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domingo, 30 de outubro de 2011

O SEGUNDO ABANDONO


Tornam-se comuns casos de crianças adotadas e, depois, devolvidas. E a Justiça não sabe como lidar com esse problema


Crianças adotivas não têm um passado feliz. Vão morar com famílias substitutas, em geral, porque viveram tragédias pessoais – foram abandonadas, vítimas de maus-tratos ou da miséria ou porque os pais biológicos morreram. Muitas têm a sorte de encontrar lares afetivos e formar laços sólidos. Uma parcela dessas crianças, porém, passa por outras experiências avassaladoras: o segundo, o terceiro abandono. São “devolvidas” à Justiça pelos pais adotivos ou guardiões e acabam em abrigos. Embora não exista um levantamento nacional, estatísticas regionais revelam que essa questão é grave e não deve ser desprezada. Das 35 crianças e adolescentes disponíveis para adoção na Associação Maria Helen Drexel, na zona sul de São Paulo, 11% já passaram por esse drama. Em apenas uma das varas da infância da cidade do Rio de Janeiro, ocorreram oito devoluções no primeiro semestre deste ano. Três de cada dez crianças e adolescentes que estão em abrigos de Santa Catarina foram devolvidos ao menos uma vez.

Devoluções ocorrem em três situações. Durante o estágio de convivência, em que a adoção definitiva ainda não foi efetivada, depois da adoção formalizada ou quando a família tem a guarda da criança. “Muitas devoluções poderiam ser evitadas. Mas o Judiciário brasileiro não tem estrutura para acompanhar esses casos como deveria”, afirma Mery-Ann Furtado e Silva, secretária-executiva da Comissão Esta­dual Judiciária de Adoção (Ceja) de Santa Catarina. Ela avalia que um dos principais problemas é que há pessoas que sonham com o “filho ideal” e, quando confrontadas com os desafios de educar uma “criança real”, não dão conta de lidar com “imperfeições” que, em filhos biológicos, seriam toleradas. “Estamos engatinhando no processo de preparação dessas famílias”, diz Mery-Ann. “Principalmente quando a criança é adotada mais velha, porque ela traz consigo componentes importantes que devem ser trabalhados.”


DRAMA
11% das crianças disponíveis para adoção na Associação Maria Helen Drexel já foram devolvidas


Recentemente, a Justiça catarinense não aceitou que um casal devolvesse apenas um dos filhos adotivos – um garoto de 13 anos – e determinou a destituição do pátrio poder também sobre a irmã biológica dele – uma menina de 10 – porque considerou que ambos sofreram abuso emocional. Marcelo* e Tainá* foram adotados em 2004, por integrantes da classe média alta da região de Blumenau. Por uma professora universitária e um estrangeiro. Um homem ausente que, segundo relatos, não se comunica bem em português e vive às voltas com estudos no Exterior. “Eu me apaixonei pela Tainá. Deus a fez para mim. Ela quer ser minha e eu dela”, declarou a mãe adotiva a profissionais do Judiciário local. Como os magistrados raramente separam irmãos, o casal decidiu adotar Marcelo para não perder Tainá. Ele tinha 6 anos. Ela, 3. No abrigo onde morava, Marcelo era descrito como “muito normal” e “carinhoso”. Não havia nos registros algo que o apontasse como garoto-problema. Os irmãos seguiram para a casa da família e se juntaram a Maurício*, filho biológico do casal.

As rusgas com Marcelo começaram logo no primeiro dia. De acordo com a mãe adotiva, o menino levou uma surra porque deu um chute no pai. Diversas pessoas que conviveram com eles contaram, em depoimento, que Marcelo nunca foi aceito como filho e não houve grande esforço do casal para inseri-lo no contexto familiar. Marcelo sempre se sentiu indesejado. Tinha de ir a pé para a escola, num bairro vizinho. Tainá e o filho biológico frequentavam outros colégios e eram levados de carro. Se Marcelo fizesse alguma traquinagem, era punido severamente. Tainá e Maurício, muitas vezes, nem sequer eram repreendidos. Se Marcelo fizesse xixi na cama, tinha de lavar os lençóis. Tainá, não. A mãe adotiva chegou a dizer que no início sentia um carinho pelo menino. Mas, depois, passou a odiá-lo. Quando um oficial de justiça foi buscar as crianças para levá-las para um abrigo, a mulher se desesperou ao ser informada de que a menina também iria embora. Aos gritos, disse: “Isso é coisa do Marcelo, ele está se fingindo de doente para a juíza ficar com pena e levar a Tainá também. Ele não suporta ver que a Tainá é amada. O Marcelo é psicopata, precisa de um psiquiatra.”


