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domingo, 28 de janeiro de 2018

HOMENS ABUSADOS SEXUALMENTE QUEBRAM SILÊNCIO DE DÉCADAS COM AJUDA DE ASSOCIAÇÃO


A "Quebrar o Silêncio" foi fundada a 19 de janeiro do ano passado por Ângelo Fernandes. Já recebeu 84 pedidos de ajuda



Em apenas um ano, desde que foi criada para ajudar homens abusados sexualmente, a associação "Quebrar o Silêncio" recebeu 84 pedidos. A maioria foi vítima durante a infância, mas só teve coragem de denunciar o crime décadas mais tarde.

"Quebrar o Silêncio" foi fundada a 19 de janeiro do ano passado por Ângelo Fernandes para ajudar homens que, como ele, foram vítimas de abuso sexual. Desde então, e em média, todas as semanas recebe mais do que um pedido de ajuda.
Em entrevista à agência Lusa, Ângelo Fernandes contou que foi abusado por um amigo da família quando tinha 11 anos, um segredo que só teve coragem de revelar aos 33 anos quando vivia no Reino Unido e encontrou ajuda numa associação que apoiava homens vítimas destes abusos.
Quando regressou a Portugal decidiu fundar a associação para ajudar outros homens que passaram pelo mesmo problema a partilharem o crime que viveram.
"Até agora, tivemos 84 pessoas que nos procuraram, a maioria homens, mas também familiares ou amigos que acabam também por ser afetados pelo abuso e precisam de algum apoio ou de saber como podem apoiar" as vítimas.
A maioria (80%) procurou ajuda pela primeira vez. "São homens que, em média, passaram 25 anos em silêncio", disse Ângelo Fernandes, explicando que "foram abusados sexualmente na infância" e só conseguiram pedir ajuda já adultos.
A idade média destes homens é de 36 anos, tendo o mais novo 22 e o mais velho 65. Na maioria dos casos, o abuso ocorreu entre os zero e os 11 anos e teve uma duração média de entre três e quatro anos, sendo que há casos que duraram dez ou mais anos.
Segundo Ângelo Fernandes, os longos anos de silêncio devem-se a "uma vergonha imensa" das vítimas causada pelas "estratégias de manipulação" dos agressores, que as fazem acreditar que foram responsáveis pelo abuso, porque o deixaram acontecer ou porque não foram capazes de o evitar.
"O peso dos valores tradicionais da masculinidade" que dizem que o homem tem que ser forte ou que não pode chorar também contribui para que "muitos homens não falem, não partilhem e não procurem apoio".
Há ainda outros fatores, como o facto de muitos homens acreditarem que o abuso sexual só afeta mulheres e que eles são "o único caso" e a ideia de que "os homens são sempre os agressores, nunca vítimas".
"Há uma certa resistência em reconhecer que os homens também são afetados pelo abuso sexual, quando na verdade um em cada seis homens é vítima de abuso antes dos 18 anos", elucidou, sublinhando que todas estas situações fazem com que apenas 16% reconheçam que foram vítimas.
Outra "ideia errada" prende-se com as pessoas pensarem que "os agressores são estranhos". Em cerca de 90% dos casos, o agressor conhecia o rapaz ou a criança, porque era familiar ou conhecido da família. "Foi o meu caso", desabafou, contando que o seu agressor era um "amigo da família, uma pessoa de confiança".
Inicialmente, o agressor cria "uma relação de confiança, de amizade, para que a criança se sinta segura. Depois, tal como aconteceu comigo, vão introduzindo o toque e vão sexualizando gradualmente a relação para que a criança não tenha consciência do que está a acontecer" e até se sinta responsabilizada pelo abuso.
"Eu cresci a achar que tinha sido o responsável e que tinha sido eu até a seduzir um homem de 37 anos quando eu tinha apenas 11 anos", comentou o fundador da primeira associação portuguesa com apoio especializado a estas vítimas.
Além do acompanhamento das vítimas, a associação realiza sessões de sensibilização nas escolas, "onde se abordam temas para lá do abuso sexual".
Os próximos desafios passam por uma maior visibilidade da associação para poder "chegar a mais homens". Os que já pediram ajuda dizem que finalmente encontraram um espaço onde puderam partilhar a sua história e onde alguém acreditou no que diziam, explicou, lamentando que ainda exista "uma cultura de responsabilização das vítimas.
Para assinalar o primeiro aniversário, a associação lança hoje um "guia para homens sobreviventes de abuso sexual" e o vídeo "26 anos em silêncio".
FONTE: DN PORTUGAL

https://www.dn.pt/portugal/interior/homens-abusados-sexualmente-quebram-silencio-de-decadas-com-ajuda-de-associacao-9058972.html



