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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

'ABUSO SEXUAL NÃO ACONTECE SÓ COM FORÇA FÍSICA’, DIZ PEDAGOGA

Em parceria com a Chilldhood Brasil, conversamos com pedagogas especialistas no assunto para dar luz ao tema da violência sexual infantil, e empoderar não só as famílias, mas também as crianças.



A máxima “meu corpo, minhas regras”, comumente associada às causas feministas, pode e deve ser aplicado ao universo da criança. É só pensar em quantas vezes em um só dia as crianças são submetidas a algum tipo de proximidade corporal com pessoas com quem têm pouca ou nenhuma intimidade. Por isso, dar luz a este assunto é de importância crucial para empoderar as famílias e as próprias crianças contra a violência. Em parceria com a Childhood Brasil, conversamos com especialistas no assunto.
Ainda que de forma inocente e desprovida de qualquer má intenção, é comum que desconhecidos se aproximem das crianças, oferecendo beijos, abraços e carinhos. Porém, é preciso ficar atento ao que esses gestos podem vir a significar.
Um relatório da Childhood sobre violência sexual na infância publicado em setembro de 2016 revela que, entre 2012 e 2015, foram registrados mais de 157 mil casos de violência sexual (que engloba tanto a exploração quanto o abuso) de crianças e adolescentes. Isso significa que, a cada uma hora, há pelo menos 4 casos de uma criança ou adolescente sexualmente violentada no Brasil.

A diferença entre carinho e violência se resume em uma palavra: consentimento

Isso quer dizer que se a criança permitir ser tocada e abraçada, está tudo bem? Nem sempre. Outra questão tem importância crucial aqui: o conhecimento sobre os limites de seu corpo. A criança precisa entender o que é afeto e o que é violência para poder se defender, principalmente para aprender a dizer ‘não’ e saber detectar atitudes abusivas de pessoas próximas.
E como fazer isso? De acordo com os especialistas, a saída está no diálogo aberto. Ou seja, se o sexo ainda é um tabu na sociedade, é preciso tirar essa sombra pelo menos dentro de casa e na escola.
Caroline Arcari, presidente do Instituto CORES, é pedagoga e educadora sexual. Para ela, é preciso quebrar o mito de que educação sexual erotiza a criança antes do tempo: trata-se, ao contrário, de permitir a ela experenciar a infância de forma plena.
“A educação sexual é a forma mais eficaz de prevenção da violência sexual. A Organização Mundial de Saúde já comprovou, ao analisar mais de mil relatórios sobre os efeitos da educação sexual no comportamento de jovens, que quanto mais informação de qualidade sobre sexualidade, mais tarde os adolescentes iniciam a vida sexual. Quanto menos informação, mais precocemente se inicia a vida sexual”, defende.
A pedagoga idealizou, em 2015, o livro “Pipo e Fifi”, que explica às crianças de forma lúdica e com texto acessível as diferenças entre carinho e abuso sexual, e alerta também para o fato de que na maioria das vezes o abuso parte de alguém que a criança conhece e em que ela confia.
“Precisamos superar o mito de que o abuso sexual acontece com o uso da força física, de forma agressiva e pontual, ele pode acontecer mesmo com o consentimento da criança ou do adolescente. Aliás, na maioria das vezes, o consentimento acontece, já que o adulto que comete o abuso o faz por meio da sedução, do convencimento, das trocas, das ameaças e dos toques abusivos disfarçados de afeto. Então, a criança permite (consente) a violência sexual, seja por medo, confusão, imaturidade e até por confiar e/ou amar o agressor (quando este é da família)”.

 “Pipo e Fifi” é uma obra internacionalmente premiada, que ensina as crianças a identificar comportamentos abusivos, além de apontar caminhos para a busca de ajuda em caso de violência sexual. Traduzido para quatro idiomas, com mais de 100 mil cópias distribuídas gratuitamente, o livro está disponível para leitura no site do projeto. Lá, há também outros materiais para download gratuito, para instrumentalizar pais e educadores.

