sábado, 26 de janeiro de 2013

PAÍS INCENTIVA COMBATE AO ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

A exploração sexual crianças é uma das piores e mais perversas formas de violação aos Direitos Humanos. Com a aproximação do Carnaval os números de casos de abuso aumentam significativamente

 A violência sexual  contra crianças e adolescentes, principalmente entre crianças até 9 anos de idade,  é o segundo principal tipo de violência, ficando pouco atrás apenas para as notificações de negligência e abandono. Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que, em 2011, foram registrados 14.625 notificações de violência doméstica, sexual, física e outras agressões contra crianças menores de dez anos.
Os números são do sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) do Ministério da Saúde. O Viva possibilita conhecer a frequência e a gravidade das agressões e identificar a violência doméstica, sexual e outras formas (física, sexual, psicológica e negligência/abandono).

Campanha durante o Carnaval 2013


As redes nacionais de proteção aos direitos da infância e da adolescência promovem para o Carnaval de 2013 a campanha “Brinque o Carnaval sem Brincar com os Direitos das Crianças e dos Adolescentes”. O objetivo é proteger os menores contra o trabalho infantil, a violência sexual, o tráfico para fins de exploração, entre outros tipos de violação.
Estão sendo divulgadas ilustrações com imagens de manifestações culturais e de personagens tipicamente brasileiras imagens usadas no lugar das fotos pessoais em perfis de redes sociais, em blogs ou em páginas na internet em geral.
A campanha atende ao Artigo 227 da Constituição Federal, que informa ser dever da família e da sociedade assegurar à criança e ao adolescente, entre outras coisas, o direito à dignidade, a salvo de toda forma de exploração, violência e crueldade.
De acordo com a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa de Oliveira, o fórum tem constatado recorrentemente a presença de crianças e adolescentes em eventos comemorativos, como o Carnaval, trabalhando como ambulantes, em quiosques e distribuindo material de divulgação.
“Grandes eventos são uma oportunidade para as famílias que trabalham na informalidade, quando, em muitos casos, as crianças acompanham para ajudar. Esse é um momento que favorece e expõe a criança a diversos tipos de situação, o que acaba propiciando a exploração ou a violência”, informou Isa.
Segundo ela, a presença de crianças e adolescentes em lixões e em locais de reciclagem é também intensificada nesses períodos. “Não podemos deixar que a falta de oportunidade e o fato de não ter onde deixar os filhos favoreçam as famílias a colocar os menores nesta situação de vulnerabilidade. É dever do poder público orientar e fiscalizar”, explicou.
Fazem parte do trabalho o FNPeti,  o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, a Rede Ecpat (sigla em inglês para Fim da Prostituição Infantil, da Pornografia Infantil e do Tráfico de Crianças com Finalidades Sexuais) e o Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (FNDCA).
As denúncias de casos de violação desses direitos podem ser feitas no Disque Denúncia da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o Disque 100.

Disque 100


O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Por meio do telefone 100, o usuário pode denunciar violências, colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares.
O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, em um prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo.
As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:
• discagem direta e gratuita do número 100;
• envio de mensagem para o e-mail:  disquedenuncia@sdh.gov.br
• na internet: www.disque100.gov.br
• ligação internacional. Fora do Brasil por meio do número: +55 61 3212.8400

Clique e acesse o relatório atualizado com informações gerais sobre o funcionamento do serviço e também dados estatísticos sobre as denúncias recebidas e os tipos de violências registradas.


Consulta pública para o plano de combate à violência sexual


Após uma década do lançamento do primeiro Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, a plataforma do novo plano está em consulta pública até a próxima  sexta-feira (25). Instituições e organizações dos setores público e privado e pessoas físicas podem propor ações e indicadores de monitoramento pela internet. A expectativa é que o novo texto seja lançado oficialmente no dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

De acordo com o coordenador-geral do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria de Direitos Humanos, Joseleno Vieira a consulta é resultado dos debates entre o governo e organizações ligadas ao tema ao longo dos últimos anos, durante o processo de revisão do documento. Ele destacou que o primeiro plano trazia diretrizes para o enfrentamento à questão, mas ressaltou que era preciso direcionar melhor as ações práticas e específicas em uma nova versão.
O primeiro plano foi uma grande carta de intenções. À época, tínhamos clareza de que era fundamental construir políticas públicas em várias áreas, como saúde, justiça, assistência social, segurança pública, mas não tínhamos a mesma clareza em relação às ações que deveriam ser implementadas”, disse.
Vieira ressaltou que o combate à impunidade continua sendo um dos principais desafios do enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Ele enfatizou que a legislação brasileira vem sofrendo “alterações significativas” com o objetivo de endurecer as punições, mas lamentou que uma pequena parte dos envolvidos com esse crime sejam, de fato, penalizada.
“Hoje, o Código Penal tem um novo capítulo que trata especificamente do assunto de forma mais coerente com a realidade atual, mas não basta termos uma legislação atualizada, com definição de penas, se os autores não são levados a julgamento e punidos por terem cometido o crime”, disse.
Os interessados em contribuir com o processo de revisão do texto do  Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes  poderão acessar apágina eletrônica, clicar em “comentário” que estará disposto abaixo do item de interesse e escrever a sugestão de alteração.

