sábado, 29 de março de 2014

ESTUPRO - 70% DAS VÍTIMAS SÃO MENORES

Levantamento do Ipea aponta que idade inferior a 13 anos é a que mais sofre violência sexual


A cada ano, pelo menos 527 mil pessoas são estupradas no Brasil, e apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. A constatação é de um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre casos de violência sexual no país. Do total das vítimas, 70% são crianças e adolescentes – 50% têm menos de 13 anos. As mulheres também são a maioria, 88,5%. Quando se trata apenas de crianças, os meninos são 18,8% das vítimas. Em casos com crianças, 32,2% dos agressores são amigos ou conhecidos e 24% são pais ou padrastos.

O estudo “Estupros no Brasil – Uma Radiografia Segundo os Dados da Saúde” tem como base dados de 2011 do Ministério da Saúde sobre os casos de estupro no país. A pesquisa traça o perfil das vítimas, dos agressores e as características dos casos. “A ideologia do patriarcalismo e sua expressão machista reforçam determinados padrões de conduta que muitas vezes levam à violência de gênero e, em particular, aos estupros”, conclui o documento.
Para o psiquiatra e professor da UFMG Maurício Viotti, as crianças e os adolescentes estão mais suscetíveis sofrer abusos porque são mais manipuláveis. “O agressor tem o domínio maior sobre uma criança ou um adolescente, e eles também estão mais sujeitos à chantagem emocional para que não revelem que foram agredidos”, afirma. Segundo ele, o principal caminho para mudar isso é a educação. “As denúncias também precisam chegar às autoridades para que haja intervenção e punições”, disse.
Consequências

Os autores destacam ainda que os dados são alarmantes diante das consequências do estupro, como diversos transtornos, incluindo depressão, fobias, ansiedade, abuso de drogas ilícitas, tentativas de suicídio e síndrome de estresse pós-traumático.

Trecho do estudo

“É dramático perceber que do total de casos, 15% foram cometidos por duas ou mais pessoas e que 11,3% dos estupros envolvendo crianças foram cometidos pelos próprios pais, que deveriam protegê-las. É um quadro que revela uma grave doença coletiva, de uma sociedade em estágio pré-civilizatório”.



segunda-feira, 10 de março de 2014

PEDOFILIA: PESADELO QUE COMEÇA NA INFÂNCIA E EM CASA

20% das mulheres de até 18 anos sofrem algum tipo de violência sexual no mundo


Quando uma família de militares a tirou da vida de menina de rua no Rio de Janeiro, Maura de Oliveira Lobo achava que teria uma infância melhor. Mas além de ter que trabalhar como empregada doméstica sem remuneração, aos 6 anos de idade ela conheceu um tipo de violência que mesmo hoje, casada e com dois filhos, não esquece. Foi abusada sexualmente por dez anos por dois de seus “patrões”, dentro das casas onde morou, em vilas militares. Atualmente, à frente de uma organização não governamental que atende pessoas vítimas de pedofilia e jovens carentes, Maura diz que só conseguiu superar medos e formar uma família porque sempre se sentiu muito sozinha. Mas conta que a dor de ser vítima da violência sexual na infância vai permanecer pelo resto de sua vida.

- Eu lembro da cor do fio do bigode do primeiro pedófilo, eu sou capaz de desenhar cada cena que vivi. É como se o meu coração tivesse gavetinhas. A gavetinha das coisas negativas está lá. Mas a gente abre gavetas de coisas positivas na vida. É possível ser feliz - diz Maura, de 45 anos de idade.

A cada dia, pelo menos 20 crianças de zero a nove anos de idade são atendidas nos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS) no país, após terem sido vítimas de violência sexual, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do ministério, em 2012, houve 7.592 notificações de casos desse tipo de violência nessa faixa etária, sendo 72,5% entre meninas e 27,5% em meninos. Isso corresponde a 27% de todos os casos de violência registrados pelos hospitais entre crianças e adolescentes. Entre pessoas de 10 a 19 anos de idade, foram 9.919 casos de abuso sexual, ou 27 por dia, no mesmo ano.

