sábado, 12 de setembro de 2015

CCJ APROVA PROPOSTA QUE FEDERALIZA JULGAMENTO DE CRIMES SEXUAIS CONTRA CRIANÇAS


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 439/14, que transfere o julgamento de crimes sexuais praticados contra pessoas consideradas vulneráveis para a competência de juízes federais, e não mais de juízes de primeira instância.
A proposta foi elaborada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes e apresentada pela relatora da CPI, deputada Liliam Sá (Pros-RJ), pela presidente, deputada Érika Kokay (PT-DF), e por outros deputados integrantes da comissão.
O objetivo da proposta é afastar a impunidade nos crimes sexuais praticados contra vulnerável. “A CPI constatou, em suas investigações, que muitos exploradores sexuais de crianças e adolescentes gozam de prestígio em suas regiões, por serem políticos, empresários, policiais, juízes, membros do Ministério Público ou parentes de autoridades”, afirmam os autores. “Dessa forma, esses criminosos são blindados, os processos ficam engavetados até prescrever o crime ou os agentes são simplesmente absolvidos e ficam livres para continuarem praticando esses crimes”, complementam.
A relatora da proposta, deputada Renata Abreu (PTN-SP), recomendou a aprovação da PEC por considerar que ela não entra em conflito com a Constituição Federal
A proposta será examinada por uma comissão especial criada especialmente para essa finalidade. Em seguida, deve ser votada pelo Plenário.
FONTE: CHILDHOOD
http://www.childhood.org.br/ccj-aprova-proposta-que-federaliza-julgamento-de-crimes-sexuais-contra-criancas

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

COMO AGIR: SAIBA COMO E ONDE BUSCAR ATENDIMENTO PARA SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA SEXUAL


O reconhecimento de uma situação de violência sexual gera preocupação e dúvidas. Nesse momento é muito importante que você possa dar o encaminhamento mais adequado, tanto para quem sofreu à violência como para quem a praticou. 
Violência sexual contra crianças e adolescentes é uma grave violação de direitos e um crime definido pelo Código Penal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Trata-se de um atentado à integridade física e psicológica, ao respeito, à dignidade, ao processo de desenvolvimento físico, psicológico, moral e sexual sadios e à proteção integral.
A gravidade da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes deve-se à situação de absoluta desigualdade de poder entre o abusador ou abusadora, em geral um adulto, que dispõe de todas as condições de se impor sobre uma criança ou adolescente que não tem como se defender diante do tamanho, da força, da experiência de vida, do poder de convencimento e sedução, da pressão física e psicológica e da autoridade do abusador, principalmente quando esse é um familiar, um religioso ou professor.
Para tais casos, além de outras medidas que podem ser encontradas aqui, recomenda-se o contato com CNRVV – Centro Nacional de Referência às Vítimas de Violência, do Instituto Sedes Sapientiae (http://sedes.org.br/site/centros/cnrvv) para solicitar auxílio.
O telefone do Centro – que fica em São Paulo – é o (11) 3866-2730.
O acompanhamento de casos de violência sexual deve ser extensivo à família para amenizar traumas e demais consequências sociais, psicológicas e físicas decorrentes desta violação de direitos humanos.
Para essas e mais informações sobre como agir em casos de violência sexual, veja a página: http://www.childhood.org.br/como-agir
 FONTE: CHILDHOOD
 http://www.childhood.org.br/como-agir-saiba-como-e-onde-buscar-atendimento-para-situacoes-de-violencia-sexual

terça-feira, 1 de setembro de 2015

“COM 5 ANOS, SENTIA ÂNSIA FAZENDO SEXO ORAL NELE. ERA POLICIAL E TENTARAM ESCONDÊ-LO”

Atenção: essa é uma história real e foi publicada de forma fiel ao relato da vítima. As palavras utilizadas podem ser fortes e abordar atos sexuais e de violência.

