segunda-feira, 29 de setembro de 2014

MOTOCICLISTAS CONTRA ABUSO INFANTIL - INTERNACIONAL


MOTOCICLISTAS CONTRA ABUSO INFANTIL -  INTERNACIONAL
(BIKERS AGAINST CHILD ABUSE INTERNATIONAL - BACA)

MISSÃO BACA

Motociclistas contra o Abuso Infantil (BACA) existe com a intenção de criar um ambiente mais seguro para crianças abusadas. Nós existimos como um corpo de motociclistas para capacitar as crianças para não sentir medo do mundo em que vivem. Estamos prontos para dar apoio aos “nossos amigos feridos”, envolvendo-os com os já estabelecidos, uma organização unida. Trabalhamos em conjunto com as autoridades locais e estaduais que já estão no local para proteger as crianças. Queremos enviar uma mensagem clara para todos os envolvidos com a criança abusada que esta criança é parte de nossa organização, e que estamos dispostos a dar o nosso apoio físico e emocional a eles por afiliação, e nossa presença física. Estamos de prontidão para proteger essas crianças de outros abusos. Nós não toleramos o uso de violência ou força física, de qualquer maneira, no entanto, se surgirem circunstâncias de tal forma que somos o único obstáculo que impede uma criança de novos abusos, estamos prontos para ser esse obstáculo.

Como Trabalhamos

Bikers Against Child Abuse , Inc. ( BACA ) é organizado por uma pessoa central de contato para receber chamadas de agências que se referem e indivíduos. A reconhecida , agência autorizada com a qual a criança teve contato determina que a criança ainda está assustada com o seu ambiente. A agência de contatos representativos BACA , ou refere-se ao indivíduo entrar em contato com BACA , o nome e endereço da criança é dado ao nosso BACA com ligação a essa Criança. Nosso controle irá determinar que o caso é legítimo, o que significa que as autoridades foram contatadas , e o caso esta sendo verificado pelas autoridades competentes. Em contato com a da família um passeio inicial é organizada para atender a criança em sua casa ou em algum outro local. Todos os BACAS disponíveis da região ira ao passeio para conhecer a criança e a ela será dado um colete com um patch BACA costurado nas costas. A criança é livre para usar o colete ou não, e apoiamos sua decisão. Para a criança também são dados adesivos para carros e outros presentes que são geralmente doados pelo público em geral. Estas visitas iniciais geralmente duram cerca de meia hora. Após esse contato inicial, a criança recebe o nome e o número de telefone de dois membros BACA residentes geograficamente mais próximos a eles , que passam então a ser o principal contato da criança. Antes de se tornar um contato para a criança, os motociclistas são investigados para poderem participar, inclusive com um extensa pesquisa de antecedentes criminais e sociais, ter sido aprovado por pelo menos um ano , e ter recebido instruções especiais de um psicólogo . Sempre que a criança sente medo e sente a necessidade da presença de sua nova família BACA , a criança pode invocar estes motociclistas para ir para a casa da criança e fornecer as garantias necessárias para se sentir seguro e protegido. BACA membros e simpatizantes também podem ajudar essas crianças da seguinte forma: fornecer escoltas para eles se sentirem medo em seus bairros ; andar por suas casas em uma base regular , acompanhando as crianças ao forum; acompanhar seus depoimentos , e , ficar com as crianças se eles estiverem sozinhos ou assustados. Os membros BACA nunca irão para a casa da criança sozinhos e nunca sem o conhecimento ou permissão dos pais ou dos responsáveis. Nossa missão não é para uma fonte de poder para as acrianças. Nossa missão é ajudar as crianças e suas famílias a ter a sua própria coragem. Nossa presença estará disponível enquanto a criança precisar de nós. BACA também tem outras funções para as crianças , tais como churrascos e festas .

http://anjosmotociclistas.com.br/baca/

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

UMA EM CADA 10 MENINAS NO MUNDO SOFRE ABUSOS SEXUAIS, DIZ ESTUDO DA ONU


Foi divulgado recentemente o resultado do maior Estudo realizado pela Unicef, agência de defesa dos direitos da infância da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre violência infantil. O relatório, que inclui dados de 190 países,  revelou  que cerca de 120 milhões de meninas no mundo, quase uma em cada dez, foi estuprada ou vítima de abusos sexuais antes de completar 20 anos.

