sábado, 19 de dezembro de 2015

MÉDICO ENUMERA SETE PECADOS CAPITAIS COMETIDOS CONTRA A INFÂNCIA

“O verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma com que ela trata suas crianças.” A frase, de Nelson Mandela, foi escolhida pelo médico pediatra Daniel Becker para introduzir uma lista onde ele aponta os sete pecados capitais cometidos contra a infância.

Daniel falou sobre o assunto no evento TEDx Laçador, realizado em Porto Alegre, em junho. Segundo o palestrante, as crianças brasileiras vêm sendo muito maltratadas pela sociedade. "Além de o país não oferecer boas condições de saúde, moradia, educação e segurança, os pais e cuidadores das crianças têm cometido pecados ao longo de sua criação", afirma.
O médico enumera:

1 – Privação do nascimento natural e do aleitamento materno

“A cultura da cesárea faz com que as mulheres acreditem que o parto normal deve ser a cesárea. Que o parto normal é nocivo, doloroso, perigoso. Isso gera diversos malefícios para as crianças.” “Da mesma forma acontece com o leite materno. A mulher quer amamentar sua filha, mas (muitas vezes) em dois meses esta criança está desmamada. Isso vem, em grande parte, por causa da indústria, que faz propaganda pelo nome que dá às suas fórmulas: “premium”, “supreme”, e a propaganda que ela faz com o médico.”   

2 – Terceirização da infância

Por causa da falta de tempo dos pais, que têm que trabalhar para sustentar a família, as crianças estão sendo deixadas em creches ou com babás. “Perdemos o que é mais precioso na infância: o convívio com os filhos. Convívio é aquilo que nos dá a intimidade, a capacidade de estar junto, o amor, a sensação de estar cuidando de alguém, a sensação de conhecer profundamente alguém”.

3  - Intoxicação da infância

Também pela falta de tempo, é mais acessível trocar a comida tradicional brasileira por uma alimentação rica em gordura, sal e açúcar, que vem da comida congelada e industrializada. “Obesidade e diabetes estão explodindo na infância”.

4 – Confinamento e distração permanente

As crianças passam até oito horas por dia conectadas em aparelhos eletrônicos. Esse confinamento impede que elas tenham um momento de consciência, de vazio, de tédio. “O tédio é fundamental na infância. Porque o tédio e o vazio são berço daquilo que é mais importante para nós, a criatividade e imaginação. Nós estamos amputando isso dos nossos filhos.”    

5 – Mercantilização da Infância e Consumismo Infantil

Assistindo muita televisão durante o dia, as crianças são massacradas pela publicidade, por valores de consumismo. “E essa publicidade é covarde, explora a incapacidade da criança de distinguir fantasia de realidade, explora o amor dela por personagens e instiga nela valores como consumismo obscessivo, hipervalorização da aparência, a futilidade e coisas piores”.

6 – Adultização e erotização precoce

“Existe uma erotização que usa a criança de 7, 8 anos para vender produtos de moda, uma erotização baseada no machismo, na objetificação das meninas e das mulheres, na valorização excessiva da aparência.”

7 – Entronização e superproteção da infância

Para compensar a ausência, muitos pais tornam-se permissivos e acabam perdendo a autoridade sobre seus filhos. Mas a criança precisa de gente que conduza a vida dela. “A gente sabe que a importância dos limites do não são formas fundamentais de amor. A gente precisa dar para os nossos filhos, mas a gente tá perdendo a capacidade. Em vez disso, a gente se interpõe entre as experiências dos filhos e do mundo fazendo justamente que eles não tenham experiência da vida e portanto não desenvolvam mecanismos de lidar com a frustração, com a dor e com a dificuldade. E certamente o mundo vai entregar para eles mais tarde.”
Como forma de enfrentar estes pecados, Daniel propõe uma solução que passa por mudanças em apenas dois fatores: tempo e espaço. No caso do tempo, o médico sugere que os pais estejam presentes na vida do filho em pelo menos 10% do tempo em que estão acordados. Em uma conta geral, isso representa 1h40 por dia de dedicação aos filhos. Em relação ao espaço, a orientação é estar perto da natureza. “O convívio com o espaço aberto vai afastar a gente das telas, vai reduzir o consumismo e o materialismo excessivos, vai promover o livre brincar (que, por sua vez, vai gerar inteligência, humor e criatividade), vai gerar convívio entre as famílias, vai promover o contato com o ar, o sol e o verde e vai reduzir todos os problemas da infância.”
Criado em 08/07/15 12h40 e atualizado em 14/07/15 16h42 Por Bruna Ramos - Portal EBC Fonte:TEDx Talks
http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/07/medico-enumera-sete-pecados-capitais-cometidos-contra-infancia


