quarta-feira, 1 de abril de 2015

FUNKEIRA DE APENAS 8 ANOS EXPÕE A EROTIZAÇÃO INFANTIL

MC MELODY, DE 8 ANOS, CAUSA POLÊMICA E PAI DEFENDE: ‘É SÓ PORQUE ELA CANTA FUNK’


Além de ir à escola, passear no shopping com a família e brincar de boneca, a rotina de Melody Abreu, de 8 anos, inclui atividades prá lá de incomuns a uma criança: fazer shows de funk, gravar vídeos e abastecer sua página no Facebook. A pequena MC de São Paulo está causando polêmica na internet e já teve uma página no Facebook com 150 mil fãs (conquistados em um período de 20 dias) tirada do ar por conta de denúncias de usuários da rede social. Segundo o pai e empresário da menina, Thiago Abreu, de 26 anos, também conhecido como MC Belinho, isso não os incomoda e não os fará desistir da carreira musical.
— Ela canta desde pequena, desde que tinha 2 anos.

 Recebemos críticas do Brasil inteiro, principalmente de estados onde o funk não é popular, gente do Rio e de São Paulo não critica. Já estamos acostumados com isso. As pessoas denunciam porque não aguentam ver uma criança de 8 anos fazer as caras e bocas que ela faz. Tem muita criança que queria fazer o que ela faz e não consegue. Ela faz tudo sozinha, eu não mando ela fazer nada. Falam que vão denunciar pro Conselho Tutelar, mas não vamos parar, podem denunciar até pro papa. Falam que vão tirar a guarda dela. Tem é que denunciar criança que vende bala e chiclete na rua, criança que mora em abrigo. Ela estuda, é educada, a gente dá tudo do bom e do melhor.

Thiago espera recuperar a primeira página que criou para a filha no Facebook, mas, enquanto isso, criou uma nova há uma semana, que já reúne mais de 28 mil fãs e é abastecida pela própria Melody, sob a supervisão do pai. O EXTRA entrou em contato com o Facebook para saber quais foram os termos de usuário violados pela página que foi tirada do ar e ainda não recebeu resposta.

— Por mais que tenha atitude de uma menina de 12 ou 13 anos, ela ainda é criança, então eu supervisiono. Tem coisa que ela quer colocar e eu sei que as pessoas vão criticar demais, então falo pra não postar. Ela quer colocar coisas de família e eu digo: "Não posta. Isso é página de artista, não pode expor a família".

A carreira da menina está causando polêmica nas redes sociais e as opiniões dos usuários são bem divididas. Enquanto uns elogiam o talento dela e desejam sorte na carreira, outros acusam seus pais de hipersexualização e exposição. Alguns homens inclusive dizem que ela é "uma delicinha" e "um monumento de mulher". Melody já chamou a atenção de grupos feministas e também da página de humor “Irmã Zuleide”, que publicou: “Antes da internet, como você fazia pra passar vergonha? Tá repreendido em nome de Jesus”, ironizou. Segundo Thiago, as críticas só existem porque Melody canta funk.

Falam mal só pelo funk. Quando saiu o clipe de “Single ladies”, da Beyoncé, havia vários vídeos de crianças de 2 anos dançando de biquíni e maiô e ninguém reclamava. Ninguém falava de Sandy & Junior no início da carreira, dançando “Vai ter que rebolar” de shortinho. Só falam mal porque ela é MC. A Melody imita as caras e bocas que a Anitta faz e as pessoas acham isso demais (pra idade dela). Ela não está falando palavrão, não está ‘fazendo sensualidade’.
Apesar da justificativa do pai, na música “Fale de mim”, que, de acordo com ele, começou a ser feita em uma visita à casa do Mr. Catra, no Rio, Melody fala: “Pra todas as recalcadas aí vai minha resposta: se é bonito ou se é feio, mas é f*** ser gostosa”.

— Ah, se ‘f***’ for palavrão… Todo mundo fala ‘f***’ - desconversa Thiago, que disse ter um advogado a postos caso receba alguma intimação do Conselho Tutelar.