O relatório aponta ainda que a violência sexual contra crianças tem consequências em longo prazo, na medida em que pode criar obstáculos ao desenvolvimento físico, social e psicológico da vítima. Relaciona-se também aos malefícios do abuso a indução de comportamentos autodestrutivos, como a bulimia e a anorexia. Além de distúrbios psicológicos tais como a depressão, ataques de pânico, ansiedade e pesadelos. O texto também constata de forma alarmante que as crianças que sofreram abusos são mais propensas a cometer suicídio. Sendo que o risco é proporcional à gravidade do ato.

Além de elucidar a atual situação da violência infantil em todo o mundo  a  Unicef, a partir dos dados pesquisados,  recomenda seis estratégias para evitar a violência contra as crianças, entre esses:  "apoiar os pais e fornecer às crianças habilidades para a vida; mudar atitudes; reforçar os sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais; e gerar exemplos e consciência sobre a violência e seus custos humanos e socioeconômicos, com o objetivo de mudar atitudes e normas".

E quanto a nós, cidadãos comuns, o que podemos fazer para contribuir com a mudança de atitude em relação à violência? Organizações de defesa de direitos humanos em todo o mundo tem contribuído de forma significativa  para mobilizar cidadãos para causas diversas por meio de campanhas que podem facilmente serem disseminadas pelas redes sociais. A exemplo dessas destacamos a importante campanha internacional “Stop Rape Now”( Pare o Estupro) que tem o objetivo de mobilizar a sociedade para parar o estupro e Violência de Gênero em Conflitos. A campanha une organizações e indivíduos em um esforço forte e coordenado para provocar mudança.
Segundo os organizadores da campanha;

Estupro em conflito não é um fenômeno novo. Mas com o aumento de dados advindos de pesquisas e a visibilidade na mídia, fica  clara a natureza generalizada da violência de gênero em todo o mundo. Estupro não é mais considerado uma parte inevitável do conflito armado, a evidência mostra que ele é empregado como uma arma estratégica para destruir pessoas, comunidades e nações inteiras”.

Ainda, segundo a Instituição, “Violência de gênero é uma arma tática utilizada pelas forças de segurança do Estado e de grupos armados da mesma forma. Ele inclui estupro, escravidão sexual, gravidez forçada, esterilização, mutilação genital e abuso sexual utilizando objetos. No direito internacional, estupro e violência de gênero são considerados um crime contra a humanidade, crimes de guerra e estupro pode ser um crime de genocídio”.

Os motivos para estupro relacionados com conflitos e violência de gênero são variados, vão do nível tático ao pessoal. Neste sentido, para os organizadores da campanha:“O estupro é muitas vezes usado para destruir os laços sociais e culturais das comunidades, estupro coletivo pode ser usado para criar coesão dentro das unidades do exército, ele pode ser usado para garantir o terror entre o inimigo ou durante saques. Estupro continua a ser frequentemente usado como uma arma após a negociação de paz, já que os vários lados nos conflitos lutam para desmobilizar e retomar suas vidas ao lado do outro, muitas vezes ainda temendo novos combates. A violência de gênero rasga o tecido social e continua a deixar um profundo impacto sobre os sobreviventes e comunidades nos anos após o ataque e conflito. Além de problemas médicos, como doenças sexualmente transmissíveis, ainda há o agravante do trauma psicológico”.

Os resultados da recente pesquisa demonstram que este é o tempo oportuno para reavivar a campanha que já circula pelo menos há 6 anos na mídia. Apesar da insistência dos ativistas em propagar a causa e sensibilizar as autoridades governamentais, membros da organização da campanha Internacional para parar o Estupro e Violência de Gênero em Conflitos expressaram a sua decepção com a Cúpula Global pelo Fim da Violência Sexual, organizada pelo governo do Reino Unido, que segundo eles, terminou com poucos resultados concretos capazes de provocar um impacto imediato.

Neste pronunciamento público, Leymah Gbowee, Prêmio Nobel da Paz e co-presidente da campanha declarou: "Estamos agindo por décadas. O que a sociedade civil quer é não falar mais, sabemos como é ruim lá fora, nós precisamos que os governos influenciem o fim da violência sexual.” E de forma contundente rebateu: "A violência sexual e estupro não surge apenas de condições de guerra; está diretamente relacionada com a violência que existe na vida das mulheres durante o tempo de paz. A militarização e a presença de armas legitima novos níveis de brutalidade e impunidade. Essa violência, infelizmente, continua em no pós-conflito”.