Meus pais se divorciaram pouco antes de eu completar um ano de vida. Então, fui criada por minha mãe e minha irmã mais velha. Minha mãe sempre teve muito contato com sua irmã, minha tia, que tinha dois filhos e mais tarde se casou novamente e teve mais dois filhos com outro homem, um policial.

Não lembro direito quando tudo começou, porém tenho certeza de que aconteceu e, pelas minhas contas, eu deveria ter uns 5 ou 6 anos quando o marido da minha tia começou a se aproximar de mim.
Ele frequentava nossa casa assiduamente e muitas vezes conseguia ter a oportunidade de ficar sozinho comigo. Um dia foram todos ao mercado e apenas nós ficamos em casa. Lembro de ele tirar minha calça e minha calcinha e de eu não entender o que acontecia. Ele me acariciava e logo começou a fazer sexo oral em mim. Perguntava se eu estava gostando, mas eu mal sabia o que estava acontecendo, nem imaginava o que era aquilo!
Outras vezes recordo de ele colocar em canais pornôs e me mostrar os filmes. Quando eu tentava sair, ele me puxava e mandava sentar e assistir, caso contrário ele me mataria e mataria minha mãe. Novamente eu retornava ao sofá. E logo ele começava a me acariciar e me mostrava seu pênis. Mandava fazer sexo oral nele. Lembro de ele rir e me chamar de gulosa quando eu tinha ânsia fazendo sexo oral nele. Colocava o dedo na minha vagina e ria com a minha reação.

Ninguém nunca desconfiou. Eu tentava fugir, mas era difícil, e tudo se tornava cada vez pior. Fui crescendo e quando eu já entendia o que ele estava fazendo, tentava evitar cada vez mais. Morria de medo do que ele faria comigo.
Aos 11 anos de idade eu tive um sonho com ele e acordei chorando. Minha avó estava na minha casa e ouviu. Foi até o meu quarto e disse para eu não me preocupar, porque era apenas um pesadelo. Eu simplesmente disse: “meu pesadelo é real”. Após esse episódio, nossa empregada veio atrás de mim e me perguntava infinitamente o que era meu pesadelo real. Eu contei para ela. Implorei que não contasse à minha mãe, porque eu tinha muito medo. Mas claro que ela contou...
Lembro que depois disso eu fiquei trancada no quarto o dia todo, só esperando o momento em que minha mãe viria falar comigo. Não demorou muito. Ela entrou, sentou na cama e disse: “filha, eu te amo, e não vou deixar ninguém machucar você! Me conta o que está acontecendo. Eu vou te proteger!”. Entre muitas lágrimas e soluços, meus e dela, eu contei.

Minha mãe perdeu o chão. Ela saiu gritando pela casa "ele fez ela chupar ele!!", quebrando tudo e chorando muito. Horas depois, ela me levou à delegacia. Eu fiquei do lado de fora, em um banco, enquanto escutava ela contar e chorar. Ela tentava ser forte na minha frente.
Voltamos para casa e ela e meu pai saíram atrás dele para matá-lo.
Na época, ele era Cabo da Polícia Militar da nossa cidade e tinha 46 anos. O Capitão de Polícia e outros membros da corporação o esconderam dentro do Batalhão. Todos estavam do lado dele.
Após isso tudo, fiz diversos exames, frequentei muitas psicólogas, médicos, fui a muitos delegados, juízes, etc.
Minha tia ficou do nosso lado e logo descobrimos outros abusos, dos filhos dela também. Totalizaram-se 10 crianças abusadas e um estupro* de uma menina de 13 anos, além de ele ter feito uma roleta-russa com um adolescente de 17 anos. Muitas das pessoas abusadas faziam parte da nossa família, poucas eram de fora.