DOR
Raquel foi devolvida depois de 6 anos. A psicóloga Helena diz que a menina entrou em depressão


Na ação de destituição do poder familiar, o desembargador Joel Dias Figueira Júnior escreveu que “a desprezível prática da ‘devolução’ de crianças começa a assumir contornos de normalidade”. E que observa “a tomada de vulto, em todo o território nacional, de situações idênticas ou semelhantes” à vivida por Marcelo e Tainá. No Rio de Janeiro, um levantamento feito pelo Serviço Social e de Psicologia da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca da Capital mostra que esse problema vem crescendo. Entre 2005 e 2010, 20 crianças foram devolvidas àquela vara. E, apenas no primeiro semestre deste ano, ocorreram oito devoluções. “As crianças são trazidas como objetos”, lamenta a psicóloga Patrícia Glycerio R. Pinho. “Quando o vínculo de filiação não se dá, pequenas dificuldades se tornam grandes. Às vezes, os pais adotivos não percebem que estão sendo testados e acham que é ingratidão da criança. Imperfeições num filho adotivo são mais difíceis de ser acolhidas porque os pais pensam: ‘isso não pertence a mim porque não o gerei’.”

Patrícia já viu e ouviu uma porção de absurdos. Certo dia, uma mãe adotiva, de bom nível sociocultural, ficou indignada porque a filha andava vomitando. “Estou dando salmão e ela nunca tinha comido”, reclamou. Outra, depois de um ano e meio, devolveu três irmãos ao conseguir engravidar. As crianças já tinham até trocado de nome. Foi um baque. “Geralmente, os pais vêm com uma posição fechada”, diz a psicóloga Patrícia. “O que é pior: a criança ficar numa casa onde já não tem espaço ou ir para um abrigo e tentarmos recolocá-la numa outra família?” Lidia Levy, psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, uma das autoras do trabalho “Família é muito sofrimento: um estudo de casos de devolução de crianças”, relata que está havendo uma mudança no perfil dos adotados. “Praticamente inexistem bebês disponíveis. Por isso, há quem não queira esperar na fila e acaba aceitando crianças mais velhas”, afirma Lidia. “Mas, se essa mudança não for bem trabalhada, pode não dar certo.”


"O Judiciário brasileiro não tem estrutura para acompanhar esses casos como deveria"
Mery-Ann Furtado e Silva, secretária-executiva da Ceja-SC

A pequena Raquel*, 10 anos, ficou seis anos sob a guarda da madrinha – a quem chamava de mãe – depois que a mãe biológica morreu. Durante muito tempo, a convivência foi pacífica. Mas, nos últimos meses, as desavenças com o filho biológico ficaram frequentes. “Eu e meu irmão brigávamos bastante, um irritava o outro, e o esposo da minha madrinha não me quis mais”, lembra Raquel. A menina vive na Associação Maria Helen Drexel e diz que quando sair do abrigo vai procurar pela guardiã. “A Raquel tem um amor imenso por ela”, analisa Helena Zgierski, psicóloga da associação. “Apresentou depressão e um quadro psiquiátrico complicado quando chegou aqui. Passou dias e noites sem dormir nem comer. Só chorando. Crianças devolvidas se culpam e acham que não são boas o suficiente.” Helena afirma que pessoas que procuram uma criança com a intenção de fazer caridade ou para salvar um casamento, por exemplo, têm enormes chances de fracassar. “O amor tem de ser incondicional, porque a gente não sabe o que a criança traz registrado”, avalia.
"Crianças devolvidas se culpam e acham que não são boas o suficiente"
Helena Zgierski, psicóloga da Associação Maria Helen Drexel

Em todas as histórias de devolução que Helena conhece, havia um filho biológico na família. “Existe uma disputa por amor e espaço. É um outro ser que está chegando. A criança que vai ganhar um irmão também tem de participar desse processo”, diz ela. Foi o que aconteceu com Paula*, 8 anos, e Lauro*, 4. Depois de 11 meses de convivência com um casal de São Paulo, os dois foram devolvidos e estão num abrigo. Paula e o filho biológico do casal, Gustavo*, viviam às turras. Além das brigas constantes, ela e Lauro têm um histórico difícil. Moravam na rua com a mãe biológica e passaram por situações de privação e maus-tratos. “Eu bagunçava muito onde fui adotada. Ficava xingando todo mundo. Batia nas pessoas quando ficava com raiva. Desobedecia minha mãe”, admite Paula. “Meu pai não aguentava meu choro e minha bagunça e me batia.” A menina se culpa pela devolução e pela tristeza do irmão pequeno. Lauro ainda pergunta pelo pai adotivo: “Por que ele não vem me buscar?” 



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

LEIS CONTRA PEDOFILIA E PORNOGRAFIA INFANTIL AGRAVADAS NA UE




O Parlamento Europeu aprovou por maioria esmagadora uma diretiva que harmoniza e agrava a legislação comunitária contra a pedofilia e a pornografia infantil. O texto abrange os crimes de abuso sexual de crianças e a divulgação via Internet de imagens pornográficas que incluam crianças, no espaço europeu.

