quarta-feira, 26 de agosto de 2015

VÍTIMA DE ABUSO DIZ QUE PAI É PIOR DO QUE UM MONSTRO: "MONSTROS SÓ ASSUSTAM. ELE MACHUCA"

Em média, quatro crianças ou adolescentes são encaminhadas ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas por suspeita de violência sexual


Surianny dos Santos Silveira, cinco anos, em suas brincadeiras, sonhava ser princesa. Mas a infância e os sonhos foram interrompidos quarta-feira passada em sua casa, no Bairro Lomba do Pinheiro, na Capital gaúcha. Surianny foi estuprada e morta. O padrasto da menina e o irmão de criação dele são suspeitos e estão presos.

Em Gravataí, um pai fugiu com a filha mais velha, de 11 anos, com a qual havia algum tempo mantinha uma relação incestuosa. Ele também está preso.
A violência e o abuso sexual nos dois casos estão longe de serem situações isoladas ou raras. A cada dia, em média, quatro crianças ou adolescentes são encaminhadas de diferentes regiões do Estado para acolhimento no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV) por suspeita de terem sofrido abuso ou violência sexual. Na Capital, a média é de dois casos diários.

Os números tornam-se mais preocupantes se levarmos em conta que os dados não incluem as regiões da Fronteira Oeste e Central e do município de Caxias do Sul, que não encaminham as vítimas para o HMIPV. E o pior de tudo é que boa parte dos casos não chega a ser denunciada, muitas vezes devido a ameaças feitas pelos abusadores.


A fuga do pai com a menina ocorreu em abril de 2014. Ela estava no Conselho Tutelar da Zona Oeste de Gravataí, pois vizinhos da família haviam denunciado as suspeitas de que ela era abusada pelo pai. Seus cinco irmãos, com idades de dois, quatro, seis e dez anos já haviam sido encaminhados à guarda dos avós maternos, no interior de Santa Catarina, devido a denúncias de que viviam em situação de vulnerabilidade.

A mãe, envolvida em um novo relacionamento, os havia deixado sob a guarda do pai.

De acordo com as denúncias, o pai costumava deixar os filhos menores fora de casa, em situação de risco, e permanecia por longos períodos trancado com a mais velha, então com 11 anos. Inclusive, os dois dormiam na mesma cama.

No momento em que uma conselheira afastou-se para tirar a cópia de um documento, a menina saiu correndo do prédio. O pai, segundo testemunhas, a aguardava do lado de fora. Antes, ele havia solicitado ao patrão um adiantamento de salário. Mas não voltou ao emprego, e a filha abandonou a escola.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Gravataí deflagrou uma operação para localizar pai e filha.
Após a fuga, as únicas pistas que surgiam eram telefonemas que a filha, esporadicamente, dava à mãe para afirmar que "estava bem". Os policiais buscavam o rastreamento do telefone, mas, a cada ligação, o pai costumava trocar o número, alternando inclusive as operadoras.

Depois de 17 meses, a Deam conseguiu localizá-los. O foragido estava trabalhando como caseiro em uma propriedade rural no interior de Gravataí. À polícia, seu patrão alegou que não teve qualquer desconfiança da situação. Durante o período em que estava sendo procurado, o pai não permitiu que a filha saísse uma única vez da propriedade.

O pai teve prisão preventiva decretada por estupro e cárcere privado da filha. De acordo com a delegada Marina Dillenburg, o homem alegou que sua relação com a menina era de pai e filha. Manteve-se frio até mesmo na hora de ser conduzido ao Presídio Central.

A menina Surianny dos Santos Silveira, cinco anos, inicialmente foi dada como desaparecida. Seus familiares passaram a madrugada da quarta passada procurando por ela. Ela e os irmãos teriam ficado sob os cuidados do padrasto e de seu irmão de criação. A mãe das crianças, que trabalha vendendo roupas, estava em São Paulo.