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

BRASIL, O PAÍS DA PEDOFILIA


Dados divulgados pela Polícia Federal, com base em levantamento da ONG Censura, apontam que 76% dos pedófilos do mundo estão no país, onde o crime acontece a cada oito minutos


"Eu tinha dez anos. Minha mãe trabalhava fora e estava sempre viajando. Meu padrasto ficava mais tempo em casa. Ele me criou desde que eu tinha quatro anos. Um dia, invadiu meu quarto, tapou minha boca e me atacou". As lembranças de Andreza, hoje com 30 anos, vêm como um grito tardio de mais uma vítima da pedofilia. A cada 15 segundos uma criança é abusada sexualmente no mundo. No Brasil, o crime se repete a cada oito minutos. As informações foram divulgadas pela Polícia Federal e se agravam com a constatação de que o país concentra 76% dos pedófilos do planeta, além de ser o líder na internet quando o assunto é pornografia infantil.


"Na primeira vez, eu esperei a família se reunir e contei. Tenho uma irmã mais nova e tinha medo que ele fizesse algo com ela também. Mas minha mãe não acreditou. Ele, claro, negou. Ela disse que eu estava inventando, que era coisa da minha cabeça. Foi a brecha para tudo continuar", desabafou. "Ele me abraçava, me beijava e me levava para o quarto. Tirava a minha roupa, tirava a dele, me tocava, se esfregava em mim, passava as partes íntimas dele na minha e se masturbava. Eu tentava escapar, mas ele era muito mais forte. Tentava gritar, mas ele me calava. Sempre dizia que ninguém acreditaria". 

O relato de Andreza se confunde com outros silenciados pelo medo e vividos à sombra da incredulidade. De acordo com a Polícia Federal, na maioria dos casos, o abusador é alguém próximo à vítima, familiares ou vizinhos. Em Pernambuco, somente este ano, foram deflagradas cinco operações de combate em 13 municípios. 

Com a internet e a limitada legislação sobre crimes cibernéticos, a pedofilia ganhou forma de atuação ainda mais difícil de se conter. Começa com uma conversa despretensiosa. Com um clique, a troca de fotos e vídeos está feita. Em apenas um minuto, cresce a estatística. Números que são agravados pela invasão, a cada mês, de cerca de mil novos sites com conteúdo pornográfico infantil.

Pela lei, produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente é crime. Assim como agenciar, facilitar, recrutar, coagir ou intermediar a participação dos menores de idade nas imagens. "O que pouca gente sabe é que trocar esse conteúdo e armazená-lo também são crimes passíveis de prisão. As pessoas não têm noção do que significa pedofilia, mas estamos atuando de forma enfática para inibir esses atos", explica o assessor de comunicação da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, Giovani Santoro. No mercado negro, a imagem de uma criança nua pode valer R$ 1 mil. Um vídeo com cenas de sexo envolvendo menores de idade pode custar até R$ 10 mil. As cifras e os entraves na legislação favorecem a proliferação dos atos criminosos.

De acordo com a Polícia Federal, os pedófilos gastam, em média, sete minutos para atrair a vítima. No entanto, há casos em que a abordagem acontece em apenas um minuto. "Meninas têm dez vezes mais chances de serem alvos que meninos. E, em 99% dos casos, os pedófilos são homens entre 25 e 35 anos", alerta Giovani Santoro.

Entre 2013 e 2014, 500 pedófilos foram presos no Brasil. Em Pernambuco, no mesmo período, foram instaurados 76 inquéritos com 42 mandados de busca cumpridos em 24 cidades com registro de pornografia infantil. Sete suspeitos foram presos em flagrante. No mapa da PF, os estados com maior número de casos registrados são Brasília, Espírito Santo e Rondônia. Pernambuco aparece em 8º lugar no ranking nacional. "Hoje, quando lembro do que houve, sinto como se fosse uma ferida que nunca cicatriza. Em nenhum momento você vai aceitar ou apagar aquilo. Tem gente que pensa em matar, em morrer, mas eu agradeço a Deus por estar bem. Olho para trás e vejo que consegui superar. Casei, construí a minha família, tenho um filho lindo e sigo em paz", conta Andreza. A mãe e o padrasto permaneceram juntos por 20 anos. O relacionamento acabou em 2014. A família vivia, na época, em Vila Rica, Jaboatão dos Guararapes. A mãe ainda não acredita que ele tenha sido capaz de se aproveitar da filha.