Toda a família de Melody trabalha com funk. Além do pai, MC Belinho, a irmã mais velha, Bella, de 10 anos, também é MC, canta na noite há três anos e participava dos shows do pai desde os 4 anos de idade.

— A página dela tinha 500 mil fãs, mas também derrubaram. Ela colocou aparelho (ortodôntico) agora e parou de cantar um pouco - conta Thiago. Além disso, a tia das meninas é cantora de funk e a mãe delas era dançarina, mas agora trabalha como assessora da família.

— A gente sabe o que está fazendo. Dizem “esses pais são loucos”, mas várias crianças aparecem em programas de TV, só que, ao invés de cantar funk, elas cantam sertanejo. Mas vão se expor do mesmo jeito.

Segundo o pai, Melody tem três participações na TV agendadas para o mês de abril. Sem contar os shows que faz em matinês aos domingos, Melody já canta em festas de aniversário - mas as apresentações só podem acontecer até meia-noite.

— Ela só faz domingueira (matinês aos domingos), quando ela faz show sábado, é em festa de aniversário. Baile funk nunca fez. Na última domingueira que ela era atração, fez show com o MC Gui. As pessoas falam: "Ah, vai um monte de pedófilo pra esses lugares", mas também tem menor de idade. Não é culpa nossa se entra menor ou maior de idade. Ela não vai deixar de ser cantora por isso não.

A menina estuda no turno da tarde e já precisou mudar de colégio por causa da carreira. Segundo o pai, ela é muito dedicada aos estudos e tira boas notas.

— Mudei ela de colégio uma vez e agora vou ter que mudar de novo por causa do assédio. Ela estuda em escola particular. Nos intervalos, as diretoras, professoras, todo mundo fica pedindo foto, pedindo pra ela cantar. (A carreira) não está prejudicando a vida dela, essas coisas acontecem quando você fica conhecido. Com certeza aconteceu com a Maisa (Silva) e os pais dela não a tiraram do programa. E agora está aí no SBT, ganhando muito dinheiro. Mas eu não penso só em dinheiro, isso é consequência. Estou ajudando minha filha a realizar um sonho. Faço por ela o que eu não tive quando era criança.

FONTE: JORNAL EXTRA

http://extra.globo.com/noticias/brasil/mc-melody-de-8-anos-causa-polemica-pai-defende-so-porque-ela-canta-funk-15737518.html#ixzz3W7FFjTSG

segunda-feira, 30 de março de 2015

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA, NÃO FICA NA INFÂNCIA…


Por Carolina Vila Nova
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância, não fica na infância.
Mas fica… para a vida toda!
CAROLINA VILA NOVA:  colunista Conti outra

Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 39 anos. Escritora e Roteirista.

É autora dos seguintes livros:

“Minha vida na Alemanha” (Biografia),
“A dor de Joana” (Romance-drama),
“Carolina nua” (Crônicas),
“Carolina nua outra vez” (Crônicas),
“Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas) e
“As várias mortes de Amanda” (Romance-drama).

FONTE: CONTI outra

http://www.contioutra.com/o-que-acontece-na-infancia-nao-fica-na-infancia/


sábado, 14 de março de 2015

PEDOFILIA - VOCÊ SABE O QUE É?


Pedófilos são pessoas adultas que têm preferência sexual por crianças do mesmo sexo ou de sexo diferente, geralmente pré-púberes (que ainda não atingiram a puberdade) ou no início da puberdade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

A pedofilia em si não é crime, no entanto, o código penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo, ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. Conforme o artigo 241-B do ECA é considerado crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.”