Mas a quantidade de vítimas de violência sexual na infância e na adolescência no país deve ser ainda maior. É que nem todos os municípios brasileiros enviam os dados para o SINAN - dados preliminares de 2012 do ministério indicam que 2917 encaminharam, das mais de 5 mil cidades do país. São Paulo, por exemplo, contabiliza as ocorrências em um sistema próprio de dados. Só no hospital estadual Pérola Byington, na capital, a quantidade de casos novos de pessoas de até 17 anos de idade atendidas em 2013 foi de 2.048 - 54% a mais que em 2003. Além disso, as ocorrências de pessoas que são atendidas pela rede privada e as que nem chegam aos hospitais não estão computados nos dados do ministério da Saúde.

Algozes conhecidos

Nos números do SINAN estão incluídos todos os tipos de violência sexual, incluindo estupros cometidos por desconhecidos e também casos em que o agressor é conhecido da família. Dos 7.592 casos ocorridos entre crianças de zero a nove anos em 2012, em 3% acredita-se que houve exploração sexual e em 2,9%, pornografia infantil. Na maior parte dos casos (70% para crianças de até nove anos e 58% para os de 10 a 19 anos), a violência sexual aconteceu dentro de casa e o agressor era do sexo masculino. Segundo o ministério, o provável autor do abuso foi um amigo ou conhecido da vítima em 26,5% dos casos entre crianças de até nove anos de idade e em 29,2% dos até 19 anos.

O pedófilo que abusou de G. , de 5 anos, o via diariamente, duas vezes por dia. Era o motorista do transporte escolar, que durante todo o ano de 2013 o levava e buscava na escola.
- Meu filho sempre foi um menino ativo e brincalhão, e de repente passou a ficar quieto e acuado. A gente perguntava se havia algo errado e ele ficava “congelado”, não respondia - lembra o pai de G, contando como a família começou a desconfiar do abuso.

Em novembro do ano passado, G. chegou em casa com a boca machucada. Disse que o ferimento foi provocado por “brincadeiras” que o condutor do transporte escolar fazia com ele. Uma semana depois, falou para os pais que esteve na casa do motorista. E disse que não queria mais ser levado para o colégio por aquele senhor de 51 anos de idade. Depois de várias sessões com uma psicóloga, G. contou à especialista sobre os abusos sexuais sofridos no banco de trás do carro em que o “Tio Carlos” o levava para a escola. O motorista, Carlos Inácio Coentro Portela, foi preso essa semana pela polícia do Rio.

Denúncias anônimas

Para a ministra Maria do Rosário, da secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cada vez mais a população está procurando denunciar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes a órgãos diretos de investigação, como a polícia. Por isso é que, segundo ela, o número de denúncias que chegam anonimamente ao Disque Cem, serviço telefônico da secretaria, diminuiu de 2012 para 2013. Em 2012, foram 37.803 e no ano passado, 31.895, ou seja, cerca de 6 mil a menos. Os estados de São Paulo, Rio e Bahia, aparecem como os três com mais denúncias, segundo a ministra, porque concentram grande parte da população.

Porém, na opinião de Maria do Rosário, a quantidade de denúncias que chegam ao Disque Cem diariamente ainda é muito alta. Em 2013, foram recebidas 87 denúncias de violência sexual por dia, principalmente de casos em que o agressor era conhecido da vítima ou da família dela.
- A Organização Mundial da Saúde estima que 20% das meninas e mulheres de até 18 anos sofram algum tipo de violência sexual no mundo. As autoridades chegam a uma parcela pequena. A violência é mantida sob um manto de segredo quando se trata do abuso sexual intrafamiliar. É difícil romper esse segredo. É preciso haver a atenção de todos para as crianças - diz Maria do Rosário.

Na opinião do coordenador de projetos da organização não governamental Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, os números de violência sexual contra crianças e jovens precisam provocar indignação.

- Temos que ficar indignados e pressionar os governos para qualificar e ampliar o atendimento. Sabemos que muitos conselhos tutelares, por exemplo, nem têm carros para fazer visitas às famílias. Falta engajar todos e ter mais políticas públicas que atuem na ponta do problema - diz Gonçalves.

