quinta-feira, 9 de abril de 2015

O QUE A CRIANÇA PRECISA SABER SOBRE SEU CORPO E SOBRE VIOLÊNCIA SEXUAL?


Lembrando que a educação sexual deve fazer parte do cotidiano do lar e da escola no processo de prevenção, a criança precisa construir alguns conceitos básicos de proteção. Você pode se orientar por 5 ideias simples. Ela deverá ser capaz de:
·        Entender que tem controle e é dona do seu próprio corpo.
·        Compreender que tem o direito de recusar toques e carinhos, por mais inocentes que estes sejam.
·        Saber nomear todas as partes do corpo, incluindo as partes íntimas, seja pelo nome científico ou pelos apelidos familiares.
·        Diferenciar TOQUE DO SIM e TOQUE DO NÃO (ver livro), levando em conta as circunstâncias de necessidade de cuidados de saúde e higiene.
·        Identificar pessoas de confiança de sua convivência ou fora dela, caso precise de ajuda em situações de abuso sexual.

O que fazer se eu suspeitar que a criança sofreu violência sexual?
Em caso de suspeita, você pode procurar a ajuda de um profissional capacitado (psicólogo, médico, assistente social), do Conselho Tutelar da sua cidade ou da delegacia. Lembre-se que a denúncia ou notificação deve ser feita em caso de SUSPEITA. A investigação e/ou confirmação não é realizada pelos pais ou educadores, devendo os órgãos responsáveis se ocuparem disso.
Se a criança contar para você, procure ouvi-la. Tente mostrar um semblante acolhedor e enfatize que você acredita na criança, deixando bem claro que ela não é culpada por qualquer coisa que tenha sido obrigada ou tenha aceitado fazer.
Em seguida, você pode procurar ajuda nas seguintes instâncias:
·        Conselho Tutelar da sua cidade
·        Disque 100
·        Ministério Público - Disque 127
·        Delegacia da Infância e Adolescência da sua cidade


FONTE: PIPO E FIFI

http://www.pipoefifi.org.br/proteja.html

VIOLÊNCIA SEXUAL NA INFÂNCIA


A dica de hoje é muito importante: Pipo e Fifi – Fanpage é uma ferramenta para ensinar crianças a partir de 4 anos conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas.

Acesse o site e faça o download do livro (gratuito), para quem não tinha ideia sobre como abordar esse assunto com o(a)s filho(a)s, o livro tem uma linguagem muito simples e efetiva.

No site tem mais informações e bastante material para download. Compartilhe!


segunda-feira, 6 de abril de 2015

MAIS UMA DESSE INSANO PAULO GHIRALDELLI - “SEXO COM CRIANÇAS É BOM”

ALGUÉM PRECISA PARAR ESSE CARA. ELE PRECISA SER PRESO!



