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sábado, 20 de agosto de 2016

A MENINA QUE PENSAVA QUE SEU NOME ERA 'IDIOTA' E OUTROS CASOS CHOCANTES DE ABUSO INFANTIL NOS EUA

Quando os empregados do Departamento de Serviços Humanos do Arkansas examinaram uma menina de 4 anos, a única conclusão possível era de que ela havia sofrido abuso.
A menina tinha "vários hematomas nas nádegas, na parte baixa das costas e nas pernas; inchaço na bochecha direita, um machucado na testa, lesões no processo de cicatrização nas costas e sangue seco no canto da boca", segundo o informe da polícia da cidade de Hot Springs.

Ela também tinha "marcas nos pulsos que indicam que foi amarrada e parecia desnutrida".
Segundo o relatório da polícia, quando perguntaram o nome da menina, ela respondeu que se chamava "idiota".
O namorado da mãe da criança, Clarence Reed, admitiu posteriormente que a chamava desse jeito, mas alegou que "era apenas uma brincadeira".

Delitos graves

Segundo o jornal The Sentinel Record, de Arkansas, "outro menor na residência confirmou que a menina havia sido amarrada e que a chamavam de idiota".

A menina agora está sob custódia dos serviços sociais do Estado e tanto sua mãe, Jennifer Diane Denen, de 30 anos, quanto seu namorado, Clarence Eugene Reed, de 47, foram presos.
Ambos estão sendo acusados de cometer delitos graves de violência doméstica em primeiro grau, permitir o abuso de um menor e pôr em risco o bem-estar físico de um menor em primeiro grau.
Se condenados, eles podem pegar até 20 anos de prisão. O juiz determinou uma fiança de US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) ao casal, que deve ir a julgamento na próxima terça-feira, 23 de agosto.

Segundo o The Sentinel Record, eles dizem que amarraram a menina para impedi-la de subir em móveis.
A imprensa local informou que, durante o interrogatório da polícia, a mãe afirmou que "viu Reed bater nas nádegas da menina de 4 anos com um bastão de plástico".
Outras crianças da casa indicaram que a mãe havia dito a eles que Reed amarrava a menina na cadeira usando tiras de plástico.

Assim como informa o jornal Washington Post, um porta-voz do Departamento de Polícia de Hot Springs disse que na casa moravam seis crianças, todos filhos de Denen.
Apenas o menor, um bebê de 11 meses, é filho dela e de Reed.

"Em todo o país"

O caso do Arkansas, muito noticiado pela imprensa americana, não é o único que comove o país.
Em julho, um policial da cidade de Franklin, em Ohio, encontrou uma criança de sete anos vendendo seu ursinho de pelúcia em frente a uma loja.
Quando o policial se aproximou do menino, ele disse que não comia havia dias.

Outros policiais foram à casa da criança e encontraram seus dois irmãos vivendo em "condições deploráveis", disse o chefe da polícia de Franklin, Russel Whitman, ao jornal local Journal News.
O informe da polícia indicou que os pais criaram "um risco substancial de saúde e segurança ao descuidar da limpeza da residência, ter grande quantidade de micróbios e comida podre em toda a casa."
Também foram denunciados "por não ter alimentos preparados de forma apropriada e empacotados para que as crianças comessem e permitir que uma criança de sete anos perambulasse longe da casa sem sua permissão ou conhecimento, em uma tentativa de localizar comida."

egundo Whitman, os pais da criança, Tammy e Michael Bethel, foram detidos e acusados de cinco crimes de negligência contra crianças.
Eles alegaram ser inocentes, informou a agência de notícias AP. A audiência com a Justiça está marcada para setembro.
Além disso, os cinco filhos do casal foram colocados sob custódia dos serviços sociais do condado.
De acordo com o chefe de polícia, esse tipo de caso não é isolado.
"Os policiais veem isso por todo o país, todos os dias", disse Whitman ao Jounal News. "Em qualquer departamento de polícia do país você pode encontrar histórias como essa", acrescentou.

1 de cada 4

Um relatório do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), mostrou que em 2014 houve 702 mil vítimas de abuso ou negligênca infantil reportados aos serviços de proteção à infância.