 FONTE: JORNAL O GLOBO

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

DENÚNCIAS DE PEDOFILIA NA IGREJA COMEÇARAM A SURGIR NOS ANOS 80

Somente nos EUA, Vaticano já pagou US$ 3 bilhões em indenizações a vítimas


Somente a partir dos anos 80, as primeiras denúncias de casos de pedofilia envolvido padres e outras figuras da Igreja Católica começaram a vir à tona, em especial nos Estados Unidos e no Canadá. Nos anos 1990, surgiram revelações de abusos na Irlanda, no México e no Reino Unido. Somente com o pagamento de indenizações a vítimas nos EUA estima-se que, entre 1950 e 2007, o Vaticano tenha desembolsado cerca de US$ 3 bilhões.

As denúncias de abusos generalizados abalaram a igreja e levaram a perda de milhares e fiéis, muitos indignados com a capacidade da instituição de reagir e punir os pedófilos. A Santa Sé é signatária da convenção da ONU sobre os Direitos da Criança desde 1990, mas somente em 2013 modificou o Código Penal da Cidade do Vaticano, passando a reconhecer como crimes os abusos contra jovens. Os delitos de violência sexual, prostituição e pornografia infantil envolvendo menores podem ser punidos com até 12 anos de prisão.

A dificuldade em pôr fim aos abusos — há diversas denúncias de religiosos que continuaram atacando menores mesmo após afastados de suas arquidioceses, sem que a Igreja tomasse medidas rigorosas para puni-los — teria sido uma das razões da renúncia do Papa Bento XVI. Ao assumir o posto, em março de 2013, o Papa Francisco afirmou que lidar com a questão era fundamental para a credibilidade da Igreja Católica. Em dezembro do mesmo ano, ele criou uma comissão para punir os padres pedófilos e oferecer ajuda às vítimas.

Não faltam casos para o Vaticano investigar. Em julho de 2010, o padre John Sidney Denham, então com 67 anos, se declarou culpado das acusações relativas ao assédio a meninos entre 5 e 16 anos de escolas de Nova Gales do Sul, na Austrália, entre os anos de 1968 e 1986. Ao ser condenado a quase 20 anos de prisão, pediu desculpas às vítimas e às suas famílias, afirmando que não passava de um "pedófilo asqueroso".

Em março de 2010, o “The New York Times” publicou uma ampla reportagem sobre os abusos na escola para deficientes auditivos Saint John, em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin. Os casos teriam acontecido entre os anos 60 e 70, envolvendo dezenas de meninos. Três arcebispos foram alertados para os avanços do padre Murphy nos alunos, mas nada fizeram para protegê-los. O algoz nunca foi punido, mesmo após ter confessado a uma assistente social que molestara 30 crianças.

Na mesma época, na Alemanha, outra denúncia dava conta de que o então cardeal Joseph Ratzinger — futuramente consagrado como o Papa Bento XVI — teria acobertado os abusos cometidos pelo padre Peter Hullermann.

Acusado em 1979 de molestar crianças na cidade de Essen, Hullerman foi submetido à avaliação psiquiátrica, que teria comprovado uma tendência à pedofilia. Ratzinger determinou que o padre fosse transferido e tratado em Munique. No ano seguinte, porém, o cardeal foi informado de que Hullerman continuava no serviço pastoral. Seis anos depois, ele foi novamente acusado de abusar de crianças.

FONTE: ACERVO JORNAL O GLOBO

http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/denuncias-de-pedofilia-na-igreja-comecaram-surgir-nos-anos-80-11509839



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EDUCADORES TÊM CONHECIMENTO LIMITADO DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE



Uma pesquisa da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP está investigando como os educadores da rede pública de ensino representam o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as implicações dessas significações nos processos de mediação e prevenção da violência nas escolas.
Os primeiros resultados indicam que parte dos professores compreende o estatuto como “excessivamente liberal”, “facilitador da conduta desregrada e indisciplinada” do aluno em sala de aula, “impedindo a tomada de medidas punitivas e disciplinares”. Outros acreditam que o estatuto é “adequado e até avançado em relação à prevenção da violência contra crianças e adolescentes, o problema seria ele ser posto em prática”.
Essas percepções e opiniões paradoxais podem estar ligadas ao desconhecimento do ECA, segundo Daniel Massayuki, doutorando e autor do estudo, realizado com orientação do professor da FFCLRP, Sérgio Kodato. “Observa-se que o conhecimento sobre o estatuto é um pouco limitado e estereotipado, pois os discursos dos educadores representam o ECA como facilitador da indisciplina, mas ao mesmo tempo indicam que se avançou na conquista de direitos de crianças e adolescentes, desde que melhor executado.”
O professor Kodato destaca que “os educadores, acuados com a hostilidade dos alunos e seus familiares, reclamam que as medidas e recomendações do ECA sobre a contenção da violência não são colocadas em prática na escola, permanecendo no plano teórico e alimentando o caos”. Com isso, prevalece o clima de desacato à figura de autoridade, a falta de limites, sendo que os direitos de adolescentes que querem aulas e aprendizagem ficam prejudicados pelos que estão excluídos do processo pedagógico e adotam a conduta agressiva e transgressiva como uma forma de fornecer sentido à permanência cotidiana na escola.
“Os professores têm consciência da necessidade de detectar, cuidar e notificar ao Conselho Tutelar os casos de alunos violentados e maltratados em suas famílias e comunidades de origem. Mas, muitas vezes, preferem se omitir, em função de medo, do temor de vingança por parte dos denunciados e porque os encarregados de coibir a violência não estão conseguindo efetivar a averiguação das denúncias e culpabilização dos responsáveis”, afirma Kodato.
Segundo os pesquisadores, a forma como os educadores representam o estatuto influencia nas relações pedagógicas e desencadeia problemas que refletem negativamente no trabalho de todos na escola. “No caso do professor que desconhece o Estatuto da Criança e do Adolescente e está na sala de aula, ao presenciar relações conflituosas e brigas promovidas pelos estudantes indisciplinados, poderá representar essa violência como delituosa, se eximindo de mediar o conflito e encaminhando para a hierarquia superior ou mesmo à Ronda Escolar.

Instrumento de apoio

 

O professor Kodato destaca que os educadores poderiam assimilar o ECA como um instrumento de apoio ao desenvolvimento de estratégias e práticas para solucionar os problemas de violência na escolas, “no entanto esse processo está paralisado, atualmente, muitas instituições e agentes educacionais sentem-se intimidados e impotentes frente a situação de descalabro e agressão direta ou simbólica à figura do professor”.
A coleta de dados da pesquisa foi realizada com 20 educadores (professores, coordenadores, auxiliares de ensino e outros) de instituições do ensino fundamental II e médio da região de Barretos, no interior de São Paulo.
De acordo com os pesquisadores, o estudo utiliza a “Teoria das Representações Sociais” com referencial metodológico. “As representações são produzidas e circulam nas comunicações entre as pessoas, revelam singularidades delas no espaço político e institucional. Por exemplo, ao processo de socialização, resultado da interação entre as pessoas e o grupo de pertença, contribui para a elaboração de representações e significados a respeito de si, da sociedade, dos outros e do mundo”, afirma Kodato.
Hérika Dias/Agência USP de Notícias

domingo, 22 de dezembro de 2013

Pesquisa mostra que crianças fumantes passivas chegam a 51%

Estudo sobre o tabagismo passivo revelou que 51% das crianças até 5 anos são consideradas fumantes passivas por causa do vício dos pais



São Paulo - Um estudo sobre o tabagismo passivo revelou que 51% das crianças até 5 anos são consideradas fumantes passivas por causa do vício dos pais. A pesquisa foi coordenada pelo diretor do Ambulatório de Drogas do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Lotufo.

Segundo a pesquisa, essas crianças desenvolvem mais otites, bronquites, rinites, asma e duas vezes mais morte súbita quando comparadas com as de pais não fumantes.
Segundo ele, a pesquisa foi feita com a urina do fumante e de alguém da família que não fuma quando foi constatada a presença de nicotina também no sangue dos fumantes passivos.
“O fumante passivo também corre o risco de dependência e de inflamação das mucosas. Todos os que têm tendência a desenvolver doenças como as otites, rinites, bronquites, asma, vão sofrer e ter mais problemas. Nesses casos a mucosa já é inflamada e com a fumaça isso piora muito”.
Ele destacou que muitos pais alegam que fumam fora de casa para não prejudicar os filhos, mas isso não adianta, pois o cheiro do cigarro fica no corpo e nas roupas do fumante e, consequentemente, as crianças acabam respirando isso. “Só o cheiro já é motivo de inflamação. Sem dúvida é melhor fumar fora, mas o ideal é parar de fumar. Pelo menos 305 de quem vem ao ambulatório para parar de fumar, tem como motivação os filhos”.
Lotufo observou que depois que São Paulo aprovou a Lei Antifumo houve diminuição dos casos de doenças cardiocirculatórias. “Infelizmente são só sete estados que tem essa lei em vigor. O Brasil ainda não é um ambiente livre de fumaça, mas a lei que abrange todo o país já foi aprovada, mas ainda não regulamentada. Estamos em um movimento para que ela ente em vigor o quanto antes”.
FONTE: REVISTA EXAME

