terça-feira, 13 de dezembro de 2011

BRASIL É O 1º EM EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL.


Ela tem onze anos, mas já aprendeu as manhas da profissão: não entra no motel, ou no carro, sem receber o dinheiro antes, guardado sempre por outra amiga. Não conhece o pai, e sua mãe, que trabalha na zona do meretrício, não se importa com quem e onde ela dorme. Edvalda se acha igual às outras meninas que fazem programa. Com uma diferença: “eu ainda não tenho peito”. (DIMENSTEIN. 1992, p.69).



Este é um daqueles temas que ouve-se muito mas sabe-se pouco, no entanto tem sido motivo de preocupação do mundo inteiro.  A exploração sexual infantil transformou-se no terceiro mais rentável comércio mundial, atrás apenas da indústria de armas e do narcotráfico. Além de ser um dos temas mais constrangedores ao Brasil, essa verdadeira onda de pedofilia está contribuindo para criar uma geração precoce de portadores do vírus da AIDS. Dessa forma, a exploração sexual infantil constitui-se numa praga que exige medidas concretas e urgentes. Esta escravidão é inadmissível e incompreensível com a vida num mundo civilizado.

De forma geral, a exploração sexual infantil trata-se do abuso sofrido  por uma criança a qual, por vários fatores, como situação de pobreza ou falta de assistência social e psicológica, torna-se fragilizada. Entretanto, para além das possíveis vulnerabilidades decorrentes da situação socioeconômica - estão outros aspectos, fato que explicaria uma maior vulnerabilidade das meninas, tão expostas à violência contra a mulher até mesmo no ambiente familiar. Além destes, existe o vícios das drogas e o chamado turismo sexual, o qual consiste na chegada de vários estrangeiros a regiões como o Nordeste brasileiro em busca de sexo. Todos estes são aspectos importantes para a compreensão da violência contra a criança.

Não existem no governo e em nenhuma instituição privada ou do terceiro setor números precisos sobre crianças que estejam se prostituindo no País. Segundo um relatório sobre Exploração Infantil produzido pela ONU, em 2001, o Brasil ocupa o primeiro lugar em Exploração Sexual Infanto-Juvenil na América Latina e o segundo no mundo. Triste liderança ! Existem leis que obrigam os motéis e estabelecimentos similares a entrada de menores de 18 anos. No entanto, como todas as leis, esta também não é cumprida. As ações, por enquanto, se restringem a campanhas preventivas, alertando os turistas através de panfletos e cartazes espalhados pelos principais pontos turísticos, hotéis e restaurantes, sobre as penas previstas na legislação brasileira para quem comete atos do gênero. Campanhas publicitárias vinculadas pela Embratur em outros países agora também vão passar a conter alerta aos turistas sobre a questão.

O trabalho da polícia mostra que a maioria dos clientes são brasileiros de classe média alta e rica, empresários bem sucedidos, aparentemente bem casados e, algumas vezes, com filhos adultos ou crianças. Além dos empresários estão, também, na lista, os motoristas de caminhão e de táxis, gerentes de hotéis e até mesmo os policiais. Algumas vezes a mãe não sabe o que acontece ao seu redor, e não tem a mínima idéia de que sua filha possa estar fazendo programas. Já em outros casos, os próprios pais as levam para se prostituírem. É um trabalho rentável e que gera lucro à toda família, sendo a garota a única prejudicada.

Mas, o que tem sido feito de concreto ? É verdade que nos últimos anos, assistimos a uma certa consciência e disposição a reagir ao problema de abuso sexual. A cobertura dos meios de comunicação tem contribuído para romper o silêncio.  

A criação do disque denúncia foi importante. No Brasil, em 2000, institui-se o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil, assim como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil, comemorado em 18 de maio. 