Considerando que a questão nem sempre é clara para quem está no dia a dia com as crianças, é importante não perder de vista que pequenos gestos podem ressignificar o modo como a criança percebe o seu corpo. Caroline aponta algumas alternativas para empoderar os pequenos sobre o abuso:
A possibilidade de escolha

“É importante que as crianças sintam que podem fazer escolhas em coisas simples, dentro de limites estabelecidos pelos pais: roupas, atividades, um passeio, um programa de TV”, sugere.
 Não forçar a criança a abraçar ninguém

“Oferecer alternativas para a criança se relacionar com outras pessoas, sejam parentes ou não, é uma forma de não forçar o contato físico e ainda ensiná-la a ser cortês e simpática”, indica a pedagoga.

Seguir as próprias regras de consentimento

“Os adultos são um modelo de comportamento para as crianças. De nada adianta seguir os passos acima se os próprios adultos não pedem permissão para tocar as crianças, se ignoram a palavra “não” e “pare”, ou se forçam contato físico das crianças com outros adultos. Consentimento se ensina pelo diálogo, mas também pelo exemplo dos adultos”.
O Catraquinha conversou também com a psicóloga Isabel Gervitz, do Toda Criança Pode Aprender, plataforma de conteúdos e referências sobre educação infantil que desenvolveu uma série para empoderar pais e educadores sobre sexualidade infantil, dividida em três partes – clique aqui para ler a primeira.

O limite entre afeto demonstrado de forma física e abuso sexual pode ser muito tênue. Qual o fator determinante para separar uma coisa da outra?

Para a criança, o afeto está muito ligado às sensações físicas, pois ela se relaciona com o mundo de forma mais concreta do que os adultos. A maioria de seus conhecimentos vem do que ela capta através dos sentidos e a abstração é conquistada gradualmente. Justamente por isso, para ela o aspecto físico relacional é importante. Cabe muito mais ao adulto do que à criança identificar o tipo de interação física adequado.
Alguns questionamentos podem ajudar a pensar sobre isso: O contato que está ocorrendo é algo que precisa ser mantido em segredo ou é socialmente aceitável? A criança demonstra reações emocionais ou físicas exageradas frente a essa interação? Há algum tipo de angústia que acompanha o contato físico?

Sabemos que crianças são indivíduos muitas vezes com poucas escolhas, uma vez que são os adultos que definem por elas o que vão comer, vestir, quais lugares vão frequentar. No caso das relações interpessoais, como isso se dá?

O grau de autonomia da criança é variável de acordo com sua idade e com a as características particulares da relação com os adultos responsáveis por ela. No caso das relações interpessoais, isso é semelhante.
É importante estabelecer uma relação de confiança com a criança, permitindo que ela faça suas escolhas e tenha autonomia. Mas também é fundamental acompanhá-la, procurando conhecer as pessoas com quem ela interage e conversando com ela sobre suas atividades e sobre como se relaciona com essas pessoas (o que fazem juntas? Como brincam ou de quê? etc).
Podemos e devemos mediar as relações da criança com as outras pessoas? Como fazer isso sem ferir a individualidade da criança?

Não se pode conceder à criança o mesmo grau de autonomia que seria dado a um adulto, pois ela ainda não tem como arcar com as responsabilidades que isso acarreta e nem é esperado que o faça.
Também não tem discernimento para decidir até que ponto sua relação com outras pessoas é saudável, quais os limites que precisa ter etc. A infância é um período de experimentação e de exploração e, para que isso ocorra, é preciso que haja algum adulto que zele pela segurança da criança.

Considerando que o abuso na maior parte das vezes parte de pessoas próximas da criança e da família, qual o melhor caminho para empoderar a criança em relação ao contato físico sem consentimento?

É possível empoderar a criança, mas há limites consideráveis nesse empoderamento. De forma geral, quem tem a capacidade de prevenir ou mesmo interromper uma situação de abuso é o adulto responsável pela criança.
De qualquer maneira, é possível conversar com a criança sobre a importância dos cuidados com seu próprio corpo, indicando que ela pode recusar alguns tipos de carinho ou contato que não tenha vontade de ter e mostrando que algumas partes do corpo são muito íntimas e não devem ser tocadas por qualquer pessoa. Esse diálogo cabe quando o adulto possui uma relação de vínculo e confiança com a criança e precisa ser delicado e adequado à linguagem infantil, caso contrário não fará sentido para ela, podendo assustá-la e angustiá-la.
Outra possibilidade é explicar à criança que nem sempre os outros sabem que a estão machucando ou tendo um tipo de contato físico que ela não gosta e que nessas ocasiões é importante que ela diga algo, colocando seu limite ou pedindo ajuda.