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

FALE COM AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES SOBRE ASSÉDIO SEXUAL ANTES QUE AS PRIMEIRAS DÚVIDAS APAREÇAM



A revista Cláudia do mês de dezembro, da Editora Abril, disponibilizou a #TemQueFalar que trouxe à tona quase 60 histórias de leitoras que sofreram assédio sexual e que preferiam  não expor sua identidade nas redes sociais. Compartilhamos aqui a matéria publicada na íntegra pela revista na última semana, que destaca a importância dos pais conversarem com seus filhos sobre assédio sexual.


Nas últimas semanas, a internet brasileira foi inundada por relatos de assédio sexual sofrido por mulheres, na maioria, quando ainda eram crianças. Tudo começou com os tweets de cunho obsceno dirigidos a uma participante, de apenas 12 anos, do MasterChef Júnior, da Band. “Sobre essa Valentina: se tiver consenso é pedofilia?”, dizia um deles.
O caso deflagrou o surgimento de campanhas que estimulam o público a dar seu depoimento. A ONG Think Olga criou a #PrimeiroAssedio, que acompanhou quase 90 mil testemunhos. Promovida por CLAUDIA, a #TemQueFalar trouxa á tona quase 60 histórias de leitoras que preferiam  não expor sua identidade nas redes sociais.
A comoção chamou a atenção para uma urgência: precisamos falar sobre assédio com nossos filhos. Mas como? Raras são as escolas que se arriscam a entrar nessa seara, e as famílias têm pouca instrução e, ao mesmo tempo, muito medo de tratar de um assunto tão delicado. Com isso, o tema vai ficando de lado, o que só alimenta o risco.
Um levantamento realizado nos Estados Unidos mostrou que um a cada seis meninos e uma a cada quatro meninas sofrerá abuso ao longo da vida. E, segundo a ONG Childhood Brasil, que combate a violência sexual contra menores, apenas 10% das vítimas não conhecem os criminosos.
“Evitar o assédio sexual contra crianças exige o enfrentamento de tabus”, diz a psicanalista Rose Miyahara, coordenadora de formação do Centro de Referência ás Vítimas de Violência Sexual do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. “Um deles é o fato de que pode, sim, surgir na família. É preciso ficar de olho.” Segundo ela, abusadores normalmente não conseguem esconder os sinais mais discretos, como olhares ou declarações em que forma e conteúdo não combinam. É quando um tio, por exemplo, diz: “Que bundinha linda desta menina!”, com tom de elogio pueril, mas cunho claramente sexual. Cabe aos pais, sobretudo á mãe, aceitar que isso é possível e permanecer atenta.
No lugar de entrar em paranoia e afastar as crianças do convívio familiar ou social, indica-se prepara-las para identificar o assédio, tentar pará-lo e pedir ajuda. Tal educação começa cedo, em casa. Um dos primeiros passos: ensinar os filhos a nomear as partes do corpo de maneira apropriada á idade e, ao mesmo tempo, orientá-los sobre o que é íntimo e só deve ser tocado por eles ou pelos pais, exclusivamente durante a higiene ou cuidados com a saúde. Tão logo possível, a partir dos 4 ou 5 anos, eles já podem aprender a lavar os genitais sozinhos e entender que essa é uma tarefa só deles. “Com essa idade, a criança precisa saber que seus órgãos sexuais são apenas dela e devem ficar guardados”, afirma Anna Flora Werneck, responsável pela Gestão do Conhecimento da ONG Childhood Brasil. “Deixa bem claras as noções do que é público ou privado.”
A partir do momento em que a criança passa a frequentar a casa de amigos e outros círculos sem os pais, a instrução deve ser mais direta e objetiva. Dada a gravidade do tema, abre-se exceção a uma regra mestra em educação: responder apenas aquilo que os filhos perguntam. Quando o assunto é assédio sexual, não se aconselha esperar que os questionamento surjam. Até porque, quando isso acontece, pode ser sinal de que algo já vai mal. Nessa fase, os pais precisam deixar claro o que pode e o que não pode. Converse com a criança e explique as várias situações que indicam que alguma pessoa a está molestando.