"As crianças pequenas são as mais vulneráveis", disse o relatório. "Quase 27% das vítimas têm menos de 3 anos de idade."
E acrescenta que "cerca de 1.580 crianças morreram de abuso ou negligência em 2014".
Mas o órgão admite que essas cifras poderiam ser muito mais altas devido aos casos de abuso infantil que nunca chegam a ser registrados.

Os EUA têm um dos piores índices de abuso infantil do mundo desenvolvido.
Estudos independente calculam que uma em cada quatro crianças experimentam algum tipo de abuso ou negligência ao longo da vida no país.

FONTE: BBC BRASIL

 http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37135428?ocid=socialflow_facebook

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

POR QUE SÓ FALAMOS DE HOMENS PEDÓFILOS? MULHER TAMBÉM COMETE PEDOFILIA?


Em suas memórias de infância, Colin (nome usado pela BBC para preservar a imagem da vítima) tem o abuso cometido por sua mãe. Ele conta que até os treze anos sofreu com seus atos criminosos no banho, em sua cama e durante a noite. Os traumas só foram aparecer na adolescência, aos 14 anos, quando o menino começou a sofrer ataques de pânico e a usar drogas. “Eu não conseguia dormir de noite e sempre imaginava minha mãe em cima de mim. Não conseguia manter empregos e tinha medo de garotas”, conta Colin, vinte anos depois do ocorrido.

Para o garoto, o fato de sofrer abuso de sua mãe, tornou a prática mais difícil de ser identificada. “Eu achava difícil até dizer que aquilo era abuso sexual, por conta da forma que a sociedade enxerga as mães. 99% delas amam seus filhos, mas eu fui azarado e tive uma que não me amava”. A mídia expõe a pedofilia de uma forma tão caracterizada, que o que mais impressiona na história de Colin é o fato de uma mulher ter sido a abusadora.

Segundo Steve Bevan, que tem há 20 anos um grupo de ajuda para homens vítimas de todo tipo de abuso sexual, Colin não está sozinho nesse trauma. Bevan conta que atualmente ajuda 18 homens em seus encontros. Cinco deles relataram abuso por homens e mulheres e três deles apenas por mulheres. “Durante os anos tivemos muitos homens abusados por mães, irmãs, tias e babás”, comenta. Bevan ainda revela que é muito difícil admitirem que sofreram algum tipo de abuso, porque isso desafia a ideia de masculinidade.

Assim como os homens, as mulheres podem cometer diversos crimes sexuais, inclusive estupro. Na opinião dos especialistas, a prática é bem mais comum entre homens do que mulheres. Segundo um importante estudo dos EUA nos anos 80, 20% dos abusos contra meninos e 5% contra meninas, foram realizados por mulheres. As vítimas podem, posteriormente, manifestar raiva através de violência contra esposas e namoradas. 

O que ocorre muitas vezes é que as mulheres que cometem os abusos não enxergam delito no que fizeram. “Elas diriam que não é tão ruim quanto quando um homem comete, dizem que fazem com amor, ao contrário de um homem, que é violento”, diz Michelle, fundadora da Kidscape, organização especializada em proteção de crianças vítimas de abuso. “Outra questão controversa é o fato das pessoas pensarem que se as mulheres abusaram, é porque os meninos pediram”, completa.

http://www.jornalciencia.com/por-que-so-falamos-de-homens-pedofilos-mulher-tambem-comete-pedofilia/

BRASIL TEM QUASE 2 MIL PONTOS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL

Mapeamento da Polícia Rodoviária Federal aponta o Sudeste e o Nordeste como regiões mais críticas. Reportagem da CBN passou mais de 10 dias no Terminal de Cargas Fernão Dias, em São Paulo, um dos lugares onde há exploração de menores.