A questão do abuso sexual faz parte de um guarda-chuva de assuntos ainda tratados como tabus em muitos âmbitos, como o sexo e a relação com o corpo. Como naturalizar o assunto, tanto na escola quanto em casa?

O cuidado com o próprio corpo, bem como a auto-observação sobre as reações físicas e emocionais que o contato com outras pessoas gera são extremamente importantes. Na verdade, o que é mais efetivo para que a criança seja capaz de cuidar de si mesma é um convívio diário com essa questão. Isso é oportunizado em muitos momentos do cotidiano, como em situações de higiene, nas relações com outras crianças e com adultos, ao relaxar na hora de dormir, ao realizar atividades físicas como correr, nadar, dançar, pular.
Vivenciar diversas sensações físicas e tentar percebê-las e descrevê-las pode promover uma intimidade maior da criança com seu próprio corpo. Ao se expressar corporalmente, ela irá perceber gradualmente seus limites, os contatos que gosta e os que não gosta, tornando-se muito mais apta a reparar quando algo não vai bem. Poder falar sobre as reações e sensações corporais com os adultos de referência também é uma forma de manter o canal de diálogo aberto, permitindo que ela peça ajuda quando necessário.

CHILDHOOD BRASIL E CATRAQUINHA PELO FIM DA VIOLÊNCIA SEXUAL


Criada em 1999, a Childhood Brasil é uma organização social brasileira que trabalha para influenciar a agenda de proteção da infância e adolescência no país. A organização tem o papel de garantir que os assuntos relacionados ao abuso e a exploração sexual sejam pauta de políticas públicas e privadas oferecendo informação, soluções e estratégias para os diferentes setores da sociedade. Por entender que este é um tema fundamental para o empoderamento das famílias, o Catraquinha se juntou à organização para luz a essa discussão. 

FONTE: CATRAQUINHA

https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/defender/indicacao/abuso-sexual-nao-acontece-so-com-forca-fisica-diz-pedagoga/

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

MENORES DE 15 ANOS SÃO FORÇADAS A SE CASAR A CADA 7 SEGUNDOS

Além de alertar para o casamento infantil, a organização fez um ranking mostrando quais são os melhores e os piores países para uma menina viver


Quem vive longe dessa realidade costuma pensar que o casamento infantil não é mais uma prática comum hoje em dia. Mas os dados divulgados esse mês pela instituição britânica Save the Children apontam o contrário. A cada sete segundos uma menina menor de 15 anos é forçada a se casar ao redor do mundo.
Há pouco mais de três anos, em setembro de 2013, o mundo se chocou com a morte de Rawan, uma menina de oito anos que foi forçada a casar com um homem de 40.
A criança faleceu logo após a lua de mel, pois teve ferimentos profundos no útero, recorrentes de estupro. Ela morava no Iêmen e foi vendida pelo padrasto, por cerca de 6 mil dólares.
Mas o caso de Rawan é exceção à regra. Não pela violência sofrida, mas pelo fato de o caso ter sido noticiado ao redor do mundo. Casamentos infantis – seguidos de estupro e todo tipo de violência – estão longe de ser incomuns, mas a gente prefere fechar os olhos para isso.
Junto com o Iêmen, países como Afeganistão, Índia e Somália estão no topo da lista entre os locais onde a prática é assustadoramente corriqueira. Na época em que Rawan morreu, um levantamento realizado pelo Human Rights Watchrevelou que cerca de 52% das meninas se casam antes dos 18 anos no Iêmen, e 14% antes dos 15.