Durante o processo judicial, foi um alerde na nossa cidade. Na primeira audiência, lembro de  estarmos no fórum e darmos de cara com ele. Ele olhou para todos nós e riu debochadamente. Nós subimos e na sala eu comecei a contar. Minha mãe chorava e eu disse: "não chora, mãe, já passou, nós vamos vencer". Nesse mesmo dia, minha mãe olhou para a advogada dele e perguntou se ela tinha filhos. A advogada levantou e abandonou o caso durante o meu depoimento.
Eu fui ajudada, fui tratada, tive uma profunda depressão e tentei me matar mais de 3 vezes. Em todas elas, minha mãe me encontrou e me salvou. Ele foi punido com 30 anos de prisão, mas após 5 anos preso ele foi libertado e cumpre hoje a pena livremente por ter tido bom comportamento.
Hoje tenho 19 anos. Vivo uma vida normal. Estudo psicologia e passei por cima das pedras em meu caminho. A história é longa e tem muito mais, mas não quero me prolongar. Só peço que fiquem alerta em suas casas, com seus filhos, e nunca confiem em ninguém.

Por que publicar esse relato?


Depois das muitas histórias que já publicamos de casos de abuso sofridos pelas leitoras do Bolsa de Mulher, continuamos recebendo diariamente relatos tristes que só confirmam o que temos percebido desde que abrimos espaço para abordar esse assunto: o abuso sexual e o estupro estão muito mais próximos de nós do que podemos imaginar. E a palavra das vítimas que nos escrevem nos faz acreditar que continuar tratando desse tema é uma forma de ajudar e, quem sabe, evitar que novos casos aconteçam.
Nosso objetivo é conscientizar que a culpa nunca é da vítima, alertar para que os pais fiquem mais atentos aos seus filhos, para que as mulheres percebam riscos que correm e também – e principalmente – indicar formas de agir contra os agressores, aconselhar sobre como denunciar e ouvir especialistas que possam ajudar em diferentes casos.

 

Punição para os agressores de crianças


O melhor caminho, apesar de ser bastante doloroso, é sempre denunciar. Se as medidas cabíveis não foram tomadas logo que o caso aconteceu, é possível prestar queixa contra um agressor que praticou violência com uma criança mesmo após a vítima atingir a fase adulta.  A pena vai depender do tipo de crime cometido.
No relato acima, a vítima denunciou ainda antes de atingir a maioridade, e o agressor foi punido com 30 anos de prisão. A chance de responder aos crimes em liberdade após cumprir parte da pena tendo boa conduta dentro da cadeia é uma brecha que a lei brasileira permite. Esse benefício pode ser revisto a qualquer momento, desde que haja, por parte do preso, qualquer descumprimento de obrigações ou caso cometa outro crime durante esse período.

 

Abuso x Estupro


*No texto, a vítima relata outros casos pelos quais o agressor foi julgado e cita abusos sexuais e estupro de maneiras distintas. Isso porque existem crimes diferentes dentro do que a justiça qualifica como violência sexual e pode ser que o acusado tenha sido condenado por outras práticas criminosas, que não estupro. Porém, é importante esclarecer que anos atrás, era considerado estupro apenas abusos com penetração, o que não acontece mais hoje em dia. A lei atual classifica qualquer ato libidinoso forçado como estupro - seja o sexo oral, masturbação ou qualquer outro tipo de carícia sexual. Um advogado pode ajudar a entender em qual caso a violência se enquadra - ou mesmo o Disque Direitos Humanos (100).

 

Como denunciar


O Disque Direitos Humanos, que atende através do número 100, está disponível 24 horas por dia para receber denúncias de agressão ou abuso contra crianças. Seu nome ficará em sigilo absoluto e, de lá, o caso será transferido para as autoridades responsáveis por investigar o caso. Se preferir, você também pode procurar por uma delegacia e prestar queixa pessoalmente.

 

E você? Já foi vítima de abuso?


