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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estudo mostra que pedófilos geralmente são parentes no Brasil

Dado foi levantado com base em denúncias entre período de 2001 e 2007; agressor típico tem entre 22 e 45 anos.

O perigo de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil não mora nas esquinas ou ruas, mas pode estar dentro de casa. É o que indica o levantamento promovido pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), através de denúncias de abusos sexuais a delegacias e ao Disque 100 - entre o período de 2001 a 2007. O levantamento indica que na maioria dos casos o crime é cometido por pessoas que "vivem dentro da casa das vítimas".   Veja também: Determinada quebra de sigilos de acusados de pedofilia em SP Confira a cartilha online da SaferNet Como denunciar a pedofilia e proteger seus filhos na web  A cartilha do governo para prevenção da exploração Todas as notícias sobre pedofilia    Segundo a pesquisa, o perfil do agressor típico é o homem entre 22 e 45 anos que tem laços de parentesco com a vítima. "Dos cerca de 311 casos registrados no período em análise, a maior parte dos agressores é padrasto das crianças, seguido por pais, tios e avôs", aponta o coordenador da pesquisa e professor de psicologia Liércio Pinheiro. "São homens que sofrem algum distúrbio emocional ou psíquico", complementa.   Ainda de acordo com o levantamento, o número de casos de abuso denunciados aumentou nos últimos anos. Só este ano, já foram 4,7 mil registros, 31% deles relativos à violência sexual, 35% à negligência e 34% a casos de violência física e psicológica. Desde o início da análise, cerca de 90 mil casos já foram denunciados no País. Para Pinheiro, no entanto, o aumento no número de denúncias não representa um crescimento dos casos.   "As pessoas estão percebendo que o abuso é inaceitável e estão procurando por ajuda", explica Pinheiro. "Entretanto, o número de casos registrados ainda não reflete a realidade. Mais de 95% das denúncias são feitas por pessoas de baixa renda. Tanto a classe média como a alta ainda têm vergonha de admitir o abuso". Segundo Pinheiro, o medo de se expor e de perder status na sociedade faz com que as famílias de maior renda "escondam o crime em casa".   Dos Estados brasileiros, a pesquisa indica que o Distrito Federal é o que mais registrou denúncias de abuso em proporção ao número de habitantes. Amapá ficou em último lugar na lista.   Pedofilia e Sintomas   A despeito do crime de abuso sexual ser cometido contra crianças e adolescentes, Pinheiro indica que a maior parte dos agressores não são pedófilos. "A pedofilia é um transtorno de perversão, em que o acometido tem um desejo incontrolável por fazer sexo com crianças. Nesses casos, eles poderiam tanto agredir uma criança como um adulto", explica. "Esses homens apresentam, é claro, um tipo de distúrbio emocional ou psíquico".   O psicólogo alerta para que as mães prestem atenção às alterações no comportamento de seus filhos, que podem apresentar sintomas de um abuso sexual. "Caso eles estejam agressivos, um pouco depressivos e chorem bastante, a mãe deve ficar atenta e perguntar aos filhos o que houve", conta Pinheiro. "Se eles confirmarem que houve o abuso, devem denunciar o mais rápido possível o agressor, porque o abuso é crime", completa.   Quem comete abuso sexual contra crianças e adolescentes é indiciado por estupro e atentado violento ao pudor. A pena para o crime varia de seis a dez anos de reclusão, dependendo das circunstâncias do incidente.

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