Quando todos já haviam perdido a esperança de encontrá-la dentro de casa, um barulho vindo do sofá, em um dos cômodos da casa na Quinta do Portal, Bairro Lomba do Pinheiro, na Zona Leste da Capital, chamou a atenção dos tios. A menina, ainda com vida, estava no forro do móvel, o mesmo no qual dormia o irmão de criação do padrasto. Surianny foi socorrida, mas morreu pouco depois. A perícia constatou que ela fora estuprada.

Inicialmente, a polícia prendeu o irmão de criação do padrasto, Jéferson Machado Alves, 23 anos. Ele confessou o crime e alegou ter agido sozinho. Nesta segunda-feira, porém, foi preso preventivamente o próprio padrasto, Charles Teixeira de Castro, 23 anos. Na quinta-feira passada, em depoimento, Charles negou participação no crime. Ouvido novamente, voltou a negar qualquer envolvimento.

"Monstros só assustam. Ele machuca"

Os conselheiros tutelares da Zona Oeste de Gravataí, Marcos Vinicius Pinto, Joelson Cardoso, Adriana Neves e Paulo Aguiar, mesmo acostumados a uma rotina de denúncias de violência ou abuso sexual contra crianças e adolescentes, não deixam de se surpreender a cada nova ocorrência.

O município é o segundo em número de encaminhamentos ao ao Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil de Violência Sexual (Crai), no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), ficando atrás apenas da Capital. E foi por lá que passou o caso do pai que manteve a filha em cárcere privado por 17 meses. Confira outros casos marcantes:

A demora de um pai em sair do banheiro com a filha de cinco anos na escolinha da criança provocou suspeitas. Em conversas com a professora, a direção do estabelecimento descobriu que a menina, em seus trabalhinhos, costumava desenhá-la, junto com o pai próximos a um vaso sanitário e uma pia. Em conversa com a criança, psicólogos descobriram que ela era abusada não somente pelo pai, como pela mãe também. Quando a menina foi entregue à guarda de familiares, uma tia revelou que, em sua infância, era abusada pelo irmão mais velho (pai da criança).

Em uma família de classe média, uma adolescente de 14 anos, incentivada pelo namorado, denunciou que era abusada pelo pai. Ao saber disso, o abusador tentou o suicídio, colocando-se à frente dos carros na ERS-118. Porém, a polícia o impediu e o prendeu. Passado um mês, saiu do presídio e ameaçou matar sua família. Foi preso novamente.

Em outro caso, um avô, denunciado pela neta, consumou o suicídio. A menina, mesmo tendo sido abusada, teve de passar por tratamento psicológico por sentir-se culpada pela morte do avô.

Ao ouvir os relatos de uma adolescente de 14 anos que desde os 11 era violentada pelo pai, uma conselheira tutelar comentou:

— Desculpa-me, mas o teu pai é um monstro.

A menina, traumatizada com a situação, respondeu:

— Ele não é um monstro porque monstros só assustam. Ele machuca.

Rotina de violência e ameaças

Como ocorre na maioria dos casos envolvendo abusos ou violência sexual de crianças e adolescentes dos zero aos 18 anos incompletos, a menina de Gravataí, agora com 13 anos, foi encaminhada ao Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil de Violência Sexual (Crai), no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), na Capital. O serviço envolve secretarias estaduais e municipais e faz o acolhimento de possíveis vítimas de abuso ou violência sexual, encaminhadas pelos Conselhos Tutelares.

Psicólogas e assistentes sociais avaliam as condições e a dinâmica da família envolvida e os agravos sociais da situação de violência.

A psicóloga Maria Eliete de Almeida foi responsável pelo acolhimento da menina.

— Ela parecia bastante preocupada com o pai e fazia planos para reencontrá-lo quando ele saísse da prisão — revelou a psicóloga.

