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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

NEM TODO PEDÓFILO É UM ABUSADOR SEXUAL





Com o aumento da divulgação de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, no Brasil ou no exterior, a mídia tem usado indiscriminadamente o termo “pedófilo” ao se referir a um abusador sexual.

Embora devamos entender que todos eles estão cometendo uma violência e uma violação de direitos contra uma criança ou um adolescente, a ausência dessa distinção prejudica uma compreensão mais objetiva do fenômeno, ao mesmo tempo em que simplifica as análises e as políticas de intervenção ao incluir, em um mesmo grupo, indivíduos com motivações e características psíquicas bem diferentes”, afirmam os pesquisadores Renata Coimbra Libório e Bernardo Monteiro de Castro, ambos psicólogos, em seu artigo Exploradores Sexuais, Pedofilia e Sexualidade: Reflexões para o Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, publicado em 2010.

Nem todo pedófilo é abusador. E nem todo abusador sexualé um pedófilo. Entenda, a seguir, as diferentes categorias de agressores:

Pedófilo: Para a Psiquiatria, o pedófilo é um indivíduo que apresenta um transtorno sexual caracterizado por fantasias sexuais excessivas e repetitivas envolvendo crianças. Tem, portanto, uma parafilia – definida, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), como a recorrência de impulsos sexuais muito intensos e por fantasias e comportamentos não-convencionais de caráter compulsivo. “A motivação que está por trás da busca pelos corpos infantis é o desejo sexual que o pedófilo nutre pela criança per se e o prazer obtido por meio dela. Dificilmente um pedófilo sente atração sexual por uma pessoa adulta”, escrevem os pesquisadores Renata e Bernardo no artigo. Segundo o psiquiatra francês Patrice Dunaigre, especialista em pedofilia citado no texto, os pedófilos provavelmente não tiveram um desenvolvimento psicossexual satisfatório. Revelam uma sexualidade imatura e pouco elaborada, o que os leva a temer a aproximação com parceiros adultos, já que esses podem resistir às suas investidas afetivo-sexuais. Por serem sexualmente inibidos, escolhem como parceiros as crianças (são mais vulneráveis e com menor capacidade de resistência), com as quais se identificam.

Ainda conforme o artigo, o pedófilo não consegue estabelecer um controle racional ou objetivo diante de sua demanda erótica. Por isso, pode se tornar um abusador. E, se evita o contato com uma criança ou um adolescente, é provável que busque imagens de pessoas naquela faixa etária ou textos que correspondam a suas fantasias para se satisfazer.

Abusador: Longe do estereótipo de “monstro”, atribuído muitas vezes pela mídia, o abusadorgeralmente não apresenta comportamento condenável social ou legalmente. Pode pertencer a qualquer classe social e, na maioria dos casos, está próximo da criança e conta com a confiança dela. Aproveita-se da relação assimétrica de poder que mantém com a vítima. “O abuso do poder para fins de gratificação e satisfação sexual pode acontecer através de mecanismos de chantagem, ameaça ou violência explícita, mas pode configurar-se também por meio de um jogo emocional onde os desejos e conflitos não são explícitos e a vítima torna-se refém da trama de seus sentimentos”, afirma a psicóloga Maria Aparecida Martins Abreu em sua dissertação de mestrado Trágica Trama: o abuso sexual infantil representado no filme Má Educação (2005).

Conforme a publicação Reconstrução de Vidas (2008), do Centro de Referência às Vítimas de Violência, do Instituto Sedes Sapientiae, o agressor sabe que seus atos abusivos são errados, ilegais e prejudicais à criança, mas mesmo assim os mantém. “O abuso não provoca uma experiência primária de prazer, e sim alívio de tensão. A excitação e a gratificação sexual levam à dependência psicológica e à negação dessa realidade”, diz o texto. Ainda de acordo com a obra, nas famílias onde ocorrem práticas abusivas, há com frequência a presença de condições que favorecem esse tipo de interação, como fronteiras frágeis entre as gerações; estrutura familiar simbiótica, rígida ou caótica e vínculos disfuncionais que superprotegem ou excluem um ou outro de seus membros.