Com a chegada da adolescência, á medida que os filhos tornam-se independentes e rebeldes e tudo ganha contorno de controle. Por isso, mantenha o diálogo aberto desde cedo. Caso o adulto tenha tanta dificuldade de entrar no assunto que o diálogo pareça impossível, ele próprio deve procurar ajuda especializada. Um estudo publicado recentemente na revista científica Journal of American Medical Association mostrou que adolescentes que conversam com os pais sobre sexo tendem a ter comportamentos mais seguros, com usar preservativos. “É importante ainda tratar o sexo como algo natural, prazeroso, sim, mas que exige cuidado”, diz Rose Miyahara. Os pais não podem ter medo de passar por chatos. Precisam, sempre que for oportuno, emitir sua opinião sobre o que é adequado ou não, impor regras e limites sem privar os filhos de explorar o mundo.
“Os jovens devem ter a garantia de que, quando estão em risco, por mais absurdo que seja o ato que eles ou os amigos tenham cometido, podem recorrer á ajuda dos pais”, afirma a especialista. Com essa certeza, estarão preparados para fugir de enrascadas. É preciso, ainda, ficar atenta aos relatos dos filhos e a mudanças bruscas de comportamento. “A criança dá sinais. Esteja aberta para percebê-los”, alerta Rose. Entre os sintomas mais comuns estão dor ou dificuldade para ir ao banheiro, infecções de urina persistentes, falta de apetite, sonolência exagerada ou apatia repentinas. Se a suspeita for confirmada, denuncie e peça ajuda. Há três canais para isso: a delegacia, o disque 100 e o conselho tutelar.
O calor do momento pode dar a sensação de certa impotência e de risco iminente. Prevenir a violência sexual, porém, é um trabalho diário e bem-sucedido na maioria dos casos. Vale a pena encarar essa tarefa.
Para começar a conversa
Filmes que ajudam a abrir o diálogo e esclarecer dúvidas sobre o assunto:
Defenda-se
Produzida pela campanha de mesmo nome, a série está disponível no site defenda-se.com. Os vídeos curtos tratam com linguagem apropriada para crianças os temas relacionados á prevenção da violência sexual, como medidas para se proteger, denunciar e também como diferencias carinho de abuso.
Indicação A partir de 5 anos.
Que abuso é esse? E que exploração é essa?
Fruto da parceria ente a ONG Childhood Brasil, que combate a violência sexual, e o Canal Futura, os vídeos (publicados no YouTube) mesclam diálogos simples entre bonecos, em um cenário que remete a uma vila, com entrevistas com especialistas no assunto. É excelente tanto para tirar dúvidas dos adultos como para ajudar as famílias a abordar o tema.
Indicação A partir de 12 anos.
Homens, Mulheres & Filhos
Centrado em um grupo de alunos de uma escola e seus pais, o filme, do mesmo diretor de Amor sem Escalas e Juno, mostra de que forma a internet pode colocar os relacionamentos em risco, a exposição aos crimes e distúrbios sexuais. Embora o assédio seja uma história secundária, o drama é uma boa oportunidade para reavaliar comportamentos e abrir o diálogo em casa sobre temas tão delicados.
Indicação: Adolescentes.
Confiar
Dirigido por David Schwimmer (O Ross, de Friends), o filme é um retrato fiel dos casos de abuso em que as vítimas são levadas a duvidar de que tenham mesmo sofrido violência. Uma garota á beira dos 14 anos começa a conversar online com um homem. Ele diz ser adolescente, e ela só descobre a verdade ao encontrá-lo.
Indicação: Adolescentes.

