intervalos, as diretoras, professoras, todo mundo fica pedindo foto, pedindo pra ela cantar. (A carreira) não está prejudicando a vida dela, essas coisas acontecem quando você fica conhecido. Com certeza aconteceu com a Maisa (Silva) e os pais dela não a tiraram do programa. E agora está aí no SBT, ganhando muito dinheiro. Mas eu não penso só em dinheiro, isso é consequência. Estou ajudando minha filha a realizar um sonho. Faço por ela o que eu não tive quando era criança.

FONTE: JORNAL EXTRA

http://extra.globo.com/noticias/brasil/mc-melody-de-8-anos-causa-polemica-pai-defende-so-porque-ela-canta-funk-15737518.html#ixzz3W7FFjTSG

segunda-feira, 30 de março de 2015

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA, NÃO FICA NA INFÂNCIA…


Por Carolina Vila Nova
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância, não fica na infância.
Mas fica… para a vida toda!
CAROLINA VILA NOVA:  colunista Conti outra

Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 39 anos. Escritora e Roteirista.

É autora dos seguintes livros:

“Minha vida na Alemanha” (Biografia),
“A dor de Joana” (Romance-drama),
“Carolina nua” (Crônicas),
“Carolina nua outra vez” (Crônicas),
“Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas) e
“As várias mortes de Amanda” (Romance-drama).

FONTE: CONTI outra

http://www.contioutra.com/o-que-acontece-na-infancia-nao-fica-na-infancia/


sábado, 14 de março de 2015

PEDOFILIA - VOCÊ SABE O QUE É?


Pedófilos são pessoas adultas que têm preferência sexual por crianças do mesmo sexo ou de sexo diferente, geralmente pré-púberes (que ainda não atingiram a puberdade) ou no início da puberdade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

A pedofilia em si não é crime, no entanto, o código penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo, ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. Conforme o artigo 241-B do ECA é considerado crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.”

Fonte: Turminha do MPF (Ministério Público Federal)

http://www.turminha.mpf.mp.br/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

EMPRESÁRIO RELATA EM LIVRO OS ABUSOS SEXUAIS SOFRIDOS DURANTE A INFÂNCIA

“Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia”,  afirma Marcelo Ribeiro



Foi preciso quase três décadas para que o empresário paulista Marcelo Ribeiro tomasse coragem para falar sobre o abuso que sofreu na infância. O professor e maestro de um coral católico - o homem que mais admirava - o agrediu dos 12 aos 16 anos. Um trauma que ele escondeu de todos e de si mesmo até os 42 anos. Foi o medo de perder a mulher que amava, e que se afastava diante das atitudes que ela não entendia, que o motivou a romper o silêncio. “Minha forma de agir era resultado das sequelas do que tinha vivido”, relata. Falar o ajudou a compreender o passado e hoje o estimula a lutar contra o mal que ainda ameaça tantas crianças. “Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia”, assinala Ribeiro, autor do Livro “Sem medo de falar”. 

O que o motivou a tornar público o drama de ter sofrido abuso na infância?

Foi somente aos 42 anos que consegui falar que tinha sofrido abuso sexual na infância. Quando percebi que as sequelas que carregava afetavam a relação com minha mulher e isto ocorreu num momento em que estamos tentando nos reconciliar. Ela não conseguia me compreender ou as minhas atitudes, que não condiziam com a minha personalidade. Atitudes que, certamente, eram sequelas de tudo o que tinha vivido. Não queria perdê-la e isto me estimulou a falar, pela primeira vez, sobre o que tinha vivido: fui abusado na infância. A partir deste momento e até escrever o livro, houve um processo de compreensão real do que tinha acontecido.

Você passou 26 anos sem falar sobre o que tinha acontecido?

Joguei no esquecimento e jamais falei sobre o assunto. Foi a proteção que busquei porque tinha muita vergonha de tudo o que aconteceu. Era muito pesado. Até os 42 anos não tinha refletido sobre o assunto, não sabia nem que tinha sido vítima de um pedófilo. Mas a partir do momento em que falei, houve um processo de compreensão, me tornei mais consciente. Houve momentos de raiva, mas com ajuda da minha esposa, pude organizar as lembranças, compreender e entender que tinha sido vítima de abuso sexual, que tinha sido vítima de um pedófilo.