Os números divulgados pela Polícia Federal foram apresentados pelo advogado, ex-deputado federal e um dos membros-fundadores do Partido dos Trabalhadores Luiz Eduardo Greenhalgh à embaixada norte-americana em Brasília e são frutos de pesquisa da ONG Censura. De janeiro de 2006 a outubro de 2012, 40,5% do que foi denunciado na internet abrigava conteúdo pornográfico infantil. Foram 224,6 mil endereços citados, neles, 76% dos acessos eram oriundos do Brasil. Nas publicações, 52% continham crimes contra crianças de nove a 13 anos e 12% contra bebês de até três meses de idade (com fotografias). 

Homens, mulheres, jovens, idosos, ricos, pobres, brancos, negros, todos podem ser criminosos em potencial. Não é possível traçar um perfil para a identificação de pedófilos. A Polícia Federal, no entanto, aponta padrões de comportamento que devem despertar a atenção de pais e responsáveis.

Usualmente, os acusados possuem poucos amigos na mesma faixa etária, costumam ter quartos decorados com motivos infanto-juvenis, passam muito tempo com crianças para conhecer seus gostos e atraí-las, são simpáticos, superprotetores e, vez por outra, tocam a criança "acidentalmente". Também é comum que busquem vítimas com pouca ou nenhuma supervisão dos responsáveis. Costumam frequentar locais como shopping centers, parques e praças, além de áreas próximas a escolas. "Na maioria dos casos, eles não matam quando cometem os abusos. O objetivo é outro", explica o Santoro.

Para não serem identificados, optam por computadores de lan houses, usam perfis falsos e negam a idade, nome e endereço. Em muitos casos, se passam por crianças e adolescentes para se aproximar das vítimas. Usam as informações fornecidas pela própria criança para saber como se apresentar. Para atrair, falam sobre comida, cinema, música e roupas até chegar no assunto "pais" e descobrir o horário em que estão em casa. "Eles abordam temas sexuais de forma sutil e delicada para reduzir a inibição e cativar as vítimas. Falam em uma linguagem mais infantilizada. Perguntam onde fica o computador e se tem alguém vendo a conversa dos dois, demonstram interesse pelos problemas das crianças até convencê-las a ligar a webcam para fotografar e filmar. Chegam até a fazer declarações de amor", esclarece o assessor da PF, lembrando que a ameaça vem em seguida. No intuito de calar as vítimas, dizem que podem divulgar as imagens a qualquer momento caso elas contem o que aconteceu. 


FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/08/17/interna_vidaurbana,592228/brasil-o-pais-da-pedofilia.shtml#.WdIwdEDx8Fk.facebook


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

72% DAS GRÁVIDAS ATÉ 14 ANOS APÓS ESTUPRO FORAM VÍTIMAS DESSE CRIME MAIS DE UMA VEZ, DIZ ESTUDO


O estudo do Ministério da Saúde considerou dados de 2011 a 2016


Ao menos sete em cada dez adolescentes de dez a 14 anos que engravidaram como consequência de crime de estupro foram violentadas em caráter repetitivo e por um familiar ou um parceiro íntimo.
As informações constam em estudo preliminar do Ministério da Saúde a partir de notificações contabilizadas em três bancos de dados da pasta: o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, o Sistema de Informações sobre Mortalidade e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação. O estudo completo será publicado ainda este mês.

Segundo a pesquisa, conduzida por profissionais do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e de Promoção da Saúde, do ministério, o país registrou 4.262 casos de estupro em adolescentes e que resultaram em gestações e nascimentos no período entre 2011 e 2016. O número se refere ao chamado estupro de repetição, ou seja, crimes dessa natureza praticados contra a vítima reiteradas vezes, ainda que não pelo mesmo agressor.
Desse total, 1.875 vítimas de estupros repetidos, com idades de dez a 14 anos, deram à luz. Outras 2.387 jovens de 15 a 19 anos, também vítimas de estupro reiterado, tiveram filhos após violência sexual.