FONTE: CHILDHOOD


domingo, 29 de janeiro de 2012

AGRESSÕES CONTRA CRIANÇAS: É IMPORTANTE ENTENDER SUAS DEFINIÇÕES




O abuso infantil, ou maltrato infantil, é o abuso psicológico, físico e/ou sexual em uma criança, por parte de seus pais ou responsáveis. Ocorre quando “um sujeito em condições de superioridade (idade, força, posição social ou econômica, inteligência, autoridade) comete um ato ou omissão capaz de causar dano psicológico, físico ou sexual, contrariamente à vontade da vítima, ou por consentimento obtido a partir de indução ou sedução enganosa. 

A criança precisa de segurança através de emoções saudáveis para compreender os próprios sentimentos. Um ambiente familiar de violência (química, emocional, física ou sexual) é tão apavorante para a criança, que ela não consegue manter a própria identidade e para sobreviver a dor, passa a focar apenas o exterior e com o tempo ela perde a capacidade de gerar autoestima que vem do seu interior, não sabendo identificar quem ela é, sem noção do seu próprio eu. 

O comportamento agressivo por parte dos pais e/ou responsáveis pode ser resultado da violência na infância e da mágoa e da dor não resolvida. Sim, o lamentável é que um adulto agressor em geral também foi vítima de maus-tratos quando criança. 

Parte dos pais que emprega a violência física como forma de educação, estão repetindo os atos de seus próprios pais. A criança impotente e ferida transforma-se no adulto agressor. Muitas formas de maus-tratos contra crianças fazem delas um agressor. Foi provado cientificamente que crianças castigadas podem ser mais obedientes a curto prazo, mas a longo prazo tornam-se mais agressivas e destrutivas. Porque na verdade elas tornam-se obedientes não por respeito ou por terem aprendido algo, mas por puro medo. 

O tipo mais frequente de maus-tratos contra a criança ou adolescente é a violência doméstica, que ocorre na maioria das vezes no convívio familiar. Sim, é triste, mas essa é a nossa realidade. Quem os comete? No abuso sexual em geral é feito pelo pai, irmãos mais velhos ou tios. 

Também considero importante ressaltar que crianças que assistem à violência são vítimas da violência, ou seja, espancar a mãe na frente da criança, equivale a espancá-la. Por isso muitos adultos, mesmo não tendo sido vítimas de agressões, por exemplo, viram sua mãe apanhar do pai, têm as mesmas sequelas de quem foi agredido.

HÁ 3 TIPOS DE AGRESSÕES E É IMPORTANTE ENTENDER SUAS DEFINIÇÕES:

- Violência psicológica/emocional: Envolve agressões psicológicas como xingamentos ou palavras que causam danos à criança. A rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas são formas comuns desse tipo de agressão, que não deixa marcas visíveis, mas causa danos por toda a vida. Gritar, esbravejar com a criança é violar sua noção de valor. Chamar uma criança de estúpida, boba, louca, burra, está ferindo a criança com cada palavra. 

A violência emocional deixa como sequelas: perfeccionismo, rigidez e controle.

Pais muito exigentes, não importando o que a criança faça, nunca consegue corresponder às expectativas. Nada do que diz, pensa ou sente está certo, a criança sente-se sempre errada.

Violência física: Uso da força ou atos de omissão praticada pelos pais ou responsável, com o objetivo claro ou não de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns tapas e murros, agressões com diversos objetos e queimaduras causadas por objetos líquidos ou quentes.

Sim, é preciso entender que omissão por parte de um dos pais, diante da agressão do outro, também é abuso e considerado crime tanto quanto a violência. 
Fala de uma criança: “não sei onde minha mãe estava enquanto meu pai me batia, mas sei exatamente que ela não me defendeu, nem com palavras, nem com ações”. O que o mais sensato dos dois genitores estava fazendo quando a criança mais precisava de sua proteção?

Uma criança espancada, arrastada, esbofeteada, ameaçada, dificilmente acreditará que é especial e maravilhosa. O castigo físico corta o elo que a liga ao pai ou a mãe que a maltratam.

A emoção do passado, não resolvida, geralmente é usada contra a própria pessoa. Exemplo: quando adultos podem bater no próprio rosto com os punhos fechados, como sua mãe fazia com ele quando criança.

- Violência sexual: abuso do poder, no qual a criança ou adolescente é usada para gratificação sexual de um adulto, sendo induzida ou forçada a práticas sexuais com ou sem violência física. O abuso sexual pode incluir carícias, exploração sexual e linguagem obscena. A violência sexual causa um ferimento mais profundo do que qualquer outra forma de violência. Uma pessoa violentada sexualmente sente que não pode ser amada pelo que ela é.