Como seus pais e irmãos reagiram? 

Foi difícil para os meus pais, que estão na faixa dos 80 anos. A primeira reação é de raiva, mas num segundo momento tentaram entender o que aconteceu. Há também um sentimento de culpa. E para minha mãe foi ainda mais difícil porque o que me aconteceu foi sob o manto da Igreja Católica e ela sempre fui muito fiel, uma beata... Meus irmãos sentiram demais. Uma de minhas irmãs, inclusive, vestiu a roupa do combate a pedofilia. Quando tudo veio à tona eles também compreenderam certas atitudes minhas no passado. A verdade, como disse minha irmã, sempre coloca as coisas no lugar. Todos me apoiaram muito na decisão de fazer o livro.

Como aconteceu o abuso?

Aos 9 anos entrei para um coral da catedral de minha cidade, no interior de Minas Gerais. Logo depois da escola ia para o coral e só voltava no final do dia. O maestro era um religioso nomeado pelo arcebispo. A forma dele ensinar música seguia os padrões dos colégios católicos, com uma disciplina muito rígida, com muitos castigos físicos: tapas no rosto, croques na cabeça (cascudos). Para conquistar uma obediência absoluta ele utilizou de violência psicológica e física para dominar as crianças que estavam a mercê dele. As lembranças do primeiro abuso são aos 12 anos, mas isso aconteceu até os 16 anos.

Após o primeiro abuso, não conseguiu relatar a seus pais?
O maestro era meu tutor, professor, herói, pessoa a quem admirava muito. Nunca imaginei que ele faria algo errado. Então quando fui vítima, fiquei sem compreender o que tinha vivido. Naquela idade ainda não tinha compreensão do que era sexo. Era uma situação dúbia: se o que tinha acontecido estava errado, estaria contando o que não deveria ter feito, por outro lado, se é o professor que tinha feito, como poderia estar errado?

O que te deu força para enfrentá-lo aos 16 anos, após anos de abuso? 

Com o passar dos anos fui tendo uma consciência maior da minha situação. Naquela época morava com ele e outros adolescentes em uma outra cidade. Fui passar férias na casa dos meus pais e vi que as pessoas não viviam na prisão em que eu vivia. O somatório da busca pela liberdade com a consciência de que estava sendo abusado me deu forças para enfrentá-lo. 

Como foi voltar para casa, em silêncio?

Não foi uma convivência normal. Voltei preconceituoso, agressivo, intempestivo, com acessos de fúria. Estava sempre armado, com a sensação de que tinha que me proteger das pessoas. Assim que voltei para casa fui para a capital (Belo Horizonte), estudar. Retornei dois anos depois, mas as seqüelas do segredo que escondia tornavam a convivência com meus irmãos muito difícil. 

Durante o resgate de seu passado, descobriu que outros colegas também tinham sido abusados. 

Até os 42 anos achava que tudo aquilo só tinha acontecido comigo. A partir das minhas reflexões e recuperando a memória, percebi que outros também foram abusados, o que pude confirmar quando fiz contato com alguns amigos da época. A partir daí, analisando o que aconteceu, sei que o maestro continuou abusando de outras crianças, e talvez ainda abuse.

Teve vontade de se vingar?
Lógico. A primeira sensação é de raiva, de fazer justiça com as próprias mãos, principalmente quando descobre que o crime prescreveu, que a Justiça não tem como fazer justiça. Minha mulher foi fundamental neste processo, ao me ajudar a pensar com uma consciência mais elevada, a compreender a humanidade do abusador, e o que leva uma pessoa a isto, até para conseguir perdoar, mesmo sem aceitar. 

Você faz críticas à legislação.