Além destas instituições, outras esferas de acompanhamento e controle foram criadas, além de Varas Criminais especializadas em crimes contra crianças e adolescentes. Segundo o site da UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância, este órgão adotou em meados de 2000 o Protocolo Facultativo para a Convenção sobre os Direitos da Criança, que trata da venda de crianças, exploraçãosexual e pornografia infantis. Vários países aderiram, a exemplo do governo brasileiro que promulgou tal protocolo em 2004. (UNICEF, 2011, s/p).

 
 Exploração sexual infantil é crime e dá pena: Pena de reclusão !

Segundo o advogado Rodrigo Pires Ferreira Lago (meus sinceros agradecimentos pela consultoria) : “A Constituição determina que o legislador preveja punições severas a coibir a exploração sexual de menores, no artigo 227, §4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

Atendendo o comando constitucional, o Legislador previu a exploração sexual como crime, no ECA: artigo 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2º desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual:

Pena - reclusão de quatro a dez anos, e multa.

        § 1º - Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo.

          § 2º - Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.
          Lembrando que o crime do ECA não exclui eventual crime sexual contra a criança, como o estupro previsto no Código Penal, que tem pena mais elevada quando a criança é a vítima:
         Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: 
         Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 

       § 1º - Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: 

         Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. 

         § 2º - Se da conduta resulta morte: 
         Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

     Não se trata apenas de coibir a ação de aliciadores ou de uma clientela em potencial deste tipo de abuso, mas essencialmente repensar a atenção com o menor e o adolescente em todos os âmbitos: da saúde, educação, apoio e orientação psicológica, bem como criando oportunidades claras de inclusão social, seja para as crianças aque realmente estão em condição de rua ou para aquelas que vivem em um ambiente impróprio para sua infância e formação enquanto indivíduo (haja vista a exploração promovida em muitos casos pelos próprios pais). Logo, fica evidente que os responsáveis diretos pelo combate à exploração sexual são: família, sociedade (comunidade) e o Estado (Poder Público).

           Ao nos referirmos às crianças como o futuro da humanidade, não devemos ter receio de cairmos no vazio dos jargões decorados, pois trata-se da mais pura verdade absoluta. Em suma, se o combate à exploração sexual infantil não se tornar imediatamente uma das prioridades do Governo Federal, o que será da nossa civilização num futuro bem próximo?

          “Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros.”  (Paulo Freire. Pedagogia da Indignação, 2000.)

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes. 

http://elo.com.br/portal/colunistas/christianelima/ver/226256/brasil-e-o-1-em-exploracao-sexual-infanto-juvenil.html

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

COMO COMBATER PEDOFILIA


Promotor que lidera campanha nacional diz que às vezes vítima é tratada como ré e a ferida fica maior


Um dos agentes de combate à pedofilia mais atuantes do país, o promotor de Justiça Carlos José e Silva Fortes, de Minas Gerais, esteve ontem na Capital para trazer a experiência no tema e conversar com profissionais que integram a rede de combate a esse tipo de crime que macula a vida de crianças e adolescentes, muitas vezes silenciosamente.

Casé, como é conhecido, criticou a falta de efetividade das leis. "Não são cumpridas a contento por falta de estrutura. O Estatuto da Criança e do Adolescente é um grande exemplo disso. É como se tivesse uma receita muito boa e não houvesse ingredientes para realizá-la", citou. Ele acredita que não existem hoje investimentos especiais necessários às varas e às promotorias da Infância e da Juventude. Há casos ainda em que a vítima é tratada como ré, por falta de preparo no atendimento, disse o promotor mineiro. "A rede precisa de gente preparada para ouvir essas vítimas de forma adequada. Se você ouve uma pessoa que foi estuprada, dependendo de como for feito, será uma revitimização. É abrir, às vezes de forma mais forte, uma ferida."