O assunto é triste, mas precisa ser falado, discutido, deixar de ser um assunto tabu, oculto em dores silenciadas, que muitas vezes se fazem presentes por sintomas e doenças, e que possamos cuidar dos adultos com suas crianças feridas, para que assim deixem de criar outras crianças feridas, e quem sabe assim, as crianças de hoje possam ser tratadas com todo respeito que merecem, evitando que as dores causadas deixem um rastro com sequelas por toda uma vida.

FONTE: UOL

SAIBA QUAIS SINAIS PODEM INDICAR QUE UMA CRIANÇA SOFREU ABUSO SEXUAL


Gestos e desenhos são importantes para revelar o tipo de violência 


Crianças que foram abusadas sexualmente sofrem mudanças em seu comportamento como agressividade, dificuldades de relacionamento e isolamento. Entretanto, os especialistas consultados pelo R7 afirmam que esses sintomas podem significar qualquer tipo de violência sofrida na infância. Por isso eles aconselham aos pais para que fiquem atentos a um conjunto de outros sinais, como gestos, brincadeiras e desenhos, para saber se seus filhos estão sofrendo algum tipo de violência.
Segundo a psicóloga Lis Arantes Radicchi, especialista em saúde mental, as crianças que sofrem qualquer tipo de violência, seja abuso sexual ou não, terão consequências em várias áreas de seu desenvolvimento, acarretando alterações de comportamento na escola, na família e na comunidade.
Lis, que é também psicóloga do Disque-Denúncia Nacional, ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, afirma que existem alguns sintomas comuns da criança violentada, como insônia, falta ou excesso de sono, medo aparentemente infundado, pesadelos, tremores noturnos, ganho ou perda de peso, agressividade e atitudes como morder, chutar, gritar e chorar.
Além disso, ela indica que as crianças podem expressar intolerância com colegas de escola e com pessoas da comunidade, ter dificuldades de concentração, aprendizado e de relacionamento. Em alguns casos, as crianças extrovertidas podem ficar mais caladas, ou vice-versa.
Entretanto, a psicóloga ressalta que a presença desses sintomas não significa que a criança sofreu um abuso sexual.
- Isso pode ser um sinal de qualquer tipo de violência ou distúrbio que ela vivenciou.
Raphael Boëchat Barros, professor de Psiquiatria da Unb (Universidade de Brasília), acrescenta que os gestos e os desenhos também são muito importantes para que os pais possam descobrir o que acontece com seus filhos.
- A linguagem da criança não é tão verbal. Vale a pena prestar a atenção no comportamento, nas brincadeiras, em jogos e desenhos, porque é comum o isolamento. É nessas situações [de isolamento] que ela pode manifestar o abuso.
Contudo, a psicóloga aponta alguns sinais mais graves que podem indicar um abuso sexual. Algumas crianças chegam a desenhar a genitália do abusador, como imagens de homens com o pênis ereto e com pelos pubianos.
- Isso é um sinal de abuso. Como a criança pode ter visto um pênis ereto e com pelos?
Lis conta também que as crianças podem a passar a sentir medo de adultos de um sexo específico, já que se perdeu a confiança nos mais velhos. Existem ainda casos em que crianças tiram suas roupas e até se masturbam. 
- As crianças brincam mesmo, mas os adultos precisam ficar atentos que algumas de suas atitudes reproduzem o que aconteceu com elas. Esses gestos são também uma forma de denunciar. O sinal isolado não quer dizer muita coisa, mas tem que ser pensado em conjunto.
É possível identificar o pedófilo?
Pedofilia não é crime, mas, sim, uma doença – o crime praticado por pedófilos e por não pedófilos é o abuso sexual de crianças.
Segundo Daniel Martins de Barros, médico psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é muito difícil identificar que uma pessoa tenha essa doença, já que se trata da esfera dos desejos, que podem não ser percebidos pelas pessoas próximas.
- Não dá pra identificar os sinais porque, senão, vira meio paranoico. O fato de um sujeito estar sempre com a criança, sempre perto delas, não significa nada.
De acordo com Lis, os pedófilos são, em grande parte, pessoas que sofreram abusos sexuais quando eram crianças. Por isso, essas pessoas acabam desenvolvendo sua sexualidade precocemente, ficando marcadas pelo abuso.
A psicóloga ainda conta que alguns pedófilos elegem seus alvos entre crianças com características que se assemelham ao próprio abusador quando criança.
- Principalmente características psicológicas, mas, em alguns casos, os pedófilos escolhem crianças com traços físicos parecidos com eles mesmos durante a infância. Muitos pedófilos relatam que, quando a criança começa a apresentar sinais de puberdade, como a presença de pelos, eles acabam perdendo o interesse.
Contudo, os especialistas ressaltam que não existe um perfil de pedófilo. Ainda que alguns sintomas, como dificuldades de relacionamento e introversão, possam ser apontados, isso não deve ser assumido como um padrão.
- O abusador de criança pode ser qualquer sujeito. Existem os que são exclusivos, que só sentem prazer com criança, e os não exclusivos, que também se relacionam com adultos.
Para a psicóloga do Disque-Denúncia, não adianta apenas prender o sujeito que cometeu esse crime sem oferecer um tratamento adequado para ele, para a criança e para as famílias envolvidas.
- Além de ser preso, ele precisa do tratamento, ou pode ocorrer uma reincidência do crime.