Falar sobre as experiências pelas quais passamos é um processo importante para aceitar o que aconteceu e também para superar. Além disso, é muito importante para ajudar outras pessoas a enfrentarem essa situação e conscientizar a população sobre o problema. Foi isso que pensamos ao decidir criar espaço no site para essas histórias. Também queremos saber a sua. Fique à vontade para se abrir. Envie um e-mail para a nossa redação (através do redacao@bolsademulher.com) e compartilhe o que você nunca contou para ninguém. Se você permitir, contamos sua história para outras leitoras, sem nenhuma identificação.

FONTE: BOLSA DE MULHER

http://www.bolsademulher.com/abusos-sexuais/com-5-anos-sentia-ansia-fazendo-sexo-oral-nele-era-policial-e-tentaram-esconde-lo/?utm_source=facebook&utm_medium=manual&utm_campaign=BolsaFB


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

VÍTIMA DE ABUSO DIZ QUE PAI É PIOR DO QUE UM MONSTRO: "MONSTROS SÓ ASSUSTAM. ELE MACHUCA"

Em média, quatro crianças ou adolescentes são encaminhadas ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas por suspeita de violência sexual


Surianny dos Santos Silveira, cinco anos, em suas brincadeiras, sonhava ser princesa. Mas a infância e os sonhos foram interrompidos quarta-feira passada em sua casa, no Bairro Lomba do Pinheiro, na Capital gaúcha. Surianny foi estuprada e morta. O padrasto da menina e o irmão de criação dele são suspeitos e estão presos.

Em Gravataí, um pai fugiu com a filha mais velha, de 11 anos, com a qual havia algum tempo mantinha uma relação incestuosa. Ele também está preso.
A violência e o abuso sexual nos dois casos estão longe de serem situações isoladas ou raras. A cada dia, em média, quatro crianças ou adolescentes são encaminhadas de diferentes regiões do Estado para acolhimento no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV) por suspeita de terem sofrido abuso ou violência sexual. Na Capital, a média é de dois casos diários.

Os números tornam-se mais preocupantes se levarmos em conta que os dados não incluem as regiões da Fronteira Oeste e Central e do município de Caxias do Sul, que não encaminham as vítimas para o HMIPV. E o pior de tudo é que boa parte dos casos não chega a ser denunciada, muitas vezes devido a ameaças feitas pelos abusadores.


A fuga do pai com a menina ocorreu em abril de 2014. Ela estava no Conselho Tutelar da Zona Oeste de Gravataí, pois vizinhos da família haviam denunciado as suspeitas de que ela era abusada pelo pai. Seus cinco irmãos, com idades de dois, quatro, seis e dez anos já haviam sido encaminhados à guarda dos avós maternos, no interior de Santa Catarina, devido a denúncias de que viviam em situação de vulnerabilidade.

A mãe, envolvida em um novo relacionamento, os havia deixado sob a guarda do pai.

De acordo com as denúncias, o pai costumava deixar os filhos menores fora de casa, em situação de risco, e permanecia por longos períodos trancado com a mais velha, então com 11 anos. Inclusive, os dois dormiam na mesma cama.

No momento em que uma conselheira afastou-se para tirar a cópia de um documento, a menina saiu correndo do prédio. O pai, segundo testemunhas, a aguardava do lado de fora. Antes, ele havia solicitado ao patrão um adiantamento de salário. Mas não voltou ao emprego, e a filha abandonou a escola.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Gravataí deflagrou uma operação para localizar pai e filha.
Após a fuga, as únicas pistas que surgiam eram telefonemas que a filha, esporadicamente, dava à mãe para afirmar que "estava bem". Os policiais buscavam o rastreamento do telefone, mas, a cada ligação, o pai costumava trocar o número, alternando inclusive as operadoras.

Depois de 17 meses, a Deam conseguiu localizá-los. O foragido estava trabalhando como caseiro em uma propriedade rural no interior de Gravataí. À polícia, seu patrão alegou que não teve qualquer desconfiança da situação. Durante o período em que estava sendo procurado, o pai não permitiu que a filha saísse uma única vez da propriedade.