Casé coordena a campanha nacional "Todos contra a pedofilia" e também é membro do Grupo de Apoio Técnico da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado - CPI Permanente da Pedofilia. "Quem sofre abuso sexual é vítima. Merece ser tratada como pessoa que sofreu e quem cometeu isso tem que ser tratado como criminoso que é", frisou Casé. O evento foi promovido pelo Instituto Visão Social e teve ainda apresentação de dança do grupo Canta Brasil, de Canoas, que trabalha o desenvolvimento humano de crianças e jovens por meio da dança e da música.
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=71&Caderno=0&Noticia=369486

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

RECENTES ACUSAÇÕES DE PEDOFILIA EM HOLLYWOOD SÃO APENAS A PONTA DO ICEBERG: CONFISSÕES DE EX-ATORES MIRINS


Allison Arngrim, na época em que atuava em 
“Os Pioneiros”

6 de dezembro de 2011 (Notícias Pró-Família) — Depois que uma série de revelações de abuso sexual de crianças atingiu Hollywood no mês passado, especialistas e pessoas que foram atores quando eram crianças dizem que as ofensivas policiais só arranham a superfície do que há muito tempo tem sido o segredo mais sombrio da indústria do entretenimento.

Reportagem da Fox News de segunda-feira disse que pessoas que foram estrelas quando eram crianças, abrangendo várias décadas — uma delas que está com mais de 60 anos —, reagiram com prudência e preocupação ao verem acusações de abuso sexual sendo feitas ou descobertas contra três funcionários de Hollywood: Martin Weiss, um homem de 47 que trabalhava como agente empresarial em Hollywood representando atores mirins; Fernando Rivas, de 59 anos, um compositor premiado do programa educativo infantil “Vila Sésamo”; e o criminoso sexual registrado Jason James Murphy, de 35 anos, um agente de distribuição de papéis que frequentemente trabalhava com atores crianças.

Em agosto, Corey Feldman, que foi ator infantil na década de 1980, disse para o programa “Nightline” da ABC que os pedófilos faziam cerco às crianças atores em Hollywood “como abutres”.

“Posso lhe dizer que o problema número 1 de Hollywood era, e é, e sempre será a pedofilia”, disse Feldman. “Havia um círculo de homens mais velhos que ficava ao redor desse grupo de crianças, e eles tinham seu próprio poder ou conexões de grande poder na indústria do entretenimento”.

Alison Arngrim, atriz que quando criança trabalhou em “Little House on the Prairie” (Os Pioneiros), recentemente concordou.

“Esse problema vem ocorrendo há um longo tempo”, Alison disse para a Fox News. “Havia boatos anos atrás, na década de 1980. As pessoas diziam: ‘Oh, sim, os Coreys, todo mundo ficou com eles’. As pessoas falavam sobre isso como se não fosse importante”. Alison se referia a Feldman e outro ator que trabalhava com ele em “The Lost Boys” (Os Garotos Perdidos), Corey Haim, um viciado em drogas que morreu no ano passado, uma morte que Feldman culpou no sofrimento psicológico provocado pelo abuso sexual.

“Eu ouvi literalmente que eles eram ‘passados de mão em mão’”, Alison disse. “O boato era que eles eram drogados e estavam sendo usados para sexo. Foi horrendo — eles eram crianças, não tinham ainda 18 anos. Havia todos os tipos de boatos acerca de todos, desde ‘os que guardavam os locais das filmagens’ até outros funcionários em posições menos elevadas de que essas duas crianças vinham sendo abusadas sexualmente e estavam sendo totalmente corrompidas de todas as formas possíveis”.
Alison faz agora parte da diretoria e é a porta-voz nacional de Protect.org, uma organização que defende as crianças.

Paul Peterson, de 66 anos, ator do programa “The Donna Reed Show”, um seriado cômico de TV muito popular nas décadas de 1950 e 60, e presidente de A Minor Consideration, disse que até mesmo numa época aparentemente mais inocente, Hollywood já era uma grave ameaça às crianças.

“Quando assisti à entrevista, uma séria inteira de nomes e faces da minha memória foi aparecendo em minha cabeça”, disse Peterson, se referindo aos comentários de Feldman.