“SEXO COM CRIANÇAS É BOM”
Published on 24/04/2014 by Paulo Ghiraldelli
As crianças adoram imitar símbolos sexuais e pessoas que cantam utilizando o que alguns chamam de pornografia. As crianças possuem desejo sexual e possuem prazer libidinal desde a mais tenra idade. No entanto, quando elas mostram o seu gosto por uma cantora que remexe a bunda loucamente ou por uma bandinha que fala palavrão ou faz gestos obscenos, elas estão muito longe do sexo. O sexo entra aí por obra dos pais e moralistas de plantão (moralistas não no sentido filosófico). Eles e somente eles, esses adultos, fazem a correlação inexistente.
O mundo sexual das crianças existe, não é vazio. Freud disse isso e essa lição só não foi aprendida por quem mora em um buraco de tatu ou tem o cérebro igual ao de uma minhoca. Mas o mundo sexual da criança é um mundo que não corresponde ao que o adulto entende como sexo. A criança brinca e a brincadeira tem como barro o exagero da imaginação. Quando ela vê o comportamento corporal diferente, que o adulto toma com dança sensual ou, para alguns, obscena, ou quando ela vê a linguagem alusiva ao sexo, que o adulto pode chamar de palavrão, ela, a criança, logo percebe que estão aí armas que desarmam o adulto. Ela nota que são elementos que tiram o adulto da sua costumeira apatia. Ora, por que então não se aproveitar disso para também receber atenção?  E por que não rir disso, na hora que dá certo?
Em outras palavras: a arquitetura semântica da criança não é a do adulto.
Carla Perez e os Mamonas foram ícones infantis dos anos noventa, como agora pode uma Valesca Popozuda fazer sucesso. Xuxa e Carla Perez foram bonecas de brinquedo para crianças. Valesca Popuzuda e Anita são bonecas para as crianças. Renato Aragão cansou de fazer gestos obscenos no horário nobre da Globo e ser imitado por crianças. Com isso, esteve junto com Xuxa durante anos no cinema, fazendo filme para crianças. Se a arquitetura semântica infantil é algo particular, também suas telas de janela, para a proteção de insetos, são especiais.  A criança filtra com seus filtros.
Lembro que a Marta Suplicy esteve em um “Roda Viva” da TV Cultura, nos anos oitenta, para dizer que Xuxa sexualizava a vida infantil, e que uma tal precocidade iria trazer problemas para todas as crianças, justamente os que hoje são os adultos mais jovens que eu. Minha filha e minha esposa foram criadas vendo Xuxa. Não creio que Xuxa fez mal a elas. O que Xuxa fez de sexo com Pelé e Airton Sena não tinha nada a ver com Xuxa rebolando na TV. Pelé e Airton Sena não estavam com Xuxa “de brincadeira”, mas minha esposa e minha filha estavam. Marta Suplicy era sexóloga nesse tempo! Meu Deus! Que sorte que isso passou!
Mas, ainda hoje, de vez em quando, surgem por aí os que querem repetir Marta na sua fase pudica, feminista e ligada aos inícios do politicamente correto. Ela própria abandonou tudo isso. A juventude abandonou tudo isso. Mas a linguagem que temos hoje ainda não espelha uma boa semântica da vida atual. Somos mais livres sexualmente, bem mais, mas nossa linguagem ainda está presa a cânones de um moralismo anterior ao dos anos oitenta. Fazemos uma coisa, mas a descrevemos de modo diferente, às vezes até para nós mesmos. Então, não raro, algumas pessoas que olham o sexo e as crianças, ou o sexo e a juventude, hoje, enganadas pela linguagem, se deixam levar por essa defasagem semântica e acabam prevendo práticas e crimes que não ocorrem.
Notamos isso no combate hoje exagerado ao que chamam por aí, erradamente, de “pedofilia”. A violência contra a criança é tomada como sexual, e o que às vezes nem abuso é, acaba pode se denominado de “pedofilia”, palavra que na letra da lei não expressa crime, mas que é tomada como crime e pecado pelos adultos pouco reflexivos. A culpa de tudo isso? Para as vozes da ignorância que predominam hoje em dia na mídia, muita coisa vem de algo parecido com o que Marta Suplicy dizia no passado: sexualização precoce. Vem também, para essas mesmas pessoas, do que ela não dizia, mas que é dito pelos pastores ridículos atuais: a taradização do mundo. Nunca houve tantos tarados como há hoje, dizem. Uma bobagem em termos de estatísticas. Todo adulto que encosta a mão em uma criança hoje é “pedófilo”! E isso só tende a ser retroalimentado. Claro! Hoje, pela lei, nem a professora pode segurar uma criança em uma briga ou limpá-la quando ela vai ao banheiro. Pois o corpo da criança ficou intocável de um modo irracional. Assim, qualquer toque é algo do “abuso sexual”, algo do “pedófilo”, não mais da necessidade pedagógica e do cuidado.
De um lado, as crianças são protegidas de algo que elas não sabem o que é, pois elas não olham para o sexo como problema – e não é mesmo! Por outro lado, os adultos são postos todos como criminosos, porque a linguagem sobre a infância, o corpo e o sexo tem ido por um caminho errado, de moralismo barato e de completa falta de reflexão menos carola. O resultado disso é uma esquizofrenia total da sociedade. O sexo deixa de ser prazer e pecado e se torna crime. É o pior dos mundos.
Esse mundo que vivemos tem de acabar. Uma revolução na linguagem, capaz de incorporar o que já é feito na nossa prática comportamental, é necessária. Psicólogas pudicas, pastores hipócritas e colunistas que ligam sexo à posição política, não sabem de nada. Como não querem aprender, deveriam ficar calados.
Da minha parte, ou seja, da parte do filósofo que não é celibatário nem pudico e muito menos um boboca ou um babaca, o esforço é no sentido de conversarmos sobre nossas práticas comportamentais, inclusive a do sexo, sem que tenhamos de dar voltas e mais voltas, sem que tenhamos que mentir demais. A mentira em exagero cria uma verdade. Essa verdade não ajuda em nada, não vamos ser mais felizes por causa dela.
Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez).