A cidade mais rica do Brasil também sofre com a exploração sexual infantil. 
"Comecei a fazer isso desde os meus 9 anos. Perdi minha virgindade com 9 anos, você acredita? Minha mãe não estava me dando as coisas e eu comecei a fazer. Agora eu tenho 14 anos", explica Letícia, nome fictício.
A prática ocorre nos arredores do Terminal de Cargas Fernão Dias, na Zona Norte de São Paulo, um dos principais pontos de parada dos caminhoneiros que chegam à capital paulista. A reportagem da CBN frequentou o local por mais de uma semana e conversou com crianças e adolescentes que fazem programa para comprar alimentos e usar drogas. Tudo acontece ao lado de uma base da Polícia Militar.
"Fiscalização, polícia, ninguém pega no pé da gente, porque conhecemos os caras. Usamos droga na cara dos caras, dos policiais. Normal", diz a garota.
Além dessa garota, mais de 20 menores, todos os dias, são exploradas sexualmente nas proximidades do terminal de cargas. Os principais clientes são caminhoneiros que pagam em média 50 reais pelo programa. O crime é concretizado na boleia dos caminhões.
"A gente faz no caminhão, lá no estacionamento, com camisinha. Às vezes a gente vai para o motel. Os caminhoneiros não ficam com medo, não. É de novinha que eles gostam".
Mapeamento feito pela Polícia Rodoviária Federal mostra que existem 1969 pontos vulneráveis de exploração sexual infantil nas rodovias federais. O Sudeste lidera com 494 endereços, seguido do Nordeste com 475 e do Sul com 448. A pesquisadora Eva Dengler, da Ong Childhood Brasil, explica que a omissão e o baixo número de denúncias dificultam a repressão a esse tipo de crime. 
"Denúncia é o primeiro passo para uma mudança. Pegar o telefone e ligar, seja para o 181 em São Paulo, seja para o 100 que é o disque direitos humanos nacional, que é anônimo e gratuito, seja indo ao conselho tutelar mais próximo. A gente precisa realmente avançar muito na questão da cultura da denúncia e na questão da proteção dessas crianças e adolescentes. Denunciar é proteção", explica.  
Segundo a psicoterapeuta e neuropsicóloga da infância e da adolescência do Hospital das Clínicas, Carina D'Alcante, o abuso deixa traumas e pode trazer consequências irreversíveis para as crianças no futuro. 
"O risco para a psicopatologia é extremamente aumentado. Dessas meninas desenvolverem depressão, transtorno de ansiedade, transtorno alimentar, transtornos dissociativos e de personalidade. A pessoa sempre vai ter dificuldades em estabelecer vínculos saudáveis com as outras pessoas". 
Em São Paulo, o aliciamento de menores ocorre nas redondezas do terminal de cargas, justamente onde fica a base da PM, mas é concretizado em um terreno próximo, que fica a menos de cinco minutos. A área é da Prefeitura de São Paulo, foi invadida e transformada em um estacionamento irregular. Moradores do entorno pedem há anos para que a gestão municipal retome a área e revitalize a região. Uma das principais reivindicações, segundo a líder comunitária Irani Dias, é a construção de moradias populares no local.
"A demanda de políticas públicas é muito grande, mas a moradia é o mais gritante. Então eu comecei a procurar essas áreas e uma das áreas que a gente identificou, inclusive atráves até do conselho participativo, foi essa área que tem o problema da exploração sexual infantil. Então no mínimo duas mil famílias cabem ali, porque são três áreas grandes".  
A Prefeitura de São Paulo declarou que presta assistência às famílias da região e que tenta na Justiça reaver o terreno. Já a Corregedoria da Polícia Militar informou que vai investigar a conduta dos policiais que atuam no entorno do terminal de cargas. 
Mas, enquanto o problema não é resolvido, centenas de crianças, não só em São Paulo, seguem sem referências ou horizontes.
"Não tenho vontade estudar nem fazer uma faculdade. Só essa vida mesmo. Não faço nada. Fico em casa, fumo maconha, vou pro baile. Não tenho motivo para sair dessa vida, é bom. E sozinha eu não consigo", diz a jovem do início desta reportagem.
Por Talis Mauricio

FONTE: CBN
http://m.cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2016/07/30/BRASIL-TEM-QUASE-2-MIL-PONTOS-DE-EXPLORACAO-SEXUAL-INFANTIL.htm

terça-feira, 2 de agosto de 2016

AS 4 COISAS QUE TODA CRIANÇA DEVERIA APRENDER PARA 'SE PROTEGER' DE ABUSOS

Em entrevista à BBC Brasil, a nadadora Joanna Maranhão, vítima de abuso na infância, defendeu que a educação sexual é mais importante do que a caça a pedófilos no combate à violência sexual contra crianças.