O que diz o ECA?


Segundo o ECA, é considerado criança o cidadão que tem até 12 anos incompletos. Aqueles com idade entre 12 e 18 anos são adolescentes. O ECA define que crianças e adolescentes têm direito à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, cultura e liberdade. Esses cidadãos têm direito, ainda, ao atendimento prioritário em postos de saúde e hospitais e devem receber socorro em primeiro lugar no caso de acidente de trânsito, incêndio, enchente ou qualquer situação de emergência.

Nenhuma criança ou adolescente pode sofrer maus tratos: descuido, preconceito, exploração ou violência. Os casos de suspeita ou confirmação de maus tratos devem sempre ser comunicados a um Conselho Tutelar, órgão ligado à prefeitura e formado por pessoas da comunidade. Os direitos da criança começam antes mesmo do nascimento. As gestantes devem ter bom atendimento médico na rede pública de saúde e, depois de dar à luz, têm direito a condições de trabalho adequadas para a amamentação, como horário especial e local silencioso.
A educação pela família é outro direito da criança e do adolescente. Os pais têm o dever de sustentar, guardar e educar os filhos menores, que não devem ser afastados da família só porque os pais não têm dinheiro. Se esse é o caso, a família deve ser incluída em um programa oficial de auxílio.

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil


O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil foi criado em 18 de maio de 2000 pela Lei Federal nº 9970/00, com objetivo de mobilizar e convocar a sociedade brasileira a proteger suas crianças e adolescentes. A data foi escolhida em razão do crime conhecido como “Crime Araceli”, nome de uma menina de oito anos de idade que foi estuprada e assassinada em Vitória (ES), em 1973. Os autores desta violência nunca foram punidos.
Desde então, todos os anos a data é marcada por solenidades e apresentação de ações de órgãos públicos e da sociedade civil no combate a esta grave violação de direitos humanos.

http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2013/01/23/pais-incentiva-combate-ao-abuso-e-exploracao-sexual-contra-criancas-e-adolescentes













quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

CRIANÇAS NAS REDES SOCIAIS: PERIGO PARA TODA A FAMÍLIA


Uma lei federal americana destinada a proteger a privacidade de crianças nas redes sociais pode, inconseqüentemente, levá-las a revelar muito sobre suas vidas no Facebook. Um novo estudo mostra exemplos do quanto é difícil regular as vidas digitais de menores na web. Saiu no jornal americano The New York Times.

O Facebook proíbe crianças menores de 13 anos de fazerem parte da rede, devido ao Ato de Proteção de Privacidade de Crianças Online, ou COPPA, que requer que empresas web exijam o consentimento dos pais que desejam permitir que crianças abaixo da idade estipulada criem uma conta ou façam parte de uma rede social. Para contornar a proibição, as crianças geralmente mentem suas idades - e os pais, algumas vezes, as ajudam a mentir, mas ficam de olho no que elas postam, tornando-se seus amigos no Facebook.
De acordo com dados do Consumer Reports, existem mais de cinco milhões de crianças abaixo de 13 anos no Facebook. 

Deixar crianças controlando seus perfis na rede social pode trazer algumas conseqüências indesejáveis. O estudo, conduzido por cientistas da computação do Instituto Politécnico da Universidade de Nova York, encontrou em uma determinada escola uma pequena porção de estudantes que mentem suas idades só para conseguir criar uma conta no Facebook. O problema é que uma simples mentira pode ajudar completos estranhos a coletar dados importantes sobre a vida de um jovem e de seus colegas, colocando a privacidade de todos eles em risco.

O estudo também ilustra o paradoxo entre as leis de proteção a crianças e o que de fato acontece. Os achados mostram que os pais destas crianças se preocupam com sua privacidade e segurança, mas parecem não entender a gravidade dos riscos a que seus filhos e colegas de classe podem ser submetidos. 

O Facebook afirma, há muito tempo, que é difícil descobrir cada adolescente que mente sua idade, mas tenta proteger a privacidade de menores: quem tiver de 13 a 18 anos na rede, terá, automaticamente, suas fotos e atualizações de status liberadas apenas para amigos. No entanto, este sistema pode ser facilmente burlado se a criança se fizer passar por um adulto de 20 anos, por exemplo.

O professor de ciências da computação Keith W. Ross é um dos autores do estudo e explica que pessoas mal intencionadas podem associar sobrenomes de crianças aos de seus pais, descobrindo dados como endereço e telefone. E diz que a lei COPPA, embora tente proteger essas crianças, acaba servindo de incentivo para que elas mintam suas idades, o que torna o controle nas redes sociais ainda mais difícil.

"Em um mundo sem a lei COPPA, a maioria dos garotos e garotas seria honesta ao criar contas. Eles seriam então tratados como menores, até completarem 18 anos", ressalta o professor. "Mostramos que no mundo sem COPPA, a pessoa mal intencionada encontraria bem menos jovens estudantes, e aqueles que encontrasse teriam pouquíssimas informações a exibir". 