Fazemos nossas as palavras de Gbowee. O Ministério Filhas de Sara tem lutado para sensibilizar a sociedade e principalmente a Igreja sobre a importância de tomar uma atitude em relação aos frequentes abusos contra as mulheres. Sendo assim, consideramos pertinente nossa adesão e total apoio à campanha. Junte-se a nós e diga não à violência contra a mulher.
Conheça nosso projeto de acolhimento às meninas vítimas de casamento forçado e mutilação genital em Guiné-Bissau. Para maiores informações entre em contato conosco: claudia@maisnomundo.org.

Fontes:

http://www.stoprapeinconflict.org/campaign_disappointed_in_results_of_global_summit ;
http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0H01GV20140905;

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/uma-em-cada-10-meninas-no-mundo-sofre-abusos-sexuais; 
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/uma-em-cada-10-meninas-no-mundo-sofre-abusos-sexuais-diz-estudo-da-onu-4591826.html

domingo, 14 de setembro de 2014

VOGUE KIDS FAZ ENSAIO COM CRIANÇAS EM POSES SENSUAIS E PODE SER ACIONADA PELO MP



Pernas abertas, calcinha aparecendo, blusa levantada. Se fossem modelos adultas, estaríamos discutindo aqui no blog, mais uma vez, a objetificação do corpo mulheres. Mas são crianças e as fotos, do ensaio “Sombra e água fresca”, publicado pela revista Vogue Kids em setembro, praticamente falam por si.

“Muitas vezes quando pensamos em pedofilia imaginamos um tio pervertido ou em um cara se escondendo atrás de um computador, ou de algo escondido, secreto. Mas a gente não fala de uma cultura de pedofilia, que está exposta diariamente, onde a imagem das crianças é explorada de uma forma sexualizada.

A Vogue trouxe um ensaio na sua edição kids com meninas extremamente jovens em poses sensuais. Alguns podem dizer que é exagero. Que é pelo em ovo. Eu digo que enquanto a gente continuar a tratar nossas crianças dessa maneira, pedofilia não será um problema individual de um ‘tarado’ hipotético, e sim um problema coletivo, de uma sociedade que comercializa sem pudor o corpo de nossas meninas e meninos”, afirmou a roteirista Renata Corrêa, uma das primeiras a criticar publicamente a revista.

A arquiteta Tuca Petlik conta que ficou chocada quando viu a matéria. Foi ela quem tirou as fotos acima – editadas para preservar a identidade das meninas. “Como ninguém que trabalhou na matéria questionou? Produtor, maquiador, fotógrafo, diagramador, revisor, diretor de arte, editor de texto, direção… Ninguém se ligou que estava um pouco demais? Que dureza ver que ainda temos um caminho tão longo para percorrer em busca de uma sociedade que valorize a infância, que proteja nossas crianças, que não veja a mulher e seu corpo como mercadoria, que amplie os ‘modelos de beleza’. etc… É triste”. Tuca é mãe de Maya, de dois anos. “Como mulher, como mãe, como mãe de uma menina, eu sinto revolta”.

Yolanda Domínguez, artista plástica espanhola que já realizou performances no Brasil questionando a indústria da moda, afirma que “é alarmante a sexualização prematura a que as meninas são submetidas por meio de bonecas (Brads, Barbies…), desenhos animados e agora, a moda. Essas imagens possuem uma clara conotação sexual: meninas com pernas abertas, deitadas, levantando a camiseta ou trazendo um peixe para a boca. As meninas aprenderão que atitude se espera delas”. Yolanda, que é editora do site Strike the Pose, avalia que a Vogue cometeu um erro enorme e defende que a revista “deveria pedir desculpas imediatamente”.

Jornalista e analista de moda, Vivi Whiteman lembra que “a moda tem como regra trabalhar com meninas muito novas, que começam com seus 13 anos. Não sei quantos anos têm as moças das fotos, mas tenho certeza de que foram autorizadas pelos pais”. Para Vivi, a  moda não é exatamente o mais ético dos mundos e não tem pudores com nenhum tipo de sensualidade. “Ao longo dos anos temos grandes obras que abordam o tema da sexualidade infantil, de Freud a Nabokov. 

A questão é que num ensaio de moda feito para vender produtos e comportamento não há espaço para teoria, nem para discussão, nem para aprofundar nada. Não é questão de demonizar a revista, mas de fato é o caso de ampliar o debate sobre essa questão. Não é moralismo, mas a constatação de que essas imagens geram certas reações, elas não são neutras nem existem num universo ideal. Os pais precisam se colocar e parar de fingir que esse tema não existe. A revista é só mais um exemplo de um comportamento que está na mídia e também na educação”.