Mas não se engane, pois o casamento precoce também é uma realidade no Brasil, como retratou a revista Claudia numa reportagem realizada no início desse ano.
Segundo a matéria: “O Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em número absoluto de crianças casadas. As esposas de 10 a 14 anos são 65 709; delas, 2,6 mil firmaram compromisso em cartório e/ou igreja.”
Voltando ao relatório da Save the Children, a instituição destaca o fato de que o matrimônio infantil contribui não apenas para a violência sexual e doméstica, mas também para os índices de menor taxa de escolaridade entre mulheres.
A gestação precoce também aumenta o número de mortandade entre as meninas, pois grande parte delas engravida antes de ter o corpo totalmente formado e morre por causa disso.
Além de alertar para o casamento infantil, a organização fez um ranking mostrando quais são os melhores e os piores países para uma menina viver. Mais de 140 países foram avaliados com base em dados como: índices de matrimônio precoce, gravidez na adolescência, mortalidade materna, mulheres com ensino fundamental completo e representatividade feminina na política. O Brasil figura no 102º lugar da lista, ficando numa posição pior do que países como Paquistão e Iraque.

FONTE: Exame

http://exame.abril.com.br/mundo/menores-de-15-anos-sao-forcadas-a-se-casar-a-cada-7-segundos/ 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os tristes números do casamento infantil no mundo


São Paulo – A Unicef, o braço da Organização das Nações Unidas que monitora a situação da infância no mundo, divulgou recentemente um relatório impactante sobre o casamento infantil e que trouxe à tona previsões desastrosas, especialmente para as meninas na África
Até 2050, mostrou o estudo, se nada for feito para mudar esse panorama, o número de mulheres adultas que se casaram ainda na infância atingirá a marca de 310 milhões.
De acordo com a entidade, a lentidão na redução da taxa deste tipo de união associada ao crescimento demográfico acelerado no continente são os fatores responsáveis por esse número assustador. 
A tarefa de redução desse fenômeno promete não ser nada fácil. De acordo com um estudo conduzido pela Unicef em 2005 e que investigou as origens desse problema, o casamento infantil é visto como culturalmente aceito em muitas tribos do continente. A pobreza é outro fator determinante desse retrato, já que muitas famílias acabam enxergando nos casamentos uma forma de renda. 
Os efeitos dessa prática são nefastos. Ainda nessa pesquisa, a Unicef constatou que a maioria das esposas casadas na infância ou adolescência estão mais expostas à violência doméstica, a maioria delas não conhece métodos contraceptivos e muitas sequer sabem como se proteger de doenças e estão particularmente vulneráveis a serem infectadas pelo HIV. 
O panorama desse problema é sombrio. No infográfico abaixo, EXAME.com mostra alguns dos números que comprovam a gravidade dos casamentos infantis. 
FONTE: EXAME
http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/os-tristes-numeros-do-casamento-infantil-no-mundo


ABUSO SEXUAL INFANTIL: O QUE OS DESENHOS SÃO CAPAZES DE REVELAR


NÚMEROS NO BRASIL

De acordo com informações da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania, o Disque 100, somente nos primeiros quatro meses deste ano, recebeu quase 5 mil denúncias sobre exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes.
São Paulo tem a maior quantidade de registros, com 796 reclamações, 16% do total nacional. Em seguida, estão a Bahia, com 447 registros; Minas Gerais, com 432 casos denunciados; e o Rio de Janeiro, com 407.
A maior parte das vítimas é do sexo feminino. A distribuição etária é variada: 31% das denúncias indicam violência sexual contra adolescentes de 12 a 14 anos, 20% das denúncias se referem a adolescentes entre 15 e 17 anos, e outros 5,8% de crianças entre 0 e 3 anos. Há relatos em todas as faixas etárias.

Os suspeitos, em sua maioria, são homens (60%). Grande parte das denúncias indicam casos que aconteceram no ambiente familiar: os denunciados são a mãe (12,7%), o pai (10,54%), o padrasto (11,2%) ou um tio da vítima (4,9%). Das relações menos recorrentes entre o suspeito e a vítima são listados também professores, cuidadores, empregadores, líderes religiosos e outros graus de parentesco.  