A diretiva autoriza igualmente os Estados-Membros a proibir o acesso a imagens de pornografia infantil mesmo que os servidores estejam situados no estrangeiro.

A directiva aprovada esta tarde no Parlamento Europeu prevê sanções penais para cerca de 20 crimes, um número bastante elevado em relação ao que é habitual na legislação europeia.

De forma genérica, nos países da União Europeia (UE) obrigar uma criança a prostituir-se ou a cometer atos sexuais vai passar a ser punido com pelo menos 10 anos de prisão.

Os produtores de imagens pornográficas infantis incorrem numa pena mínima de três anos e aqueles que as descarreguem para os seus computadores arriscam pelo menos um ano de cadeia.

Os países que queiram, podem prever penas mais pesadas.

Abuso de menores por tutelares especialmente punido

Mas, conforme exigido pelos eurodeputados, as sanções serão agravadas quando o crime for cometido por um membro da família, por uma pessoa que coabita com a criança ou que "abusou de uma posição manifesta de tutela ou da sua autoridade" (como professores, educadores de infância, etc).

As sanções serão também mais pesadas se o crime for cometido contra uma criança numa situação particularmente vulnerável, nomeadamente devido a deficiência mental ou física ou a um estado de incapacidade, como o causado pela influência de drogas ou álcool.

A diretiva criminaliza igualmente a solicitação de crianças "via net", abrangendo os pedidos de amizade a crianças na internet com vista a abusar delas, tal como o turismo sexual infantil, seja o crime seja cometido no território de um Estado-Membro ou por um cidadão europeu fora da UE.

Quanto às imagens de pornografia infantil, cada Estado-Membro fica ainda obrigado a remover o mais depressa possível da Rede as páginas sediadas no seu território que contenham pornografia infantil.

Caso o servidor das páginas electrónicas que contenham ou difundam pornografia infantil se encontre no estrangeiro, os Estados-Membros deverão procurar junto das autoridades nacionais que as ditas imagens e páginas electrónicas sejam apagadas.

Se tal se revelar impossível, ou se o processo de o conseguir for demasiado longo, os Estados-Membros ficam legalmente autorizados a bloquear o acesso às imagens, dentro das suas fronteiras.

Estudos revelam que entre 10% a 20% das crianças na Europa sofrem alguma forma de abuso sexual.

Dois anos para harmonizar legislação

A directiva prevê ainda que uma pessoa condenada possa ser "impedida, temporária ou permanentemente, de exercer actividades pelo menos profissionais que impliquem contactos directos e regulares com crianças". E autoriza eventuais empregadores a solicitar informação sobre a existência de condenações por este tipo de crimes, desde que estejam a recrutar pessoal para actividades profissionais ou voluntárias com crianças.

O projeto de lei já tinha sido aceite entre os governos dos 27 e a diretiva deverá ser formalmente aprovada pelo Conselho de Ministros da UE antes do final deste ano.  A partir dessa data, os países têm 2 anos para harmonizar a sua legislação conforme a diretiva hoje aprovada.

DEPUTADO DENUNCIA PRESIDENTE DE CÂMARA POR ESTUPRAR MENOR





Deputado denuncia presidente de Câmara de cidade do Sertão por prática de sexo com menor

O deputado estadual Vitoriano de Abreu (PSC) fez uso da tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba, na manhã desta quinta-feira (27), para tornar pública a denúncia contra o presidente da Câmara de Vereadores do município de Cajazeiras, Marcos Barros, por abuso sexual de menores de apenas 13 anos.

Segundo o deputado, o presidente da Casa Legislativa do Sertão já é, inclusive, alvo de investigação do Ministério Público, sob a acusação de estupro de vulnerável, quando o sexo ocorre justamente com menores de 13 anos.

“O que circula em Cajazeiras, de ontem para cá, é uma denuncia de uma criança de 12 anos, que informa a sociedade, que foi estuprada pelo presidente da Câmara de Cajazeiras, dentro da própria Câmara e isso é de fazer dó”, discursou.

Conforme o deputado, os veículos de comunicação do município estão tentando abafar a história, com uma verdadeira campanha no município para acobertar o triste episódio.

“Quanta vergonha, um presidente de um poder vir a praticar um ato desse nível e ainda mais com uma criança dessa idade e dentro de uma Casa que tinha quer ser respeitada. O mundo precisa saber disso”, continuou.

Para o parlamentar esse fato é um escândalo e acima de tudo um crime. “Simplesmente é lamentável alguém que preside o poder já por oito vezes consecutivas, inclusive que pode ser candidato a prefeito de Cajazeiras ou mesmo o próximo vice-prefeito. Isso é um mar de lama, entristece todas as famílias da cidade e revolta toda a Paraíba”, lamentou.