O pai teve prisão preventiva decretada por estupro e cárcere privado da filha. De acordo com a delegada Marina Dillenburg, o homem alegou que sua relação com a menina era de pai e filha. Manteve-se frio até mesmo na hora de ser conduzido ao Presídio Central.

A menina Surianny dos Santos Silveira, cinco anos, inicialmente foi dada como desaparecida. Seus familiares passaram a madrugada da quarta passada procurando por ela. Ela e os irmãos teriam ficado sob os cuidados do padrasto e de seu irmão de criação. A mãe das crianças, que trabalha vendendo roupas, estava em São Paulo.

Quando todos já haviam perdido a esperança de encontrá-la dentro de casa, um barulho vindo do sofá, em um dos cômodos da casa na Quinta do Portal, Bairro Lomba do Pinheiro, na Zona Leste da Capital, chamou a atenção dos tios. A menina, ainda com vida, estava no forro do móvel, o mesmo no qual dormia o irmão de criação do padrasto. Surianny foi socorrida, mas morreu pouco depois. A perícia constatou que ela fora estuprada.

Inicialmente, a polícia prendeu o irmão de criação do padrasto, Jéferson Machado Alves, 23 anos. Ele confessou o crime e alegou ter agido sozinho. Nesta segunda-feira, porém, foi preso preventivamente o próprio padrasto, Charles Teixeira de Castro, 23 anos. Na quinta-feira passada, em depoimento, Charles negou participação no crime. Ouvido novamente, voltou a negar qualquer envolvimento.

"Monstros só assustam. Ele machuca"

Os conselheiros tutelares da Zona Oeste de Gravataí, Marcos Vinicius Pinto, Joelson Cardoso, Adriana Neves e Paulo Aguiar, mesmo acostumados a uma rotina de denúncias de violência ou abuso sexual contra crianças e adolescentes, não deixam de se surpreender a cada nova ocorrência.

O município é o segundo em número de encaminhamentos ao ao Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil de Violência Sexual (Crai), no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), ficando atrás apenas da Capital. E foi por lá que passou o caso do pai que manteve a filha em cárcere privado por 17 meses. Confira outros casos marcantes:

A demora de um pai em sair do banheiro com a filha de cinco anos na escolinha da criança provocou suspeitas. Em conversas com a professora, a direção do estabelecimento descobriu que a menina, em seus trabalhinhos, costumava desenhá-la, junto com o pai próximos a um vaso sanitário e uma pia. Em conversa com a criança, psicólogos descobriram que ela era abusada não somente pelo pai, como pela mãe também. Quando a menina foi entregue à guarda de familiares, uma tia revelou que, em sua infância, era abusada pelo irmão mais velho (pai da criança).

Em uma família de classe média, uma adolescente de 14 anos, incentivada pelo namorado, denunciou que era abusada pelo pai. Ao saber disso, o abusador tentou o suicídio, colocando-se à frente dos carros na ERS-118. Porém, a polícia o impediu e o prendeu. Passado um mês, saiu do presídio e ameaçou matar sua família. Foi preso novamente.

Em outro caso, um avô, denunciado pela neta, consumou o suicídio. A menina, mesmo tendo sido abusada, teve de passar por tratamento psicológico por sentir-se culpada pela morte do avô.

Ao ouvir os relatos de uma adolescente de 14 anos que desde os 11 era violentada pelo pai, uma conselheira tutelar comentou:

— Desculpa-me, mas o teu pai é um monstro.

A menina, traumatizada com a situação, respondeu:

— Ele não é um monstro porque monstros só assustam. Ele machuca.

Rotina de violência e ameaças

Como ocorre na maioria dos casos envolvendo abusos ou violência sexual de crianças e adolescentes dos zero aos 18 anos incompletos, a menina de Gravataí, agora com 13 anos, foi encaminhada ao Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil de Violência Sexual (Crai), no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), na Capital. O serviço envolve secretarias estaduais e municipais e faz o acolhimento de possíveis vítimas de abuso ou violência sexual, encaminhadas pelos Conselhos Tutelares.