O modo como as crianças se comportam online é um dos assuntos que mais aborrecem os pais. Algumas pesquisas independentes mostram que os pais se preocupam com o que seus filhos escrevem na rede e como isso poderia prejudicá-los no futuro. Um estudo recente realizado pelo Pew Internet Center mostrou que a maioria dos pais, além de se preocupar, tentava ajudar seus filhos a gerenciar o conteúdo de suas informações digitais. E metade dos pais já conversou com os filhos a respeito de algo que postaram na rede.

Ainda segundo o estudo do professor Ross, os adolescentes parecem ser mais preocupados com sua privacidade que as crianças. Eles controlam com mais afinco quem é que vê suas informações na rede e dão mais atenção a medidas de segurança. 

Já um outro estudo realizado pelo Family Online Safety Institute indicou que quatro em cada cinco adolescentes já ajustaram suas configurações de privacidade em suas contas na web, incluindo a do Facebook. Dois terços restringiram acesso a suas fotos e postagens na rede.


sábado, 5 de janeiro de 2013

ABUSO SEXUAL INFANTIL – SUPERNECESSÁRIO SABER…


É difícil para a maioria das pessoas imaginar um adulto tendo prazer sexual com uma criança, mas a realidade que nos cerca cada vez mais está mostrando como isso é real, doloroso e deixa marcas severas na vida dos envolvidos.
Algumas das frequentes perguntas que surgem a respeito do assunto com suas respostas podem ajudar a esclarecer algumas questões sobre o abuso sexual infantil.

Qual a definição de abuso sexual infantil?

Muitos pensam que abuso sexual infantil é ter uma relação sexual completa com uma criança, mas a definição é muito mais ampla do que isso. Podemos caracterizar o abuso como: tocar a boca, genitais, bumbum, seios ou outras partes íntimas de uma criança com objetivo de satisfação dos desejos; forçar ou encorajar a criança a tocar um adulto de modo a satisfazer o desejo sexual. Fazer ou tentar fazer a criança se envolver em ato sexual. Forçar ou encorajar a criança a se envolver em atividades sexuais com outras crianças ou adultos. Expor a criança a ato sexual ou exibições com o propósito de estimulação ou gratificação sexual. Usar a criança em apresentação sexual como fotografia, brincadeira, filmagem ou dança, não importa se o material seja obsceno ou não.

Quais são as principais estatísticas que existem sobre o assunto?

O número de crianças e adolescentes abusados sexualmente no Brasil é cada vez maior, mas só uma minoria apresenta queixa. Isso se dá devido ao grande trauma psicológico acarretado e também porque muitas vezes o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, quando não é o próprio pai ou padrasto, o que gera medo de retaliação. As estatísticas brasileiras a respeito de abuso sexual infantil estão defasadas, faltam verbas, falta preparo de quem acolhe as denúncias, faltam mais pesquisas. Em 2008, o Disque 100 recebeu cerca de 25 mil denúncias. Em 2008, a SaferNet Brasil, uma organização de combate à pornografia infantil na internet, recebeu 42.122 denúncias sobre abuso. Assim mesmo, sem muitas estatísticas, os números são alarmantes, e têm crescido a cada ano por haver mais esclarecimento sobre o assunto, por haver mais divulgação, mas também pela maior possibilidade de acesso às crianças.

De que forma a criança pode demonstrar aos pais ou responsáveis que sofreu abuso?

Os principais sinais que a criança pode mostrar e podem ser observados pelos pais, professores ou outro cuidador da criança são: conhecimento ou comportamento sexual fora do esperado. Mudanças no comportamento como perda do apetite, pesadelos, medo de dormir, se afastar das atividades rotineiras. Afastamento dos amigos. Voltar a fazer xixi na cama. Chupar o dedo. Dificuldade de concentração na escola. Medo de alguma pessoa, ou pânico de ser deixada em algum lugar ou com alguém. Comportamento agressivo ou perturbador, delinquência, fuga de casa ou prostituição. Comportamentos autoagressivos. Irritação genital ou sangramento, inchaço, dor, coceira, cortes ou arranhões na área genital, vaginal ou anal.

Qual deve ser a postura dos pais? 

Em primeiro lugar, não entrar em pânico. Muitas vezes, os pais já até tinham algum “pressentimento” sobre determinada pessoa, mas não deram a devida atenção à sua percepção. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus queridos. Se a criança conseguir contar aos pais, atenção! Acreditem, dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza. Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu. Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia.

Quais as principais sequelas do abuso sexual infantil e como tratá-las?

As principais consequências são:

Confusão
 – A criança pode achar que é normal porque o abusador disse que é, mas é confuso por que ele também falou para não contar para ninguém.

Culpa
 – Por não ter feito nada para parar o abuso; porque às vezes podia sentir algo bom; sentia que recebia coisas especiais por fazer aquilo; acha que fez algo para que o abuso acontecesse; é tão má que mereceu o abuso.