Após a denúncia, Vitoriano pediu investigação e ajuda da população para não se calar diante desses fatos.

“Isso é um crime mais do que qualificado por se tratar de uma criança de 12 anos. O nosso grito é de revolta e de incompreensão”, falou.

Entenda

De acordo com a denúncia, o acusado, além de praticar o abuso contra menores de idade, realizava os atos em plena sede da Câmara Municipal.

O caso esta sendo apurado em segredo de justiça e para evitar influencia na elucidação do caso, a denúncia foi formulada no Ministério Público, onde vários documentos foram anexados na documentação entregue ao promotor de justiça, inclusive trechos de conversas de bate papo entre o vereador e a menor pela internet, alem de números telefônicos para quebra de sigilo, já que vários encontros teriam sido articulados via ligações telefônicas.

Na denúncia, pelo menos dois encontros teriam ocorridos entre o Presidente da Câmara e a menor, sendo que primeiro, teria ocorrido apenas trocas de carícias, com apalpo nos seios e nas nádegas. Já no segundo encontro, ocorreu o ato sexual por completo, que teria sido praticado no interior da câmara segundo relato da suposta vítima que na época do fato tinha apenas 13 anos de idade.

O caso já se encontra no Ministério Publico da Comarca de Cajazeiras que tem a missão de investigar a acusação.  

Com informações de Henrique Lima

PB Agora

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20111027103057&cat=politica&keys=deputado-denuncia-presidente-camara-estuprar-menor

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PAI É QUEM MAIS COMETE ABUSO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS


Cláudio Isaias



Um levantamento do Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil (Crai) mostra dados assustadores sobre a violência praticada contra crianças e adolescentes em Porto Alegre. Em 2010, a instituição, com sede no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, realizou o atendimento de 1,5 mil jovens vítimas de abuso sexual na Capital. De acordo com Eliane Soares, coordenadora do Crai, o mais impressionante é que 90% dos casos de violência sexual foram praticados pelo pai, seguido pelo padrasto, tios e avôs. "O abusador está dentro de casa agindo contra crianças, na maioria do casos, de cinco a 12 anos", destaca. Segunda ela, 80% dos casos de violência são praticados contra meninas e 20% contra meninos. 

De acordo com Eliane, que ontem participou da Jornada Dez Anos Crai -Violência Sexual contra Crianças: Práticas, Intervenções e Perspectivas, realizada no auditório do Ministério Público, as vítimas recebem atendimento médico e psicológico no centro. Também são feitos o registro policial, o exame de corpo de delito e os procedimentos para que a Justiça se encarregue da punição ao agressor. "No caso da violência praticada por um familiar, ele terá que ser afastado do convívio com a criança", acrescenta. Dos casos de violência atendidos no Crai, 71% são de Porto Alegre, 21% da Região Metropolitana e 8% do Interior, recomendados pelas prefeituras. 

Durante o encontro, a delegada do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), Eliete Matias Rodrigues, apelou para que a comunidade gaúcha denuncie os casos de violência contra crianças e adolescentes. Segundo ela, as pessoas devem ficar atentas às seguintes mudanças de comportamento dos jovens: tristeza, agressividade, isolamento e indícios de atraso significativo no desenvolvimento. As denúncias de abuso sexual infantil devem ser encaminhadas para o Disque 100 ou para o número 0800.6426400. 

A professora do curso de pós-graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) Lilian Milnitsky Stein explica que o abuso sexual não tem classe social. "O que percebemos é uma violência maior contra crianças das camadas mais pobres porque neste contexto as relações são menos veladas", explica. 

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=76059

MP DIVULGA DADOS QUE APONTAM AUMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇA




Os números da escalada da violência em Rondônia foram apresentados nesta quinta-feira (20) em entrevista coletiva concedida pelo Ministério Público de Rondônia, que realiza no próximo sábado (22) a Marcha pela Vida, mobilização de sensibilização por uma cultura de paz. 

A iniciativa traz como uma de suas justificativas o crescente envolvimento de jovens com drogas e o aumento de crimes contra os segmentos mais vulneráveis da sociedade. A violência sexual contra criança e adolescente ilustra bem esse cenário. Só em Porto Velho, esse tipo de crime teve aumento de 100%, saltando de 306 casos em 2009 para 636 em 2010, de acordo com dados do Projeto Girassol.

“O crescimento da violência tem sido significativo em Rondônia, bem como o número de processos que aportam no Judiciário. Entendemos que assim como uma atuação intensa das autoridades é preciso que todos os segmentos da sociedade desenvolvam uma cultura de paz. Por isso, convidamos a população para participar da Marcha pela Vida neste sábado”, disse o Procurador-Geral de Justiça, Héverton Alves de Aguiar, ao conceder a coletiva juntamente com a Promotora de Justiça da Infância, Tânia Garcia Santiago, diretora do Centro de Apoio Operacional da Infância e coordenadora da Marcha.