http://ghiraldelli.pro.br/sexocomcrianca/




DESDE OS ANOS 80, MÚSICA “CAMILA, CAMILA” ALERTA SOBRE A VIOLÊNCIA SEXUAL


Quando ainda pouco ou nada se falava sobre abuso sexual de crianças e adolescentes no Brasil, a banda Nenhum de Nós ousou abordar o tema na década de 80 com a música “Camila, Camila“, hoje um clássico do rock nacional. O vocalista e autor da letra, Thedy Corrêa, conta como sentiu a necessidade de falar sobre o delicado assunto. Ele também lamenta que muitas músicas brasileiras ainda estimulem o sexismo e deturpem a imagem da mulher, quando deveriam conscientizar contra a violência sexual. Acompanhe a entrevista com o compositor:
O Dia Nacional de Combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes (18 de maio), foi criado há 12 anos, devido a um crime bárbaro com uma menina de oito anos, estuprada e morta carbonizada. Quinze anos antes, com a música Camila,Camila, sua banda já abordava o problema da violência sexual contra jovens. Existem muitas outras Camilas no país que guardam “lembranças do silêncio”‘ e “vergonha do espelho”. Você já pensava nisso na época?
Até hoje, a música é muito ouvida. Quando você compôs a letra, já passava pela sua cabeça que poderia ser um alerta para as adolescentes?

Quando escrevemos Camila, jamais esperávamos que fosse fazer tamanho sucesso – até mesmo pela temática complicada. Quando ela estourou, a questão se tornou uma constante em nossas entrevistas, e isso foi fantástico para que se abordasse o tema entre o público jovem.
Por que você acha que a música fez tanto sucesso?

Acredito se deva justamente à abordagem de um assunto que, infelizmente, ainda aflige a sociedade e as mulheres em geral. Não se trata de um tema ligado a um modismo ou uma linguagem datada. O assunto continua atual.
Você pensava na época em abordar temas delicados como o abuso sexual ou a exploração sexual de crianças e adolescentes e o que acha que mudou dos anos 80 para cá em relação ao assunto?

Sempre pensamos em fazer canções que tivessem um conteúdo contestatório. Colocar questões que fizessem parte das “feridas” da sociedade. A violência sexual era pior nos anos 80, porque não era tão debatida quanto hoje. Existe maior consciência por parte da sociedade e mecanismos de proteção que são fruto desta discussão.
Em sua opinião, as meninas hoje estão mais conscientes do problema?