A Dra. Jenn Berman, psicoterapeuta que tem consultório em Beverly Hills, disse que Hollywood atrai os pedófilos “porque as crianças ali podem ser vulneráveis e menos supervisionadas”. “As crianças naturalmente gostam de muita atenção, e quando colocamos uma criança num local de filmagem que não tem supervisão e elas recebem atenção de alguém que tem muito poder, isso cria uma vulnerabilidade para uma situação muito perigosa”.

Alison disse que o problema é extremamente difícil de expor graças à natureza lucrativa de Hollywood. “Ninguém quer parar o trem da alegria”, diz Alison. “Se um ator mirim está sendo abusado sexualmente por alguém do programa de TV, a família, os empresários ou agentes — as pessoas que estão ganhando dinheiro com isso — vão dizer ‘Sim, vamos levar esse caso à polícia’? Não, porque isso vai dar uma parada no programa inteiro, fazendo cessar todos os pagamentos. Por isso, existe uma pressão ali para todo mundo não abrir a boca”.

Peterson elogiou Feldman por romper o silêncio na entrevista histórica, uma decisão que ele chamou de “muito corajosa”.

“Seria realmente maravilhoso se suas declarações atravessassem as camadas protetoras e identificassem as pessoas reais que são parte de uma rede mundial de pornografia infantil, pois é imensa e não respeita fronteiras, assim como não respeita a idade das crianças envolvidas”, disse ele.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com



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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

VEJA COMO EXPLICAR ÀS CRIANÇAS DEZ QUESTÕES COMPLICADAS, COMO PEDOFILIA, MORTE E DROGAS



Nem sempre a pergunta da criança é cabeluda, mas deixa os pais confusos sobre o que responder. Há temas complicados de abordar e até as escolas, muitas vezes, se equivocam ao tentar esclarecer dúvidas. Papos difíceis devem começar em casa. Às vezes, de acordo com a curiosidade da criança. Algumas situações exigem prevenção. Outras vezes é melhor esperar que a criança pergunte. “Época certa não há. As muito pequenas dificilmente entenderão determinados assuntos. Se surgir a curiosidade, explique de acordo com o entendimento dela –que varia conforme a idade”, diz a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano.
O mais importante é não fazer um discurso moralista, longo ou que desperte o preconceito nas crianças. Pais podem não perceber o quanto prejudicam os filhos ao transmitir julgamentos preconceituosos. E as respostas não devem ultrapassar o que as crianças querem saber. “A conversa deve ser clara, verdadeira e adaptada ao vocabulário infantil. E se os pais forem pegos de surpresa ou não souberem a resposta, podem dizer. Afinal, os adultos estão em constante aprendizado, também”, diz a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria.
Fazer rodeios, protelar ou ficar inseguro só prejudica. “Isso deixa o filho ainda mais curioso e sem informações úteis para que se desenvolvam satisfatoriamente", de acordo com a psicóloga clínica Patrícia Spada, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

PEDOFILIA

Em conversas familiares, fale para as crianças não conversarem com estranhos e não deixarem que as toquem. “Embora a maioria dos aliciadores sejam conhecidos, devemos dizer para os filhos que eles podem contar tudo para os pais, sempre, mesmo que alguém diga o contrário”, afirma a psicóloga Ana Cássia Maturano. Para adolescentes, a conversa pode ser mais aberta e a internet mais vigiada. “Nesse caso, não espere o assunto surgir. Eles já saem sozinhos e nem todos que conhecem são conhecidos pelos pais. Mas a conversa deve ser tranquila e orientadora”, diz a psicóloga. “Uma criança que já falou com os pais sobre o assunto consegue identificar pedófilos e tem mais chances de se defender do que aquela que nunca teve espaço para o tema”, diz a psicóloga Patrícia Spada. A lição mais importante é: crianças que têm segurança de que podem contar tudo aos pais, sem temer uma represália, estarão muito mais seguras.