O comportamento da menina, de acordo com Maria Eliete, não é incomum. O abusador, muitas vezes, se utiliza da proximidade com a criança e da relação de confiança e lealdade para garantir o segredo. Ou aproveita-se também da condição de dependência do abusado em relação a ele.

— A criança tem vínculo de afeto e deveria ser protegida por essas pessoas — destaca Maria Eliete.

De acordo com a psicóloga, outra expediente muito utilizado pelo agressor para manter o segredo é a ameaça.

— Dizem coisas do tipo: "se você contar vou matar todo mundo, vou sumir contigo e com os teus irmãos, vou colocar fogo na casa, eu serei preso e vocês não vão ter o que comer". Tudo para que as crianças não contem a ninguém — relata.

Por conta disso, segundo Maria Eliete, as crianças muitas vezes só denunciam os abusos quando se sentem seguras, como quando a mãe e o agressor (pai ou padrasto) se separam, ou quando ocorre acolhimento no Crai ou nos conselhos tutelares.

Diário Gaúcho

http://www.diarioarapiraca.com.br/noticia/brasil/vitima-de-abuso-diz-que-pai-e-pior-do-que-um-monstro:-monstros-so-assustam.-ele-machuca-/6/4387

domingo, 19 de julho de 2015

O BREVE PERFIL DE UM PSICOPATA

Tenho sido cruelmente cobrada por algumas pessoas pelo fato de nunca ter desconfiado do comportamento do meu ex marido Alexandre, uma pessoa que passou anos como um marido calmo, apaixonado, amável, devotado ao lar, mas que um dia, resolveu estuprar minha filha. Felizmente, o estupro não foi consumado. Filha de quem é, ela foi socorrida a tempo.
Não havia do que desconfiar.
Como todo psicopata, ele nunca havia mostrado nenhum sinal.Só descobrimos naquele fatídico sábado.

Seguem algumas características dos psicopatas para que possamos entender que essa raça não dá sinais. Eles dissimulam o tempo todo.
Espero poder ajudar (e parar de ser cobrada).


O BREVE PERFIL DE UM PSICOPATA

Entendemos que a realidade de nosso sistema social hoje, apresenta diversas distorções de comportamento que geram muitos problemas que, em alguns casos, chocam e criam um alerta para a saúde mental dos indivíduos. Analisando a criminalidade, chegamos até a psicopatia, que é uma destas distorções que causam preocupações importantes dentro dos direitos humanos no Estado Democrático e Social de Direito.

É a banalização da vida humana. Hoje em nosso país, centenas de pessoas morrem sem um motivo real, onde perdemos a vida como quem perde um brinquedo.

Muitas vezes, os autores deste cenário cruel, são os psicopatas. Doentes que torturam e cometem crimes horripilantes, por puro prazer.

De maneira geral podemos dizer que psicopatas são pessoas cruéis e desumanas. Sem qualquer sentimento de culpa ou arrependimento. Agem com muita frieza e apresentam atos executados com muita cautela e minúcia.

Estudos mostram que um psicopata não pode ser considerado um doente mental, pois possuem alto grau de inteligência e consciência de seus atos. Além da capacidade de autodeterminação.

Então, podemos fazer a seguinte pergunta: o que leva um sujeito a tornar-se um psicopata?

A personalidade humana é objeto de vários artigos e estudos ao longo dos anos. Não é fácil desvendar alguns segredos, mas é muito mais difícil encontrar a resposta adequada para a pergunta em questão. Matar por prazer, sem culpa, medo ou qualquer reação que justifique tal brutalidade, é o objeto da ação do nosso psicopata.

Avaliando este nosso personagem, muitos apresentam desde a infância, problemas comportamentais sérios. Trazem esta carga pesada desde a infância até a vida adulta, mas quando completam 18 anos, nossa sociedade cria o rótulo para eles de: Transtorno de conduta.
O livro da Dra. Ana Beatriz Barbosa – MENTES PERIGOSAS - deixa claro que ninguém vira psicopata da noite para o dia: eles nascem assim e permanecem assim durante toda a sua existência. Os psicopatas apresentam em sua história de vida alterações comportamentais sérias, desde a mais tenra infância até os seus últimos dias, relevando que antes de tudo, a psicopatia se traduz numa maneira de ser, existir e perceber o mundo (BARBOSA, 2008, p. 170).