No Brasil, esse é um tema considerado tabu e "restrito para adultos"; por isso, poucas escolas adotam um programa específico para tratar questões como abuso sexual, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), diversidade sexual, entre outras.
No entanto, já existem correntes de pensamento que defendem o ensino de educação sexual para crianças nas escolas justamente com o objetivo de ajudar a evitar esses problemas no futuro.

"Quando a criança já sabe alguma coisa de educação sexual, ela aprende a lidar com o que está acontecendo, fica preparada para isso", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, que promove a capacitação de professores na área.
"Já a criança não preparada se torna um alvo muito mais fácil para abusos. A descoberta sexual começa na infância, se você não trabalha isso, você exclui a sexualidade da criança."
Para preencher o que veem como "lacuna" nas escolas, algumas ONGs e institutos oferecem atividades para crianças e treinamento para professores sobre educação sexual.
A própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou uma cartilha mundial em 2010 com uma "Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade" para ser usada como base nas escolas.
A BBC Brasil consultou especialistas e preparou uma lista com estratégias que podem ser adotadas para ensinar educação sexual para crianças.

1) Reconhecimento do corpo: diferenças entre meninos e meninas

A primeira coisa que pode ser ensinada às crianças é o reconhecimento do corpo delas e as diferenças entre os meninos e as meninas. "Passamos para as crianças a ideia de que os corpos de menino e menina são diferentes e aí trabalhamos a questão do respeito", explica Vilela. "Na hora que ela perceber que não está sendo respeitada, significa que é para parar ali."
Para Vilela, o tema é um forte tabu para muitos pais. "Quando eles sabem que os professores estão falando algo para os filhos sobre sexo, eles já acham que os filhos vão começar a transar e ficam preocupados. Há uma grande resistência."
"O reconhecimento do corpo não vai fazer nenhum mal para as crianças, só vai fortalecê-las."
Em sua cartilha, a Unesco diz que "pesquisas de todo o mundo indicam claramente que a educação sexual raramente leva a um início sexual precoce, se é que o faz".
"A educação sexual pode levar a um comportamento sexual mais tardio e mais responsável, ou pode não ter nenhum impacto discernível sobre o comportamento sexual", diz o documento.
Vilela afirma ainda que é importante também ensinar a criança a cuidar de seu corpo. "O objetivo é fazer essa criança se tornar uma pessoa autônoma nesses cuidados. Quanto menos ela precisar de alguém que a limpe, que a lave, menos exposta ela vai estar e mais autonomia ela tem."

2) O que pode e o que não pode, partes do corpo que são 'públicas' e outras que são 'privadas'

Outra questão importante é explicar para a criança quais partes do corpo podem ser tocadas e quais não podem. "Elas precisam entender o conceito de público e privado. Entender que essas partes privadas do corpo, as pessoas não podem tocar", disse a educadora do Instituto Kaplan.
Vítima de abuso na infância, a nadadora Joanna Maranhão trabalha essa questão em atividades que promove com a ONG que fundou, a Infância Livre.

"A gente tem que explicar que existem partes que podem e outras que não podem ser tocadas, a não ser que seja por um médico ou pelo pai e pela mãe por causa de algum exame", disse Joanna à BBC Brasil.
"Tem até um joguinho, um pingue-pongue que eu faço com as crianças mostrando: mão aqui pode, mão aqui não pode. E tem vezes que tem menino que confunde, que acha que pode. Tem como ser de uma forma lúdica, mas ao mesmo tempo de uma forma séria."

3) O dono do seu corpo é você

Além de ensinar o reconhecimento do corpo à criança, é preciso também passar para ela a ideia de que aquele corpo tem um dono.
"Seu corpo é seu: ninguém pode tocá-lo sem sua permissão. Estabelecer uma comunicação direta com as crianças logo cedo sobre as partes privadas do corpo, usando os nomes corretos para as genitais, vai ajudar as crianças a entender o que é permitido para adultos que estejam em contato com eles. E vai ajudar a identificar comportamentos abusivos", diz a cartilha elaborada pelo Conselho da Europa para defesa dos Direitos Humanos sobre o tema.
"Elas precisam entender o funcionamento desse corpo, que ele tem sensibilidade, tem sensações, que essas sensações podem ser gostosas, mas podem também não ser. Vale pra qualquer parte do corpo. Carinho é uma coisa que a gente só recebe quando quiser", afirmou Vilela.