VIOLÊNCIA E ROUBO
Apesar de ser um assunto desagradável, é importante que a criança sabia que a violência existe. Para entrar no assunto, use as notícias que passam na televisão, mas, claro, não escolha as muito pesadas e não aterrorize a criança, como se ela fosse a próxima vítima. Use exemplos do noticiário para ensinar a criança a evitar que aquelas situações aconteçam, como não conversar com estranhos, não aceitar caronas em hipótese alguma, não fornecer dados pessoais e não reagir a um assalto. "Vivemos em uma época de extrema violência e é necessário estar a par da realidade para se proteger, na medida do possível”, diz a psicóloga Patrícia Spada.

DROGAS

O assunto está em todos os lugares: na TV, nas revistas, em rodas de amigos. Aproveite a curiosidade e as notícias para tocar no assunto e mostrar os malefícios do consumo de drogas. “Sem usar de um tom moral e repressor. Assim, quando a droga chegar mais perto dos seus filhos, eles terão a segurança de contar aos pais”, diz a psicóloga Ana Cássia Maturano. Muitas vezes, é preciso adaptar a linguagem. “Crianças adoram colocar objetos na boca. Neste momento, explique que há objetos e substâncias que não se deve experimentar, pois fazem muito mal. Cite exemplos concretos da rotina deles, como remédios, produtos de limpeza, comprimidos que parecem balinhas, bebidas alcoólicas”, diz a psicóloga Patrícia Spada.

SEXO

Responda apenas o que as crianças querem saber para matar a curiosidade sobre sexo, sem dar detalhes que não foram perguntados. E não inicie o assunto, para não correr o risco de erotizar a criança prematuramente. “Alguns, na intenção de dar uma explicação corretíssima, exageram na quantidade de informações. Há livros bem interessantes para as crianças. Mas nada de se antecipar. Elas devem dar o primeiro passo”, diz a psicóloga Ana Cássia Maturano. Ao usar o artifício dos livros, leia antes de dar às crianças. Nem tudo é adequado. Discursos moralistas também devem ser evitados. Sexo não é algo errado ou sujo. “De qualquer modo, é importante que os pais estejam disponíveis para discutir em casa. Um ambiente acolhedor gera autoconfiança e é um fator importante na prevenção de problemas", explica Patrícia Spada, psicóloga.

DEFICIÊNCIA FÍSICA

Para explicar que existem adultos e crianças com deficiências físicas ou mentais, o ideal é esperar a criança perguntar. Quando o assunto surgir, diga que é uma condição física ou psíquica da pessoa, mas que isso não a faz diferente das outras. Ensine, também, que essas pessoas, muitas vezes, precisam de colaboração, como ter a preferência em uma fila, por exemplo. "Nas conversas, é preciso ter consciência de suas crenças a respeito de tudo, pois são elas que serão transmitidas. Cuide dos seus pensamentos, pois, na hora de conversar, será do ponto de vista do adulto que a criança receberá as primeiras informações sobre temas tão importantes”, segundo Daniella Freixo de Faria, psicóloga.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O MASSACRE SEXUAL E VITAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL




Além da constatação de que os adolescentes, entre 12 e 17 anos, são grandes vítimas de homicídio, tendo sido assassinados (no mundo) 81 mil só em 2009, a Unicef, por meio do estudo Situação da Adolescência Brasileira 2011 – O direito de ser adolescentetambém constatou a alta vulnerabilidade das crianças e adolescentes aos crimes sexuais.

No nosso país as meninas são as principais vítimas dessa violência, representando 80% das vítimas de exploração sexual, 74% das vítimas de tráfico de crianças e adolescentes, 79% das vítimas de abuso sexual e 73% das vítimas de pornografia, de acordo com dados da Secretaria dos Direitos Humanos/Disque-Denúncia.

O estarrecedor é que se trata de agressor, em geral, parente, cônjuge ou pai do agredido, trazendo além de danos físicos, graves danos psicológicos às vítimas. Segundo a Unicef, ainda, as agressões não estão apenas ligadas à pobreza ou à exclusão social dos ofendidos, mas se relacionam profundamente com as relações de poder e domínio do adulto sobre a criança e do homem sobre a mulher.