Estão um pouco mais, mas é triste constatar que a música brasileira de hoje não ajuda. Uma pesquisa feita pela MTV há uns anos mostra que apenas Camila tratava desse tema. De resto, assistimos estarrecidos ao avanço de estilos e temáticas que pouco têm ajudado na conscientização do problema. Basta ver gente achando graça quando algum funk se refere às garotas como cachorras, ou algum sertanejo fala em um amor que beira à violência. Isso é um retrocesso. Triste, mas é verdade…
Essa canção foi inspirada em fatos reais, envolvendo uma jovem que nós conhecíamos na época, em 1985. Era uma colega de escola bastante bonita com um namorado violento. Ficávamos intrigados com os motivos que levavam uma garota assim a se submeter e ser maltratada por um rapaz tão estúpido. Ouvimos algumas histórias de situações constrangedoras que ela sofreu e essa foi nossa “faísca criadora” para uma canção que falasse da violência contra a mulher. Por isso os “olhos insanos”, a “vergonha do espelho naquelas marcas”, além da tristeza e indignação na melodia. Hoje, ela vive super bem, tem uma linda família e está bem longe desse antigo namorado… Ainda bem!
FONTE: SEMAS CASTANHAL



UM DIA NA MAIOR PRISÃO PARA CRIMINOSOS SEXUAIS DA EUROPA

A maior prisão da Europa para acusados de crimes sexuais fica em Nottinghamshire, na Grã-Bretanha, e o repórter da BBC Magazine Rex Bloomstein conseguiu acesso inédito ao centro e aos detentos.


"Aqui temos todo tipo pessoa que você possa imaginar", disse Lynn Saunders, diretora da prisão HMP Whatton.
"Temos pastores, professores, pilotos de avião, policiais, agentes penitenciários, médicos... pessoas com problemas de aprendizado, que têm QI baixo e problemas de saúde mental complexos", acrescentou.
A prisão foi construída na década de 1960 em Nottinghamshire, na região central da Inglaterra, com capacidade para receber 841 detentos de todas as idades. Cerca de 70% deles cometeram crimes contra menores de idade, o resto, contra adultos.
Aproximadamente metade dos presos cumprem sentenças de tempo determinado e conhecem a data na qual serão libertados. Os outros não sabem quando serão libertados.
Whatton é um centro especializado em tratamento e reabilitação, oferecendo programas de tratamento variados para os acusados de crimes sexuais, mais do que qualquer outro centro na Grã-Bretanha.
Os vizinhos de Whatton chamam o local de "o palácio dos pedófilos".

Crimes reconhecidos

A maioria dos detentos de Whatton reconhecem os crimes que cometeram e estão trabalhando para enfrentar os problemas que os levaram a cometer estes delitos.
E os crimes pelos quais eles foram presos variam muito. Entre eles estão crimes de contato físico, como manuseio, penetração, incesto, violência relacionada ao sexo e até assassinato.
Há também os crimes sem contato, como baixar ilegalmente imagens sexuais de crianças ou menores de idade.
A partir das revelações a respeito de nomes famosos da Grã-Bretanha que cometeram crimes do tipo, como do apresentador da BBC Jimmy Savile, morto em 2011 e acusado de abusos sexuais cometidos durante décadas, há mais criminosos sexuais no sistema penitenciário do país. Mais do que nunca.
De uma população penitenciária total de 85 mil pessoas na Inglaterra e País de Gales, 11,7 mil são criminosos sexuais. Um aumento de 8% em 2014.

Sem 'hierarquia'