Os números

De acordo com o levantamento, entre 2011 e 2016, foram notificados 3.266 estupros de adolescentes de dez a 14 anos que foram mães --o número abarca vítimas de estupros reiterados ou não. Em 68,5% dos casos (2.324), o agressor foi familiar ou parceiro íntimo. Em 72,8% dos casos (1.875), o estupro tinha caráter repetitivo.
Entre as adolescentes de 15 a 19 anos, o número de notificações foi maior: 6.201, 37,7% delas (2.418), com autor na própria família ou parceiro. O percentual de casos reiterados foi menor: 44,1% dos casos (2.387).
Dos bebês nascidos vivos de mães de dez a 14 anos com notificação de estupro entre 2011 a 2016, 53,4% iniciou o exame pré-natal no primeiro trimestre de gestação --quando esse tipo de acompanhamento médico-obstétrico deveria se iniciar ainda antes da concepção e até o pós-parto, em um período de 45 dias após o nascimento do bebê.
Entre as mães adolescentes pesquisadas, a maior parcela delas na faixa de dez a 14 anos reside no Nordeste (37,6%) e no Sudeste (26,3%), é negra (67,5%) e solteira (74,7%). O estudo identificou 23,2% de casadas ou em união estável.
Já entre as mães adolescentes de 15 a 19 anos, residentes especialmente no Sudeste (33,1%) e no Nordeste (32,7%), negras ainda são maioria (63,3%), ainda que o percentual de solteiras seja menor (61,7%), e o de casadas ou em união estável, maior (36,8%).

"Nossa discussão é de saúde pública, não de religião", diz consultora

Para Cheila Marina de Lima, consultora da área técnica de Vigilância de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde, e que atuou no levantamento, os números de mães adolescentes que engravidaram após estupros repetidos é chocante.
"O que se vê hoje no Brasil é um movimento de enfraquecimento do direito ao aborto legal. Sabemos que essas meninas não tiveram acesso nem à contracepção de emergência [pílula do dia seguinte, por exemplo] e nem ao aborto legal. A gente precisa voltar a discutir isso com mais vigor. O Estado tem que dar uma resposta mais adequada", considerou.
Na avaliação da consultora, existe atualmente uma discussão conservadora na sociedade que afeta até serviços públicos que deveriam orientar as vítimas de estupro para as situações em que o aborto é a alternativa permitida e/ou indicada ao caso. 
"Nossa discussão é só no âmbito da saúde pública, e não de religião A ou religião B. Mas o que se nota é que até o profissional tem resistência de dar esse tipo de orientação, e eles precisam ser sensibilizados sobre isso. Há também que se fortalecer e instrumentalizar as nossas redes de atenção e de referência a essas adolescentes, além de mobilizarem os profissionais que nelas atuam, pois os serviços de saúde são a grande porta de entrada dessas vítimas de estupro", apontou.
A consultora do Ministério da Saúde, no entanto, ressalva: a rede de atenção à vítima de estupro não é atribuição única da saúde, "mas também dos conselhos tutelares e das delegacias da criança e do adolescente, por exemplo". "É muito doído e muito triste ver que grande parte dessas meninas sofre violência de repetição --imagine a dor de sofrer isso em casa dia a dia sem ter a quem recorrer?"

Faltam delegacias especializadas, diz o Condepe


Integrante do CONDEPE(Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana) e referência em direitos da infância e juventude, o advogado Ariel de Castro Alves avalia que os dados do estudo demonstram "o quanto as crianças e adolescentes estão desprotegidas".
"Boa parte das violências sexuais ocorre nos ambientes familiares e é praticada nas residências das vítimas e por pessoas que deveriam protegê-las, como pais, padrastos, padrinhos, entre outros. Em razão de a violência ocorrer em ambiente doméstico e da impunidade, é que as situações se tornam repetitivas e reiteradas", definiu.
Alves criticou ainda a falta de delegacias especializadas de proteção de crianças e adolescentes no país. "Inclusive, São Paulo é o único Estado que não tem nenhuma dessas delegacias", observou.
"São necessários centros de referências especializados de apoio às vítimas, com assistência social e psicológica, e também educação sexual nas escolas, visando à prevenção, além do reforço ao Programa Saúde da Família e de centros médicos de referência para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, inclusive para os casos de aborto legal", completou.
Sobre os casos de meninas de dez a 14 anos casadas ou em união estável elencadas na pesquisa, o representante do Condepe afirmou: "Muitas vezes, as meninas de menos de 14 anos são casadas informalmente ou namoram adultos e têm filhos. Isso demonstra a necessidade de educação, prevenção e atenção social. Não adianta tratar esses casos só no âmbito policial, criminal e judicial".

FONTE: JORNAL FLORIPA

http://www.jornalfloripa.com.br/mundo/noticia.php?id=48602619