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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

NEM TODO PEDÓFILO É UM ABUSADOR SEXUAL





Com o aumento da divulgação de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, no Brasil ou no exterior, a mídia tem usado indiscriminadamente o termo “pedófilo” ao se referir a um abusador sexual.

Embora devamos entender que todos eles estão cometendo uma violência e uma violação de direitos contra uma criança ou um adolescente, a ausência dessa distinção prejudica uma compreensão mais objetiva do fenômeno, ao mesmo tempo em que simplifica as análises e as políticas de intervenção ao incluir, em um mesmo grupo, indivíduos com motivações e características psíquicas bem diferentes”, afirmam os pesquisadores Renata Coimbra Libório e Bernardo Monteiro de Castro, ambos psicólogos, em seu artigo Exploradores Sexuais, Pedofilia e Sexualidade: Reflexões para o Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, publicado em 2010.

Nem todo pedófilo é abusador. E nem todo abusador sexualé um pedófilo. Entenda, a seguir, as diferentes categorias de agressores:

Pedófilo: Para a Psiquiatria, o pedófilo é um indivíduo que apresenta um transtorno sexual caracterizado por fantasias sexuais excessivas e repetitivas envolvendo crianças. Tem, portanto, uma parafilia – definida, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), como a recorrência de impulsos sexuais muito intensos e por fantasias e comportamentos não-convencionais de caráter compulsivo. “A motivação que está por trás da busca pelos corpos infantis é o desejo sexual que o pedófilo nutre pela criança per se e o prazer obtido por meio dela. Dificilmente um pedófilo sente atração sexual por uma pessoa adulta”, escrevem os pesquisadores Renata e Bernardo no artigo. Segundo o psiquiatra francês Patrice Dunaigre, especialista em pedofilia citado no texto, os pedófilos provavelmente não tiveram um desenvolvimento psicossexual satisfatório. Revelam uma sexualidade imatura e pouco elaborada, o que os leva a temer a aproximação com parceiros adultos, já que esses podem resistir às suas investidas afetivo-sexuais. Por serem sexualmente inibidos, escolhem como parceiros as crianças (são mais vulneráveis e com menor capacidade de resistência), com as quais se identificam.

Ainda conforme o artigo, o pedófilo não consegue estabelecer um controle racional ou objetivo diante de sua demanda erótica. Por isso, pode se tornar um abusador. E, se evita o contato com uma criança ou um adolescente, é provável que busque imagens de pessoas naquela faixa etária ou textos que correspondam a suas fantasias para se satisfazer.

Abusador: Longe do estereótipo de “monstro”, atribuído muitas vezes pela mídia, o abusadorgeralmente não apresenta comportamento condenável social ou legalmente. Pode pertencer a qualquer classe social e, na maioria dos casos, está próximo da criança e conta com a confiança dela. Aproveita-se da relação assimétrica de poder que mantém com a vítima. “O abuso do poder para fins de gratificação e satisfação sexual pode acontecer através de mecanismos de chantagem, ameaça ou violência explícita, mas pode configurar-se também por meio de um jogo emocional onde os desejos e conflitos não são explícitos e a vítima torna-se refém da trama de seus sentimentos”, afirma a psicóloga Maria Aparecida Martins Abreu em sua dissertação de mestrado Trágica Trama: o abuso sexual infantil representado no filme Má Educação (2005).

Conforme a publicação Reconstrução de Vidas (2008), do Centro de Referência às Vítimas de Violência, do Instituto Sedes Sapientiae, o agressor sabe que seus atos abusivos são errados, ilegais e prejudicais à criança, mas mesmo assim os mantém. “O abuso não provoca uma experiência primária de prazer, e sim alívio de tensão. A excitação e a gratificação sexual levam à dependência psicológica e à negação dessa realidade”, diz o texto. Ainda de acordo com a obra, nas famílias onde ocorrem práticas abusivas, há com frequência a presença de condições que favorecem esse tipo de interação, como fronteiras frágeis entre as gerações; estrutura familiar simbiótica, rígida ou caótica e vínculos disfuncionais que superprotegem ou excluem um ou outro de seus membros.

FONTE: CHILDHOOD


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