O blog apurou que algumas pessoas já fizeram denúncias ao Ministério Público e que instituições de defesa da criança e do adolescente preparam-se para uma ação coletiva. Mas segundo a Ferraz Assessoria de Imprensa, que cuida da conta da revista, até o momento não há nada a declarar porque “não chegou nenhuma notificação. Tudo o que existe são burburinhos na internet”.


FONTE: REVISTA CARTA CAPITAL

http://mairakubik.cartacapital.com.br/2014/09/11/vogue-kids-faz-ensaio-com-criancas-em-poses-sensuais-e-pode-ser-acionada-pelo-mp/

domingo, 17 de agosto de 2014

LEI MENINO BERNARDO



A Lei Menino Bernardo é o nome adotado pelos deputados para projeto de lei 7672/2010, da Presidência da República brasileira, proposto ao Congresso Nacional Brasileiro que visa proibir o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis ou degradantes na educação de crianças e adolescentes. A imprensa brasileira apelidou a lei de Lei da Palmada.
Relatado pela deputada Teresa Surita (PMDB-RR), o projeto prevê que pais que maltratarem os filhos sejam encaminhados a programa oficial de proteção à família e a cursos de orientação, tratamento psicológico ou psiquiátrico, além de receberem advertência. A criança que sofrer a agressão, por sua vez, deverá ser encaminhada a tratamento especializado. 

A proposta prevê ainda multa de três a 20 salários mínimos para médicos, professores e agentes públicos que tiverem conhecimento de agressões a crianças e adolescentes e não denunciarem às autoridades. A lei gerou polêmica e muitas discussões desde que foi proposta, em 2003. Esta lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 21 de maio de 2014 e foi aprovada no Senado no dia 4 de junho de 2014.

Opinião de especialistas

Segundo diversos advogados, a lei não proíbe exatamente a palmada, uma vez que este termo nem é citado no corpo do texto. Para muitos, a a lei é redundante em boa parte com a legislação anterior e não irá alterar significativamente a realidade, sendo que alguns de seus pontos são subjetivos, pois não definem exatamente o que seria o "sofrimento físico" suficiente para gerar consequências jurídicas.

Já os psicólogos do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Instituto de Psicologia da USP, apoiam a iniciativa da lei e abominam a utilização de qualquer punição física (incluindo a palmada) . Na mesma linha, a pedagoga Áurea Guimarães, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, defende que punições não resolvem, pois têm um caráter muito mais exemplar, do que reflexivo: "A criança deixa de fazer algo por medo, não por compreender o certo e o errado” .

Para a coordenadora técnica do Centro Regional de Atenção aos Maus-tratos na Infância, Lígia Vezzaro Caravieri, existe uma visão generalizada de que a violência doméstica da criança por parte dos pais é norma. O presidente da comissão da Infância e Juventude da Ordem dos Advogados do Brasil de São Bernardo do Campo e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro Alves, cita outros motivos para o uso da violência como forma de educar, como a visão de que a criança é um objeto pertencente ao adulto (e não como um sujeito com direitos) e a tradição de que a única forma de educar é a violência, além da vulnerabilidade social.

FONTE: WIKIPEDIA

quinta-feira, 24 de julho de 2014

DENÚNCIAS DE ABUSOS SEXUAIS CONTRA CRIANÇAS AUMENTARAM 41,2% NA COPA

Notificações de casos que envolvem crianças e adolescentes cresceram nas semanas do Mundial, segundo a Secretaria de Direitos Humanos



A Copa do Mundo no Brasil não se resumiu a futebol e escancarou uma triste realidade no país. Nas quatro semanas do evento esportivo, as denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes cresceram 41,2% em comparação ao mesmo período de 2013. O levantamento foi feito pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), a pedido do Correio.

Considerando os dias entre 12 de junho e 13 de julho, os relatos recebidos por meio do Disque 100 da SDH saltaram de 524, em 2013, para 740 este ano. Pesquisadora na área da infância e da juventude, Graça Gadelha pondera que nem todas as denúncias são confirmadas, mas avalia que, no caso da Copa, o aumento das ligações reflete, sim, o crescimento dos casos. Ela passou por nove cidades sedes durante o Mundial para ministrar oficinas e fazer um estudo, ainda não divulgado, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e afirma que foi possível constatar um incremento nas violações.


