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sábado, 14 de junho de 2014

11 FOTOS QUE OS PAIS NÃO DEVEM PUBLICAR NAS REDES SOCIAIS!

Nos dias atuais, as redes sociais estão cada vez mais presentes em nossas vidas e nas de nossos filhos. Muitas vezes nós comprometemos a segurança deles e a nossa ao publicar fotos de maneira ingênua, sem saber ao certo os problemas que isso pode causar!

Os sites Delas e o M de Mulher publicaram recentemente sobre que tipos de imagens devemos ter cuidado em postar  na rede e achei pertinente compartilhar essas informações com vocês!

“O rosto todo lambuzado pela primeira papinha, a folia na hora do banho ou o tablet novinho em folha da criança. São tantas as situações engraçadas ou fofas que os pais compartilham nas redes sociais que fica difícil passar um dia sem topar com essas fotos. Mas internet não combina com ingenuidade. Quem quer compartilhar imagens na rede precisa entender que este é um ato permanente e cheio de riscos”.

Sequestro, pedofilia, buylling e roubo estão entre os riscos aos quais as famílias se expõem ao publicar imagens inadequadas na internet. Confesso que depois de saber disso, apaguei algumas fotos das minhas redes sociais… Afinal, todo cuidado é pouco quando se trata da segurança dos nossos pequenos, não é mesmo?

Vamos à lista!


1)Foto com registro de localização 

Antes de baterem uma foto de seus pequenos, desativem o geolocalizador do celular ou da câmera fotográfica. Ninguém precisa saber quais são os locais que a criança frequenta. Pessoas mal-intencionadas podem usar essas dicas para assustarem vocês quando seus filhos não estiverem em casa. Sabem aqueles trotes que simulam sequestros? Eles ficam muito mais assustadores se a pessoa que estiver ligando tiver informações precisas da vida de seus filhos.




2)   Foto da criança nua e tomando banho 

Posso publicar uma foto do meu filho tomando banho? As partes íntimas do pequeno estão aparecendo? Antes de compartilharem algo assim, pensem três vezes para não se arrependerem depois. Infelizmente, há o risco de pedofilia. Há muitas pessoas mal-intencionadas na internet que ficam procurando imagens de crianças peladas para compartilhar em sites de conteúdo impróprio.




3)   Foto da criança com uniforme da escola 

Evite que estranhos identifiquem a rotina do seu filho, que saibam qual é o nome do colégio que ele estuda e os cursos extras que ele frequenta. Essas informações podem ser usadas em planejamento de sequestro.




4)   Foto da criança em alta-qualidade

A partir do momento em que uma foto cai na rede, perde-se totalmente o controle sobre ela. Fotos em alta resolução, por exemplo, podem ser editadas e usadas com mais facilidade e podem ser utilizadas com muitos propósitos, incluindo propagandas não autorizadas.



5)   Foto da criança com outros amiguinhos 

Jamais publique a foto de outra criança sem a autorização dos pais. A internet é uma rede mundial, por isso, todo cuidado é pouco! Os pais dos amiguinhos podem não gostar e não querer a tal exposição. Fiquem atentas!



6)   Foto da criança no ambiente de trabalho dos pais

Com a divulgação desse tipo de imagem, os usuários, além de saberem quais são os locais que o filho frequenta, saberão também onde os pais trabalham. Todos ficam vulneráveis! Mais uma vez: não divulguem informações da sua vida pessoal. É muito perigoso!




7)   Fotos que vão fazer a criança sentir vergonha no futuro

“Algumas fotos podem ser bonitinhas, mas, no futuro, podem constranger seu filho deixando-o vulnerável para ser alvo de bullying”, aconselha Marcos Ferreira, especialista em segurança da informação da TrustSign, empresa focada em soluções de segurança na internet.



8)   Fotos da criança perto de objetos de valor 

Evitem postar fotos que possam chamar atenção para os bens materiais da família. Ninguém precisa, por exemplo, saber que seu filho ganhou um IPad de presente.



9)   Fotos publicadas em álbum aberto para todos

É ingenuidade acreditar que existe segurança apenas porque o seu perfil só pode ser visualizado por amigos e amigos dos amigos. Quem são os amigos dos seus amigos? Vocês os conhecem? Todo cuidado é pouco.