Fonte: Turminha do MPF (Ministério Público Federal)

http://www.turminha.mpf.mp.br/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

EMPRESÁRIO RELATA EM LIVRO OS ABUSOS SEXUAIS SOFRIDOS DURANTE A INFÂNCIA

“Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia”,  afirma Marcelo Ribeiro



Foi preciso quase três décadas para que o empresário paulista Marcelo Ribeiro tomasse coragem para falar sobre o abuso que sofreu na infância. O professor e maestro de um coral católico - o homem que mais admirava - o agrediu dos 12 aos 16 anos. Um trauma que ele escondeu de todos e de si mesmo até os 42 anos. Foi o medo de perder a mulher que amava, e que se afastava diante das atitudes que ela não entendia, que o motivou a romper o silêncio. “Minha forma de agir era resultado das sequelas do que tinha vivido”, relata. Falar o ajudou a compreender o passado e hoje o estimula a lutar contra o mal que ainda ameaça tantas crianças. “Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia”, assinala Ribeiro, autor do Livro “Sem medo de falar”. 

O que o motivou a tornar público o drama de ter sofrido abuso na infância?

Foi somente aos 42 anos que consegui falar que tinha sofrido abuso sexual na infância. Quando percebi que as sequelas que carregava afetavam a relação com minha mulher e isto ocorreu num momento em que estamos tentando nos reconciliar. Ela não conseguia me compreender ou as minhas atitudes, que não condiziam com a minha personalidade. Atitudes que, certamente, eram sequelas de tudo o que tinha vivido. Não queria perdê-la e isto me estimulou a falar, pela primeira vez, sobre o que tinha vivido: fui abusado na infância. A partir deste momento e até escrever o livro, houve um processo de compreensão real do que tinha acontecido.

Você passou 26 anos sem falar sobre o que tinha acontecido?

Joguei no esquecimento e jamais falei sobre o assunto. Foi a proteção que busquei porque tinha muita vergonha de tudo o que aconteceu. Era muito pesado. Até os 42 anos não tinha refletido sobre o assunto, não sabia nem que tinha sido vítima de um pedófilo. Mas a partir do momento em que falei, houve um processo de compreensão, me tornei mais consciente. Houve momentos de raiva, mas com ajuda da minha esposa, pude organizar as lembranças, compreender e entender que tinha sido vítima de abuso sexual, que tinha sido vítima de um pedófilo.

Como seus pais e irmãos reagiram? 

Foi difícil para os meus pais, que estão na faixa dos 80 anos. A primeira reação é de raiva, mas num segundo momento tentaram entender o que aconteceu. Há também um sentimento de culpa. E para minha mãe foi ainda mais difícil porque o que me aconteceu foi sob o manto da Igreja Católica e ela sempre fui muito fiel, uma beata... Meus irmãos sentiram demais. Uma de minhas irmãs, inclusive, vestiu a roupa do combate a pedofilia. Quando tudo veio à tona eles também compreenderam certas atitudes minhas no passado. A verdade, como disse minha irmã, sempre coloca as coisas no lugar. Todos me apoiaram muito na decisão de fazer o livro.

Como aconteceu o abuso?

Aos 9 anos entrei para um coral da catedral de minha cidade, no interior de Minas Gerais. Logo depois da escola ia para o coral e só voltava no final do dia. O maestro era um religioso nomeado pelo arcebispo. A forma dele ensinar música seguia os padrões dos colégios católicos, com uma disciplina muito rígida, com muitos castigos físicos: tapas no rosto, croques na cabeça (cascudos). Para conquistar uma obediência absoluta ele utilizou de violência psicológica e física para dominar as crianças que estavam a mercê dele. As lembranças do primeiro abuso são aos 12 anos, mas isso aconteceu até os 16 anos.

Após o primeiro abuso, não conseguiu relatar a seus pais?
O maestro era meu tutor, professor, herói, pessoa a quem admirava muito. Nunca imaginei que ele faria algo errado. Então quando fui vítima, fiquei sem compreender o que tinha vivido. Naquela idade ainda não tinha compreensão do que era sexo. Era uma situação dúbia: se o que tinha acontecido estava errado, estaria contando o que não deveria ter feito, por outro lado, se é o professor que tinha feito, como poderia estar errado?

O que te deu força para enfrentá-lo aos 16 anos, após anos de abuso? 

Com o passar dos anos fui tendo uma consciência maior da minha situação. Naquela época morava com ele e outros adolescentes em uma outra cidade. Fui passar férias na casa dos meus pais e vi que as pessoas não viviam na prisão em que eu vivia. O somatório da busca pela liberdade com a consciência de que estava sendo abusado me deu forças para enfrentá-lo. 