4) Estratégia: não gostou? Conte para alguém de confiança

Outra medida de proteção contra abusos é conscientizar as crianças de que, caso alguém faça alguma coisa que elas não gostem, é preciso contar isso para uma pessoa de confiança.
"Vá embora! Conte. Essa é uma das estratégias que devem ser ensinadas às crianças para que elas estejam preparadas a dizer 'não' a contatos físicos que julgarem inapropriados e para fugir de situações pouco seguras. Além disso, elas precisam contar o que aconteceu a um adulto de sua confiança o quanto antes", é a orientação da cartilha europeia.
Muitas vezes, o abusador da criança é alguém muito próximo, da família até. Sendo assim, é importante também que os adultos próximos estejam preparados para ouvir o que a criança tem a dizer e não desacreditá-la logo de cara.
"Esse é um trabalho ainda mais complicado, com o adulto. Ele precisa dar ouvidos à criança", diz Vilela.
"Porque geralmente (o abuso) é com uma pessoa próxima. A reação dos pais normalmente é 'não seja mal educado'. O adulto precisa estar atento à mudança de comportamento da criança e, quando ela fizer a queixa, investigar em vez de logo desacreditá-la", concluiu Vilela.
Da
http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/04/160419_educacao_sexual_criancas_rm

quarta-feira, 27 de julho de 2016

DISQUE 100 RECEBE 50 DENÚNCIAS DE ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS POR DIA

Cinquenta e quatro por cento das vítimas são meninas entre 4 e 11 anos


DENÚNCIA

A prisão de Fernando Caetano dos Santos aconteceu após uma série de denúncias. A delegada decretou a prisão temporária dele depois de ouvir o depoimento de uma jovem de 23 anos de idade. Ela conta ter sido abusada durante nove anos quando tinha aulas de informática na casa do suspeito.
Quatro vítimas, que foram à delegacia, disseram que a mulher do homem acusado de pedofilia sempre estava em casa durante os abusos. O casal usava códigos, como acender uma luz ou tocar uma campainha, para determinar quando a esposa podia ou não entrar no quarto onde aconteciam os abusos.

Na internet, o acusado mostra fotos com crianças e adolescentes no quarto onde ficava o computador. A jovem que fez a denúncia aparece em várias delas, quando ainda era menor de idade. “Ela começou a ter aula lá a partir dos oito anos, ela e alguns amigos. A partir dos 10 anos ele começou a molestar, a manipular a vagina, apertar os peitos, tudo por cima da roupa. Não houve penetração, mas chegaram até a efetuar sexo oral, ele solicitava, e isso foi durante anos. Ela foi abusada dos 10 aos 19. Fora isso vieram também mais dois meninos, que na época começaram junto com ela, mesma faixa etária. O abuso começou com 10, mas com os meninos foi até os 14 anos. A esposa ficou muito surpresa, ela não esperava”, conta a delegada Giovanna Valenti Clemente.

Em média 50 crianças foram abusadas por dia no Brasil, no ano passado. Cinquenta e quatro por cento das vítimas eram meninas entre quatro e 11 anos de idade. Este número é só das denúncias que chegaram pelo Disque 100, para denúncias de abuso sexual.

TRAUMAS

Os presos condenados por abuso sexual de crianças são separados de outros presos em um único pavilhão. A divisão é feita para garantir a segurança dos detentos.
Um deles foi condenado a 21 anos de prisão, mas só começou a cumprir a pena quase dez anos depois do crime. No dia em que a família descobriu tudo, ele fugiu. Durante o tempo em que ficou foragido, ele adotou um nome falso e se casou.
A ex-mulher procurou o Conselho Tutelar depois que o filho mais novo do casal denunciou agressões cometidas pelo pai. “Fomos ao hospital, onde foi constatado o estupro da mais velha. Isso fazia três anos que ocorria”, conta ela. O ex-marido ameaçava a enteada com um facão. Os estupros começaram a acontecer quando a menina tinha oito anos.

Essa violência praticada por quem deveria cuidar tem consequências graves ainda hoje, onze anos depois. “Há quem diga que meus relacionamentos não duram por eu ter medo de seguir em frente. Eu acredito que seja, por eu ser conservadora com relação ao ato sexual em si. Confiar nas pessoas é mais difícil e se eu vejo que um homem está olhando para uma criança diferente, já acho que aquele cara é pedófilo. Eu tenho muito ódio, lembro do que eu passei e eu fico bem triste”, conta a vítima.