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

DELEGACIA DA CRIANÇA E ADOLESCENTE VÍTIMA - DCAV/RJ INAUGURA BRINQUEDOTECA


Oferecer um atendimento humanizado às crianças vítimas de crimes é o principal objetivo da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV).

Para garantir esse direito aos menorese familiares que procuram a unidade foi inaugurada, nesta terça feira(10/12), a brinquedoteca da delegacia.

Segundo o delegado Marcelo Braga Maia, titular da especializada, esse era um projeto antigo da delegacia.

Essa brinquedoteca foi idealizada por mim quando percebia, por vezes, crianças acompanhando as mães, responsáveis, ou conselheiros tutelares, sem terem algo para brincar ou se divertir enquanto aguardavam  atendimento de seus familiares oudeles mesmos.

“Essa proposta, posso dizer até mesmo sonho, só foi possível graças ao apoio que recebemos da chefia de Polícia”, explicou ele.

A brinquedoteca foi instalada em uma sala da delegacia, funcionando atualmente na Rua Francisco Bicalho, 250, e conta com diversos brinquedos todos doado à unidade por policiais, amigos e familiares dos agentes.

As crianças serão monitoradas por uma assistente social que atua como atendente da DCAV.

Por enquanto só temos brinquedos, mas a ideia é colocar livros e uma televisão com DVD para distrair as crianças. O DVD já recebemos como doação também”, finalizou o delegado.


domingo, 15 de dezembro de 2013

TESTE ALERTA QUE CRIANÇA PODE SUMIR EM UM SEGUNDO DE DESCUIDO DOS PAIS


O Fantástico trouxe um alerta para os pais: não dá pra desgrudar o olho das crianças nem por um segundo. Na praia, no shopping lotado, é fácil um estranho se aproximar do seu filho e você nem perceber.

O Fantástico fez um teste que interessa a todas as famílias. Se os pais se descuidam, por um segundo que seja, um estranho pode levar uma criança embora. No shopping, na praia, onde for...

Um homem vai à praia e ao shopping, em São Paulo, com um objetivo: procurar crianças indefesas, que poderiam ser alvo de bandidos.

Sem parentes por perto, que risco elas correm?

Camily, do Rio de Janeiro, e João Rafael, do Paraná. Duas crianças desaparecidas. Nos dois casos, bastou um instante longe do cuidado de um parente pro pior acontecer.

Camily sumiu no ano passado, quando tinha 4 aninhos. Era 4 de novembro, um domingo, 8 horas da manhã. Camily e a avó estavam na frente da casa, sentadas, conversando. A avó entrou só pra pegar um remédio e voltou logo depois. A neta já não estava mais lá.

“Só tinha um sapatinho e uma bonequinha que ela estava brincando. Na minha cabeça, não se passou que eu deixasse ela aqui, um minuto, e ela ia sumir”, lembra Sandra Guedes de Sá,  avó de Camily.

João Rafael tem 2 anos. Está desaparecido há mais de três meses.
“Procurei ele, claro, e ele já tinha desaparecido. Foi muito rápido. Eu, mãe, eu acho que alguém está com ele”, afirma Lorena Conceição Santos, mae de João Rafael.

O sumiço de crianças também preocupa famílias que estão do outro lado do mundo. Malásia, sudeste asiático. Um homem se aproxima e entrega pirulitos. As crianças voltam pra perto dos pais e eles levam um susto. No doce, há um recado: "Em uma fração de segundo, seu filho pode ser atraído. Mantenha o olhar atento, antes que seja muito tarde".