Na ocasião, o Ministério Público também apresentou números do Disk 100, serviço nacional de denúncia de violência contra o público infanto-juvenil. Os dados divulgados revelam negligência e omissão dos pais no dever de proteger as crianças como o crime de maior registro, com 33% do total de informes. O abuso sexual é responsável por 23% das denúncias. Conforme o serviço, as vítimas dos crimes são, em maior parte, crianças de 12 anos, e os agressores, por sua vez, têm vínculos familiares com as crianças e adolescentes, na grande maioria dos casos.

Durante o encontro com a imprensa, o MP expôs o aumento de denúncias oferecidas em inquéritos: 9.787 em 2009 contra 10.336 em 2010. A previsão é de que os dados sigam crescendo, já que análise preliminar indica que até junho deste ano o Ministério Público já ofereceu 5.152 denúncias.
Ao falar dos índices de criminalidade, a Promotora de Justiça Tânia Garcia lembrou que as drogas têm servido como pano de fundo para muitas situações de violência e conclamou o envolvimento da sociedade com o problema. “É preciso que o Estado, a família e a sociedade organizada se envolvam com a prevenção e o enfrentamento das drogas”, destacou.

Deslocamento para Marcha

A Marcha pela Vida ocorre no próximo sábado (22), com concentração prevista para as 16h, na praça Aluísio Ferreira, onde serão realizadas atividades culturais e artísticas. A caminhada terá como destino a Praça Madeira-Mamoré.

Haverá ônibus coletivos gratuitos com saída dos terminais de alguns bairros para a Praça Aluísio Ferreira, às 15h. O retorno está previsto para as 20h30, com saída da Praça Madeira-Mamoré. Pela empresa Rio Madeira, os ônibus sairão dos terminais dos bairros Cidade Nova, Ulisses Guimarães, Cohab e Conceição (terminal Norte Sul). Pela empresa Três Marias, os ônibus sairão dos bairros Quatro de Janeiro e Esperança da Comunidade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS REGISTROU 496 DENÚNCIAS DE ABUSO SEXUAL

Relatório da Rede Aquarela denuncia que, em Fortaleza, 60% das vítimas são menores de 12 anos




Ela só tem 12 anos e uma filha de dois anos. Apesar de pouco tempo de existência, estas duas frágeis vidas estão em risco. Maria (nome fictício), moradora da cidade de Ipu, a 294 quilômetros de Fortaleza, diz ter sido abusada sexualmente pelo cunhado de 56 anos e ser agenciada pela própria irmã que lhe "vendia" o corpo por apenas R$ 2,00. Para proteção do filho que também poderia ser violentado e comercializado, o bebê está agora sob guarda provisória de um casal, uma professora e um trabalhador rural.

As estatística do projeto social da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) de Fortaleza, Rede Aquarela, são demonstração deste cenário cruel. De janeiro a setembro de 2011, 496 meninos e meninas foram atendidos, todos vítimas de abuso sexual. Desse montante, 294 são crianças e 202 adolescentes. A maioria dos casos, um total de 60% das vítimas são menores de 12 anos, em Fortaleza.

"A exploração sexual e o agenciamento são crescentes em Fortaleza e também no Ceará. Mas também tem se ampliado a rede de atendimento e a consciência para denunciar. Realizamos, só em 2011, no Projeto Aquarela, um total de 1.165 atendimentos com as crianças e os familiares", informou a coordenadora da rede, Ana Paula Costa.

Para ela, o abuso ainda é muito velado, acontece, muitas vezes, dentro do próprio lar, sob a escuridão dos lençóis e o silêncio dos quartos. São mão maliciosas que ferem, machucam em troca de favores e à procura de recompensas, deixando feridas e marcas para o resto da vida. Por semana, segundo a coordenadora, são cerca de 15 denúncias na SDH. De contraponto aos males causados, a Prefeitura oferece apoio psicossocial, afeto e ajuda para recompor a vida, explica Ana Paula.

Recomeçar

Abusada dentro da própria família, Maria, 12, está tentando retomar a rotina e voltar aos estudos. Longe do cunhado e da irmã, que são os principais acusados de lhe agenciar, a adolescente está sendo abrigada por uma irmã mais velha e até consentiu a entrega do herdeiro para a adoção, afirma Gilvan Farias, conselheiro tutelar de Ipu que acompanha o caso desde 2010.

"A vida dessa família em Ipu é difícil, são muito pobres e o bebê também estava correndo risco de ser abusado. Uma audiência com o juiz, amanhã, vai decidir o futuro do filho que está agora sob cuidados provisório de terceiros que estavam na fila para adoção", afirmou.

Vivendo cotidianamente a investigação de demandas de exploração sexual e negligência, a titular da Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), Ivana Timbó, afirma que os casos de denúncia estão muito altos, assim como a conscientização da sociedade para a repreensão do agressor.