Graça explica que a exploração sexual pressupõe trocas, seja por dinheiro, jantares ou roupas que atraem as crianças e os adolescentes. “São situações que remetem à alta condição de vulnerabilidade desse grupo, e as denúncias são, sem dúvida, um indicativo importante para supostas violações que ocorrem de forma semelhante em contextos de grandes eventos, que criam um cenário mais sensível”, avalia a socióloga e consultora do Instituto Aliança. Segundo ela, as denúncias do Disque 100 sempre aumentam em períodos de carnaval e outras festas que promovem fluxo acentuado de pessoas. Na Copa, segundo o Ministério do Turismo, pouco mais de 1 milhão de turistas de 203 nações vieram ao Brasil, e 3 milhões de brasileiros viajaram internamente. 

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2014/07/22/interna_brasil,438488/denuncias-de-abusos-sexuais-contra-criancas-aumentaram-41-2-na-copa.shtml


sábado, 14 de junho de 2014

11 FOTOS QUE OS PAIS NÃO DEVEM PUBLICAR NAS REDES SOCIAIS!

Nos dias atuais, as redes sociais estão cada vez mais presentes em nossas vidas e nas de nossos filhos. Muitas vezes nós comprometemos a segurança deles e a nossa ao publicar fotos de maneira ingênua, sem saber ao certo os problemas que isso pode causar!

Os sites Delas e o M de Mulher publicaram recentemente sobre que tipos de imagens devemos ter cuidado em postar  na rede e achei pertinente compartilhar essas informações com vocês!

“O rosto todo lambuzado pela primeira papinha, a folia na hora do banho ou o tablet novinho em folha da criança. São tantas as situações engraçadas ou fofas que os pais compartilham nas redes sociais que fica difícil passar um dia sem topar com essas fotos. Mas internet não combina com ingenuidade. Quem quer compartilhar imagens na rede precisa entender que este é um ato permanente e cheio de riscos”.

Sequestro, pedofilia, buylling e roubo estão entre os riscos aos quais as famílias se expõem ao publicar imagens inadequadas na internet. Confesso que depois de saber disso, apaguei algumas fotos das minhas redes sociais… Afinal, todo cuidado é pouco quando se trata da segurança dos nossos pequenos, não é mesmo?

Vamos à lista!


1)Foto com registro de localização 

Antes de baterem uma foto de seus pequenos, desativem o geolocalizador do celular ou da câmera fotográfica. Ninguém precisa saber quais são os locais que a criança frequenta. Pessoas mal-intencionadas podem usar essas dicas para assustarem vocês quando seus filhos não estiverem em casa. Sabem aqueles trotes que simulam sequestros? Eles ficam muito mais assustadores se a pessoa que estiver ligando tiver informações precisas da vida de seus filhos.




2)   Foto da criança nua e tomando banho 

Posso publicar uma foto do meu filho tomando banho? As partes íntimas do pequeno estão aparecendo? Antes de compartilharem algo assim, pensem três vezes para não se arrependerem depois. Infelizmente, há o risco de pedofilia. Há muitas pessoas mal-intencionadas na internet que ficam procurando imagens de crianças peladas para compartilhar em sites de conteúdo impróprio.




3)   Foto da criança com uniforme da escola 

Evite que estranhos identifiquem a rotina do seu filho, que saibam qual é o nome do colégio que ele estuda e os cursos extras que ele frequenta. Essas informações podem ser usadas em planejamento de sequestro.




4)   Foto da criança em alta-qualidade

A partir do momento em que uma foto cai na rede, perde-se totalmente o controle sobre ela. Fotos em alta resolução, por exemplo, podem ser editadas e usadas com mais facilidade e podem ser utilizadas com muitos propósitos, incluindo propagandas não autorizadas.



5)   Foto da criança com outros amiguinhos 

Jamais publique a foto de outra criança sem a autorização dos pais. A internet é uma rede mundial, por isso, todo cuidado é pouco! Os pais dos amiguinhos podem não gostar e não querer a tal exposição. Fiquem atentas!



6)   Foto da criança no ambiente de trabalho dos pais

Com a divulgação desse tipo de imagem, os usuários, além de saberem quais são os locais que o filho frequenta, saberão também onde os pais trabalham. Todos ficam vulneráveis! Mais uma vez: não divulguem informações da sua vida pessoal. É muito perigoso!




7)   Fotos que vão fazer a criança sentir vergonha no futuro

“Algumas fotos podem ser bonitinhas, mas, no futuro, podem constranger seu filho deixando-o vulnerável para ser alvo de bullying”, aconselha Marcos Ferreira, especialista em segurança da informação da TrustSign, empresa focada em soluções de segurança na internet.