Medo
 – De ter sofrido um dano físico irreparável; de ser descoberto pelos outros; de que só de olhar para ele saberão que é mau.

Raiva
 – Do abusador; de si mesma, por não parar o abuso, ou por gostar; do  pai/mãe que não a protegeu de ser abusada pelo pai/mãe; pode parecer uma criança passiva e submissa, mas está explodindo por dentro; pode descarregar sua raiva maltratando animais ou crianças menores
Perda da confiança – Nos pais; nos adultos.
Se isso aconteceu com alguma criança que você conhece, busque ajuda especializada. Leigos no assunto com frequência machucam mais do que ajudam.

Cláudia Bruscagin Schwantes

http://www.esperanca.com.br/familia/educacao-de-filhos/abuso-sexual-infantil-supernecessario-saber/


sábado, 29 de dezembro de 2012

VIOLÊNCIA-DENÚNCIAS: TODOS OS DIAS, CERCA DE 360 CRIANÇAS E ADOLESCENTES SÃO VÍTIMAS




Dados divulgados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República mostraram que 77% das denúncias registradas por meio do Disque 100, entre janeiro e novembro deste ano, são relativas à violência contra crianças e adolescentes, o que corresponde a 120.344 casos relatados. Isso significa que, por mês, ocorreram 10.940 agressões, o que dá uma média de 364 denúncias por dia. As informações são da Agência Brasil.

Já o Disque Denúncia 181, serviço criado em 2000 pelo Instituto São Paulo contra a Violência e pelo governo paulista, por meio da Secretaria de Segurança Pública, registrou 6.603 denúncias de maus-tratos contra crianças entre janeiro e outubro deste ano em todo o estado, o que dá uma média diária de 22 denúncias. O número é superior ao do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 6.028 denúncias.

Para Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é difícil deduzir, por esses números, se os casos de violência envolvendo crianças e adolescentes têm crescido ou se as pessoas estão denunciando mais. "É difícil medir se os casos estão aumentando. Na verdade, a sociedade está muito mais alerta e mais atuante diante de casos de abusos e de violência contra crianças e adolescentes. Isso é um fator muito positivo no país nos últimos anos. As pessoas estão denunciando mais, sendo menos coniventes e omissas".

Nenhum dos dois serviços de denúncia contabiliza quantos desses casos registrados referem-se especificamente à violência doméstica. Mas sabe-se que o número é grande. "Hoje, temos muitas vítimas de violência doméstica. De maus-tratos e de espancamento", disse Maria Aparecida Azevedo, que coordena as três casas de acolhimento da Fundação Criança, uma organização municipal focada na defesa e na garantia de direitos de crianças e adolescentes, que funciona em São Bernardo do Campo (SP).

"Os casos que chegam para nós são de abuso sexual, de criança negligenciada e abandonada e de criança queimada e espancada. Essa é a violência doméstica que está vindo para as casas de acolhimento", explicou Maria Aparecida.

A violência doméstica pode gerar traumas para as crianças e os adolescentes, disse Alves. "Muitas vezes, elas [crianças e adolescentes] são vítimas daquelas pessoas em quem confiam, que entendem ser as pessoas que cuidam delas. Por isso, há dificuldade para assimilarem uma situação desse tipo. Esse é o trauma maior. A pessoa que tinha que proteger é a que acaba violando o direito dessas crianças e adolescentes. Isso gera um trauma, uma desconfiança permanente com relação aos adultos e dificuldade depois de convivência com outras pessoas. Isso pode, muitas vezes, gerar também prejuízo no desenvolvimento educacional", disse.

Segundo Helen Vivili Santana Carmona, diretora técnica adjunta da Fundação Criança, grande parte dessa violência contra crianças e adolescentes tem como motivação principal o uso de álcool ou de drogas pelos pais. "Temos um índice grande de pais com problemas psiquiátricos e que fazem uso abusivo de álcool, que são geradores de violência", explicou.

Outro fator que contribui para a violência doméstica contra crianças e adolescentes, disse Helen, é a ineficiência do Estado. "A violência doméstica é gerada por uma ineficiência do Estado. A falta dessa rede de atendimento e de serviços, que contemple a necessidade da família, faz com que essa violência esteja aí, latente, nas famílias mais vulneráveis", acrescentou. Pela ineficiência do Estado, esclareceu Helen, entende-se a falta de uma política habitacional adequada, falta de políticas envolvendo a empregabilidade e também questões nas áreas de saúde, educação e até atendimento psicológico precário ou inexistente. "Essas famílias têm essa dificuldade financeira e isso acaba gerando outros tipos de violência. A questão financeira é geradora das demais violências. Já tivemos relatos de mães que tiveram seus filhos acolhidos por conta da questão financeira e que acabaram agredindo o filho porque ele pediu comida", contou. "O Estado precisa olhar para essas questões".

