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segunda-feira, 6 de abril de 2015

MAIS UMA DESSE INSANO PAULO GHIRALDELLI - “SEXO COM CRIANÇAS É BOM”

ALGUÉM PRECISA PARAR ESSE CARA. ELE PRECISA SER PRESO!



“SEXO COM CRIANÇAS É BOM”
Published on 24/04/2014 by Paulo Ghiraldelli
As crianças adoram imitar símbolos sexuais e pessoas que cantam utilizando o que alguns chamam de pornografia. As crianças possuem desejo sexual e possuem prazer libidinal desde a mais tenra idade. No entanto, quando elas mostram o seu gosto por uma cantora que remexe a bunda loucamente ou por uma bandinha que fala palavrão ou faz gestos obscenos, elas estão muito longe do sexo. O sexo entra aí por obra dos pais e moralistas de plantão (moralistas não no sentido filosófico). Eles e somente eles, esses adultos, fazem a correlação inexistente.
O mundo sexual das crianças existe, não é vazio. Freud disse isso e essa lição só não foi aprendida por quem mora em um buraco de tatu ou tem o cérebro igual ao de uma minhoca. Mas o mundo sexual da criança é um mundo que não corresponde ao que o adulto entende como sexo. A criança brinca e a brincadeira tem como barro o exagero da imaginação. Quando ela vê o comportamento corporal diferente, que o adulto toma com dança sensual ou, para alguns, obscena, ou quando ela vê a linguagem alusiva ao sexo, que o adulto pode chamar de palavrão, ela, a criança, logo percebe que estão aí armas que desarmam o adulto. Ela nota que são elementos que tiram o adulto da sua costumeira apatia. Ora, por que então não se aproveitar disso para também receber atenção?  E por que não rir disso, na hora que dá certo?
Em outras palavras: a arquitetura semântica da criança não é a do adulto.
Carla Perez e os Mamonas foram ícones infantis dos anos noventa, como agora pode uma Valesca Popozuda fazer sucesso. Xuxa e Carla Perez foram bonecas de brinquedo para crianças. Valesca Popuzuda e Anita são bonecas para as crianças. Renato Aragão cansou de fazer gestos obscenos no horário nobre da Globo e ser imitado por crianças. Com isso, esteve junto com Xuxa durante anos no cinema, fazendo filme para crianças. Se a arquitetura semântica infantil é algo particular, também suas telas de janela, para a proteção de insetos, são especiais.  A criança filtra com seus filtros.
Lembro que a Marta Suplicy esteve em um “Roda Viva” da TV Cultura, nos anos oitenta, para dizer que Xuxa sexualizava a vida infantil, e que uma tal precocidade iria trazer problemas para todas as crianças, justamente os que hoje são os adultos mais jovens que eu. Minha filha e minha esposa foram criadas vendo Xuxa. Não creio que Xuxa fez mal a elas. O que Xuxa fez de sexo com Pelé e Airton Sena não tinha nada a ver com Xuxa rebolando na TV. Pelé e Airton Sena não estavam com Xuxa “de brincadeira”, mas minha esposa e minha filha estavam. Marta Suplicy era sexóloga nesse tempo! Meu Deus! Que sorte que isso passou!
Mas, ainda hoje, de vez em quando, surgem por aí os que querem repetir Marta na sua fase pudica, feminista e ligada aos inícios do politicamente correto. Ela própria abandonou tudo isso. A juventude abandonou tudo isso. Mas a linguagem que temos hoje ainda não espelha uma boa semântica da vida atual. Somos mais livres sexualmente, bem mais, mas nossa linguagem ainda está presa a cânones de um moralismo anterior ao dos anos oitenta. Fazemos uma coisa, mas a descrevemos de modo diferente, às vezes até para nós mesmos. Então, não raro, algumas pessoas que olham o sexo e as crianças, ou o sexo e a juventude, hoje, enganadas pela linguagem, se deixam levar por essa defasagem semântica e acabam prevendo práticas e crimes que não ocorrem.
Notamos isso no combate hoje exagerado ao que chamam por aí, erradamente, de “pedofilia”. A violência contra a criança é tomada como sexual, e o que às vezes nem abuso é, acaba pode se denominado de “pedofilia”, palavra que na letra da lei não expressa crime, mas que é tomada como crime e pecado pelos adultos pouco reflexivos. A culpa de tudo isso? Para as vozes da ignorância que predominam hoje em dia na mídia, muita coisa vem de algo parecido com o que Marta Suplicy dizia no passado: sexualização precoce. Vem também, para essas mesmas pessoas, do que ela não dizia, mas que é dito pelos pastores ridículos atuais: a taradização do mundo. Nunca houve tantos tarados como há hoje, dizem. Uma bobagem em termos de estatísticas. Todo adulto que encosta a mão em uma criança hoje é “pedófilo”! E isso só tende a ser retroalimentado. Claro! Hoje, pela lei, nem a professora pode segurar uma criança em uma briga ou limpá-la quando ela vai ao banheiro. Pois o corpo da criança ficou intocável de um modo irracional. Assim, qualquer toque é algo do “abuso sexual”, algo do “pedófilo”, não mais da necessidade pedagógica e do cuidado.
De um lado, as crianças são protegidas de algo que elas não sabem o que é, pois elas não olham para o sexo como problema – e não é mesmo! Por outro lado, os adultos são postos todos como criminosos, porque a linguagem sobre a infância, o corpo e o sexo tem ido por um caminho errado, de moralismo barato e de completa falta de reflexão menos carola. O resultado disso é uma esquizofrenia total da sociedade. O sexo deixa de ser prazer e pecado e se torna crime. É o pior dos mundos.
Esse mundo que vivemos tem de acabar. Uma revolução na linguagem, capaz de incorporar o que já é feito na nossa prática comportamental, é necessária. Psicólogas pudicas, pastores hipócritas e colunistas que ligam sexo à posição política, não sabem de nada. Como não querem aprender, deveriam ficar calados.
Da minha parte, ou seja, da parte do filósofo que não é celibatário nem pudico e muito menos um boboca ou um babaca, o esforço é no sentido de conversarmos sobre nossas práticas comportamentais, inclusive a do sexo, sem que tenhamos de dar voltas e mais voltas, sem que tenhamos que mentir demais. A mentira em exagero cria uma verdade. Essa verdade não ajuda em nada, não vamos ser mais felizes por causa dela.
Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez).

http://ghiraldelli.pro.br/sexocomcrianca/




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