DOENÇA

O hábito criminoso de assistir na internet vídeos pornográficos com crianças fez um homem ficar um ano na cadeia. Depois que saiu da prisão, ele procurou ajuda médica e recebeu o diagnóstico de pedofilia. “Quando saí da prisão, foi a parte mais difícil. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Voltar ao convívio na sociedade foi muito difícil. Eu me sinto muito mal, me sinto com muita culpa. Eu sinto muita culpa. Eu não gosto de ser o que eu sou. Eu não gostaria”, diz o homem, que está em tratamento há três anos.

O Ambulatório de Transtorno da Sexualidade, na Faculdade de Medicina do ABC, é um ambulatório de referência, que trata essas pessoas desde 2003. O local recebe uma média de 50 pacientes por mês, 30 diagnosticados como portadores de pedofilia. Todos são atendidos de graça.

Quem coordena a equipe do ambulatório é o psiquiatra Danilo Baltieri. “A pedofilia é uma doença devastadora, não vai resolver a pena de prisão apenas, não vai resolver. Nenhum de nós, especialistas do tema, e eu tenho falado isso de forma reiterada, nenhum de nós é contra a pena de prisão, muito pelo contrário, se a lei existe ela tem que ser cumprida. O fato delas não terem tratamento, mesmo depois de presas, pode contribuir para que elas saiam de lá e continuem atuando contra crianças”, explica o psiquiatra.

Um estudo feito nos presídios de São Paulo mostrou que a maior parte dos agressores sexuais não têm o transtorno conhecido como pedofilia. “Nem todo indivíduo que porta pedofilia comete uma ofensa sexual, uma agressão sexual, um abuso sexual a uma criança. Nem todo indivíduo que ofende sexualmente uma criança, que abusa sexualmente de uma criança, é portador da pedofilia. A pedofilia é um transtorno que faz a pessoa fantasiar, ter o desejo por crianças.

Antes mesmo dele molestar alguém, abusar. Para receber o diagnóstico dessa doença ele não precisa ter atacado a criança. Ela é considerada incurável, o que os médicos tentam fazer é com esses medicamentos diminuir os sintomas. São medicações que podem controlar o impulso sexualmente desviado dessas pessoas. Desde antidepressivos até medicações que controlam e estabilizam humor até medicações que tem ação antagonista sobre a testosterona”, explica o psiquiatra Danilo Baltieri.

FONTE: G1

http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2016/07/disque-100-recebe-50-denuncias-de-abuso-sexual-de-criancas-por-dia.html 




segunda-feira, 25 de julho de 2016

O SILÊNCIO NA PEDOFILIA

POR LUÍS OLÍMPIO FERRAZ MELO 


Os ataques terroristas vêm assombrando a civilização devido à perversidade usada pelos executores, mas antes de serem perversos eles são, os terroristas, suicidas em potencial, conforme se pode encaixar no “suicídio altruísta” denominado pelo sociólogo francês Emile Durkheim (1858-1917).
Dezenas de vítimas são contabilizadas nesses atentados insanos que causa alguma poderia justificá-los, mas ao lado desse hediondo crime, outro — não menos perverso — acontece no silêncio da sociedade sem que ocorram debates e ações para sua prevenção: a pedofilia. Sabe-se que apenas 10% dos casos de pedofilia chegam ao conhecimento das autoridades e dos outros 90% nada se sabe; e que a maioria dos casos é cometida dentro da família ou por pessoas próximas aos menores.

Os pedófilos podem levar semanas, meses e anos aliciando um menor até conseguir consumar o ato criminoso e os casos de reincidência são comuns, o que sugere que o perverso “desejo sexual” deles é maior do que o medo de uma eventual punição.
Os EUA são o país que mais investe na prevenção contra a pedofilia e mantêm cinquenta mil agentes “on-line” à cata dos pedófilos na internet, especialmente na “Deep web” (internet profunda) onde parece ser o “paraíso perdido” dos pedófilos.  A “Operação Ore”, na Inglaterra, em 2002, pilhou milhares de pedófilos que trocavam e vendiam imagens, vídeos e aliciavam menores na internet naquele país, entre os pedófilos estavam juízes, policiais, clérigos, advogados, professores, políticos, empresários e celebridades da indústria do entretenimento...
Há um “mercado” bilionário internacional na venda de material pornográfico infantil e a rede de pedofilia conta com a participação de hotéis, motéis, táxis, garotas de programa maiores de idade para disfarçar o aliciamento, mas o tema, gravíssimo, continua em silêncio na sociedade fazendo diariamente milhares de vítimas. A pedofilia é uma perversão sexual que acarreta danos irreparáveis por toda a vida das vítimas...

Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista

FONTE: DIÁRIO DO PODER

http://www.diariodopoder.com.br/artigo.php?i=42443884546


PESQUISADOR ESTUDA ATENDIMENTO ÀS VÍTIMAS DE ABUSO E PROPÕE MUDANÇAS

Docente da Unesp realizou o levantamento em 5 cidades do Estado de SP.


Bava espera conseguir criar um observatório para prevenir novos casos.


Tudo começou com reuniões com estudantes em escolas públicas de Araraquara (SP). “Entrávamos na sala de aula mais problemática da escola e pedíamos para as crianças contarem histórias, até que elas começaram a abordar os meus alunos perguntado por que elas tinham que ter relações sexuais dentro de casa”, conta Augusto Caccia-Bava, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Em uma das abordagens, uma criança de 10 anos contou que a mãe da amiga ‘emprestava’ a filha para o vizinho.
Com esses relatos, ele procurou a ajuda de vários especialistas, recebeu a orientação de deixar as crianças falarem, sem interrupção dos relatos, e decidiu continuar investigando a questão do abuso sexual.

Docente do campus de Araraquara, ele realizou estudos na cidade e em São Carlos, Ribeirão Preto, Bauru e São José do Rio Preto - municípios que, segundo o Ministério da Justiça, registram casos de tráfico de pessoas para exploração sexual e registram, oficialmente, cerca de 20 novos casos de violência por mês - e trabalha na criação de protocolos de atendimento para vítimas e de um observatório para prevenir novas ocorrências.

Prevenção

Caccia-Bava e seus alunos realizaram cerca de 90 entrevistas nas cinco cidades com agentes públicos responsáveis pela assistência às vítimas, como juristas, delegados, promotores, oficiais da Polícia Militar, integrantes da Guarda Municipal, assistentes sociais, psicólogos, representantes do Conselho tutelar e agentes de saúde.

Segundo o pesquisador, o levantamento apontou que os serviços de assistência social, juntamente com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social, conseguem atender apenas cinco casos por semana e que há a necessidade de 12 assistentes sociais e 12 psicólogos em cada unidade."Não tem tempo e falta pessoal. A ausência de um corpo técnico para dar conta do problema é evidente".

Reduzir o número de casos por profissional permitiria, por exemplo, que os agentes conseguissem acompanhar as famílias.
Em 70% dos casos, segundo Bava, os agressores estão dentro de casa ou na vizinhança e o ideal seria os agentes e conselheiros visitarem as famílias. “As famílias têm que ser objeto de atenção. Sendo famílias de crianças consideradas vulneráveis, é necessário estudar o caso, ver o equilíbrio da família, se existe caso de desemprego, droga ou até prostituição dentro do lar”, relatou o professor.

“É importante também prevenir o segundo abuso. A prevenção exige mobilização intensa e permanente dos agentes públicos junto com as vítimas e os familiares”, completou.

Outra questão a ser trabalhada é o preconceito. “Existe um enorme preconceito em relação às vítimas, a sociedade precisa aceitar e abraçar essas pessoas”, disse.
“Esses casos não ocorrem apenas em regiões pobres, existem também na classe média, média alta e rica, não é uma coisa pequena”.

Observatório

Agora, com os dados compilados, Bava trabalha para criar um observatório sobre experiências de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes.

O objetivo é difundir propostas de intervenção e propor um atendimento padronizado, já que, segundo o professor, não há nas unidades um protocolo específico referente ao apoio às vítimas.

Bava também quer difundir a ideia de polos de prevenção, com projetos locais em cidades que possuem universidades federais, por exemplo.

Fonte: G1 

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2016/07/pesquisador-estuda-atendimento-vitimas-de-abuso-e-propoe-mudancas.html