FONTE: R7


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SOBRE BLOGS E PÁGINAS COM CONTEÚDO DE PEDOFILIA / ABUSO SEXUAL / RACISMO





SOBRE BLOGS E PÁGINAS COM CONTEÚDO DE PEDOFILIA / ABUSO SEXUAL / RACISMO
MAIS UMA VEZ, PEDIMOS: SE QUISER DENUNCIAR, ENVIE POR MENSAGEM PRIVADA. NÃO PUBLIQUE EM NENHUMA PÁGINA, NEM EM SEU PRÓPRIO MURAL.


Muitas vezes, no intuito de colaborar, algumas pessoas fazem pedidos de denúncia de conteúdo, postando os links.

Pedimos que essas denúncias sejam encaminhadas através de mensagem privada, ou efetuadas diretamente no site da Polícia Federal (link abaixo).

Agradecemos, sempre, a colaboração de todos, mas pedimos que NÃO DIVULGUEM NEM NA PÁGINA, nem em seus perfis pessoais.

Além de disseminar as páginas (que é a finalidade de quem cria esses contéudos), a divulgação de tais conteúdos é crime.

Agradecemos a compreensão!

http://www.safernet.org.br/site/

"A divulgação de qualquer meio de acesso a material pornográfico infantil, incluindo links (ligações) para imagens ou endereços de páginas com pornografia infantil, assim como o simples fornecimento desse meio de acesso a terceiros (pessoalmente ou por e-mail, por exemplo) constitui crime equivalente, com pena de reclusão de 2 a 6 anos (ECA, artigo 241, § 1º, III, segundo a nova redação dada pela Lei 10.764, de 12/11/2003)."

DENUNCIE - DISQUE 100


DENUNCIE. PEDOFILIA, ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL, NEGLIGÊNCIA E MAUS TRATOS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES!
DISQUE 100.
É GRÁTIS. É ANÔNIMO.
QUEM CALA CONSENTE. QUEM NÃO DENUNCIA TAMBÉM ABUSA.
VOCÊ PODE AGIR: PROTEJA NOSSAS CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES!