Dave Potter, um dos coordenadores de programas terapêuticos de Whatton, afirmou que os condenados por crimes contra crianças e menores de idade estão juntos com os condenados por crimes contra adultos, para evitar que se crie algum tipo de cumplicidade entre eles.
"Não tratamos os estupradores melhor do que pessoas que cometeram crimes contra crianças ou criminosos da internet, pois cada crime sexual criou vítimas e destruiu vidas, não importa contra quem é o crime, é realmente importante não ter uma hierarquia", disse.
Mike passou quase toda sua vida adulta em prisões. Há 28 anos foi condenado por estuprar uma mulher de 38 anos, na casa da vítima.
Antes de chegar a Whatton, reconhece que desprezava os que cometiam crimes contra crianças. Estes criminosos frequentemente são colocados em áreas especiais em outras prisões.
"Nunca gostei deles. Achava que era o pior crime que se pode cometer. Mas, então, pensei no crime que cometi, contra uma pessoa adulta. Não há diferença, o processo mental é o mesmo", afirmou.
Mike chegou a Whatton há sete anos e, segundo ele, a cultura dentro desta prisão é muito diferente.
"Ninguém te julga. Nem mesmo os funcionários, não te olham como se você fosse lixo e isso faz muita diferença."
Prisioneiros como Mike participam de sessões de terapia individuais ou em grupos de até nove detentos.
"O que fazemos em Whatton é tentar fazer com que eles entendam o dano que causaram a outras pessoas, o dano que causaram neles mesmos e também formas de identificar aquele sinal de alerta quando eles saem (da prisão), (o sinal) de que eles estão pegando um caminho para um novo crime", afirmou Potter.

'Inferno'

Ao contrário de Mike, Steve acabou de chegar a Whatton depois de abusar da enteada. Ele chora durante a entrevista.
"Para mim, pessoalmente, cada dia é um inferno. Falamos do remorso e da culpa e a vergonha do que fiz, não apenas contra minha vítima, mas também contra minha família e a comunidade em geral, e tudo o que eu fiz antes se foi."
"Não me restou nada. Não tenho nem onde cair morto. A perda é esmagadora e constante, todo o tempo", acrescentou.
Steve é um caso típico de Whatton, no sentido de que a maioria dos crimes sexuais não é cometida por um estranho, mas por membros da família, dentro de casa, ou por pessoas conhecidas da vítima.
Ouvir Steve falar de sua dor e desespero é comovente, mas, depois de alguma reflexão, foi incômodo pensar que senti algum tipo de empatia por um homem que abusou da enteada. Mas este é o objetivo de Whatton, lidar de forma humana com pessoas que a maioria acha impossível sentir empatia.
"Estamos lidando com pessoas que não são monstros. É o pai de alguém, um filho, um irmão, um vizinho, um tio. Quando falamos com as pessoas a respeito e perguntamos 'como vocês gostariam que tratássemos estas pessoas? o que gostariam que acontecesse com elas?', as pessoas dão respostas surpreendentemente solidárias. Estamos lidando com pessoas com problemas graves", afirmou Lynn Saunders, a diretora de Whatton.

Paradoxo

Segundo os funcionários de Whatton, os sentimentos negativos como a humilhação e a culpa manifestadas por detentos como Steve são um imenso obstáculo no processo terapêutico.
As terapias se concentram nas qualidades e pontos fortes dos prisioneiro como uma forma de evitar que eles voltem a cometer crimes no futuro.
Mas, há um paradoxo. Por um lado, a sociedade quer que criminosos sexuais sintam um arrependimento profundo por seus crimes, mas o processo de reabilitação em Whatton exige que eles transcendam isto.
"Para as pessoas é muito difícil reconciliar esta ideia. Muito do trabalho que fazemos em grupos está voltado para desenvolver a autoestima das pessoas que cometeram o crime, porque muitos crimes sexuais são resultado direto da baixa autoestima. Nos grupos tentamos desenvolver a forma como eles se valorizam", afirmou Potter.
Em algum momento, a maioria dos criminosos sexuais de Whatton vai voltar à comunidade.
Segundo Saunders, a taxa de reincidência é surpreendentemente baixa: 6%, comparada com 50% da população geral de detentos.
Mas, no final, a proteção do público é primordial e eles devem garantir a segurança das pessoas.
O questão do risco de reincidência é a principal preocupação para a maioria do público.
Potter reconhece que não há garantias de que um detento libertado não volte cometer um crime, mas ele acredita no trabalho desenvolvido na prisão.
"Com o trabalho que fazemos, acredito profundamente que estamos dando a eles as ferramentas para gerenciar seus riscos. Tenho certeza de que se não fizermos nada com eles, se não oferecermos nenhum tipo de ajuda, o que vai evitar que eles voltem a cometer um crime?"
"Se saem daqui com o estigma de 'criminoso sexual, não sirvo para nada, não presto, então, por que não cometer outro crime?'. Não teriam nada a perder", questionou.
FONTE: BBC
Postado originalmente do Grupo Brasil Sem Pedofilia (https://www.facebook.com/groups/257108824457012/) por Elza Augusta Carvalho.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150331_prisao_crimes_sexuais_fn?ocid=socialflow_facebook%3FSThisFB