8)   Fotos da criança perto de objetos de valor 

Evitem postar fotos que possam chamar atenção para os bens materiais da família. Ninguém precisa, por exemplo, saber que seu filho ganhou um IPad de presente.



9)   Fotos publicadas em álbum aberto para todos

É ingenuidade acreditar que existe segurança apenas porque o seu perfil só pode ser visualizado por amigos e amigos dos amigos. Quem são os amigos dos seus amigos? Vocês os conhecem? Todo cuidado é pouco.




11)   Pistas da casa da criança:

Evitem fotos em que a fachada da sua casa, o nome da rua ou pontos de referências fiquem evidentes!




11)   Fotos engraçadinhas 

Muito cuidado para uma foto fofa do seu filho não se tornar o próximo meme ou gif da moda. Eles viralizam com muita facilidade!



  
Texto do site justrelmoms.com.br de 14 de abril de 2014.

FONTE: Site Criança a torto e a direitos



terça-feira, 10 de junho de 2014

OUÇA O QUE DIZEM MULHERES QUE SOFRERAM VIOLÊNCIA SEXUAL NA INFÂNCIA

Hoje adultas, elas afirmam que trauma da exploração dura para sempre.


Não há números exatos sobre quantas crianças e adolescentes são vítimas de exploração sexual no Brasil. Segundo estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 100 mil menores de idade, principalmente meninas, são exploradas em mais de 900 municípios do país, quase metade deles no Nordeste. Embora o problema seja de difícil detecção, quem já o sofreu na pele garante: o trauma é real, profundo, e dura para sempre.

Violência durante a vida inteira

Dos 32 anos de Maria do Socorro*, 13 foram de agressão familiar; 12 de exploração sexual, prostituição e uso de drogas, e sete de uma nova vida na reabilitação. "Eu nunca amei", diz ela ao lembrar dos anos em que se prostituiu. Ela conta ter tido seis filhos. Cinco deles foram frutos de abuso e prostituição. "Eles não sabem. Não sabem quem são os pais deles. Nunca contei. Tenho medo de que não entendam, de que me odeiem", diz a mulher que, atualmente, trabalha como zeladora com um novo companheiro, no Ceará. "Estou aprendendo agora [a amar]", diz ela.

Adotada aos três anos, ela conta que fugiu de casa aos 13, depois de cansar de apanhar da mãe adotiva. Nas ruas, ela conheceu uma menina e acabou morando na casa da mãe dela, a cafetina que a levou pela primeira vez pelo caminho da prostituição infantil. "O pior dia foi o primeiro, eu nunca tinha feito aquilo. Foi no dia que cheguei. Eu chorava tanto, eu não queria, ela me obrigou", afirma ela, acrescentando que "foi estupro".

Os clientes eram arranjados pela cafetina e os abusos sexuais ocorriam em matagais na Região Metropolitana de Fortaleza. As adolescentes ficavam com uma parcela pequena do dinheiro pago pelos abusos, apenas o suficiente para comprarem drogas. A maior parte do dinheiro ficava com a proprietária da casa.
"Até que eu engravidei e ela me expulsou. Eu tinha 15 anos."

Ela foi morar em um quarto de taipa, nas ruas, onde mantinha relação sexuais em troca de drogas, mesmo grávida. "Eu vivia suja. Eles [os 'clientes'] não ligavam", conta. "Eu dei meu filho quando ele tinha um mês e 20 dias. Procurei minha mãe e dei pra ela. Eu não queria essa responsabilidade. Até hoje ela cuida dele", afirma Maria do Socorro que, dois meses após o nascimento do primeiro filho, engravidou novamente do mesmo "cliente".

A segunda gravidez trouxe um relacionamento fixo, uma nova rotina e novos vícios. "Eu parei de me prostituir e fui pedir esmolas e comecei a usar crack", diz. Maria do Socorro criou a filha nestas circunstâncias até os cinco anos. "Mas eu perdi a guarda dela porque me denunciaram." Aos 20 e poucos anos e viciada em drogas mais pesadas, ela largou o companheiro, que a espancava, e foi em busca de clientes com mais dinheiro e mais exigentes. Ela passou a se prostituir na Avenida Beira Mar, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza. "Aqui [no bairro em que vive] meus clientes eram velhos e tudo acabava rápido, né? Pagava pouco. Lá [na Beira Mar] não, eles queriam curtir a droga com a gente. Mas também demorava mais, era a noite toda. Quando começava, eu queria era que acabasse logo", conta.