LIVRO CONTA HISTÓRIA REAL DE GAROTO ABUSADO SEXUALMENTE PELA PROFESSORA; LEIA ENTREVISTA


Hoje, casos de pedofilia são cada vez mais comuns. Pais que abusam de filhas, homens que abusam de meninos, entre outros. Casos de meninos assediados por mulheres, são mais incomuns, ou pelo menos, pouco divulgados.
O produtor de teatro Davi Castro, de 28 anos, conta sem pudor que foi aliciado sexualmente aos 11 anos, por uma professora de educação física de 24 anos.
No livro "Tia Rafaela" ele narra desde quando começou o romance com sua professora até as inquietações deste relacionamento.
Livro conta comovente história de Davi Castro abusado na infância
Pai aos 13 anos, emancipado aos 17, Davi se casou aos 19 e, cerca de um mês depois, saiu de casa para assumir-se homossexual. Desde então, afastaram-no do convívio com o filho.
O garoto tinha sido registrado pelo marido da professora, com quem ela esteve casada durante todo o tempo em que se relacionou sexualmente com Davi. Os dois, agora, são divorciados.
Atualmente, eles não têm mais nenhum tipo de contato, somente na Justiça, no processo em que Davi tenta provar ser o pai do filho de Rafaela.
No livro, Davi descreve em detalhes, as carícias, o sexo, e todo o ciúme dela pelas coleguinhas de sala dele.
Em entrevista à Livraria da Folha, Davi Castro afirma que teve seus sonhos roubados e que perdeu a inocência muito cedo.
Davi Castro revela todo o drama que sofreu na infância ao ser abusado sexualmente por sua professora
Davi, você detalha no livro todo o abuso sexual e psicológico que sofreu da "Tia Rafaela". Você acredita que ter perdido a inocência tão cedo tenha sido prejudicial?
Davi Castro: Sim. Lembro que quando perdi minha inocência passei a achar o sexo uma coisa natural. Não que ele não seja, mas quando se trata de uma criança de 11 anos descobrindo o sexo de forma incorreta, a coisa se torna mais séria. Na minha cabeça tudo girava em torno de sexo. Na adolescência, insaciavelmente folheava revistas, acessava sites pornográficos e outras coisas bem piores que relato no meu livro. Me sentia perturbado ao fazer aquilo. Me tornei um adulto sem pudores, sentava nas mesas com os amigos e logo começava com o assunto "sexo", perdi o respeito pelas pessoas. Era como se todas fossem vulgares que nem eu era. Na terapia percebi que faltava o respeito com as pessoas devido o comportamento que tive na infância e na adolescência. Isso parecia ser normal até que aceitei que estava doente e precisava de ajuda.
Na novela, o personagem Gerson, interpretado pelo ator Marcelo Antony revela ao psiquiatra todo o abuso que sofreu de uma empregada na infância. Você acredita que existe alguma omissão da sociedade sobre pedofilia feminina?
Castro: Eu acredito que a sociedade não esteja preparada para falar de pedofilia quando o autor do crime é uma mulher, aquela que passa grande parte de seu tempo com crianças e tem que dar a elas carinho. A mulher é educadora, babá, empregada doméstica e mãe. Já imaginou se o assunto ganha proporções maiores e todas as vezes que nós vermos uma mulher beijando e abraçando uma criança, acharmos que ela está abusando dela? Acho que a mídia tem é que esclarecer e não omitir os fatos. Quanto ao personagem de Marcelo Antony (Gerson), na novela eu gostaria que o assunto ganhasse uma proporção maior sem generalização ou seja, no que tange o crime de pedofilia nem sempre é o homem o criminoso e nem sempre a mulher a vítima.
No livro, você conta que fez 10 anos de terapia para conseguir compreender melhor todo trauma que passou. A terapia foi a sua grande aliada na recuperação?
Castro: A terapia me ajudou muito. Mas sem o apoio da minha família e do meu namorado, acredito que a recuperação teria sido mais difícil. O importante é saber que o tratamento é diário. Todos os dias eu aprendo um pouco mais sobre o respeito ao próximo.
O fato de ter sido aliciado por uma mulher, e não uma garota por um homem, levou a maioria das pessoas a achar sua história "menos grave"?
Castro: Com certeza. Infelizmente vivemos numa sociedade machista onde se acredita que quanto antes o menino der início a sua vida sexual, mais homem ele vai ser. É um pensamento totalmente ignorante. Tenho pena das pessoas que pensam assim.
Hoje, você lida tranquilamente com sua a homossexualidade? Foi difícil compreender todo turbilhão de sentimentos e desejos, depois de ter passado por abusos na infância?
Castro: Já tive problemas com minha homossexualidade. Hoje sou muito bem resolvido. No início sofri muito por causa da confusão de sentimentos e por não saber como lidar com eles. A falta de esclarecimento da sociedade é muito opressora para quem está se descobrindo homossexual. Após descobrir que eu não era uma aberração da natureza e que também não precisava de um exorcismo, senti que era hora de buscar outras estruturas. Hoje, após cinco anos trabalhando como produtor cultural, tenho meus próprios projetos e uma carreira consolidada. Quero ser reconhecido pelo meu trabalho e não pela minha orientação sexual. Ninguém chega e diz: Muito prazer sou heterossexual e jornalista. Não quero que o fato de eu ser homossexual me rotule.
Qual o seu maior objetivo com o livro?
Castro: Contar minha verdade para o meu filho. Depois quero também que meu livro sirva como uma espécie de alerta aos pais para que fiquem atentos com o que acontece com seus filhos. E claro, desejo colher bons frutos com meu livro.