Alves citou outro motivador da violência doméstica. "O que estimula a violência é também a impunidade", disse. Para ele, todos os órgãos que trabalham com a questão envolvendo a defesa dos direitos da criança e do adolescente, `desde a denúncia no Disque 100 [federal] ou no 181 [estadual], passando pelo Conselho Tutelar, pelas delegacias, pelas promotorias ou varas especializadas" precisam funcionar e atuar de forma integrada para combater a impunidade. Também é necessário, destacou, criar, ampliar ou melhorar as redes de proteção social de atendimento familiar para prevenir os casos de violência. A ideia seria, na sua opinião, educar os pais para que possam educar seus filhos de maneira adequada.

SÃO PAULO, SP, 29 de dezembro (Folhapress) - 

http://www.jornalacidade.com.br/editorias/brasil-e-mundo/2012/12/29/violencia-denuncias-todos-os-dias-cerca-de-360-criancas-e-adolescentes-sao-vitimas.html

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

QUAL O PERFIL DE UM PEDÓFILO?


Pode ser qual­quer um: velho ou jovem, rico ou pobre, edu­cado ou sem edu­ca­ção e de qual­quer raça. Porém, pedó­fi­los demons­tram freqüen­te­mente carac­te­rís­ti­cas seme­lhan­tes, mas isto são ape­nas indi­ca­do­res e não deve ser assu­mido como algo em que os indi­ví­duos com estas carac­te­rís­ti­cas são pedó­fi­los. Mas, estas carac­te­rís­ti­cas ali­a­das a um com­por­ta­mento ques­ti­o­ná­vel, podem ser um alerta que alguém é um pedófilo.

Características

Freqüen­te­mente o pedó­filo é do sexo mas­cu­lino e tem mais de 30 anos de idade.
Pos­sui pou­cos ami­gos na faixa etá­ria dele, ou ape­nas um.
Se casado, a rela­ção é fun­dada no com­pa­nhei­rismo, sem rela­ções sexuais.


Gos­tam de ati­vi­da­des infantis

Ele é fas­ci­nado por ati­vi­da­des de cri­ança.
Sem­pre des­creve as cri­an­ças como puras e ange­li­cais, mas, na mai­o­ria das vezes, é impró­prio e exa­ge­rado.
Tem pas­sa­tem­pos de cri­ança, como cole­ci­o­nar brin­que­dos caros populares.
Têm pre­fe­rên­cia por cri­an­ças perto da puberdade
Os pedó­fi­los têm, freqüen­te­mente, uma idade espe­cí­fica de cri­ança que eles obser­vam. Alguns pre­fe­rem as cri­an­ças mais novas, outros, pre­fe­rem as pré-adolescentes perto de puber­dade, que são sexu­al­mente sem expe­ri­ên­cia, mas têm curi­o­si­dade sobre sexo.
Geral­mente, o ambi­ente dele ou seu quarto é deco­rado com moti­vos infan­tis ou com algo que atrairá a cri­ança ou ado­les­cente que ele está ten­tando assediar.

Tra­ba­lho

Os pedó­fi­los pro­cu­ram tra­ba­lhar em ati­vi­da­des que envol­vam con­tato diá­rio com crianças.
Víti­mas

 O pedó­filo pro­cura por cri­an­ças tími­das, pobres ou com pou­cos pri­vi­lé­gios em casa. Ele as ali­cia com aten­ção, pre­sen­tes, via­gens para luga­res dese­já­veis como par­ques de diver­sões, jar­dim zoo­ló­gico, a praia, etc.

Mani­pu­la­ção do inocente

Os pedó­fi­los pos­suem a habi­li­dade de mani­pu­lar suas víti­mas tornando-se amigo delas. Em seguida, mostram-se inte­res­sa­dos em ouví-las sobre seus pro­ble­mas pes­so­ais con­quis­tando sua a estima. Então, as atrai com ati­vi­da­des adul­tas, que são freqüen­te­mente sexu­ais, como fil­mes ou ima­gens. Ofe­rece álcool ou dro­gas, impe­dindo com isso que suas víti­mas resis­tam aos seus ataques.

Sín­drome de Estocolmo

É comum a cri­ança ou o ado­les­cente desen­vol­ver uma certa afe­ti­vi­dade por seu pre­da­dor e dese­jar sua apro­va­ção. A vítima acaba por identificar-se emo­ci­o­nal­mente com seu abu­sa­dor, a prin­cí­pio como meca­nismo de defesa, por medo de reta­li­a­ção e/ou vio­lên­cia. Lem­brando que o pro­cesso da sín­drome ocorre sem que a vítima tenha cons­ci­ên­cia disso.

Ami­zade com os pais

O pedó­filo ten­tará desen­vol­ver uma rela­ção íntima com os pais da cri­ança ficando, assim, mais pró­ximo delas. Uma vez den­tro da casa, eles têm mui­tas opor­tu­ni­da­des para mani­pu­lar as cri­an­ças usando culpa, medo, e amor para con­fun­dir sua vítima.