No sentido de conscientizar de que a legislação precisa melhorar. Já houve avanços quando a nadadora Joana Maranhão denunciou os abusos sofridos aos 9 anos, praticado por seu técnico. A lei melhorou um pouco, principalmente no caso da prescrição, mas os casos de abuso são formadores de trauma e, geralmente, a pessoa não é capaz de falar sobre o assunto a vida inteira. Então, este tipo de crime não pode ter prescrição, não por causa da punição dos casos que já ocorreram, mas para que a sociedade possa proteger as crianças hoje. É um dos nossos grandes desafios.

O combate à pedofilia se transformou em sua bandeira.

Nós sabemos que é difícil falar sobre este tipo de crime, que é formador de estigma. A sociedade o vê como tabu e quando alguém fala, as pessoas viram as costas, preferem imaginar que não ocorrerá com elas. A minha necessidade de falar é maior no sentido de acabar com o silêncio, com o seu estigma, de expor o abusador. E quanto mais se falar sobre o assunto, mais fácil será para as vítimas compreenderem o que acontece quando ela for vítima, saberá o que falar. O problema é que a pedofilia só é discutida entre adultos, é difícil falar sobre isso com as crianças. Mas a partir do momento em que o assunto for debatido na escola, que as crianças puderem compreender o que é a pedofilia, aí teremos uma sociedade mais protegida contra os abusadores.

Quais dicas dá para os pais?

Lembro, de quando era criança, de minha mãe me orientar a ter cuidado com tarados na rua. A visão das pessoas é de que o abusador é um estranho que vai pegar seu filho a força. O histórico dos abusos mostra que, geralmente, eles são pessoas próximas: vizinhos, parentes, professores. Cabe aos pais uma atenção a detalhes. Não se influenciem pela religião, sobrenome, parentesco, amizade. Não confiem cegamente em instituições e pessoas. Fiquem atentos a qualquer mudança de comportamento de seus filhos. Mas, acima de tudo, ajudem a pressionar para que haja mudanças na legislação para que, assim como a Lei Maria da Penha, tenhamos também uma legislação que garanta a proteção preventiva e não punitiva.

Hoje você é um empresário. Como seus novos amigos reagiram?

Os antigos amigos deram apoio, elogiaram minha atitude. Os novos amigos aceitaram com tranquilidade, entenderam que é um processo pessoal. A partir do meu relato, pessoas do meu círculo de amizade me relataram que também tinham enfrentado o mesmo drama e que nunca tiveram coragem de falar. Também recebi relatos de pessoas desconhecidas. Então, o falar sobre o assunto acaba sendo um estímulo para atingir o maior número de pessoas, nos dá força para ampliar a batalha contra a pedofilia.

FONTE: GAZETA ON LINE


http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2014/05/noticias/cidades/1487110-empresario-relata-em-livro-os-abusos-sexuais-sofridos-durante-a-infancia.html

Mutirão para enfrentar a Violência Contra Crianças e Adolescentes no Carnaval





Com o lema “Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. Proteja nossas crianças e adolescentes da violência”, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República convida todas e todos a participar da Campanha Nacional de Carnaval pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes. 

O objetivo da ação é conscientizar as pessoas sobre a importância de prevenir e denunciar possíveis casos de violação de direitos da população infanto-juvenil nesse período de grande movimentação turística no Brasil. 

A mobilização abordará o enfrentamento a diversas violações, como violência sexual, maus tratos e negligência. A ação destaca o Disque 100 como o principal canal de recebimento de denúncias sobre violações de direitos humanos do governo federal, além dos conselhos tutelares.

Faça a sua parte. Fique atento aos direitos das nossas crianças e adolescentes e, em caso de violações, Não desvie o olhar. Denuncie. PROTEJA. Divulgue esta campanha, procure o Conselho Tutelar ou Disque 100. Proteger nossas meninas e meninos de todas as formas de violência é uma responsabilidade de todos! 

#Denuncie #DireitosHumanos #Disque100 #NãoDesvieoOlhar #EuProtejo

FONTE: DIREITOS HUMANOS BRASIL


https://www.facebook.com/events/778135488942016/?ref_newsfeed_story_type=regular