Como identificar se uma criança foi vítima de abuso sexual
Seja revelando claramente através das palavras, por meio de alterações no comportamento ou até mesmo por desenhos, a criança sempre mostra algum sinal do abuso. Geralmente, ela se sente de alguma forma culpada e preocupa-se com a consequência das suas informações para si ou para a sua família.

Em 2010, uma exposição organizada em Palma de Mallorca, Espanha, reuniu 18 desenhos de crianças e adolescentes com idades entre 5 a 15 anos, que em algum momento de suas vidas foram vítimas de abuso. A exposição fez parte da campanha  “Los monstruos de mi casa (Os monstros da minha casa),  realizada na ocasião do lançamento do documentário, que reúne testemunhas e experiências de pessoas que sofreram abusos na infância.

COMO DENUNCIAR CASOS DE VIOLÊNCIA SEXUAL

Em situações de suspeita ou confirmação de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes, ou especificamente de violência sexual (abuso ou exploração sexual) você deve fazer uma denúncia. Saiba onde fazê-la:

Disque Direitos Humanos – ligue 100 – A Secretaria de Direitos Humanos recebe denúncias de forma rápida e anônima e encaminha o assunto aos órgãos competentes em até 24 horas. A ligação é gratuita, anônima e com atendimento 24 horas, todos os dias da semana.

Delegacias Especializadas – Em diversas cidades do País existem delegacias especializadas em crimes contra crianças e adolescentes. Caso não haja uma delegacia especializada em sua cidade, dirija-se à delegacia comum mais próxima para encaminhamento de queixas e denúncias.

Conselhos Tutelares – Os Conselhos Tutelares são órgãos que zelam pelo cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes. Veja a lista completa de conselhos tutelares no portal da Secretaria de Direitos Humanos: Http://www.sdh.gov.br/assuntos/criancas-e-adolescentes/cadastro-nacional-dos-conselhos-tutelares-2. Em município onde não há Conselhos Tutelares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias.

CREAS / CRAS – Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) realizam o atendimento básico à população em geral e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) oferecem o atendimento direto e especializado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Localize as unidades por estado ou município no portal do Ministério de Desenvolvimento Social e faça a denúncia. Em São Paulo: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/assistencia_social/cras/index.php?p=1906
Ministério Público – Em relação a infância e juventude, o Ministério Público de todo Estado conta com um Centro de Apoio Operacional (CAO) – que pode e deve ser acessado na defesa e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Polícia Rodoviária Federal – O Disque 191 é o telefone nacional e gratuito da Policia Rodoviária Federal e recebe denúncias de casos de violência e exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas brasileiras. O atendimento é 24 horas, todos os dias da semana.

Polícia Militar – O 190 é o telefone da Policia Militar, para ações emergenciais. A ligação é gratuita e com atendimento 24 horas, todos os dias da semana.

Crimes contra os direitos humanos na internet – A Safernet é uma organização social que recebe denúncias de crimes que acontecem contra os direitos humanos na internet, incluindo pornografia infantil e tráfico de pessoas. Acesse:  http://new.safernet.org.br/denuncie

Aplicativo com números e endereços de instituições do Sistema de Garantia de Direitos – O Proteja Brasil é um aplicativo para smartphones e tablets criado para facilitar denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Por meio dele, é possível obter os telefones e endereços de delegacias, conselhos tutelares e outras instituições do sistema de garantia de direitos mais próximos de você. Acesse: www.protejabrasil.com.br

123 Alô: a voz da criança e do adolescente – serviço que permite que você seja ouvido quando quiser dizer o que sente e o que pensa. É um importante canal de diálogo com crianças e adolescentes que muitas vezes não tem que com quem conversar sobre assuntos delicados e individuais. Esse serviço funciona por telefone se você estiver no Rio de Janeiro, ou por chat se você estiver em qualquer lugar do mundo. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 9h até 13h e de 15h às 19h. Nos sábados, domingos e feriados, o atendimento não funciona. Clique aqui para conhecer mais sobre esse serviço.