Per­sis­tên­cia

Os pedó­fi­los são incan­sá­veis em alcan­çar seus obje­ti­vos e tra­ba­lha­rão para desen­vol­ver rela­ções com suas víti­mas, paci­en­te­mente. Não é inco­mum para eles esta­rem ela­bo­rando uma lista longa de víti­mas poten­ci­ais. Mui­tos pedó­fi­los
 acredi­tam que não está errado o que fazem e que tendo sexo com uma cri­ança, é real­mente "sau­dá­vel" para ela. (Tradução Brasil contra a pedofilia)

Pedofilia, uma visão patológica

Para tentarmos entender que perversão sexual é essa que causa preocupação em todos, devemos ver primariamente sua definição. Segundo o dicionário pedofilia é "a parafilia representada por desejo forte e repetido de práticas sexuais e de fantasias sexuais com crianças pré-púberes", a pedofilia além de crime é também uma doença. E dessa última gostaria de falar em primeiro lugar, já que dificilmente se olha tal aspecto psicológico.
Segundo a psicologia e a própria legislação pedofilia não é crime, mas distúrbio psicológico que causa crimes, tais como a prostituição e pornografia infantil, previstos tanto no Código Penal quanto no ECA.

A abordagem de tal tema é sensível, já que quando se fala do
 pedófilo a primeira imagem que vem a mente é a de um homem de meia-idade disposto a aliciar menores sem qualquer escrúpulos. A verdade é que a maioria dos casos vultosos existentes se encaixam nesse perfil, no entanto, subjugam os casos relacionados a mulheres e também a pessoas com desvios psiquiátricos, que causam sem sombra de dúvida, tanto estrago na criança quanto o primeiro caso. As consequências vivenciais e possíveis futuros problemas da pessoa que em sua infância, sofreu um estupro ou qualquer outro tipo de crime relacionado a essa parafilia têm um caráter quase que permanente, sendo assim, a atenção deve ser grande no que diz respeito a prováveis "sintomas" de que isso esteja ocorrendo. Os pedopsiquiatras costumam dizer que para a detecção disso devemos olhar primariamente para o linguajar da criança quanto a assuntos sexuais que provavelmente em sua idade não falaria. No entanto, fazendo abordagem também do aspecto sociológico, numa sociedade onde o que mais se exalta é a sexualidade em todas as suas formas, a detecção de tal fator se torna difícil.

No Brasil, sem dúvida alguma, exaltamos imoralmente (isso sem falsa moralidade alguma) o sexo. Não podemos ter opiniões "fundamentalistas" numa sociedade pós-moderna a ponto de não deixarmos que haja uma educação sexual mais aberta, no entanto, não devemos de forma alguma abrir o caminho da perversão sexual para crianças que não têm condições de receber tal carga de informação. Isso pode soar meio conservador, mas façamos uma pesquisa em sites de vídeo como Youtube e veremos que existem letras de funk voltadas para crianças menores de idade com o incentivo ao sexo explícito, como o já denunciado vídeo Bonde das Novinhas, onde várias crianças que não passam da idade de catorze anos tem suas fotos sendo mostradas enquanto a música fala sobre o sexo com menores.

http://www.passeiaki.com/noticias/perfil-pedofilo



domingo, 25 de novembro de 2012

IMPUNIDADE MARCA CASOS DE ABUSO CONTRA CRIANÇAS




IMPUNIDADE MARCA CASOS DE ABUSO CONTRA CRIANÇAS

Nos últimos oito dias, quatro casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes vieram à tona nas páginas do DIÁRIO. De uma criança de três anos abusada por um adolescente de 13 a uma irmã que engravidou do padrasto, saiu de casa e seis anos depois descobriu que o abusador estaria vitimizando a irmã mais nova. Todas essas vidas despedaçadas agora precisam continuar de alguma forma. E quem ajuda essas famílias nesse difícil trajeto? Quem ajuda a recolher os pedaços que restam e continuar a caminhada?

Obviamente, nem todos os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são divulgados na mídia. Da maior parte deles, a grande massa nem toma conhecimento, mas dificilmente algo que ocorre nos bairros do Curió-Utinga, Castanheira, Marambaia, Atalaia, Val-de-Cães, Águas Lindas, Aurá e Souza, bairros que compõem o Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT), foge ao conhecimento da conselheira tutelar Jeruza Honorato, 35 anos. Grávida do primeiro filho, ela precisa lidar com essa difícil realidade, não como quem segura uma página de jornal, mas como quem carrega uma criança no colo – às vezes literalmente.

“Já depois de grávida, chegou até mim o caso de duas meninas de sete anos que foram abusadas pelo padrasto de uma. Quando a enteada chegava da escola, ele a mandava chamar a colega e então ele fazia com as duas”, relatou. Segundo ela, o Conselho Tutelar é a porta de entrada desses casos. Cabe ao conselheiro a tarefa de encaminhar as vítimas aos órgãos cabíveis. Ou seja, ela precisa lidar quase diariamente com pessoas no auge do desespero, quando muitas casas desmoronam no meio da sala, ou no meio do quarto.