Como principais características, podemos enumerar alguns destaques como: agem com muita frieza, são calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores, visam sempre benefício próprio, além de não permitirem em momento algum, a manifestação da culpa ou do remorso. E podem, em alguns casos, tornarem-se agressivos e violentos.

FONTE: PORTAL EDUCAÇÃO

COMPORTAMENTO DO PSICOPATA

O psicopata tende a ser muito ciumento e possessivo. Como tem muita gente que confunde ciúmes com amor, acaba se deixando levar, acha que se o outro está tão preocupado, se fica ligando pra saber onde você está, com quem, que horas volta, e algumas pessoas acabam achando que isso só pode ser amor. Isso pode encantar a pessoa. “olha como ele me ama”. Muitas vezes não é amor, é posse. E sentimento de posse é muito diferente de amor.
Nem todo psicopata é um assassino, mas muitas vezes ele pode ser aquela pessoa que te suga, te deixa até fraco, sem resistência? Se faz de vítima, você fica com dó dele.

FONTE: PSICÓLOGOS EM SÃO PAULO

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS

São mentirosos patológicos. Mentem principalmente para conseguir benefícios ou justificar suas condutas.

Têm comportamento manipulador. E, se forem inteligentes o bastante, os outros não perceberão esse comportamento psicopata.

Não sentem remorso ou culpa. Nunca ficam em dúvida.

Quanto à afetividade, são frios e calculistas. Não aceitam as emoções, mas conseguem simular sentimentos se for necessário.
Não sentem empatia. São indiferentes. E até podem manifestar crueldade.
Têm uma incapacidade patológica para assumir responsabilidade pelos seus atos. Não aceitam os seus erros. Eles raramente procuram ajuda psicológica, porque acham que o problema é sempre dos outros.
Necessitam de estímulo constante. Ficam aborrecidos facilmente.
Gostam de um estilo de vida parasitário.
Eles têm versatilidade para a ação criminal. Eles preferem golpes e delitos que requerem a manipulação de outros.

FONTE: DISCOVERY BRASIL

A ausência de culpa ou compaixão é a marca essencial do psicopata. Isso o leva a cometer inúmeros atos que atentam contra os outros.
O psicopata, tão temido e tido como a culpa de todos os males do mundo, anda entre nós e pode muito bem ser o seu amigo de infância, seu irmão, sua tia ou namorada.
Esse tipo de pessoa não vem com tarja preta na cara e nem com código de barras danificado.
Quem tenta atrapalhar suas vontade está correndo um sério risco para seu bem-estar. Como ele é incapacitado de se colocar no lugar dos outros ou ter compaixão, costuma ter grande dificuldade de se adaptar ao convívio social. Ele desenvolveu a técnica de copiar os comportamentos dos outros e reagir de forma mais automática.

Habilidade principal: ser frio, calculista e agir da forma que julgar adequada - meticulosa, impiedosa, impulsiva... - para conseguir aquilo que deseja. Sem sentimento de culpa, sem rodeios e sem justificativas.

FONTE: PAPO DE HOMEM

Postado por Claudia Sobral

https://www.facebook.com/claudia.sobral.3

terça-feira, 30 de junho de 2015

"TINHA 11 ANOS, VIRGEM. MEU TIO ME PENETROU. ME SENTI SUJA E MINHA MÃE NÃO ACREDITOU"

“Aconteceu em 1996, quando eu tinha 11 anos."