Na Beira Mar, ela se envolveu com um estrangeiro e, como muitas garotas, acreditou que o príncipe dos sonhos lhe daria uma vida melhor. O homem, porém, desapareceu e, depois de um tempo, ela descobriu que estava grávida novamente. "Pra mim foi o fundo do poço. Você grávida de uma pessoa que você nem sabe quem é. Eu nunca engravidei na rua. Era uma vergonha", disse ela, que não sabe o nome ou o país de origem do pai de sua filha.

Após tentativas frustradas de provocar um aborto, ela foi convencida a não dar sua filha para a adoção, e foi levada a um tratamento de desintoxicação na Sociedade da Redenção. A estrada para a recuperação foi árdua, e ela chegou a repetir o ciclo e bater na filha recém-nascida. "Eu entrei em depressão e tinha tanta vergonha. Eu era que nem a minha mãe e eu me sentia triste com isso."

Há um ano e meio, Maria do Socorro encontrou um novo companheiro com quem teve mais um filho, desta vez, planejado e com acompanhamento médico. Os quatro vivem em uma pequena casa afastados do local onde as lembranças eram mais fortes. "Muita coisa ficou, eu não deixo minha filha na rua pra brincar, tenho medo."

Maria do Socorro ainda pretende se reaproximar dos filhos que vivem com sua mãe adotiva. Enquanto isso, ela ainda tenta se entender com o próprio passado. "Minha filha que vive comigo vive perguntando quem é o pai dela. Eu tenho vergonha, eu minto, cheguei a dizer que ele morreu."

Dois dias presa em um ponto de prostituição

Com Joana*, de Pernambuco, a história não começou na violência. Criada pela tia, ela diz não ter tido problemas em casa. Seu problema existia nas ruas e se aproveitava de meninas imaturas que gostavam de brincar desacompanhadas. "Eu gostava de sair, de conhecer o mundo, né", afirmou ela. Na noite de Ano Novo de 2008, com 17 anos recém-completos, a adolescente acompanhou uma conhecida do bairro a outro local. A menina lhe disse que precisava buscar uma troca de roupa para aproveitar o Réveillon. Chegando lá, porém, Joana disse que se deparou com um espaço aberto lotado de homens, e mulheres que faziam programa

"Eu não sabia dos perigos que a rua causava. Achavam que eu estava fazendo programa. Perguntavam se eu queria ficar com eles. 'Você quer ficar comigo? Eu lhe ajudo a voltar pra casa'", reconta ela. Sem crédito no celular, só depois de dois dias Joana conseguiu convencer um dos homens da região a levá-la de volta ao seu bairro. Antes disso, porém, ela diz ter sido obrigada a ficar com quatro homens contra a sua vontade, após sofrer ameaças de agressão e propostas de programas pagos em trocados ou comida. Um dos homens a ameaçou com uma arma e tentou impedir que ela tentasse ligar para a mãe.

Além de notar a presença de outras adolescentes no local, ela diz ter conhecido um estrangeiro por lá. O homem, que segundo ela era alemão, lhe disse que havia escutado várias vezes relatos de outras jovens como ela.

Na volta para casa, com vergonha de enfrentar a mãe, Joana se escondeu na casa de amigas e precisou ser acalmada pelos vizinhos. "Eu era muito aventureira, por isso não avisei minha mãe aonde eu ia. Ela esperou por mim três dias chorando", relembra ela.

Nas ruas de Recife, Joana diz que abordagens de adolescentes por homens adultos são comuns, independente de haver oferecimento por parte delas. Ela afirma que, também com 17 anos, foi parada na rua por homem que lhe ofereceu trabalho. Depois de anotar os dados pessoais dela, ele a conduziu a um suposto escritório, onde tentou fazer com que ela posasse nua para fotos. Ao perceber a armadilha, Joana se recusou e conseguiu fugir, ouvindo do homem que ninguém acreditaria em sua história, se ela a contasse.

"Existem muitas pessoas que não têm nenhum instinto de ser humano. Que esquecem o que é família, o que é vida, o que é criança, o que é uma pessoa perdida", afirma ela. Segundo Joana, esse tipo de pessoa pode se aproveitar de adolescentes imaturas como ela foi um dia. "Principalmente na Copa."