Segundo a conselheira, tal problema, que muitas vezes é associado à pobreza e ignorância, é muito mais “democrático” do que as pessoas querem admitir. “Uma vez eu acompanhei o caso de uma mulher que contratou um professor particular para dar aula ao filho de nove anos num cômodo que construiu exclusivamente para estudos. Enquanto eles ficavam lá, naquele tempo estipulado, ela deixava a sala trancada”, compartilhou. A mãe só descobriu mesmo quando tentou abraçar o filho e aquele gesto lembrou o do agressor. A partir daí, a mãe descobriu do pior modo que esse tipo de problema nem sempre está no lado de lá.

Cabe ao conselho a tarefa de encaminhar os casos ao Pro Paz da Santa Casa nos dias de semana e aos fins de semana levar a uma delegacia e ao Instituto Médico Legal para possíveis laudos. “Nosso trabalho não termina quando apresentamos, pois às vezes precisamos correr atrás de informação e ficar em cima para ver se a coisa se encaminha”, alegou. 



BICHOS DO MATO

J. cuida do filho e da irmã. Perante a lei, os dois são filhos do mesmo pai, uma vez que ela engravidou quando tinha 13 anos do padrasto com quem viveu alguns anos, no quilômetro 14 da PA-252, município do Acará. Ela afirma que era abusada desde os 11 anos, até que engravidou e teve que sair de casa porque a mãe não acreditou que o companheiro que assumiu as filhas de outro pudesse ter feito aquilo. Hoje com 21 anos, ela percebeu a irmã de 12 anos estranha, sem brincar como antes. A irmã então confessou. J. gravou a confissão no celular e a apresentação disso ao Conselho Tutelar rendeu a prisão de Vilson Silva dos Santos, 48 anos, no dia 16/11, quando supostamente tentava fugir depois de ter ameaçado as cunhadas que apoiavam a sobrinha na constrangedora denúncia. Como a mãe ficara de novo a favor do marido, a justiça determinou que a guarda da irmã ficasse com J.

Desde 2005, Joênia Nunes, de 31 anos, acompanha casos assim. Agente da Cáritas de Cametá, na região do Baixo Tocantins, o trabalho dela é garantir direitos onde o Estado não consegue chegar. “O nosso trabalho é sensibilizar a população e formar as crianças para poder dizer o que está acontecendo quando houver casos assim”, explica. Segundo ela, nas comunidades do campo, esse tipo de prática é comum. “O grande problema é que crianças com mais de 10 anos até falam, mas quando é mais nova que isso elas têm mais dificuldades para se expressar”, comparou.

Ela explica que, quando o abuso vem de dentro do próprio lar, a criança acaba sofrendo violência três vezes, pois, além da violência sexual, ainda enfrenta o descaso da mãe (em geral) e sofre por não ter condições de buscar ajuda por si só.

“Desde 2009, quando veio à tona a CPI da Pedofilia, muitos casos começaram a ser denunciados, mas infelizmente quase nada dessas denúncias resultou em alguma coisa concreta, porque, quando chega ao Ministério Público, a coisa emperra. Aí as pessoas acabam ficando receosas de ter que passar por todo o sacrifício de expor a intimidade para pessoas estranhas, para que daqui a pouco isso não dê em nada”, desabafa.

Em Cametá, segundo dados divulgados pelo Conselho Tutelar de lá, de 2009 a maio desse ano, já foram 331 crimes sexuais registrados. Questionada sobre quantos desses casos resultaram em punição para os denunciados, Joênia não titubeou: “Menos de um por cento. Tem hora que bate um desânimo, mas a missão é maior”, reforçou.



RECONSTRUINDO SONHOS

“As pessoas me perguntam como eu consigo lidar dia a dia com uma história mais horrível que a outra. Eu respondo que me sinto muito bem quando, depois do atendimento, pessoas que chegaram à minha sala completamente perdidas saem com vontade de continuar vivendo”, se orgulha a psicóloga Márcia Monteiro, que há 15 anos trabalha com vítimas de violência. Ela afirma que, no caso de crianças, o importante é sempre acreditar nelas. 

“Quando a criança muda o comportamento bruscamente, é importante que se procure saber o porquê”, recomendou. Ela contou a história de uma mãe que a procurou para atender as filhas, que estavam muito desobedientes e nem queriam ir mais à igreja. Quando foi conversar com as meninas, descobriu que elas não queriam ir porque elas sempre pegavam carona com o pastor, que abusava delas no trajeto até a casa de Deus. “A mamãe nunca ia acreditar na gente”, teriam dito as meninas, que teriam 6 e 7 anos na ocasião.

Como explica a psicóloga, casos de abuso que envolvem parentes formam nas pessoas em desenvolvimento um misto de amor e ódio. Ao mesmo tempo em que elas não ficam com muita raiva do avô, do padrasto ou da mãe que não acredita nela, ela sente pena deles, não quer que vão presos ou que sofram.