Por Clarissa Meyer

FONTE: PAPO DE MÃE

http://www.papodemae.com.br/2016/09/11/abuso-sexual-infantil-o-que-os-desenhos-sao-capazes-de-revelar/

sábado, 20 de agosto de 2016

A MENINA QUE PENSAVA QUE SEU NOME ERA 'IDIOTA' E OUTROS CASOS CHOCANTES DE ABUSO INFANTIL NOS EUA

Quando os empregados do Departamento de Serviços Humanos do Arkansas examinaram uma menina de 4 anos, a única conclusão possível era de que ela havia sofrido abuso.
A menina tinha "vários hematomas nas nádegas, na parte baixa das costas e nas pernas; inchaço na bochecha direita, um machucado na testa, lesões no processo de cicatrização nas costas e sangue seco no canto da boca", segundo o informe da polícia da cidade de Hot Springs.

Ela também tinha "marcas nos pulsos que indicam que foi amarrada e parecia desnutrida".
Segundo o relatório da polícia, quando perguntaram o nome da menina, ela respondeu que se chamava "idiota".
O namorado da mãe da criança, Clarence Reed, admitiu posteriormente que a chamava desse jeito, mas alegou que "era apenas uma brincadeira".

Delitos graves

Segundo o jornal The Sentinel Record, de Arkansas, "outro menor na residência confirmou que a menina havia sido amarrada e que a chamavam de idiota".

A menina agora está sob custódia dos serviços sociais do Estado e tanto sua mãe, Jennifer Diane Denen, de 30 anos, quanto seu namorado, Clarence Eugene Reed, de 47, foram presos.
Ambos estão sendo acusados de cometer delitos graves de violência doméstica em primeiro grau, permitir o abuso de um menor e pôr em risco o bem-estar físico de um menor em primeiro grau.
Se condenados, eles podem pegar até 20 anos de prisão. O juiz determinou uma fiança de US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) ao casal, que deve ir a julgamento na próxima terça-feira, 23 de agosto.

Segundo o The Sentinel Record, eles dizem que amarraram a menina para impedi-la de subir em móveis.
A imprensa local informou que, durante o interrogatório da polícia, a mãe afirmou que "viu Reed bater nas nádegas da menina de 4 anos com um bastão de plástico".
Outras crianças da casa indicaram que a mãe havia dito a eles que Reed amarrava a menina na cadeira usando tiras de plástico.

Assim como informa o jornal Washington Post, um porta-voz do Departamento de Polícia de Hot Springs disse que na casa moravam seis crianças, todos filhos de Denen.
Apenas o menor, um bebê de 11 meses, é filho dela e de Reed.

"Em todo o país"

O caso do Arkansas, muito noticiado pela imprensa americana, não é o único que comove o país.
Em julho, um policial da cidade de Franklin, em Ohio, encontrou uma criança de sete anos vendendo seu ursinho de pelúcia em frente a uma loja.
Quando o policial se aproximou do menino, ele disse que não comia havia dias.

Outros policiais foram à casa da criança e encontraram seus dois irmãos vivendo em "condições deploráveis", disse o chefe da polícia de Franklin, Russel Whitman, ao jornal local Journal News.
O informe da polícia indicou que os pais criaram "um risco substancial de saúde e segurança ao descuidar da limpeza da residência, ter grande quantidade de micróbios e comida podre em toda a casa."
Também foram denunciados "por não ter alimentos preparados de forma apropriada e empacotados para que as crianças comessem e permitir que uma criança de sete anos perambulasse longe da casa sem sua permissão ou conhecimento, em uma tentativa de localizar comida."

egundo Whitman, os pais da criança, Tammy e Michael Bethel, foram detidos e acusados de cinco crimes de negligência contra crianças.
Eles alegaram ser inocentes, informou a agência de notícias AP. A audiência com a Justiça está marcada para setembro.
Além disso, os cinco filhos do casal foram colocados sob custódia dos serviços sociais do condado.
De acordo com o chefe de polícia, esse tipo de caso não é isolado.
"Os policiais veem isso por todo o país, todos os dias", disse Whitman ao Jounal News. "Em qualquer departamento de polícia do país você pode encontrar histórias como essa", acrescentou.

