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domingo, 19 de agosto de 2012

VÍTIMAS DE AGRESSÃO NA INFÂNCIA PODEM SE TORNAR ADULTOS VIOLENTOS, DIZ PESQUISA


Janyne Godoy

Estudos do Núcleo de Pesquisa da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a exposição à violência durante a infância pode levar consequências para a vida adulta. A vítima, enquanto criança, tem mais chances de adotar a violência como principal mecanismo de solução de conflitos.

“A criança entende que a violência é uma opção legítima e vai usá-la quando tiver um conflito com colegas da escola, por exemplo. Mas, ao agredir, ela também pode sofrer agressão e se tornar vítima. E isso cresce de forma exponencial ao longo da vida”, fala Nancy Cardia, vice-coordenadora do NEV.

Os pesquisadores entrevistaram 4 mil pessoas maiores de 16 anos de idade, moradoras de 11 capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Porto Velho, Fortaleza e Goiânia). Os questionários foram aplicados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 2010.

De acordo com os resultados, mais de 70% dos entrevistados apanharam na infância, sendo que 20% do total era agredido uma vez por semana ou mais.

O estudo apontou ainda o aumento das chances de a pessoa reproduzir a violência sofrida no passado contra os próprios filhos como método de educação. “Isso tem a ver com o tipo de aprendizagem social. Você aprende que educar por meio da agressão física é um instrumento legítimo de educação”, disse Renato Alves, pesquisador do NEV. Assim, fecha-se um “um círculo perverso do uso da força física”, como definem os pesquisadores.

A pesquisa apontou ainda que 70% dos entrevistados apanharam quando criança, desses 20% todos os dias. Esse mesmo grupo admitiu que bateria nos filhos.

Outro dado alarmante da pesquisa são os objetos usados para bater, 73,5% disseram apanhar com frequência com vara; 56,5% com chinelo; 42,3% palmadas e 33,4% pedaços de pau ou objetos duros.

Apesar de ser elevado o número de pessoas que sofreram agressão enquanto crianças, a pesquisa mostra uma redução nesse tipo de castigo. Há 10 anos, 80% dos entrevistados afirmaram ter apanhado, já essa nova pesquisa desenvolvida pela universidade aponta que 70% afirmaram ter sofrido agressões físicas como forma de castigo.

Para a psicóloga Cristiane Sargaço Teixeira, a pesquisa aponta a realidade. “O que acontece é que a criança se identifica emocionalmente com os pais.

A referência da criança é o adulto responsável por ela, ou seja, se ela recebe a referência de agressão física ou psicológica em seu processo de crescimento e desenvolvimento emocional, é essa referência que será internalizada por ela e que mais tarde ela acionará para lidar com o mundo a sua volta”, explica.

Para a psicóloga, uma forma de quebrar esse ciclo deve ser na conscientização de que ‘colheremos o que plantarmos’: “Devemos reformular a forma de educar, não estou dizendo que não devemos colocar limites, ir para o oposto e deixar as crianças ‘sem educação’ e sem referências. Mas será que a única forma de ensinar tem que ser na pancada?”, questiona.

Para ela, isso se reflete nas guerras, violência e preconceitos com as diferenças. “Tudo isso começou em algum lugar. É preciso um trabalho de ‘educar’ e conscientizar os pais quanto ao uso da violência dentro de casa”, argumenta.

Ela salienta que claro que isso nem sempre é possível, pois muitos pais têm limites quanto a isso devido também à forma como foram educados: “É o tal ‘círculo vicioso’, nesses casos a melhor coisa é encaminhar esses pais para um trabalho terapêutico com orientação de pais, psicoterapia, enfim tratamento para esses pais”, informa.



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