"Estamos com uma situação grave de violações bem semelhante ou maior que o ano passado. Temos que ter claro que é um tipo de crime imperdoável e deve ser punido", comenta.

ACOMPANHAMENTO

Para Unicef, família deve receber tratamento

Segundo Ana Márcia Diógenes, coordenadora da Unicef em Fortaleza, a prioridade é que a criança fique com a família, mas quando há envolvimento em situações de alcoolismo, consumo de drogas ou violência sexual, o Conselho Tutelar pode retirar a guarda dos pais e encaminhar a criança a um abrigo. Nesses casos, toda a família deve receber tratamento especial.

"A criança deve ter acompanhamento pediátrico, psicológico, e, às vezes, a ajuda de um terapeuta ocupacional, para que, no futuro, não haja frustração por não estar com a família", diz Ana Márcia.

A coordenadora do Unicef também afirma que, dependendo da situação, algumas crianças têm prioridade no processo de adoção, para que possam ganhar um novo lar. No entanto, ainda há bastante discriminação por parte dos casais nas filas de adoção. "É uma política bastante difícil de ser implantada, porque há muito preconceito, principalmente de cor, de gênero", avalia.

SITUAÇÃO DE ABRIGAMENTO

Apenas 20 crianças podem ser adotadas

O pequeno João (nome fictício), três anos, sofre situação semelhante ao filho da jovem Maria, explorada sexualmente pela família na cidade de Ipu. O bebê vive atualmente no Abrigo Tia Júlia, enquanto sua genitora, também adolescente, segue sendo assistida em outra instituição pública, tentando se proteger dos riscos de um novo abuso sexual.

Atualmente, conforme explica a diretora da unidade, Luíza Helena Frota, 80 crianças estão em situação de abrigamento. Destes, apenas 20 estão disponíveis para a adoção.

"A situação de vulnerabilidade que levou os meninos a estarem conosco é muito difícil. Um total de 80% das crianças sofrem com o histórico de pais usuários de droga que podem ter sofrido também com a exploração sexual e venda do corpo", admite Luíza Helena.

Por isso, em alguns casos, o melhor é afastar, nem que seja provisoriamente, o bebê do lar e tentar a retomada dos laços aos poucos, com ajuda e apoio de todos, frisa a diretora do abrigo.

Prioridade

De acordo com Márcia Diógenes, coordenadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Fortaleza, a prioridade é que a criança fique com a família, mas quando há envolvimento em situações de alcoolismo, consumo de drogas ou violência sexual, o Conselho Tutelar da região pode tentar retirar a guarda dos pais e encaminhar a criança provisoriamente para um abrigo. Nesses casos, toda a família deve receber tratamento especial e ajuda psicológica.

"A criança deve ter acompanhamento pediátrico, psicológico, e, às vezes, a ajuda de um terapeuta ocupacional, para que, no futuro, não haja frustração por não estar com a família", diz Márcia.

A coordenadora do Unicef também ressalta que, dependendo da situação, algumas crianças têm prioridade no processo de adoção, para que possam ganhar um novo lar.

No entanto, ainda há bastante discriminação por parte dos casais nas filas de adoção, avalia Ana Márcia.

Mas ela também destaca que existem casos em que alguns pais preferem adotar crianças com perfis diferentes. "Algumas pessoas procuram bebês com algum tipo de problema, para que possam dedicar atenção integral à criação delas", finaliza.