quarta-feira, 1 de abril de 2015

FUNKEIRA DE APENAS 8 ANOS EXPÕE A EROTIZAÇÃO INFANTIL

MC MELODY, DE 8 ANOS, CAUSA POLÊMICA E PAI DEFENDE: ‘É SÓ PORQUE ELA CANTA FUNK’


Além de ir à escola, passear no shopping com a família e brincar de boneca, a rotina de Melody Abreu, de 8 anos, inclui atividades prá lá de incomuns a uma criança: fazer shows de funk, gravar vídeos e abastecer sua página no Facebook. A pequena MC de São Paulo está causando polêmica na internet e já teve uma página no Facebook com 150 mil fãs (conquistados em um período de 20 dias) tirada do ar por conta de denúncias de usuários da rede social. Segundo o pai e empresário da menina, Thiago Abreu, de 26 anos, também conhecido como MC Belinho, isso não os incomoda e não os fará desistir da carreira musical.
— Ela canta desde pequena, desde que tinha 2 anos.

 Recebemos críticas do Brasil inteiro, principalmente de estados onde o funk não é popular, gente do Rio e de São Paulo não critica. Já estamos acostumados com isso. As pessoas denunciam porque não aguentam ver uma criança de 8 anos fazer as caras e bocas que ela faz. Tem muita criança que queria fazer o que ela faz e não consegue. Ela faz tudo sozinha, eu não mando ela fazer nada. Falam que vão denunciar pro Conselho Tutelar, mas não vamos parar, podem denunciar até pro papa. Falam que vão tirar a guarda dela. Tem é que denunciar criança que vende bala e chiclete na rua, criança que mora em abrigo. Ela estuda, é educada, a gente dá tudo do bom e do melhor.

Thiago espera recuperar a primeira página que criou para a filha no Facebook, mas, enquanto isso, criou uma nova há uma semana, que já reúne mais de 28 mil fãs e é abastecida pela própria Melody, sob a supervisão do pai. O EXTRA entrou em contato com o Facebook para saber quais foram os termos de usuário violados pela página que foi tirada do ar e ainda não recebeu resposta.

— Por mais que tenha atitude de uma menina de 12 ou 13 anos, ela ainda é criança, então eu supervisiono. Tem coisa que ela quer colocar e eu sei que as pessoas vão criticar demais, então falo pra não postar. Ela quer colocar coisas de família e eu digo: "Não posta. Isso é página de artista, não pode expor a família".

A carreira da menina está causando polêmica nas redes sociais e as opiniões dos usuários são bem divididas. Enquanto uns elogiam o talento dela e desejam sorte na carreira, outros acusam seus pais de hipersexualização e exposição. Alguns homens inclusive dizem que ela é "uma delicinha" e "um monumento de mulher". Melody já chamou a atenção de grupos feministas e também da página de humor “Irmã Zuleide”, que publicou: “Antes da internet, como você fazia pra passar vergonha? Tá repreendido em nome de Jesus”, ironizou. Segundo Thiago, as críticas só existem porque Melody canta funk.