LUCIANE BRANDÃO
colaboração para a Livraria da Folha

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/834523-livro-conta-historia-real-de-garoto-abusado-sexualmente-pela-professora-leia-entrevista.shtml

domingo, 22 de janeiro de 2012

A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS ENVOLVE PRÁTICAS QUE NÃO DEIXAM VESTÍGIO



Os crimes de abuso sexual envolvem, na maioria das vezes, práticas como masturbação e sexo oral em crianças para evitar vestígios. A afirmação é da coordenadora geral do Central de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV), Dalka Ferrari. A psicóloga e psicodramatista explica que o agressor costuma se aproximar lentamente e a violência sexual começa com toques que fazem a criança confundir agressão com carinho:

Como a violência sexual é praticada contra a infância? 

O abusador vai se aproximando da criança até ganhar a confiança dela, aproxima-se de forma amigável muitas vezes com presentes para que ela permita carícias. Começa com toques na genitália, depois masturbação e sexo oral, para não deixar marcas aparentes que possam incriminá-lo.  Eles não têm pressa e planejam os melhores horários quando a criança está sozinha, aí levam para comer pipoca, passear junto. Em famílias de pais separados, o abusador aproveita a oportunidade que tem para ficar a sós com o filho. O agressor tem um ritual de excitação e de tensão até conseguir chegar ao orgasmo e começar tudo de novo, muitas vezes chegando ao estupro.
Há abuso sexual que não envolve contato físico? Quais as principais formas de abuso?
Sim, o abuso verbal, com telefonemas, vídeos e filmes obscenos e voyeurismo. Com contato físico incluem manipulação dos órgãos genitais, contato oral-genital e uso sexual do ânus; coito, pornografia e exploração sexual, incesto (entre a criança e os familiares) e estupro que pode levar até a morte.
Como se diferencia carinho e abuso?

Quando a mãe ou o pai começam com direcionamento que só ele ou ela pode por para dormir ou dar banho, começa uma dependência emocional, porque a criança está sempre grudada. Criança já grande e no colo, por exemplo. A criança só vai perceber o abuso quando vê que isso não acontece na casa das outras. A família incestuosa não se agrupa, porque não quer movimento de festas e intromissão de outros, para ser mais fácil seguir suas próprias regras.  Se tiver muita gente de fora vão perceber o abuso.

Por que a criança sente prazer e culpa depois de ser abusada?

A criança começa a descobrir as áreas de prazer do corpo normalmente quando a sexualidade começa ser aflorada com cerca de quatro anos. Quando ocorre o abuso, a criança pode descobrir o prazer antes do seu desenvolvimento natural, mas com o tempo ela percebe que aquilo não é normal. A criança começa a se proteger com o segredo, entra em conflito grande e vem a culpa, quando percebe a diferença de certo e errado.

Essa confusão de sentimentos pode afetar mais tarde os relacionamentos na vida adulta? 

Sim, por isso é importante que as crianças abusadas passem por auxílio terapêutico. O filme Querem me enlouquecer, com a atriz Bárbra Streisand, mostra muito esta questão. A menina era abusada na hora do banho. Quando ela percebe que é errado, tranca a porta do banheiro, mas o homem passa dinheiro pela porta para ela permitir. O filme se passa todo num tribunal, porque ela está sendo julgada quando adulta por ter matado um cliente que tinha atitudes muito parecidas com as do padrasto abusador.

