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domingo, 9 de novembro de 2014

RELATÓRIO DA UNICEF: PROVAS DE VIOLÊNCIA GENERALIZADA CONTRA AS CRIANÇAS “OBRIGAM-NOS A AGIR”

De acordo com novos dados apresentados ontem pelas Nações Unidas, a violência contra as crianças é universal, é tão prevalente e profundamente enraizada nas sociedades que freqüentemente não a vêm e aceitam-na como norma.

O novo relatório do fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF),Hidden in plain sight: A statistical analysis of violence against children (“Escondida em plena vista: Uma análise estatística da violência contra as crianças”), baseia-se nos dados de 190 países de forma a procurar esclarecer uma questão que tem permanecido pouco documentada.
O relatório revela que duas em cada três crianças no mundo com idades compreendidas em os 2 e os 14 anos (quase mil milhões) estão sujeitas a maus-tratos físicos pelas pessoas que cuidam delas. No entanto, apenas um terço dos adultos em todo o mundo acredita que o castigo físico é necessário para dar uma boa criação ou educação às crianças.
Susan Bissell, Chefe da proteção infantil na UNICEF disse em entrevista que os dados essenciais mostram que “se neste momento há um aspecto comum da sociedade humana, é o fato de que se comete enorme violência contra as crianças”.
“É no entanto importante que não fiquemos com a mensagem de que há violência em toda a parte, que vivemos num mundo horrível, mas devemos lembrar que existem soluções já experimentadas e avaliadas”, disse.
Embora o relatório contenha dados sobre violência física, emocional e sexual, cometida em contextos onde as crianças se devem sentir seguras, como sendo as suas comunidades, escolas e lares, existe uma limitação fundamental na documentação de violência contra as crianças.
Os dados incluem novos números sobre violência disciplinar - que é a forma mais comum de violência contra as crianças assim como a violência contra as raparigas -   classificações gerais para abuso físico e sexual. O relatório também analisa as taxas de homicídios – uma das principais causas de morte dos jovens adolescentes do sexo masculino.
De fato, um quinto das vítimas de homicídio consiste geralmente de crianças e adolescentes menores de 20 anos, resultando em cerca de 95 mil mortes em 2012, e um pouco mais de um em cada três estudantes de idades compreendidas entre os 13 e os 12 em todo o mundo sofre de bulliyng na escola.
“Violência gera violência. Sabemos que uma criança que sofre de abusos está mais susceptível a olhar para a violência como algo normal, e até mesmo aceitável e certamente estará mais pré disposta a perpetuar no futuro atos de violência contra os seus ou as suas próprias crianças”, afirmou o Diretor Executivo da UNICEF, Anthony Lake.
 As percepções sobre a violência incluindo números chocantes sobre as opiniões das crianças e relutância em denunciar o abuso também foram denunciadas. Portanto, a mudança de atitudes relativas à violência contra as crianças começa com a educação. O relatório é uma oportunidade para entrar no domínio público e dizer “agora vocês têm que fazer algo”, afirmou a Chefe da proteção infantil na UNICEF.
“Mudança social, atitudes positivas de rapazes e raparigas e posteriormente de gêneros levam algum tempo a ser mudadas, mas podemos ver mais rapidamente mudanças dos que antes, pelo menos com o advento das redes sociais e do uso de abordagens mais inovativas e criativas, afirmou Bissel.
Os afeitos da violência contra as crianças pode durar uma vida, da mesma forma que a exposição à violência pode alterar o desenvolvimento do cérebro de uma criança, saúde emocional e física. A violência também é transmitida de uma geração para a outra. Mas a violência não é inevitável; pode ser prevenida.
“A violência contra as crianças ocorre todos os dias, em todo o lado [mas] não é inevitável. É passível de prevenção, se não deixarmos a violência prevalecer nas sombras”, afirmou o Diretor Executivo da UNICEF. “As provas deste relatório levam-nos a agir, para o bem dessas crianças e para a força futura das sociedades em todo o mundo”.
A UNICEF aposta em seis estratégias para capacitar a sociedade como um todo, das famílias aos Governos, para prevenir e reduzir a violência contra as crianças. Incluem apoio parental e equipar crianças com habilidades para a vida, a mudança de atitudes, reforço judicial, criminal e dos sistemas e serviços sociais, e a criação de mecanismos de recolha de provas e a consciencialização sobre a violência e sobre os custos socioeconômicos, de modo a mudar as atitudes e as normas.
05 de Setembro de 2014, Centro de Notícias/traduzido e editado por UNRIIC


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