11)   Pistas da casa da criança:

Evitem fotos em que a fachada da sua casa, o nome da rua ou pontos de referências fiquem evidentes!




11)   Fotos engraçadinhas 

Muito cuidado para uma foto fofa do seu filho não se tornar o próximo meme ou gif da moda. Eles viralizam com muita facilidade!



  
Texto do site justrelmoms.com.br de 14 de abril de 2014.

FONTE: Site Criança a torto e a direitos



terça-feira, 10 de junho de 2014

OUÇA O QUE DIZEM MULHERES QUE SOFRERAM VIOLÊNCIA SEXUAL NA INFÂNCIA

Hoje adultas, elas afirmam que trauma da exploração dura para sempre.


Não há números exatos sobre quantas crianças e adolescentes são vítimas de exploração sexual no Brasil. Segundo estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 100 mil menores de idade, principalmente meninas, são exploradas em mais de 900 municípios do país, quase metade deles no Nordeste. Embora o problema seja de difícil detecção, quem já o sofreu na pele garante: o trauma é real, profundo, e dura para sempre.

Violência durante a vida inteira

Dos 32 anos de Maria do Socorro*, 13 foram de agressão familiar; 12 de exploração sexual, prostituição e uso de drogas, e sete de uma nova vida na reabilitação. "Eu nunca amei", diz ela ao lembrar dos anos em que se prostituiu. Ela conta ter tido seis filhos. Cinco deles foram frutos de abuso e prostituição. "Eles não sabem. Não sabem quem são os pais deles. Nunca contei. Tenho medo de que não entendam, de que me odeiem", diz a mulher que, atualmente, trabalha como zeladora com um novo companheiro, no Ceará. "Estou aprendendo agora [a amar]", diz ela.

Adotada aos três anos, ela conta que fugiu de casa aos 13, depois de cansar de apanhar da mãe adotiva. Nas ruas, ela conheceu uma menina e acabou morando na casa da mãe dela, a cafetina que a levou pela primeira vez pelo caminho da prostituição infantil. "O pior dia foi o primeiro, eu nunca tinha feito aquilo. Foi no dia que cheguei. Eu chorava tanto, eu não queria, ela me obrigou", afirma ela, acrescentando que "foi estupro".

Os clientes eram arranjados pela cafetina e os abusos sexuais ocorriam em matagais na Região Metropolitana de Fortaleza. As adolescentes ficavam com uma parcela pequena do dinheiro pago pelos abusos, apenas o suficiente para comprarem drogas. A maior parte do dinheiro ficava com a proprietária da casa.
"Até que eu engravidei e ela me expulsou. Eu tinha 15 anos."

Ela foi morar em um quarto de taipa, nas ruas, onde mantinha relação sexuais em troca de drogas, mesmo grávida. "Eu vivia suja. Eles [os 'clientes'] não ligavam", conta. "Eu dei meu filho quando ele tinha um mês e 20 dias. Procurei minha mãe e dei pra ela. Eu não queria essa responsabilidade. Até hoje ela cuida dele", afirma Maria do Socorro que, dois meses após o nascimento do primeiro filho, engravidou novamente do mesmo "cliente".

A segunda gravidez trouxe um relacionamento fixo, uma nova rotina e novos vícios. "Eu parei de me prostituir e fui pedir esmolas e comecei a usar crack", diz. Maria do Socorro criou a filha nestas circunstâncias até os cinco anos. "Mas eu perdi a guarda dela porque me denunciaram." Aos 20 e poucos anos e viciada em drogas mais pesadas, ela largou o companheiro, que a espancava, e foi em busca de clientes com mais dinheiro e mais exigentes. Ela passou a se prostituir na Avenida Beira Mar, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza. "Aqui [no bairro em que vive] meus clientes eram velhos e tudo acabava rápido, né? Pagava pouco. Lá [na Beira Mar] não, eles queriam curtir a droga com a gente. Mas também demorava mais, era a noite toda. Quando começava, eu queria era que acabasse logo", conta.

Na Beira Mar, ela se envolveu com um estrangeiro e, como muitas garotas, acreditou que o príncipe dos sonhos lhe daria uma vida melhor. O homem, porém, desapareceu e, depois de um tempo, ela descobriu que estava grávida novamente. "Pra mim foi o fundo do poço. Você grávida de uma pessoa que você nem sabe quem é. Eu nunca engravidei na rua. Era uma vergonha", disse ela, que não sabe o nome ou o país de origem do pai de sua filha.