1 de cada 4

Um relatório do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), mostrou que em 2014 houve 702 mil vítimas de abuso ou negligênca infantil reportados aos serviços de proteção à infância.

"As crianças pequenas são as mais vulneráveis", disse o relatório. "Quase 27% das vítimas têm menos de 3 anos de idade."
E acrescenta que "cerca de 1.580 crianças morreram de abuso ou negligência em 2014".
Mas o órgão admite que essas cifras poderiam ser muito mais altas devido aos casos de abuso infantil que nunca chegam a ser registrados.

Os EUA têm um dos piores índices de abuso infantil do mundo desenvolvido.
Estudos independente calculam que uma em cada quatro crianças experimentam algum tipo de abuso ou negligência ao longo da vida no país.

FONTE: BBC BRASIL

 http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37135428?ocid=socialflow_facebook

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

POR QUE SÓ FALAMOS DE HOMENS PEDÓFILOS? MULHER TAMBÉM COMETE PEDOFILIA?


Em suas memórias de infância, Colin (nome usado pela BBC para preservar a imagem da vítima) tem o abuso cometido por sua mãe. Ele conta que até os treze anos sofreu com seus atos criminosos no banho, em sua cama e durante a noite. Os traumas só foram aparecer na adolescência, aos 14 anos, quando o menino começou a sofrer ataques de pânico e a usar drogas. “Eu não conseguia dormir de noite e sempre imaginava minha mãe em cima de mim. Não conseguia manter empregos e tinha medo de garotas”, conta Colin, vinte anos depois do ocorrido.

Para o garoto, o fato de sofrer abuso de sua mãe, tornou a prática mais difícil de ser identificada. “Eu achava difícil até dizer que aquilo era abuso sexual, por conta da forma que a sociedade enxerga as mães. 99% delas amam seus filhos, mas eu fui azarado e tive uma que não me amava”. A mídia expõe a pedofilia de uma forma tão caracterizada, que o que mais impressiona na história de Colin é o fato de uma mulher ter sido a abusadora.

Segundo Steve Bevan, que tem há 20 anos um grupo de ajuda para homens vítimas de todo tipo de abuso sexual, Colin não está sozinho nesse trauma. Bevan conta que atualmente ajuda 18 homens em seus encontros. Cinco deles relataram abuso por homens e mulheres e três deles apenas por mulheres. “Durante os anos tivemos muitos homens abusados por mães, irmãs, tias e babás”, comenta. Bevan ainda revela que é muito difícil admitirem que sofreram algum tipo de abuso, porque isso desafia a ideia de masculinidade.

Assim como os homens, as mulheres podem cometer diversos crimes sexuais, inclusive estupro. Na opinião dos especialistas, a prática é bem mais comum entre homens do que mulheres. Segundo um importante estudo dos EUA nos anos 80, 20% dos abusos contra meninos e 5% contra meninas, foram realizados por mulheres. As vítimas podem, posteriormente, manifestar raiva através de violência contra esposas e namoradas. 

O que ocorre muitas vezes é que as mulheres que cometem os abusos não enxergam delito no que fizeram. “Elas diriam que não é tão ruim quanto quando um homem comete, dizem que fazem com amor, ao contrário de um homem, que é violento”, diz Michelle, fundadora da Kidscape, organização especializada em proteção de crianças vítimas de abuso. “Outra questão controversa é o fato das pessoas pensarem que se as mulheres abusaram, é porque os meninos pediram”, completa.

http://www.jornalciencia.com/por-que-so-falamos-de-homens-pedofilos-mulher-tambem-comete-pedofilia/

BRASIL TEM QUASE 2 MIL PONTOS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL

Mapeamento da Polícia Rodoviária Federal aponta o Sudeste e o Nordeste como regiões mais críticas. Reportagem da CBN passou mais de 10 dias no Terminal de Cargas Fernão Dias, em São Paulo, um dos lugares onde há exploração de menores.