IVNA GIRÃO
REPÓRTER

ALERTA: PALESTRA CONTRA A PEDOFILIA


TRT do Paraná promove palestra contra a pedofilia

Não é somente uma agressão ao corpo, é uma agressão à alma, aponta a sargento Tânia Mara Abrão Guerreiro que realizou a palestra de alerta contra esse crime que vitima milhares de crianças brasileiras a cada ano
O pedófilo não tem cara, não tem classe social, não tem modo de andar e de falar. Ele pode ser qualquer pessoa, e pode estar ao seu lado. Com essa definição, a sargento Tânia Mara Abrão Guerreiro, deu início à palestra Quebrando o Silêncio, promovida pela Comissão de Responsabilidade Socioambiental do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR) numa alusão ao Dia da Criança, comemorado em 12 de outubro.
Tânia coleciona experiências na luta contra o abuso sexual infantil. São 31 anos de serviço na Polícia Militar do Paraná, sendo 29 anos dedicados especialmente ao combate à pedofilia. Ela ressaltou a importância do combate à pedofilia, pois como os abusos acontecem entre quatro paredes, o silêncio se perpetua, explica.
Segundo relatos da sargento Tânia, até os cinco anos de idade a criança pode não interpretar o abuso como uma agressão, dependendo do contexto em que acontece, pois o pedófilo costuma agir por meio de brincadeiras. Ele inventa histórias infantis para justificar o abuso, além de oferecer guloseimas e brinquedos para conquistar a confiança da criança, explica. Somente a partir dos seis anos, os pequenos começam a perceber que o mesmo carinho ofertado a elas, não é dado às outras crianças e passam a considerar a atitude errada. Dessa forma, as ameaças e agressões por parte do pedófilo tornam-se constantes, pois a criança passa a se esquivar da situação de abuso, confirma a sargento.
Os índices de agressão sexual às crianças são alarmantes. Em Curitiba e na Região Metropolitana, diariamente, quatro crianças são vítimas de abuso sexual. Já no Brasil, o número é ainda maior: são oito crianças violentadas a cada minuto. Destas, 25% irão desenvolver depressão na idade adulta, com fortes tendências ao suicídio. Atendi um caso de um menino de sete anos, vítima de pedofilia, que tentou cometer suicídio três vezes, conta Tânia.
A baixa autoestima também é um sintoma presente em cerca de 58% das vítimas, pois os pedófilos acusam a criança de participação e provocação nos abusos, diz a sargento. Juntamente com a culpa e a insegurança, muitas crianças ainda sofrem com a conivência da própria mãe. Cerca de 90% delas são cúmplices da situação porque têm medo de perder o marido. Outras sentem ciúmes da atenção dedicada à criança e entram numa disputa afetiva com os próprios filhos, ressalta.
Na opinião da sargento Tânia, iniciativas como a do TRT-PR deveriam ser expandidas para outros órgãos e instituições, a fim de conscientizar a população a respeito dos perigos da pedofilia e alertar sobre a falta de legislação específica. No Brasil, a pedofilia se enquadra juridicamente como crime de estupro de vulnerável, com pena de oito a 15 anos de reclusão. Porém, como a grande maioria dos molestadores não possui antecedentes criminais, a pena acaba sendo reduzida. Dessa forma, a punição torna-se pequena porque quando o pedófilo ganha a liberdade, a criança ainda não cresceu, e os abusos, muitas vezes, voltam a acontecer, finaliza.
A palestra contou ainda com a participação da desembargadora Federal do Trabalho Ana Carolina Zaina, presidente da Comissão de Responsabilidade Socioambiental.
Texto e fotografias: Letícia Gabriele, com supervisão de jornalista profissional.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CRIANÇAS DO BRASIL


Uma greve longuíssima contra as escolas quentes, contra o recreio curto, contra as aulas chatas, contra o sistema perverso que deseduca, contra esta onda de pessimismo.

1. Por bem menos trabalhadores fazem greves. Povo grego faz greve. Estudantes chilenos fazem greves. Vou puxar a dianteira no Brasil para uma greve geral das crianças. Uma pirulitada geral das crianças contra seus pais. Contra os prefeitos, governadores e presidente. Uma sorvetada geral e irrestrita de todas as crianças do Brasil. Tento ou não tendo motivo justo. Uma gangorrada pelo sagrado direito de brincarem livremente e de serem felizes. 

2. Crianças do Brasil unam-se contra os pais que peçam aos filhos para acenderem o cigarro pra eles. Para pegarem a garrafa de cerveja na geladeira. Ou para comprarem uma garrafa de cachaça do boteco. Aqueles pais que mentem. Que dizem uma coisa e fazem outras. Para estes pais uma “bolachada na cara”. 

3. Dá para continuar a bagunça geral contra os pais que nunca sentaram com os filhos para brincarem, nem os levaram para um passeio no circo, nem leram histórias em voz alta, nem ajudaram a fazer a tarefa e nunca foram a uma reunião na escola. Nota vermelha para estes pais maluquinhos. 

4. O carro de som das crianças está passando na rua. Uma gritaria rachar ouvidos. Motivo: falta de aspaços nas cidades, de parquinhos nas escolas, contra os motoristas doidos, que não param enquando eles atravessam a rua, nem reduzem velocidades dos seus carros e motos na saída das aulas. Uma injeção bem doída pra todos os irresponsáveis do Brasil. E haja injeção! 

5. Um apitaço geral da meninada do Brasil contra as mães e pais que só falam aos gritos. Que implicam com os filhos por brincarem no quintal. E que ficam esgoelando quando o filho sobe no pé de manga. Que dão chicotadas quando brincam na a hora da novela. Mães que só sabem dizer uma frase: vá tomar banho menino! Pra elas, com amor, um abacaxi de presente. 

6. Faixas e palvras de ordem contra governos e prefeitos que não cuidam dos dentes das crianças nas escolas. Ou quando muito só lhes extraem os dentes de leite e não lhes curam as dores de verdade. Se continuarem assim – serão um zero a esquerda na humanidade. 