Psicólogas e assistentes sociais avaliam as condições e a dinâmica da família envolvida e os agravos sociais da situação de violência.

A psicóloga Maria Eliete de Almeida foi responsável pelo acolhimento da menina.

— Ela parecia bastante preocupada com o pai e fazia planos para reencontrá-lo quando ele saísse da prisão — revelou a psicóloga.

O comportamento da menina, de acordo com Maria Eliete, não é incomum. O abusador, muitas vezes, se utiliza da proximidade com a criança e da relação de confiança e lealdade para garantir o segredo. Ou aproveita-se também da condição de dependência do abusado em relação a ele.

— A criança tem vínculo de afeto e deveria ser protegida por essas pessoas — destaca Maria Eliete.

De acordo com a psicóloga, outra expediente muito utilizado pelo agressor para manter o segredo é a ameaça.

— Dizem coisas do tipo: "se você contar vou matar todo mundo, vou sumir contigo e com os teus irmãos, vou colocar fogo na casa, eu serei preso e vocês não vão ter o que comer". Tudo para que as crianças não contem a ninguém — relata.

Por conta disso, segundo Maria Eliete, as crianças muitas vezes só denunciam os abusos quando se sentem seguras, como quando a mãe e o agressor (pai ou padrasto) se separam, ou quando ocorre acolhimento no Crai ou nos conselhos tutelares.

Diário Gaúcho

http://www.diarioarapiraca.com.br/noticia/brasil/vitima-de-abuso-diz-que-pai-e-pior-do-que-um-monstro:-monstros-so-assustam.-ele-machuca-/6/4387

domingo, 19 de julho de 2015

O BREVE PERFIL DE UM PSICOPATA

Tenho sido cruelmente cobrada por algumas pessoas pelo fato de nunca ter desconfiado do comportamento do meu ex marido Alexandre, uma pessoa que passou anos como um marido calmo, apaixonado, amável, devotado ao lar, mas que um dia, resolveu estuprar minha filha. Felizmente, o estupro não foi consumado. Filha de quem é, ela foi socorrida a tempo.
Não havia do que desconfiar.
Como todo psicopata, ele nunca havia mostrado nenhum sinal.Só descobrimos naquele fatídico sábado.

Seguem algumas características dos psicopatas para que possamos entender que essa raça não dá sinais. Eles dissimulam o tempo todo.
Espero poder ajudar (e parar de ser cobrada).


O BREVE PERFIL DE UM PSICOPATA

Entendemos que a realidade de nosso sistema social hoje, apresenta diversas distorções de comportamento que geram muitos problemas que, em alguns casos, chocam e criam um alerta para a saúde mental dos indivíduos. Analisando a criminalidade, chegamos até a psicopatia, que é uma destas distorções que causam preocupações importantes dentro dos direitos humanos no Estado Democrático e Social de Direito.

É a banalização da vida humana. Hoje em nosso país, centenas de pessoas morrem sem um motivo real, onde perdemos a vida como quem perde um brinquedo.

Muitas vezes, os autores deste cenário cruel, são os psicopatas. Doentes que torturam e cometem crimes horripilantes, por puro prazer.

De maneira geral podemos dizer que psicopatas são pessoas cruéis e desumanas. Sem qualquer sentimento de culpa ou arrependimento. Agem com muita frieza e apresentam atos executados com muita cautela e minúcia.

Estudos mostram que um psicopata não pode ser considerado um doente mental, pois possuem alto grau de inteligência e consciência de seus atos. Além da capacidade de autodeterminação.

Então, podemos fazer a seguinte pergunta: o que leva um sujeito a tornar-se um psicopata?

A personalidade humana é objeto de vários artigos e estudos ao longo dos anos. Não é fácil desvendar alguns segredos, mas é muito mais difícil encontrar a resposta adequada para a pergunta em questão. Matar por prazer, sem culpa, medo ou qualquer reação que justifique tal brutalidade, é o objeto da ação do nosso psicopata.