FONTE: CHILDHOOD

http://www.childhood.org.br/fale-com-os-criancas-e-adolescentes-sobre-assedio-sexual-antes-que-as-primeiras-duvidas-aparecam
 




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

17 SINTOMAS INDICAM QUE A CRIANÇA É VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL

A suspeita de que uma criança possa estar sendo sexualmente abusada deve sempre ser investigada cuidadosamente, pois isto certamente vai afetar em muito a vida da criança e da família como um todo.


Observamos que a violência sexual contra a criança, infelizmente, ocorre em todos os grupos sociais e se caracteriza quando uma criança ou adolescente é usado como gratificação sexual por um adulto ou adolescente mais velho, através do uso da violência física, coação ou abuso da confiança.

Frequentemente, o agressor é um membro da família ou responsável pela criança, alguém que ela conhece, no qual confia e com quem, muitas vezes, tem uma estreita relação afetiva.

Normalmente, este abuso fica cercado de um complô de silêncio, pois este é um ato que envolve medo, vergonha, culpa e desafia tabus culturais (a sexualidade, incluindo a da criança) e aspectos de interdependência.

O silêncio é uma tentativa de preservar a família, evitando se dar conta da contradição existente entre o papel de proteção esperado da família e a violência que nela se dá. Em muitos casos, o silêncio e a negação caminham juntos.

Comportamentos mais frequentemente observados em crianças que foram ou são abusadas sexualmente:

1 – Crianças extremamente submissas
2 – Crianças extremamente agressivas e antissociais
3 – Crianças pseudo-maduras
4 – Crianças com brincadeiras sexuais persistentes, exageradas e inadequadas
5 – Crianças que frequentemente chegam muito cedo à escola e dela saem tarde (num esforço inútil de escapar da situação do lar)
6 – Crianças com fraco ou nenhum relacionamento com seus pares e com imensa dificuldade de estabelecer vínculos de amizade e com falta de participação nas atividades escolares e sociais
7 – Crianças com dificuldade de concentração na escola
8 – Crianças com queda repentina no desempenho escolar
9 – Crianças com total falta de confiança nas pessoas, em especial nas pessoas com autoridade
10 – Crianças com medo de adultos do sexo oposto ao seu
11 – Crianças com comportamento aparentemente sedutor com pessoas adultas do sexo oposto ao seu
12 – Crianças que fogem de casa
13 – Crianças com sérias alterações do sono (como em geral os abusos são feitos na cama, se estabelece o medo de dormir e sofrer o ataque )
14 – Crianças com depressão clínica
15 – Crianças com ideias suicidas
16 – Crianças com comportamentos de automutilação
17 – Crianças com imensos sentimentos de culpa em relação a tudo

Quando o abuso sexual é feito por meio do incesto, ele é bem mais profundo e traumático, pois de forma mais contundente ficam marcados o abandono e a traição, porque à criança foi negado um direito inerente: o amor e a confiança. 

As consequências disso são o emocional devastado, uma autoimagem destruída e uma profunda dificuldade em estabelecer relações de respeito, admiração e confiança no futuro com as pessoas.

Geralmente, os homens que cometem incestos tiveram uma infância marcada por privações emocionais sérias (causada por morte materna, doenças graves ou abandono de um ou de ambos os pais).

Crianças mais velhas são menos facilmente abusadas, pois são mais fortes, maiores e podem revelar ao mundo tais abusos. Pessoas que foram abusadas na infância chegam à idade adulta sem os benefícios da infância. Muitas delas se tornam mulheres que acabam por repetir o padrão de suas mães (casando com homens violentos e abusivos) e, em geral, se tornam pessoas cronicamente deprimidas.

As estratégias do abuso sexual de crianças podem ser divididas em cinco fases:

1 – Fase do envolvimento
2 – Fase da interação sexual
3 – Fase do sigilo
4 – Fase da revelação
5 – Fase da repressão

O agressor, geralmente, faz com que a criança participe do abuso, fazendo-a acreditar que aquilo nada mais é do que um jogo divertido. Ele, frequentemente, sabe o que agrada as crianças e as recompensa ou suborna.

Em muitos casos, o agressor abusa sexualmente da criança a fim de satisfazer necessidades não sexuais suas, tais como: desejo de sentir importante, poderoso, dominador, admirado e desejado.

Infelizmente, na maioria das vezes, a criança guarda segredo de tais abusos. 

E o agressor consegue dela isso, usando das seguintes estratégias:

1 – Mencionando a irritação de outra pessoa (se você contar isso à mamãe, ela vai ficar muito irritada ou brava com você)

2 – Mencionando a separação (se você contar isso para alguém vão te mandar embora de casa)

3 – Mencionando o auto prejuízo (se você contar isso a alguém eu vou te matar)

4 – Mencionando fazer mal a alguém (se você contar isso eu mato a sua mãe)
A revelação do abuso pode acontecer acidental ou propositadamente. De uma forma ou de outra, representa o fim de um calvário para a vítima e uma possível punição para o agressor.

Crianças abusadas sexualmente, em especial as menores, não entendem o que de verdade está acontecendo e ficam sem saber COMO reagir nem SE DEVEM reagir. Em geral, elas fingem ignorar o fato e sofrem, muitas vezes, anos caladas. E lamentavelmente, quando o fato é revelado, muitas ainda têm que enfrentar o descrédito da própria família e da sociedade, o que as dilacera ainda mais por dentro.


– *Solange Melo é psicóloga clínica, de formação psicanalítica, atende adultos, adolescentes, crianças, casais e famílias em São Paulo/SP.

Criado em 09/11/15 11h31 e atualizado em 09/11/15 11h38
Por Solange Melo

Fonte: Papo de Mãe