Após tentativas frustradas de provocar um aborto, ela foi convencida a não dar sua filha para a adoção, e foi levada a um tratamento de desintoxicação na Sociedade da Redenção. A estrada para a recuperação foi árdua, e ela chegou a repetir o ciclo e bater na filha recém-nascida. "Eu entrei em depressão e tinha tanta vergonha. Eu era que nem a minha mãe e eu me sentia triste com isso."

Há um ano e meio, Maria do Socorro encontrou um novo companheiro com quem teve mais um filho, desta vez, planejado e com acompanhamento médico. Os quatro vivem em uma pequena casa afastados do local onde as lembranças eram mais fortes. "Muita coisa ficou, eu não deixo minha filha na rua pra brincar, tenho medo."

Maria do Socorro ainda pretende se reaproximar dos filhos que vivem com sua mãe adotiva. Enquanto isso, ela ainda tenta se entender com o próprio passado. "Minha filha que vive comigo vive perguntando quem é o pai dela. Eu tenho vergonha, eu minto, cheguei a dizer que ele morreu."

Dois dias presa em um ponto de prostituição

Com Joana*, de Pernambuco, a história não começou na violência. Criada pela tia, ela diz não ter tido problemas em casa. Seu problema existia nas ruas e se aproveitava de meninas imaturas que gostavam de brincar desacompanhadas. "Eu gostava de sair, de conhecer o mundo, né", afirmou ela. Na noite de Ano Novo de 2008, com 17 anos recém-completos, a adolescente acompanhou uma conhecida do bairro a outro local. A menina lhe disse que precisava buscar uma troca de roupa para aproveitar o Réveillon. Chegando lá, porém, Joana disse que se deparou com um espaço aberto lotado de homens, e mulheres que faziam programa

"Eu não sabia dos perigos que a rua causava. Achavam que eu estava fazendo programa. Perguntavam se eu queria ficar com eles. 'Você quer ficar comigo? Eu lhe ajudo a voltar pra casa'", reconta ela. Sem crédito no celular, só depois de dois dias Joana conseguiu convencer um dos homens da região a levá-la de volta ao seu bairro. Antes disso, porém, ela diz ter sido obrigada a ficar com quatro homens contra a sua vontade, após sofrer ameaças de agressão e propostas de programas pagos em trocados ou comida. Um dos homens a ameaçou com uma arma e tentou impedir que ela tentasse ligar para a mãe.

Além de notar a presença de outras adolescentes no local, ela diz ter conhecido um estrangeiro por lá. O homem, que segundo ela era alemão, lhe disse que havia escutado várias vezes relatos de outras jovens como ela.

Na volta para casa, com vergonha de enfrentar a mãe, Joana se escondeu na casa de amigas e precisou ser acalmada pelos vizinhos. "Eu era muito aventureira, por isso não avisei minha mãe aonde eu ia. Ela esperou por mim três dias chorando", relembra ela.

Nas ruas de Recife, Joana diz que abordagens de adolescentes por homens adultos são comuns, independente de haver oferecimento por parte delas. Ela afirma que, também com 17 anos, foi parada na rua por homem que lhe ofereceu trabalho. Depois de anotar os dados pessoais dela, ele a conduziu a um suposto escritório, onde tentou fazer com que ela posasse nua para fotos. Ao perceber a armadilha, Joana se recusou e conseguiu fugir, ouvindo do homem que ninguém acreditaria em sua história, se ela a contasse.

"Existem muitas pessoas que não têm nenhum instinto de ser humano. Que esquecem o que é família, o que é vida, o que é criança, o que é uma pessoa perdida", afirma ela. Segundo Joana, esse tipo de pessoa pode se aproveitar de adolescentes imaturas como ela foi um dia. "Principalmente na Copa."

Copa aumenta fatores de vulnerabilidade

Anna Flora Werneck, gerente de Programas da Childhood Brasil, afirma que não é a Copa do Mundo que traz riscos de exploração sexual infantil, "mas alguns fatores da Copa aumentam a vulnerabilidade para que isso ocorra". Ela cita a grande movimentação de pessoas, a antecipação das férias escolares –que dá mais um motivo para os menores de idade ficarem ociosos–, a oferta de bebida alcoólica e o trabalho informal. Além da Copa, esses fatores também aparecem em outros eventos, como o Carnaval, as paradas LGBT e corridas de Fórmula 1. Por isso, segundo ela, o problema não deve ser esquecido a partir de 12 de julho.