Avaliando este nosso personagem, muitos apresentam desde a infância, problemas comportamentais sérios. Trazem esta carga pesada desde a infância até a vida adulta, mas quando completam 18 anos, nossa sociedade cria o rótulo para eles de: Transtorno de conduta.
O livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa – MENTES PERIGOSAS - deixa claro que ninguém vira psicopata da noite para o dia: eles nascem assim e permanecem assim durante toda a sua existência. Os psicopatas apresentam em sua história de vida alterações comportamentais sérias, desde a mais tenra infância até os seus últimos dias, relevando que antes de tudo, a psicopatia se traduz numa maneira de ser, existir e perceber o mundo (BARBOSA, 2008, p. 170).

Como principais características, podemos enumerar alguns destaques como: agem com muita frieza, são calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores, visam sempre benefício próprio, além de não permitirem em momento algum, a manifestação da culpa ou do remorso. E podem, em alguns casos, tornarem-se agressivos e violentos.

FONTE: PORTAL EDUCAÇÃO

COMPORTAMENTO DO PSICOPATA

O psicopata tende a ser muito ciumento e possessivo. Como tem muita gente que confunde ciúmes com amor, acaba se deixando levar, acha que se o outro está tão preocupado, se fica ligando pra saber onde você está, com quem, que horas volta, e algumas pessoas acabam achando que isso só pode ser amor. Isso pode encantar a pessoa. “olha como ele me ama”. Muitas vezes não é amor, é posse. E sentimento de posse é muito diferente de amor.
Nem todo psicopata é um assassino, mas muitas vezes ele pode ser aquela pessoa que te suga, te deixa até fraco, sem resistência? Se faz de vítima, você fica com dó dele.

FONTE: PSICÓLOGOS EM SÃO PAULO

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS

São mentirosos patológicos. Mentem principalmente para conseguir benefícios ou justificar suas condutas.

Têm comportamento manipulador. E, se forem inteligentes o bastante, os outros não perceberão esse comportamento psicopata.

Não sentem remorso ou culpa. Nunca ficam em dúvida.

Quanto à afetividade, são frios e calculistas. Não aceitam as emoções, mas conseguem simular sentimentos se for necessário.
Não sentem empatia. São indiferentes. E até podem manifestar crueldade.
Têm uma incapacidade patológica para assumir responsabilidade pelos seus atos. Não aceitam os seus erros. Eles raramente procuram ajuda psicológica, porque acham que o problema é sempre dos outros.
Necessitam de estímulo constante. Ficam aborrecidos facilmente.
Gostam de um estilo de vida parasitário.
Eles têm versatilidade para a ação criminal. Eles preferem golpes e delitos que requerem a manipulação de outros.

FONTE: DISCOVERY BRASIL

A ausência de culpa ou compaixão é a marca essencial do psicopata. Isso o leva a cometer inúmeros atos que atentam contra os outros.
O psicopata, tão temido e tido como a culpa de todos os males do mundo, anda entre nós e pode muito bem ser o seu amigo de infância, seu irmão, sua tia ou namorada.
Esse tipo de pessoa não vem com tarja preta na cara e nem com código de barras danificado.
Quem tenta atrapalhar suas vontade está correndo um sério risco para seu bem-estar. Como ele é incapacitado de se colocar no lugar dos outros ou ter compaixão, costuma ter grande dificuldade de se adaptar ao convívio social. Ele desenvolveu a técnica de copiar os comportamentos dos outros e reagir de forma mais automática.

Habilidade principal: ser frio, calculista e agir da forma que julgar adequada - meticulosa, impiedosa, impulsiva... - para conseguir aquilo que deseja. Sem sentimento de culpa, sem rodeios e sem justificativas.

FONTE: PAPO DE HOMEM

Postado por Claudia Sobral

https://www.facebook.com/claudia.sobral.3