O vídeo já foi visto na internet mais de 1,3 milhão de vezes, desde o mês passado. Ele foi feito por uma entidade que desenvolve projetos de segurança para crianças do mundo inteiro. Os pais eram atores. Mas as crianças não tinham sido avisadas do teste. Todas que apareceram no vídeo aceitaram o pirulito e conversaram com o homem que nunca tinham visto antes.

O Fantástico vai tentar reproduzir essas cenas. Só que agora, nós estamos atrás de casos reais, pra mostrar que um segundo de descuido é suficiente pra um estranho se aproximar.

Um garotinho, de quatro anos,  está sozinho, na porta da loja. A mãe está de costas. Não viu o que tinha acabado de acontecer.

Em outra situação, a criança está atrás de dois adultos. O menino, de 10 anos, guarda o doce. Ninguém percebe nada.

Em um shopping, na Zona Leste de São Paulo, mais uma garotinha está longe dos parentes. Ela sai pulando e só depois encontra a avó. Em duas horas, oito crianças foram abordadas, sem que as famílias percebessem.

O homem que ajudou o Fantástico nesse teste chama-se Rui Silva. Ele é educador e representante de um projeto que tenta evitar que crianças desapareçam.

“Do jeito que eu fui gentil, eu poderia usar de violência, segurá-lo, tapar a boca e levá-lo porque eu sou uma pessoa grande e forte. Você perde ele de vista e pode desaparecer pra sempre. Muito cuidado, mamãe”, alerta Rui Silva, educador do Projeto Anjos do Verão.

Mas o que fazer então?

“Tire sempre uma foto, na hora de sair de casa. Nem sempre, na hora do desespero, ela vai lembrar exatamente a roupa que ele estava. No caso agora, dessa época de compras intensas, traga um familiar, a vovó, um primo, alguém, para estar junto, olhando, pra que você possa fazer suas compras com sossego e ele, seguro. Nunca deixar a criança pra trás. Do lado, no mínimo. Sempre na frente e sempre falando em casa o que fazer, criando sempre um ponto de encontro, uma loja favorita, uma lanchonete favorita no shopping”, ensina o educador.

E na praia, nesses dias movimentados, será que é fácil um estranho se aproximar de uma criança desacompanhada?
Guarujá, litoral paulista. A menina, de 6 anos, sai da água sozinha e pega o doce. A mãe está sentada, de costas pro mar. Ela lê a mensagem e agradece o alerta.

Outro teste... Mais uma menina. E olha o perigo. O garoto - que estava com ela – corre e fala com o homem que ele nunca tinha visto antes. A família não percebeu nada.

“Tem que escalar alguém ou pra ficar acompanhando fisicamente ou com o olhar.  Não tirar o olho. Crianças que ainda não têm capacidade de memorização, abaixo de 6 anos: identificação na roupa, pulseira, tudo o que puder colocar, o telefone, o nome do papai e da mamãe. Crianças maiores, memorização e sempre ensinar um ponto de referência: um restaurante, um prédio, em frente à praia, algo que não saia do lugar, aí é importante e a criança vai memorizar”, diz Rui.

Hoje, Rui sabe o que fazer, mas 11 anos atrás ficou completamente perdido, quando o filho sumiu na praia lotada.

“Você pensa que afogou, pensa que está morto, que alguém sequestrou. Meio metro, um metro no meio da multidão, perde-se mesmo. É como se fosse uma agulha no palheiro. E durante 15 minutos, uma senhora encontrou. É uma experiência terrível”, lembra.

A chance de uma tragédia acontecer é menor quando o filho segue os conselhos dos pais.

Há muitas crianças desaparecidas. Algumas há vários anos. Os parentes fazer um apelo.

“Eu quero a minha neta, por favor. Alguém viu a minha neta, me devolve”, pede Sandra Guedes de Sá, avó de Camily.

“Que a pessoa que pegou ele, que nos devolva. Que entregue o nosso filho, por favor”, diz Lucas Kovalski, pai de João Rafael.

“O mais importante da minha vida é a vida dele. A vida dele”, desabafa Lorena Conceição Santos, mãe de João Rafael.