Como foi voltar para casa, em silêncio?

Não foi uma convivência normal. Voltei preconceituoso, agressivo, intempestivo, com acessos de fúria. Estava sempre armado, com a sensação de que tinha que me proteger das pessoas. Assim que voltei para casa fui para a capital (Belo Horizonte), estudar. Retornei dois anos depois, mas as seqüelas do segredo que escondia tornavam a convivência com meus irmãos muito difícil. 

Durante o resgate de seu passado, descobriu que outros colegas também tinham sido abusados. 

Até os 42 anos achava que tudo aquilo só tinha acontecido comigo. A partir das minhas reflexões e recuperando a memória, percebi que outros também foram abusados, o que pude confirmar quando fiz contato com alguns amigos da época. A partir daí, analisando o que aconteceu, sei que o maestro continuou abusando de outras crianças, e talvez ainda abuse.

Teve vontade de se vingar?
Lógico. A primeira sensação é de raiva, de fazer justiça com as próprias mãos, principalmente quando descobre que o crime prescreveu, que a Justiça não tem como fazer justiça. Minha mulher foi fundamental neste processo, ao me ajudar a pensar com uma consciência mais elevada, a compreender a humanidade do abusador, e o que leva uma pessoa a isto, até para conseguir perdoar, mesmo sem aceitar. 

Você faz críticas à legislação.

No sentido de conscientizar de que a legislação precisa melhorar. Já houve avanços quando a nadadora Joana Maranhão denunciou os abusos sofridos aos 9 anos, praticado por seu técnico. A lei melhorou um pouco, principalmente no caso da prescrição, mas os casos de abuso são formadores de trauma e, geralmente, a pessoa não é capaz de falar sobre o assunto a vida inteira. Então, este tipo de crime não pode ter prescrição, não por causa da punição dos casos que já ocorreram, mas para que a sociedade possa proteger as crianças hoje. É um dos nossos grandes desafios.

O combate à pedofilia se transformou em sua bandeira.

Nós sabemos que é difícil falar sobre este tipo de crime, que é formador de estigma. A sociedade o vê como tabu e quando alguém fala, as pessoas viram as costas, preferem imaginar que não ocorrerá com elas. A minha necessidade de falar é maior no sentido de acabar com o silêncio, com o seu estigma, de expor o abusador. E quanto mais se falar sobre o assunto, mais fácil será para as vítimas compreenderem o que acontece quando ela for vítima, saberá o que falar. O problema é que a pedofilia só é discutida entre adultos, é difícil falar sobre isso com as crianças. Mas a partir do momento em que o assunto for debatido na escola, que as crianças puderem compreender o que é a pedofilia, aí teremos uma sociedade mais protegida contra os abusadores.

Quais dicas dá para os pais?

Lembro, de quando era criança, de minha mãe me orientar a ter cuidado com tarados na rua. A visão das pessoas é de que o abusador é um estranho que vai pegar seu filho a força. O histórico dos abusos mostra que, geralmente, eles são pessoas próximas: vizinhos, parentes, professores. Cabe aos pais uma atenção a detalhes. Não se influenciem pela religião, sobrenome, parentesco, amizade. Não confiem cegamente em instituições e pessoas. Fiquem atentos a qualquer mudança de comportamento de seus filhos. Mas, acima de tudo, ajudem a pressionar para que haja mudanças na legislação para que, assim como a Lei Maria da Penha, tenhamos também uma legislação que garanta a proteção preventiva e não punitiva.

Hoje você é um empresário. Como seus novos amigos reagiram?

Os antigos amigos deram apoio, elogiaram minha atitude. Os novos amigos aceitaram com tranquilidade, entenderam que é um processo pessoal. A partir do meu relato, pessoas do meu círculo de amizade me relataram que também tinham enfrentado o mesmo drama e que nunca tiveram coragem de falar. Também recebi relatos de pessoas desconhecidas. Então, o falar sobre o assunto acaba sendo um estímulo para atingir o maior número de pessoas, nos dá força para ampliar a batalha contra a pedofilia.