Falam mal só pelo funk. Quando saiu o clipe de “Single ladies”, da Beyoncé, havia vários vídeos de crianças de 2 anos dançando de biquíni e maiô e ninguém reclamava. Ninguém falava de Sandy & Junior no início da carreira, dançando “Vai ter que rebolar” de shortinho. Só falam mal porque ela é MC. A Melody imita as caras e bocas que a Anitta faz e as pessoas acham isso demais (pra idade dela). Ela não está falando palavrão, não está ‘fazendo sensualidade’.
Apesar da justificativa do pai, na música “Fale de mim”, que, de acordo com ele, começou a ser feita em uma visita à casa do Mr. Catra, no Rio, Melody fala: “Pra todas as recalcadas aí vai minha resposta: se é bonito ou se é feio, mas é f*** ser gostosa”.

— Ah, se ‘f***’ for palavrão… Todo mundo fala ‘f***’ - desconversa Thiago, que disse ter um advogado a postos caso receba alguma intimação do Conselho Tutelar.

Toda a família de Melody trabalha com funk. Além do pai, MC Belinho, a irmã mais velha, Bella, de 10 anos, também é MC, canta na noite há três anos e participava dos shows do pai desde os 4 anos de idade.

— A página dela tinha 500 mil fãs, mas também derrubaram. Ela colocou aparelho (ortodôntico) agora e parou de cantar um pouco - conta Thiago. Além disso, a tia das meninas é cantora de funk e a mãe delas era dançarina, mas agora trabalha como assessora da família.

— A gente sabe o que está fazendo. Dizem “esses pais são loucos”, mas várias crianças aparecem em programas de TV, só que, ao invés de cantar funk, elas cantam sertanejo. Mas vão se expor do mesmo jeito.

Segundo o pai, Melody tem três participações na TV agendadas para o mês de abril. Sem contar os shows que faz em matinês aos domingos, Melody já canta em festas de aniversário - mas as apresentações só podem acontecer até meia-noite.

— Ela só faz domingueira (matinês aos domingos), quando ela faz show sábado, é em festa de aniversário. Baile funk nunca fez. Na última domingueira que ela era atração, fez show com o MC Gui. As pessoas falam: "Ah, vai um monte de pedófilo pra esses lugares", mas também tem menor de idade. Não é culpa nossa se entra menor ou maior de idade. Ela não vai deixar de ser cantora por isso não.

A menina estuda no turno da tarde e já precisou mudar de colégio por causa da carreira. Segundo o pai, ela é muito dedicada aos estudos e tira boas notas.

— Mudei ela de colégio uma vez e agora vou ter que mudar de novo por causa do assédio. Ela estuda em escola particular. Nos intervalos, as diretoras, professoras, todo mundo fica pedindo foto, pedindo pra ela cantar. (A carreira) não está prejudicando a vida dela, essas coisas acontecem quando você fica conhecido. Com certeza aconteceu com a Maisa (Silva) e os pais dela não a tiraram do programa. E agora está aí no SBT, ganhando muito dinheiro. Mas eu não penso só em dinheiro, isso é consequência. Estou ajudando minha filha a realizar um sonho. Faço por ela o que eu não tive quando era criança.

FONTE: JORNAL EXTRA

http://extra.globo.com/noticias/brasil/mc-melody-de-8-anos-causa-polemica-pai-defende-so-porque-ela-canta-funk-15737518.html#ixzz3W7FFjTSG

segunda-feira, 30 de março de 2015

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA, NÃO FICA NA INFÂNCIA…


Por Carolina Vila Nova
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância, não fica na infância.
Mas fica… para a vida toda!
CAROLINA VILA NOVA:  colunista Conti outra

Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 39 anos. Escritora e Roteirista.

É autora dos seguintes livros:

“Minha vida na Alemanha” (Biografia),
“A dor de Joana” (Romance-drama),
“Carolina nua” (Crônicas),
“Carolina nua outra vez” (Crônicas),
“Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas) e
“As várias mortes de Amanda” (Romance-drama).

FONTE: CONTI outra

http://www.contioutra.com/o-que-acontece-na-infancia-nao-fica-na-infancia/