Copa aumenta fatores de vulnerabilidade

Anna Flora Werneck, gerente de Programas da Childhood Brasil, afirma que não é a Copa do Mundo que traz riscos de exploração sexual infantil, "mas alguns fatores da Copa aumentam a vulnerabilidade para que isso ocorra". Ela cita a grande movimentação de pessoas, a antecipação das férias escolares –que dá mais um motivo para os menores de idade ficarem ociosos–, a oferta de bebida alcoólica e o trabalho informal. Além da Copa, esses fatores também aparecem em outros eventos, como o Carnaval, as paradas LGBT e corridas de Fórmula 1. Por isso, segundo ela, o problema não deve ser esquecido a partir de 12 de julho.

Segundo ela, a exploração sexual infantil é móvel. "De certa forma ela é visível, mas é invisível. Você descobre o ponto, divulga, e as redes criminosas rapidamente vão para outro lugar." Apesar disso, diz a especialista, os espaços onde esse tipo de rede pode atuar sempre têm semelhanças, principalmente fatores de vulnerabilidade. Entre eles estão problemas familiares, incluindo maus tratos, e regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, como as favelas e comunidades mais pobres.

São fatores como esse que levam as crianças e adolescentes às ruas, e lá as redes de tráfico de drogas e de prostituição não demoram a encontrá-las.

De acordo com a Childhood Brasil, os efeitos da violência são duradouros. Em pesquisa feita em 2009 com 69 adolescentes resgatadas de situações de exploração sexual, 60,9% delas afirmaram que já pensaram no suicídio. Dessas, 58,1% já tentaram tirar a própria vida. O número é dez vezes mais alto que a média brasileira.

"Quando violência sexual acontece, normalmente outros direitos já foram violados. Para garantir o direito, tem que garantir que a criança não esteja na rua, não está vendendo drogas, não está em situação de trabalho infantil, não está fora da escola, não se sente diminuída, insegura, não está brincando no esgoto."

'Escuridão' é para sempre

A escritora, historiadora e funcionária pública Maura de Oliveira Lobo já nasceu sem direitos. Era a década de 1970, bem antes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e suas primeiras lembranças são de quando ela tinha 4 anos de idade e vivia nas ruas do Rio de Janeiro com a mulher que lhe deu o sobrenome Oliveira. "Não sei dizer onde eu nasci, porque eu não tenho referência dos meus pais. Foi uma mulher da rua que me registrou. Era uma mulher sem paradeiro", reconta Maura, que adotou o sobrenome Lobo após casar pela segunda vez, anos depois de conseguir se emancipar e escapar de uma década de violência emocional, física e sexual.

O problema de Maura não foi a prostituição infantil, mas a pedofilia na residência de uma família que a acolheu aos sete anos com o intuito de fazê-la responsável pelo trabalho doméstico. Após sofrer três anos de violência sexual do pai da família, ela passou outros sete nas mãos do genro dele, que a tratava da mesma forma. Maura só conseguiu sair da tutela da família aos 16 anos, idade em que, naquela época, a pessoa ganhava o direito de ser ouvida pela Justiça.

Hoje, Maura tem a própria família e mantém uma ONG que atende crianças em situação de exploração sexual infantil. "É uma ruptura, é uma maldade tão grande que é para sempre. Para sempre vai se viver numa escuridão dessa lembrança ruim. Eu posso lhe garantir que não tem volta." Ela afirma que é feliz, mas só conseguiu superar o que chama de "escuridão" depois de começar a trabalhar para ajudar a resgatar outras crianças que passam pelo mesmo que ela passou. "É triste ver que a mesma história ainda acontece. Ainda existe muita exploração, muita violência infantil. É como se a gente olhasse para trás e visse o mesmo filme todos os dias", diz Maura.

Apesar de a grande maioria dos casos de pedofilia envolverem familiares, os riscos de casos de exploração sexual infantil durante a Copa do Mundo no Brasil preocupam a escritora. "Não existe uma criança se tornar uma mulher. Não existe. Uma criança é uma criança tanto no seu corpo quanto na sua alma", afirma ela.

"Gostaria que os turistas olhassem para o futebol, olhasse para as belezas naturais, mas nunca que olhassem para essas crianças desejando-as. Que possam olhar para aquela criança e pensar em si próprio. Só quando a pessoa consegue se colocar no lugar do outro ela consegue pensar na dor alheia. Não é possível que três minutos de prazer seja suficiente para destruir o futuro de uma vida."

Ana Carolina Moreno, Diana Vasconcelos e Luna Markman

Do G1, em São Paulo, Fortaleza e Recife

http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/06/ouca-o-que-dizem-mulheres-que-sofreram-violencia-sexual-na-infancia.html