segunda-feira, 17 de agosto de 2020

BRASIL REGISTRA 6 ABORTOS POR DIA EM MENINAS ENTRE 10 E 14 ANOS ESTUPRADAS


O aborto legal de uma criança de 10 anos que foi estuprada no Espírito Santo virou campo de batalha no Brasil; ele é mais um dos muitos casos de estupro de crianças e adolescentes no país; a cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas.



Após autorização judicial, a menina foi levada a outro Estado no domingo (16/08) para interrupção da gravidez. Ela relatou que sofria abusos sexuais do tio desde os 6 anos e que não contava para os outros porque ele a ameaçava. O tio da criança está foragido.

Embora o caso tenha virado pano de fundo de uma briga ideológica e venha sendo tratado como algo inédito, dados oficiais revelam que ocorrem no Brasil, em média, seis internações diárias por aborto envolvendo meninas de 10 a 14 anos que engravidaram após serem estupradas.

Esses casos envolvem procedimentos feitos no hospital e internações após abortos espontâneos ou realizados em casa, por exemplo.

Se o número parece alto para quem não acompanha o assunto, ele é pequeno perto da quantidade de estupros de crianças e adolescentes que ocorrem no Brasil: a cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019.

"Há uma naturalização desta violência. O pessoal já nem presta mais atenção em menina de 13 ou 14 anos grávida. O pessoal tá começando a prestar atenção na gravidez de 10, 11 anos de idade", diz a advogada Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Ela defende, ainda, que só faz sentido tratar desse assunto a partir de um caso específico se for para mostrar que essa violência é muito mais comum do que se imagina. "É uma história tristíssima. E infelizmente é uma de muitas, o Brasil está lotado de casos como este."

Segundo dados tabulados pela BBC News Brasil no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, o Brasil registra ao menos seis abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos, em média.

 Só em 2020, foram ao menos 642 internações. O país registra também uma média anual de 26 mil partos de mães com idades entre 10 a 14 anos.

Desde 2008, foram registrados quase 32 mil abortos envolvendo garotas dessa faixa etária.

Se forem consideradas as 20 mil internações nas quais constam dados de raça ou cor de pele, 13,2 mil envolviam meninas pardas (66%) e 5,6 mil, de brancas (28%). Esses dados incluem abortos realizados por razões médicas, espontâneos e de outros tipos.

Das 20 cidades com mais internações em números absolutos, todas são capitais, exceto Duque de Caxias (RJ), Feira de Santana (BA) e Campos de Goytacazes (RJ). Não há dados disponíveis sobre o sistema privado de saúde.

 FONTE: G1

 https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/08/17/brasil-registra-6-abortos-por-dia-em-meninas-entre-10-e-14-anos-estupradas.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&fbclid=IwAR3Yr4ObM9Lh8uNTy8QImLNV8eVhlx8y-SlX27fkb8_xK2izFLBAa_Jm9_I

 

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

“MINHA TIA DISSE QUE EU SEDUZI O MARIDO DELA E TOMEI UMA SURRA”

A leitora Paula* foi adotada e sofreu violências no ambiente familiar. Quando tentou contar, apanhou. Hoje, ela cortou laços

“Ao escrever esse relato, passou um filme pela minha cabeça.”


Há 17 anos, meu tio chegou de uma festa com minha tia durante a madrugada. Ele achou que ela estava dormindo e foi ao quarto onde eu estava com minhas primas. Minha tia viu tudo e me acusou de ter seduzido o marido dela, dizendo que ele estava embriagado. Eu ainda tomei uma surra, como se fosse culpada pelo que tinha acabado de acontecer.

No outro dia, minha tia perdoou o marido e eu tive que ficar em silêncio. Virei empregada na casa. Até hoje não tenho coragem de falar sobre o assunto com outras pessoas.

Eles fingiam que nada havia acontecido. O que me dói é minha tia ter achado que eu era uma ameaça ao casamento dela, como se eu tivesse permitido o abuso.

Um ano depois daquela noite, outro tio me trancou no banheiro e me fez tocar o pênis dele. Ele ameaçou falar para todo mundo que eu tinha chamado ele até ali para satisfazer seus desejos.

Sofri muito. Sou adotada e algumas pessoas da família não aprovaram a minha chegada. Sempre me fizeram de empregada e falavam que eu era uma coitada. Até hoje tenho trauma dessa época. 

Eu me mudei para outro estado, casei e tive um filho, que não convive com minha família adotiva. Pude compartilhar todos esses traumas com meu marido e hoje conheço o amor verdadeiro.”

A partir de agora, CLAUDIA mantém esse canal aberto e oferece acolhimento para quem quiser libertar as palavras e as dores que elas carregam. 

Fale com CLAUDIA em falecomclaudia@abril.com.br.

FONTE: REVISTA CLÁUDIA