7. A greve não pode parar enquanto houver pais ausentes. Nem pais e mães ausentes completamente. Nem filhos abandonados. E mães solteiras sem emprego e nem renda. Ou crianças que não tenham o que comer. O protesto será longo contra a falta de carinho e afeto. E que só nas ruas possam encontrar o abrigo e o craque como alento e alternativa. Criança tem direito de ser feliz. Ou não tem, seu Pedro Bó! 

8. Uma greve longuíssima contra as escolas quentes, contra o recreio curto, contra as aulas chatas, contra o sistema perverso que deseduca, contra esta onda de pessimismo inexplicável tanto em casa, quanto na escola – em que o menino fica a mercê do grande educador geral e irrestrito que é a TV com seus programas animados de desenhos e todos os outros tipos de lixos visuais. A TV como a grande mestra. Crinças unidas, jamais serão vencidas! 

9. É isto aí meninada! Bem feito. E a luta continua por mais tobogã, escorregador, bicicleta, balanço, pau-de-sebo. A luta continua por mais direito de desobedecer. E de vez em quando fugir de casa para dar um susto geral. Está no hora de se ter mais moedas de 1 real para vocês gastarem a vontade. Sem pedir conselhos a seu ninguém. Mais creches lindas, pintadas com tanta coisa e depois um lanche bem gostoso. No almoço um prato bem cheio e coloridérrimo. 

10. Só tem uma coisa – as crianças devem também devem fazer a sua parte – NÃO É MESMO MENINADA? Comer menos chocolate, rapadura, melaço, pé-de-moleque, pizza, sanduiche, pirulito, balinha, bolacha recheada, lazanha, macarronada. E quem desobedecer vai levar uma boas palmadas. 

11. Todo mundo sabe que a criança é o futuro do Brasil. E do mundo inteiro. Só tem que este futuro deve iniciar logo. Porque criança não entende de futuro, só de presente. O presente hoje. E por falar em presente – cadê o meu presentinho? Se hoje é o Dia das Crianças – também é o dia de se dar presente ao filho. Acho que para acabar com esta greve anunciada das crianças brasileiras só tem um jeito – a união dos adultos. Porque a gritaria será grande. E ninguém aguentará uma greve da “piazada”. Então, pais que se cuidem. Governos também. Porque as crianças estão perdendo a paciência. 

12. Quem avisa – amigo é. Se não – as crianças vão distribuir “bolachadas” pra todos vocês. Ou botar um nariz da palhaço nos adultos peraltas.

Postado por: Confúcio Moura (PMDB) - governador de Rondônia 


NA ÁFRICA OU NO PRÓPRIO BAIRRO, SAIBA COMO SER UM VOLUNTÁRIO


Voluntários e moradores durante ação em comunidade de Carapicuíba (SP)


"Para ter uma ideia, minha lista de amigos do Facebook quase dobrou desde que virei voluntário", diz Renato Dornelas, 18, que ensina taekwondo para jovens carentes.

Ele conta, porém, que o voluntariado rendeu muito mais do que amigos e a sensação boa de estar ajudando quem precisa. A experiência fez com que ele ganhasse uma viagem para encontrar outros jovens voluntários nos EUA. Em novembro, ele participará de um encontro parecido em Londres.
É algo que certamente vai contar muitos pontos no currículo de Renato.

"Fazer trabalhos voluntários ajuda na vida profissional. Mostra que o jovem é ativo e tem responsabilidade", diz Manoela Costa, gerente da Page Talent, que trabalha com estágios e trainees.
"É como um intercâmbio: conta como experiência de vida. Mas, além de dizer onde trabalhou, é preciso contar que atividades desenvolveu."

Jaqueline Damasco, 23, por exemplo, acha que a experiência como voluntária no currículo foi fundamental para que ela fosse contratada na empresa de tecnologia onde trabalha. "Quando você diz que é voluntária, chama a atenção." Há um ano, ela visita crianças com câncer pelo Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).

Mas nem tudo são flores no reino das boas ações. "Quando contei que construiria casas na favela no fim de semana, minha mãe se assustou", relembra Mariana Panseri, 19.
Já a mãe de Taís Siqueira, 20, achou que ela estava louca quando decidiu trabalhar um mês em uma ONG na Nigéria. "Passei fome, calor, tudo!" A casa não tinha chuveiro nem privada. A comida era apenas inhame e banana.

Mas valeu a pena? "Claro! Cresci muito. E foi bom para meu trabalho atual, que envolve direitos humanos." Hoje, ela trabalha em uma comissão sobre o assunto na Assembleia Legislativa de Goiás.
Maria Vitória Pieralise, 15, que visita o Hospital das Clínicas, concorda: "É pesado. Mas você se sente ótimo".

BRUNO MOLINERO
COLABORAÇÃO PARA A 
FOLHA

http://www1.folha.uol.com.br/folhateen/987512-na-africa-ou-no-proprio-bairro-saiba-como-ser-um-voluntario.shtml