FONTE: GAZETA ON LINE


http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2014/05/noticias/cidades/1487110-empresario-relata-em-livro-os-abusos-sexuais-sofridos-durante-a-infancia.html

Mutirão para enfrentar a Violência Contra Crianças e Adolescentes no Carnaval





Com o lema “Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. Proteja nossas crianças e adolescentes da violência”, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República convida todas e todos a participar da Campanha Nacional de Carnaval pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes. 

O objetivo da ação é conscientizar as pessoas sobre a importância de prevenir e denunciar possíveis casos de violação de direitos da população infanto-juvenil nesse período de grande movimentação turística no Brasil. 

A mobilização abordará o enfrentamento a diversas violações, como violência sexual, maus tratos e negligência. A ação destaca o Disque 100 como o principal canal de recebimento de denúncias sobre violações de direitos humanos do governo federal, além dos conselhos tutelares.

Faça a sua parte. Fique atento aos direitos das nossas crianças e adolescentes e, em caso de violações, Não desvie o olhar. Denuncie. PROTEJA. Divulgue esta campanha, procure o Conselho Tutelar ou Disque 100. Proteger nossas meninas e meninos de todas as formas de violência é uma responsabilidade de todos! 

#Denuncie #DireitosHumanos #Disque100 #NãoDesvieoOlhar #EuProtejo

FONTE: DIREITOS HUMANOS BRASIL


https://www.facebook.com/events/778135488942016/?ref_newsfeed_story_type=regular

sábado, 15 de novembro de 2014

CHILDHOOD BRASIL LANÇA GUIA PARA CAPACITAÇÃO EM DEPOIMENTO ESPECIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O livro-guia é destinado à capacitação dos vários profissionais envolvidos na escuta de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. 



O livro-guia é destinado à capacitação dos vários profissionais envolvidos na escuta de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. 

A Childhood Brasil, em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo, promoveu o seminário “A ‘escuta’ de crianças e adolescentes em situação de violência sexual: diretrizes para consolidação de uma política pública do Estado Brasileiro”, que aconteceu no auditório do Gade MMDC.

No encontro, Ana Maria Drummond, Diretora Executiva da Childhood Brasil, anunciou o lançamento do Guia de Referência em Escuta Especial de Crianças e Adolescentes em Situação de Violência Sexual: Aspectos Teóricos e Metodológicos, uma importante conquista para a capacitação dos vários profissionais que realizam a escuta nas salas de depoimento especial.

Estes espaços proporcionam sensação de acolhimento às crianças para que os depoimentos da situação vivenciada sejam menos traumáticos. Nesse processo, é importante a presença de um profissional capacitado para realizar a entrevista forense.

Além dos danos já vivenciados, a criança passa por um estado de grande estresse psicológico quando a entrevista não considera que ela está em condição peculiar de desenvolvimento. Procedimentos de escuta especial já são adotados em 28 países e, no Brasil, aproximadamente 100 salas tem estrutura para esse tipo de entrevista. Só em São Paulo, são 24 salas de depoimento especial.

“O Guia de Referência em Escuta Especial de Crianças e Adolescentes é um material chave para a capacitação dos profissionais envolvidos na escuta. Estamos muito orgulhosos do resultado desse trabalho que envolveu dezenas de especialistas durante dois anos de pesquisas e dedicação”, afirma Ana Maria Drummond.

FONTE: CHILDHOOD BRASIL

http://www.childhood.org.br/childhood-brasil-lanca-guia-para-capacitacao-em-depoimento-especial-de-criancas-e-adolescentes





domingo, 9 de novembro de 2014

RELATÓRIO DA UNICEF: PROVAS DE VIOLÊNCIA GENERALIZADA CONTRA AS CRIANÇAS “OBRIGAM-NOS A AGIR”

De acordo com novos dados apresentados ontem pelas Nações Unidas, a violência contra as crianças é universal, é tão prevalente e profundamente enraizada nas sociedades que freqüentemente não a vêm e aceitam-na como norma.