Eu morava em um apartamento com meus pais e minhas irmãs, meu pai havia sofrido um derrame há poucos meses e estava de cama. Eu tinha um quarto só pra mim, mas nesse dia o dividia com a minha avó que estava visitando nossa casa.
Não  lembro  que dia era - era um dia qualquer da semana, um dia comum.

Era madrugada e minha avó e eu dormíamos. De repente alguém entra no quarto  sem acender a luz, eu me assusto e fico calada achando ser um ladrão. Me encolho debaixo das cobertas  tentando  me esconder, mas alguém puxa o edredom e começa a me tocar. As lágrimas rolam em meu rosto, mas eu sequer me mexo. Até hoje não entendo o porquê, mas não  consegui  me mexer. Ele me beija, sobe em cima de mim, abre minhas pernas e então tenta me penetrar. Eu era virgem, era apenas uma menina e nem sabia o que era aquilo. Ele tenta de novo e ainda assim não  consegue. Então força  e eu grito, mas ele impede que meu grito ecoe tapando minha boca - foi horrível. 


Eu não sei quanto tempo ele ficou ali, ele não  disse uma palavra sequer enquanto me penetrava, apenas gemia - e eu chorava - parecia uma eternidade. Finalmente  ele terminou, me beijou novamente  e então falou - nunca me esqueci - "você sabe quem está aqui? Sou eu, seu tio. Fiz isso porque te amo e  sabia que estava preparada e ia gostar".


 Eu em um impulso de raiva o empurrei, ele  esbarrou  na luz, minha avó  abriu os olhos, mas virou para o lado como se nada tivesse acontecido. Olhei pra ele sujo com o meu sangue e senti nojo de mim. Ele abriu a porta e saiu. Me enrolei no lençol e fui para  o banheiro, fiquei muito  tempo sentada no chão  em baixo do chuveiro, queria tirar aquilo de mim, queria limpar aquela sujeira, mas não  podia. 


Amanheci no banheiro com vergonha  de mim, com medo, sem saber  o que fazer. Não podia contar para o meu pai, ele estava doente. Então,  chamei  minha mãe  que me disse "você está louca, menina!". As lágrimas invadiram meus olhos e eu disse  “mãe, a vó viu, pergunta para ela”. Mas, minha avó disse o mesmo - que era loucura minha - e  eu ganhei uma bela surra por isso.
Nunca mais fui a mesma. Parei de estudar aos 13 anos, me envolvi com drogas e bebidas e fiz muito sexo. Queria que alguém me amasse e até hoje acho que através do sexo recebo amor. Nunca consegui me relacionar tranquilamente com ninguém. Sou mãe de 3 filhos de relacionamentos diferentes.
O que isso mudou na minha vida? Tudo.
Sou uma mulher frustrada, obesa, mãe solteira e que ainda assimila sexo com amor. Sou completamente infeliz.
O estupro não violou só meu corpo, violou minha vida e minha alma. Eu era apenas uma menina que queria casar virgem e ser amada e feliz.
Até hoje busco entender o que eu fiz pra causar aquilo, ainda me sinto suja e envergonhada.”

 

Por que publicar esse relato?


Após publicar as histórias das repórteres do Bolsa de Mulher que já foram vítimas de abuso, passamos a receber uma infinidade de relatos tristes. Muitos deles envolvendo abuso sexual de crianças.

Esse é um dos tantos que mexeu com a equipe do site. Porque era uma criança. Porque nenhuma mulher, muito menos uma criança, merece ou é culpada por um abuso. Enxergamos a importância em divulgar essas histórias que chegam a nós, com o consentimento das vítimas e sem identificá-las, para levar o debate de um tema tão importante para nossas leitoras.

A publicação deste e de outros relatos tem como objetivo conscientizar todas as mulheres vítimas de abusos, sejam eles psicológicos, físicos ou sexuais: nós não somos culpadas pelas violências das quais fomos vítimas. Além de também alertar as famílias para uma triste realidade: a maior parte dos abusos sexuais acontecem dentro de casa ou são cometidos por pessoas próximas às vítimas.