“Precisamos entender que isso é uma coisa cultural, que precisa ser trabalhada com calma. Uma vez, fui atender numa comunidade do interior e a matriarca da família chegou a me dizer que era melhor um pai fazer com a filha do que alguém de fora. Certamente essa mulher foi abusada quando criança”, argumentou. A relação patriarcal, em que o homem se impõe através da força, tem a mesma proporção em relação a casos em que o abusador é homossexual. A psicóloga pontuou que todos nós estamos sujeitos a sentir desejos sexuais por crianças e adolescentes e até mesmo por filhos e parentes. A diferença é que uma pessoa de bom senso vai se autopunir e as que cometem abuso não o fazem. “O caso do pedófilo é o extremo disso. É uma doença que precisa ser tratada”, concluiu.

(Diário do Pará)

sábado, 24 de novembro de 2012

EM DEZ ANOS, TRIPLICA NÚMERO DE ATENDIMENTOS EM HOSPITAL DE SP A CRIANÇAS QUE SOFRERAM ABUSO SEXUAL


Hospital Estadual Pérola Byington também registrou crescimento da procura pelo serviço entre adolescentes de 12 a 18 anos


Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, o número de crianças atendidas no Núcleo de Violência Sexual do Hospital Estadual Pérola Byington triplicou nos últimos dez anos. Os dados, que se referem ao período entre 2001 e 2011, também mostram que houve crescimento dos adolescentes entre 12 e 18 anos que procuraram o serviço.
Todas as pessoas recebidas pelo núcleo são vítimas de algum tipo de crime sexual. Esse serviço do hospital, que é referência em atendimento à mulher e a vítimas desse tipo de violência, oferece acompanhamento psicológico por tempo indeterminado aos pacientes, além de diagnóstico e, se preciso, tratamento para doenças sexualmente transmissíveis e para as complicações de danos físicos.
De acordo com o levantamento, 1.088 crianças de até 12 anos foram tratadas pelo serviço do hospital em 2011. Dez anos antes, em 2001, esse número foi de 352 atendimentos. Embora menos, a quantidade de adolescentes acolhidos pelo núcleo também cresceu: em 2001, foram registrados 498 casos e, em 2011, 759, representando um aumento de 52%.
No entanto, de acordo com Jefferson Drezett, coordenador do Núcleo de Violência Sexual do Pérola Byington, o aumento do atendimento de crianças vítimas de abuso sexual não significa que a incidência desse tipo de crime tenha crescido, mas sim que a procura pelo tratamento e acompanhamento adequado tem se tornado mais frequente. "Hoje em dia é dada muito mais importância aos casos de abuso sexual na infância do que há anos atrás. Familiares, profissionais de saúde e de educação estão, ao que parece, mais conscientes sobre os sinais apresentados por um jovem que passou por isso. As pessoas estão aprendendo, cada vez mais, a identificar e notificar esses casos", afirma Drezett.
Meninos — A pesquisa também mostrou que o atendimento feito a crianças do sexo masculino vítimas de abuso sexual aumentou mais do que o feito às jovens do sexo feminino. Entre os meninos, esse crescimento foi de 37%, enquanto, entre as meninas, foi de 26,4%. De acordo com Drezett, esse dado mostra que a procura por ajuda, e não a incidência de abuso sexual, entre meninos está aumentando. "Por motivos de preconceito e pressão familiar, os meninos acabam falando menos sobre terem sofrido abuso sexual do que as meninas", explica.
Segundo o coordenador, atualmente, o sexo masculino representa entre 20% e 25% de todos os atendimentos feitos a crianças vítimas de abuso sexual no hospital. Estima-se que, de todos os casos de crime sexual infantis, entre 25% e 35% são contra rapazes. "Esse maior crescimento no atendimento dos meninos não nos surpreende, já que mostra que a porcentagem de procura pelo serviço está se aproximando do total de casos que de fato acontecem", afirma o coordenador.
O levantamento ainda indicou que o número de adultos maiores de 18 anos que procuraram pelo serviço, por outro lado, diminuiu em 40% nesse período. "Como houve maior desenvolvimento dos serviços de saúde especializados em mulheres adultas, com profissionais aptos a ajudarem aquelas que sofreram abuso sexual, pode ser que as vítimas estejam procurando outros centros de referência que não o Pérola Byington. No entanto, não há estabelecimentos pediátricos especializados em abuso sexual em São Paulo, então as vítimas infantis acabam se concentrando aqui", diz Drezett.
Recomendações — Apenas entre 10% e 20% de todos os casos de abuso sexual que acontecem chegam ao conhecimento de profissionais de saúde ou de policiais. De acordo com Drezett, como crianças têm menos autonomia para procurar por ajuda, os adultos que estão a sua volta devem ficar atentos a alguns fatores, como mudanças abruptas de comportamento e queda do rendimento escolar. Se essas alterações comportamentais ocorrerem, o ideal é estabelecer um diálogo sutil e discreto com a criança e, sob suspeita de ter ocorrido abuso sexual, denunciar o caso para o Conselho Tutelar mais próximo e procurar ajuda especializada.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/em-dez-anos-hospital-triplica-numero-de-atendimentos-a-criancas-que-sofreram-abuso-sexual