O abuso sexual é a espécie de violência mais recorrente, representando 65% dos casos registrados em 2010, seguida da exploração sexual, que representou 34% do total.

Esse mesmo estudo revelou que a taxa de adolescentes entre 15 e 19 anos assassinados a cada 100 mil habitantes em 2009 foi de 43,2, o que representou a morte de 19 adolescentes por dia. Ao mesmo tempo, de acordo com o Datasus (Ministério da Saúde), em 2009, os jovens e adolescentes, entre 15 e 19 anos foram as maiores vítimas de homicídio (54,1% do total), assim como os homens (91,6% das 51.434 mortes).

Eis o cenário brasileiro (de guerra civil não declarada): mulheres, na maioria crianças e adolescentes, são as mais abusadas sexualmente, enquanto os homens, na maioria jovens e adolescentes, são as maiores vítimas de homicídio no país.


A violência, portanto, no nosso território, atinge teoricamente a todos, independente da idade, gênero ou forma de atuação. Porém, a quase totalidade desse contingente (mortável) é constituída de pessoas que não contam com “status” profissional ou estudos, ou seja, pessoas que não possuem “conhecimento útil incorporado”, sendo meros “corpos” (braços, pernas e anatomia). São, por isso mesmo, extremamente discriminados e pouco valorizados (são torturáveis, prisionáveis e mortáveis).

A discriminação continua sendo uma das causas mais atuantes da nossa violência diária, típica de uma guerra civil (não declarada). Enquanto não eliminarmos nossas mazelas seculares não vamos poder desfrutar universalmente do prazer de viver em paz.
*LFG – Jurista e cientista criminal. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).

LUIZ FLÁVIO GOMES

* Mariana Cury Bunduky**

**Advogada e Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

CATEQUISTA É PRESO EM GOIÁS SUSPEITO DE ESTUPRAR AS QUATRO FILHAS


Homem foi detido na noite de terça-feira (6), após denúncias de parentes.
Mãe sabia da violência e disse que rezava para que ele parasse com abusos.


Um catequista de 58 anos foi preso na noite de terça-feira (6), em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana, suspeito de estuprar duas filhas biológicas e duas adotivas, que são gêmeas. Segundo a titular da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), Myrian Vidal, o pai, que também é integrante da Pastoral do Batismo, foi preso após denúncias de parentes que desconfiaram da situação.

As filhas biológicas, hoje com 18 e 24 anos, já não moram com o pai, mas disseram à polícia que o estupro começou quando elas tinham aproximadamente 7 ou 8 anos. Quanto às filhas adotivas, elas contam que começaram a ser estupradas quando tinham 7 anos. A polícia informou que o homem confessa ter tentado tocar uma das filhas adotivas no passado, mas nega todas as acusações. As meninas contaram também que apanhavam para não contar sobre a violência sexual.

Consentimento

Segundo Myrian Vidal, a mãe das meninas sabia do estupro. Ela disse em depoimento que quando tomou conhecimento da situação começou a rezar pedindo a Deus para tocar no coração do marido para que ele parasse. “Ela vai ser indiciada e, se o Ministério Público entender que teve participação, ela vai responder por quatro estupros de vulnerável. A lei determina que a mãe tem o dever de proteção e cuidado da criança, se ela não cuidou e não tomou atitude diante dos fatos ela vai ser responsabilizada. Que isso sirva de lição para todas as mães”, explica Myrian Vidal.
A delegada informou ainda que testemunhas já foram ouvidas e que as vítimas passaram por avaliação psicológica, que confirmou os estupros. A polícia vai ouvir ainda o padre da igreja que o pai frequentava a fim de descobrir se há relatos de outros abusos, visto que o homem é catequista.