A cidade mais rica do Brasil também sofre com a exploração sexual infantil. 
"Comecei a fazer isso desde os meus 9 anos. Perdi minha virgindade com 9 anos, você acredita? Minha mãe não estava me dando as coisas e eu comecei a fazer. Agora eu tenho 14 anos", explica Letícia, nome fictício.
A prática ocorre nos arredores do Terminal de Cargas Fernão Dias, na Zona Norte de São Paulo, um dos principais pontos de parada dos caminhoneiros que chegam à capital paulista. A reportagem da CBN frequentou o local por mais de uma semana e conversou com crianças e adolescentes que fazem programa para comprar alimentos e usar drogas. Tudo acontece ao lado de uma base da Polícia Militar.
"Fiscalização, polícia, ninguém pega no pé da gente, porque conhecemos os caras. Usamos droga na cara dos caras, dos policiais. Normal", diz a garota.
Além dessa garota, mais de 20 menores, todos os dias, são exploradas sexualmente nas proximidades do terminal de cargas. Os principais clientes são caminhoneiros que pagam em média 50 reais pelo programa. O crime é concretizado na boleia dos caminhões.
"A gente faz no caminhão, lá no estacionamento, com camisinha. Às vezes a gente vai para o motel. Os caminhoneiros não ficam com medo, não. É de novinha que eles gostam".
Mapeamento feito pela Polícia Rodoviária Federal mostra que existem 1969 pontos vulneráveis de exploração sexual infantil nas rodovias federais. O Sudeste lidera com 494 endereços, seguido do Nordeste com 475 e do Sul com 448. A pesquisadora Eva Dengler, da Ong Childhood Brasil, explica que a omissão e o baixo número de denúncias dificultam a repressão a esse tipo de crime. 
"Denúncia é o primeiro passo para uma mudança. Pegar o telefone e ligar, seja para o 181 em São Paulo, seja para o 100 que é o disque direitos humanos nacional, que é anônimo e gratuito, seja indo ao conselho tutelar mais próximo. A gente precisa realmente avançar muito na questão da cultura da denúncia e na questão da proteção dessas crianças e adolescentes. Denunciar é proteção", explica.  
Segundo a psicoterapeuta e neuropsicóloga da infância e da adolescência do Hospital das Clínicas, Carina D'Alcante, o abuso deixa traumas e pode trazer consequências irreversíveis para as crianças no futuro. 
"O risco para a psicopatologia é extremamente aumentado. Dessas meninas desenvolverem depressão, transtorno de ansiedade, transtorno alimentar, transtornos dissociativos e de personalidade. A pessoa sempre vai ter dificuldades em estabelecer vínculos saudáveis com as outras pessoas". 
Em São Paulo, o aliciamento de menores ocorre nas redondezas do terminal de cargas, justamente onde fica a base da PM, mas é concretizado em um terreno próximo, que fica a menos de cinco minutos. A área é da Prefeitura de São Paulo, foi invadida e transformada em um estacionamento irregular. Moradores do entorno pedem há anos para que a gestão municipal retome a área e revitalize a região. Uma das principais reivindicações, segundo a líder comunitária Irani Dias, é a construção de moradias populares no local.
"A demanda de políticas públicas é muito grande, mas a moradia é o mais gritante. Então eu comecei a procurar essas áreas e uma das áreas que a gente identificou, inclusive atráves até do conselho participativo, foi essa área que tem o problema da exploração sexual infantil. Então no mínimo duas mil famílias cabem ali, porque são três áreas grandes".  
A Prefeitura de São Paulo declarou que presta assistência às famílias da região e que tenta na Justiça reaver o terreno. Já a Corregedoria da Polícia Militar informou que vai investigar a conduta dos policiais que atuam no entorno do terminal de cargas. 
Mas, enquanto o problema não é resolvido, centenas de crianças, não só em São Paulo, seguem sem referências ou horizontes.
"Não tenho vontade estudar nem fazer uma faculdade. Só essa vida mesmo. Não faço nada. Fico em casa, fumo maconha, vou pro baile. Não tenho motivo para sair dessa vida, é bom. E sozinha eu não consigo", diz a jovem do início desta reportagem.
Por Talis Mauricio

FONTE: CBN
http://m.cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2016/07/30/BRASIL-TEM-QUASE-2-MIL-PONTOS-DE-EXPLORACAO-SEXUAL-INFANTIL.htm