Segundo ela, a exploração sexual infantil é móvel. "De certa forma ela é visível, mas é invisível. Você descobre o ponto, divulga, e as redes criminosas rapidamente vão para outro lugar." Apesar disso, diz a especialista, os espaços onde esse tipo de rede pode atuar sempre têm semelhanças, principalmente fatores de vulnerabilidade. Entre eles estão problemas familiares, incluindo maus tratos, e regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, como as favelas e comunidades mais pobres.

São fatores como esse que levam as crianças e adolescentes às ruas, e lá as redes de tráfico de drogas e de prostituição não demoram a encontrá-las.

De acordo com a Childhood Brasil, os efeitos da violência são duradouros. Em pesquisa feita em 2009 com 69 adolescentes resgatadas de situações de exploração sexual, 60,9% delas afirmaram que já pensaram no suicídio. Dessas, 58,1% já tentaram tirar a própria vida. O número é dez vezes mais alto que a média brasileira.

"Quando violência sexual acontece, normalmente outros direitos já foram violados. Para garantir o direito, tem que garantir que a criança não esteja na rua, não está vendendo drogas, não está em situação de trabalho infantil, não está fora da escola, não se sente diminuída, insegura, não está brincando no esgoto."

'Escuridão' é para sempre

A escritora, historiadora e funcionária pública Maura de Oliveira Lobo já nasceu sem direitos. Era a década de 1970, bem antes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e suas primeiras lembranças são de quando ela tinha 4 anos de idade e vivia nas ruas do Rio de Janeiro com a mulher que lhe deu o sobrenome Oliveira. "Não sei dizer onde eu nasci, porque eu não tenho referência dos meus pais. Foi uma mulher da rua que me registrou. Era uma mulher sem paradeiro", reconta Maura, que adotou o sobrenome Lobo após casar pela segunda vez, anos depois de conseguir se emancipar e escapar de uma década de violência emocional, física e sexual.

O problema de Maura não foi a prostituição infantil, mas a pedofilia na residência de uma família que a acolheu aos sete anos com o intuito de fazê-la responsável pelo trabalho doméstico. Após sofrer três anos de violência sexual do pai da família, ela passou outros sete nas mãos do genro dele, que a tratava da mesma forma. Maura só conseguiu sair da tutela da família aos 16 anos, idade em que, naquela época, a pessoa ganhava o direito de ser ouvida pela Justiça.

Hoje, Maura tem a própria família e mantém uma ONG que atende crianças em situação de exploração sexual infantil. "É uma ruptura, é uma maldade tão grande que é para sempre. Para sempre vai se viver numa escuridão dessa lembrança ruim. Eu posso lhe garantir que não tem volta." Ela afirma que é feliz, mas só conseguiu superar o que chama de "escuridão" depois de começar a trabalhar para ajudar a resgatar outras crianças que passam pelo mesmo que ela passou. "É triste ver que a mesma história ainda acontece. Ainda existe muita exploração, muita violência infantil. É como se a gente olhasse para trás e visse o mesmo filme todos os dias", diz Maura.

Apesar de a grande maioria dos casos de pedofilia envolverem familiares, os riscos de casos de exploração sexual infantil durante a Copa do Mundo no Brasil preocupam a escritora. "Não existe uma criança se tornar uma mulher. Não existe. Uma criança é uma criança tanto no seu corpo quanto na sua alma", afirma ela.

"Gostaria que os turistas olhassem para o futebol, olhasse para as belezas naturais, mas nunca que olhassem para essas crianças desejando-as. Que possam olhar para aquela criança e pensar em si próprio. Só quando a pessoa consegue se colocar no lugar do outro ela consegue pensar na dor alheia. Não é possível que três minutos de prazer seja suficiente para destruir o futuro de uma vida."

Ana Carolina Moreno, Diana Vasconcelos e Luna Markman

Do G1, em São Paulo, Fortaleza e Recife

http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/06/ouca-o-que-dizem-mulheres-que-sofreram-violencia-sexual-na-infancia.html