O novo relatório do fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF),Hidden in plain sight: A statistical analysis of violence against children (“Escondida em plena vista: Uma análise estatística da violência contra as crianças”), baseia-se nos dados de 190 países de forma a procurar esclarecer uma questão que tem permanecido pouco documentada.
O relatório revela que duas em cada três crianças no mundo com idades compreendidas em os 2 e os 14 anos (quase mil milhões) estão sujeitas a maus-tratos físicos pelas pessoas que cuidam delas. No entanto, apenas um terço dos adultos em todo o mundo acredita que o castigo físico é necessário para dar uma boa criação ou educação às crianças.
Susan Bissell, Chefe da proteção infantil na UNICEF disse em entrevista que os dados essenciais mostram que “se neste momento há um aspecto comum da sociedade humana, é o fato de que se comete enorme violência contra as crianças”.
“É no entanto importante que não fiquemos com a mensagem de que há violência em toda a parte, que vivemos num mundo horrível, mas devemos lembrar que existem soluções já experimentadas e avaliadas”, disse.
Embora o relatório contenha dados sobre violência física, emocional e sexual, cometida em contextos onde as crianças se devem sentir seguras, como sendo as suas comunidades, escolas e lares, existe uma limitação fundamental na documentação de violência contra as crianças.
Os dados incluem novos números sobre violência disciplinar - que é a forma mais comum de violência contra as crianças assim como a violência contra as raparigas -   classificações gerais para abuso físico e sexual. O relatório também analisa as taxas de homicídios – uma das principais causas de morte dos jovens adolescentes do sexo masculino.
De fato, um quinto das vítimas de homicídio consiste geralmente de crianças e adolescentes menores de 20 anos, resultando em cerca de 95 mil mortes em 2012, e um pouco mais de um em cada três estudantes de idades compreendidas entre os 13 e os 12 em todo o mundo sofre de bulliyng na escola.
“Violência gera violência. Sabemos que uma criança que sofre de abusos está mais susceptível a olhar para a violência como algo normal, e até mesmo aceitável e certamente estará mais pré disposta a perpetuar no futuro atos de violência contra os seus ou as suas próprias crianças”, afirmou o Diretor Executivo da UNICEF, Anthony Lake.
 As percepções sobre a violência incluindo números chocantes sobre as opiniões das crianças e relutância em denunciar o abuso também foram denunciadas. Portanto, a mudança de atitudes relativas à violência contra as crianças começa com a educação. O relatório é uma oportunidade para entrar no domínio público e dizer “agora vocês têm que fazer algo”, afirmou a Chefe da proteção infantil na UNICEF.
“Mudança social, atitudes positivas de rapazes e raparigas e posteriormente de gêneros levam algum tempo a ser mudadas, mas podemos ver mais rapidamente mudanças dos que antes, pelo menos com o advento das redes sociais e do uso de abordagens mais inovativas e criativas, afirmou Bissel.
Os afeitos da violência contra as crianças pode durar uma vida, da mesma forma que a exposição à violência pode alterar o desenvolvimento do cérebro de uma criança, saúde emocional e física. A violência também é transmitida de uma geração para a outra. Mas a violência não é inevitável; pode ser prevenida.
“A violência contra as crianças ocorre todos os dias, em todo o lado [mas] não é inevitável. É passível de prevenção, se não deixarmos a violência prevalecer nas sombras”, afirmou o Diretor Executivo da UNICEF. “As provas deste relatório levam-nos a agir, para o bem dessas crianças e para a força futura das sociedades em todo o mundo”.
A UNICEF aposta em seis estratégias para capacitar a sociedade como um todo, das famílias aos Governos, para prevenir e reduzir a violência contra as crianças. Incluem apoio parental e equipar crianças com habilidades para a vida, a mudança de atitudes, reforço judicial, criminal e dos sistemas e serviços sociais, e a criação de mecanismos de recolha de provas e a consciencialização sobre a violência e sobre os custos socioeconômicos, de modo a mudar as atitudes e as normas.
05 de Setembro de 2014, Centro de Notícias/traduzido e editado por UNRIIC