http://www.childhood.org.br/a-violencia-sexual-contra-criancas-envolve-praticas-que-nao-deixam-vestigio

domingo, 15 de janeiro de 2012

MÃES QUE PRATICAM ABUSO SEXUAL SÃO COAGIDAS POR MARIDOS VIOLENTOS



Os abusos sexuais de crianças e adolescentes geralmente acontecem em ambientes onde há violência contra a mulher. “O marido é uma pessoa tão agressiva que para ele não basta mais apenas violentar a esposa, então exige também que ela permita e participe do abuso do filho”, afirma a psicóloga Dalka Ferrari, coordenadora geral do Central de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV). “São mulheres muito rebaixadas na sua condição e a maior humilhação para elas é quando eles as obrigam a observar ou ajudar a violentar o próprio filho”.
“Os casos de mulheres abusadoras são mais raros, mas ocorrem quando ela já vinha de um processo de violência ou tem distúrbio na sua sexualidade”, afirma Dalka Ferrari.
A situação do abuso pode ter a conivência da mulher e até de um grupo de adultos. “Atendi o caso de uma mãe que começou a perceber que as filhas tinham compulsão por masturbação e depois descobriu que o pai chamava o casal de padrinhos para participar do abuso”, conta a psicóloga. “Eles foram presos e as meninas tiveram que ficar mais de um ano em tratamento”.
Dalka Ferrari frisa ainda que a violência sexual doméstica costuma ser propagada a cada geração, porque é resultado de uma dinâmica familiar abusiva. Este é o caso do que acontecia com Fabiana Pereira de Andrade, autora do livro Labirintos do Incesto: o relato de uma sobrevivente (Ed. Escrituras/Lacri). Ela teve duas filhas resultado da agressão sexual do próprio pai dela. A história mostra também que, muitas vezes, a filha mais velha acaba se submetendo ao abusador para proteger que a irmã mais nova seja violentada. Há casos também de agressores que ensinam os filhos maiores a praticarem a agressão contra os menores. Segundo a especialista, tanto as mulheres quanto os homens abusadores são pessoas que já sofreram agressão sexual na infância.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

PESQUISA: MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA ALTERAM GENES DO ESTRESSE



Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade e do Hospital de Genebra descobriu que os maus-tratos na infância modificam a regulação dos genes que controlam o estresse na vida adulta, o que pode provocar o desenvolvimento de várias patologias.

Do estudo, participaram 101 adultos, todos eles vítimas de transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como "borderline". A equipe de cientistas observou uma porcentagem significativamente superior de modificação genética no DNA de indivíduos que sofreram maus tratos, abuso físico, sexual, emocional ou carência afetiva em relação aos que não sofreram tais situações.

As conclusões, publicadas na revista especializada Translational Psychiatry, apontam que o estresse gerado por abusos provoca uma modificação epigenética do gene receptor de glucocorticóide que atua sobre o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal.

Este eixo regula o controle de estricção, segundo a equipe da Faculdade de Medicina da Universidade de Genebra e dos Hospitais Universitários de Genebra. Quando esse eixo se altera pode perturbar a gestão do estresse na idade adulta e causar o desenvolvimento de psicopatologias. Os pesquisadores ressaltaram que se os voluntários tivessem sofrido o impacto de outros traumas violentos, como uma catástrofe natural ou um acidente aéreo, os resultados seriam semelhantes.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

TRÁFICO É FENÔMENO DE CARÁTER CRIMINOSO, INVISÍVEL E VELADO


O crime é uma ofensa aos direitos humanos porque explora, degrada a dignidade e limita a liberdade



Cárcere privado, servidão, abuso, perda da vida, dor. Essas são algumas das violações pelas quais passam as vítimas do tráfico de mulheres. Na maioria das vezes, de maneira solitária e silenciosa. Os casos de tráfico no Brasil, normalmente, não são tipificados ou são caracterizados como turismo sexual e até como desaparecimento. Esse é um problema que prejudica a resolução do crime. A prática é invisível a uma sociedade que nem sequer sabe o que é e desafiador para o Estado que encontra dificuldades para desvendar os casos. A retaguarda ainda é pequena. É como se o assunto não fosse de ninguém.

O tráfico de mulheres, crianças e adolescentes, para fins de exploração sexual comercial, é um fenômeno em expansão. Fortaleza é uma das principais rotas do Brasil. No entanto, os dados pouco existem em virtude de ser uma atividade de caráter criminoso e eminentemente velado que continua sendo praticada na Capital, sem que a Polícia se dê conta e tome providências efetivas no combate. E não só o tráfico internacional, mas o interno que tem crescido em velocidade assustadora. Meninas são levadas ao Interior ou trazidas à Capital e vice-versa para serem exploradas sexualmente.