Ele foi autuado quatro vezes por estupro de vulnerável e, se condenado por todos, pode pegar até 60 anos de cadeia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA DIVULGA MANIFESTO SOBRE A PEDOFILIA



A CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA, uma família formada por cerca de 2 milhões de pessoas, que se reúnem em 12.360 templos no território nacional, organizada em 1907, com o objetivo de servir às igrejas batistas brasileiras como sua estrutura de integração e seu espaço de identidade, comunhão e cooperação, definindo o padrão doutrinário e unificando o esforço cooperativo dos batistas em nosso país, torna público seu veemente repúdio à prática da pedofilia, compreendendo-a como aberração inaceitável e crime hediondo, consistindo em qualquer abuso físico ou psíquico de cunho sexual praticado contra a criança e o adolescente. 

Consideramos a pedofilia uma distorção sexual por tratar-se de uma das mais graves degradações da sexualidade. Entendemos que tal anomalia, pela qual o indivíduo adulto sente atração sexual por crianças, toca-as intimamente, obriga-as a práticas sexuais, constrange-as a se exibirem ou as expõe a imagens de natureza pornográfica ou consome, ele mesmo, tais imagens; provoca um desvio de conduta que transgride, de modo direto e inequívoco os princípios e valores do Evangelho de Jesus Cristo, bem como a Constituição Brasileira, em seus artigos 15 a 18, onde assegura à criança o direito “à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais”; e coloca em risco iminente a inviolabilidade da sua integridade física, psíquica, emocional e moral.

Levando em consideração o artigo 18 da Constituição, segundo o qual “é dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”, os batistas brasileiros, à luz dos ensinos da maior de todas as constituições cidadãs, a Bíblia Sagrada, dirigem-se aos representantes abaixo relacionados com as solicitações a seguir:
1.Às autoridades governamentais, que intensifiquem, por todos os meios que tem, sob sua gerência e canais de ação imediata, o combate implacável a essa prática cruel e doentia; 

2.Às casas legislativas e órgãos da justiça, que se mantenham em permanente e diligente vigilância, aperfeiçoando e aplicando com exemplar eficácia a legislação adequada para punir e erradicar os atos de pedofilia, bem como para proteger, garantir tratamento e assegurar os direitos das suas vítimas em nossa sociedade. 

3.Às organizações educativas e religiosas, que procurem orientar pais e filhos acerca desse mal, em termos de prevenção e cuidados;  conscientizar os cidadãos a respeito dos terríveis prejuízos que tal prática causa ao bem-estar físico e ao equilíbrio emocional de uma criança, apontando os caminhos a serem seguidos para que os riscos sejam identificados e combatidos. 

4. À sociedade como um todo, que se mostre disposta a rejeitar essa repulsiva degradação; determinada a identificar e denunciar, de forma corajosa, aqueles que se tornam agentes de tal prática, afim de que sejam exemplarmente punidos pelos órgãos competentes, e pronta a amparar, socorrer, orientar e cuidar, com amor e responsabilidade, das vítimas da pedofilia e seus familiares.

Ressaltamos o fato de que o Evangelho de Jesus Cristo, razão maior da nossa proclamação e testemunho, tem poder para transformar o coração, a mente e o caráter.
Ressaltamos ainda que cremos que a graça de Deus é  poderosa e eficaz para consolar, curar, restaurar e assegurar vida abundante, mediante a fé em Jesus Cristo, aos que sofrem como vítimas da pedofilia. 

Por isso, comprometemo-nos, acima de tudo, a prosseguir, como batistas, cumprindo nossa missão de evangelizar o povo brasileiro, levando a cada pessoa e a cada lar, a mensagem redentora da graça de Deus a fim de construirmos juntos uma sociedade mais justa, pura e humana.
Rio de Janeiro, Novembro 2011
CONVENÇÃO BATISTA  BRASILEIRA 
Via CBB

http://www.gospelpremiere.com/portal/2011/12/conveno-batista-brasileira-divulga-manifesto-sobre-a-pedofilia/