É preciso falar mais sobre o tema para sabermos que ele não está tão distante de nossa realidade como muitas vezes pensamos. Todas podemos ser vítimas. Nossos filhos também. Como vamos evitar isso? Tornando essas histórias cada vez mais públicas, humanizando as vítimas e denunciando. Nos tornando conscientes dessa realidade alarmante.

 

Abuso infantil


A pedofilia comumente é caracterizada como abuso sexual infantil, ato ou jogo sexual envolvendo um ou mais adultos e uma criança ou adolescentes. Informações da organização Children’s Rights revelam que, por ano, quase 2 milhões de crianças ao redor do mundo são vitimas da violência doméstica.

Os dados alertam para um grave problema: na maioria dos casos, os agressores estão muito perto dos violentados. Quando falamos de crianças, o problema é ainda maior já que, com menores condições e artifícios de defesa, elas se tornam vítimas mais fáceis e frágeis.

Ainda de acordo com a organização, entre os impactos dessas experiências estão problemas psicológicos e transtornos mentais graves. Além das possíveis consequências físicas, as estrutura psíquica e emocional do indivíduo é completamente alterada e a superação do ocorrido, como foi possível ver com o relato da leitora, difícil e dolorosa.

É por isso que todos aqueles que vivem cercados de crianças ou adolescentes – sejam pais, professores, familiares ou amigos - devem estar sempre atentos. A criança, quando está passando por situações de abuso, dá sinais e é necessário saber quais são eles – e nunca, em hipótese alguma, duvidar de suas confissões.

Baixa auto-estima, ansiedade, agressividade, timidez excessiva e depressão são alguns indicativos de que alguma coisa está indo mal com o desenvolvimento daquele indivíduo. Investigação, acompanhamento e diálogo são essências nesses casos.

 

Como denunciar casos de abuso infantil?

Para denunciar casos de pedofilia é possível ligar gratuitamente no número 100 – disque denúncia nacional da Secretaria dos Direito Humanos do Ministério da Justiça (a mensagem também pode ser enviada por e-mail para disquedenuncia@sedh.gov.br). Além disso, o conselho tutelar da cidade pode ser acionado junto com a realização de uma queixa na Polícia Militar, com a elaboração de um boletim de ocorrência.

 

E você? Já foi vítima de abuso?

Falar sobre as experiências pelas quais passamos é um processo importante para aceitar o que aconteceu e também para superar. Além disso, é muito importante para ajudar outras pessoas a enfrentarem essa situação e conscientizar a população sobre o problema. Foi isso que pensamos ao decidir criar espaço no site para essas histórias. Também queremos saber a sua. Fique à vontade para se abrir. Envie um e-mail para a nossa redação (através do redacao@bolsademulher.com) e compartilhe o que você nunca contou para ninguém. Se você permitir, contamos sua história para outras leitoras, sem nenhuma identificação.

FONTE: BOLSA DE MULHER
 http://www.bolsademulher.com/abusos-sexuais/tinha-11-anos-e-era-virgem-meu-tio-me-penetrou-me-senti-suja-e-minha-mae-nao/?utm_source=facebook&utm_medium=manual&utm_campaign=BolsaFB


quinta-feira, 18 de junho de 2015

MENINAS NEGRAS FEITAS ESCRAVAS DOMÉSTICAS E SEXUAIS NA REGIÃO CENTRAL DO BRASIL

Quando lembramos que o fim da escravidão –  há 127 anos -, o advento da República, e a própria democracia não significaram mudanças nas estruturas do status quo, tampouco oportunidades iguais e justiça à população negra brasileira, ainda há quem chame de exagero, critique tais afirmações e acuse o movimento negro e quem defende políticas reparatórias de “vitimistas”.