Norte e Nordeste são as regiões mais atingidas pelo tráfico, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa é a terceira maior atividade ilegal do mundo, perdendo somente para o tráfico de drogas e o de armas, e a que mais cresce. Prática que movimenta, anualmente, cerca de US$ 9 bilhões. A maior atividade do tráfico de seres humanos é o abastecimento do mercado da prostituição dos países desenvolvidos. Segundo dados do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes (UNODC), 92% dos casos analisados eram de vítimas aliciadas para a exploração sexual. Existe, ainda, o tráfico para o trabalho forçado e para a remoção de órgãos.

A coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero, Idade e Família (Negif), da Universidade Federal do Ceará, Maria Dolores de Brito Mota, compara o tráfico de mulheres ao negreiro, realizado no Brasil na época da escravatura. "O tipo de tráfico que acontece hoje é moderno". Maria Dolores lembra que o conceito de tráfico é quando o sujeito perde a autonomia de construir um projeto seu e de ter escolha.

Como define o Plano Nacional de Enfrentamento, o tráfico de pessoas é uma ofensa aos direitos humanos porque explora, degrada a dignidade, limita a liberdade de ir e vir. É ainda consequência do desrespeito aos direitos humanos porque é fruto dos problemas sociais.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), quase um milhão de pessoas são traficadas no mundo anualmente com a finalidade de exploração sexual, sendo que 98% são mulheres. "A mulher dá mais lucro que a droga ou o armamento.
Estes, a gente só pode vender uma vez, enquanto a mulher a gente revende até ela morrer de Aids, ficar louca ou se matar", disse um cafetão europeu em depoimento presente no Documento da União de Congregações Religiosas Femininas da Igreja Católica, de 2002.



Violência

As consequências para as mulheres são devastadoras. Quando traficadas, elas têm a documentação retida e sofrem os mais diversos tipos de violência. Conforme a professora doutora da Universidade de Brasília que coordenou a Pesquisa Nacional sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (Pestraf), de 2002, Maria Lúcia Leal, as mulheres chegam com fragilidade emocional e com a saúde mental abalada.
Tudo começa quando os homens, normalmente estrangeiros, fazem a proposta. A coisa é rápida. Acontece o primeiro programa e o convite logo surge. A coordenadora adjunta da Coordenadoria de Políticas para Mulheres de Fortaleza, Tatiana Raulino, adverte que as pessoas precisam desconfiar de ofertas de trabalho sem muita informação. "Muitas moças caem nessa situação dentro da lógica do engano".

Chegando ao país estranho, os aliciadores anunciam a dívida e então começam a violência e os maus tratos. Especialistas acreditam que é preciso ter uma política de Estado para fortalecer a capacidade de negociar conflitos. A repressão policial e judicial não é bastante para dar conta do problema e de suas impressionantes dimensões.
Vítimas

98% das pessoas traficadas para fins de exploração sexual são mulheres, do total de um milhão, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT)

Ligue 180 vai atender brasileiras no exterior

O primeiro e mais importante passo para romper com a violência praticada por aliciadores nas situações de tráfico de pessoas é procurar ajuda. Mulheres brasileiras agora poderão contar com a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 - no exterior. Há seis anos, o serviço já assiste as brasileiras em situação de risco no Brasil e começa a ser visto como referência para as vítimas também fora do país. Mais precisamente, na Espanha, em Portugal e na Itália.
O serviço foi lançado pela Secretaria Especial de Políticas paras as mulheres, junto com os Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores. Mulheres que são traficadas para o exterior enfrentam muita dificuldade de buscar ajuda. Isso porque têm o passaporte retido e ficam enclausuradas. Portanto, o serviço de atendimento por telefone é a primeira porta que se abre para as cidadãs fora do país. Da mesma forma que no Brasil, a ligação no exterior também é gratuita e confidencial. Além disso, funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive nos feriados.

Anonimato

A Central, assim como mantém o anonimato, não tem caráter de denúncia. O trabalho é de informar e orientar as vítimas da violência. As mulheres em situação de violência na Espanha devem ligar para 900 990 055, fazer a opção três e, em seguida, informar (em português) o número 61-3799.0180. Em Portugal, devem ligar para 800 800 550, também fazer a opção três e informar o número 61-3799.0180. Na Itália, as brasileiras podem ligar para o 800 172 211, fazer a opção três e informar o número 61-3799.018.


LINA MOSCOSO
REPÓRTER