Por Douglas Belchior, Com informações do R7 Notícias


Poucas vezes meios de comunicação da chamada “grande mídia” brasileira abrem espaços para a demonstração de quão a sociedade está muito mais próxima da escravidão do que de uma democracia real. Na noite de segunda-feira 15, a Rede Record promoveu um desses momentos de exceção, ao trazer à tona a gravíssima denúncia de opressão de meninas negras quilombolas, tratadas, em pleno ano de 2015, como escravas domésticas e sexuais, na região central do Brasil.

Esse tema, sim, deveria chamar a atenção do Congresso Nacional e de toda a sociedade brasileira, e não a falsa polêmica em torno da redução da maioridade penal e da destruição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que, se fosse efetivado, protegeria a vida e a dignidade da juventude.
Jornalismo da Record revela escravidão doméstica e sexual de crianças negras e pobres
A reportagem revelou ao país a monstruosa realidade a qual crianças negras e pobres da comunidade quilombola dos Kalunga, localizada no território de 3 municípios do Estado de Goiás (Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás), são submetidas há muitos anos.
Empregadas no trabalho doméstico, exploradas no trabalho infantil e escravas sexuais dos patrões, homens brancos. Esta é a realidade vivida por muitas crianças e, ao que parece, desde sempre, ao lado do poder central do país.

Meninas, de 9 a 14 anos de idade, exploradas de todas as formas por aqueles que deveriam protegê-las. Famílias abandonadas e coagidas, estruturas de Conselhos Tutelares e defensores de direitos humanos completamente degradados e frágeis. Descaso de governantes. Uma realidade ainda muito comum em especial nos rincões do nosso país, onde permanecemos no século 19.
“O velho coronelismo interiorano ainda rege nosso município”, diz uma das Conselheiras Tutelares da região. “Não temos formação, preparo e condições de intervir.”

“A gente tem conhecimento de 57 denúncias, mas na verdade a prática da exploração de crianças negras vem de tanto tempo e de uma forma tão ‘normal’ para aquelas pessoas que o número de casos pode ser muito maior”, diz em vídeo Marcelo Magalhães, editor da reportagem.
Para o repórter Lúcio Sturm, a história de Dalila foi a mais forte: “Ela foi escravizada numa casa, chegou a dormir numa casinha de cachorro. Durante 18 anos ela aguentou essa dor de uma criança abusada, explorada, sozinha em silêncio”, relata.

E as palavras da própria ‘Dalila': “Ela só pegou a coberta, jogou pra mim e disse: vai dormir lá na casinha com ele [cachorro]”
O apresentador do programa, Domingos Meirelles, em vídeo de bastidores reconhece: “Eu tenho 50 anos de profissão e não me lembro, ao longo da minha vida profissional, de ter visto uma história tão chocante quanto essa”.

Um ódio, misturado a dúvidas e certezas me agonia o pensamento: como é possível, num país que não alcançou o nível básico de proteção e dignidade à vida de meninas, crianças de 8, 9, 11, 14 anos de idade, discutirmos a destruição da maior legislação de proteção, o ECA? Que espécie de país é esse que naturaliza, banaliza e estimula, por ações e omissões, o estupro coletivo de suas crianças? E que moral têm os senhores engravatados, alimentados por altos salários, corruptos, hereges legislativos que em nome de Deus, da moral, da família, ou mesmo, hipócritas, em nome da história da luta por direitos sociais, “vermelhos-comunais”, que gestam a burocracia, arrotam status, se engalfinham por holofotes e se justificam na burocracia do executivo, dos ministérios, secretarias e conselhos, como o que eu participo, por exemplo – o Conanda – ineficaz, moroso e vergonhoso que é. Que moral?
Talvez a moral do escárnio.
Isso é Brasil: O país do racismo explícito. O país da escravidão continuada.

FONTE: GELEDES

http://www.geledes.org.br/meninas-negras-feitas-escravas-domesticas-e-sexuais-na-regiao-central-do-brasil/#gs.26b21ddaa4164de68ff74f73cfe1807e